"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

50- Cecília Meireles - Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

49- A instabilidade na carreira mostra o pior do meu TDAH

Tentando combater minha própria instabilidade provocada pelo TDAH, como posso encontrar um modo de ser útil para o meu excêntrico patrão ?
by Jane D.

Nos últimos dez dias estive viajando pela Ásia. Estou aqui em parte pelo destino e em parte porque eu sou uma louca. Sou, apesar de tudo, o tipo de pessoa que ainda acredita nas cartomantes e nos biscoitos da sorte. Também estou começando a ficar resignada com o fato de que sou destinada a ter uma vida cheia de aventuras. Uma mulher que eu conheci há alguns anos atrás tem um programa de jornalismo na Ásia e leu uma atualização de e-mail minha: Tenho 34 anos de idade, mais uma vez sem emprego, e eu adoro trabalhar. Ela respondeu com um convite de uma linha: Por que você não vem até aqui para conversarmos? Então, aqui estou, num café em Hong Kong. Tenho uma passagem de volta como plano B. Espero ficar aqui um par de meses e esquecer o drama que foi o ano passado. Vou ganhar mais experiência na Ásia e, talvez, a dor do passado vá embora lentamente.

Na véspera de fazer 35 anos, sinto-me um pouco deslocada por ser essa nômade. Vivo ao lado de uma mala, não tenho número de telefone permanente. Estou sempre deixando meus pertences para trás, fazendo mudanças e jogando coisas fora, dizendo adeus e sempre partindo. Minha forma de estabilidade é a mudança. A estrada é minha casa. O TDAH me segue até a Ásia e se manifesta imediatamente no meu novo emprego. Meu novo chefe é uma mulher baixinha, que tem pouco menos de 1 metro e 65 de altura. Ela tem o dobro da minha idade e fala e anda duas vezes mais rápido que eu, fazendo minha cabeça girar. Ela tem muita experiência acumulada, mas até agora, tem me deixado maluca com suas idéias e projetos mirabolantes, todos eles com muitas promessas e possibilidades, mas com falta de planos de execução sólidos. Aqui, como sua convidada, não tenho nem mesmo um trabalho determinado, conforme eu a sigo, tentando encontrar meu lugar.

Este é o tipo de oportunidade maluca que só eu para aceitar. Tenho vivido ao lado da minha maleta Samsonite vermelha e adquiri três telefones celulares usados com três números diferentes. A umidade e as multidões estão começando a me afetar. Depois de viajar por três diferentes cidades chinesas, fiquei esgotada e liguei para o meu pai e minha madrasta em lágrimas. "Por que eu sempre termino trabalhando para gente estranha que também tem TDAH?" Queixei-me. "Todas essas pessoas são criativas e bem sucedidas, mas o que elas não têm é a habilidade de controlar-se a si mesmas e ao seu tempo”.

Meu pai disse que 80 por cento da população têm os pés no chão e o que eu disse é sobre abelhas operárias. “Essas pessoas são chatas”, eu lamentei, mas comparando a confiabilidade delas com meu senso de aventura, posso ver que eu tenho sorte de estar aqui. Uma chefa como a minha não precisa de mais gente excêntrica e indisciplinada à sua volta. Mas, comigo, foi justamente o que ela ganhou.

“Não tenho certeza se posso ser útil aqui,” Disse antes de terminar a chamada internacional.

“Não focalize nas coisas pequenas,” disse o meu pai, me encorajando. “Se você focar em moedinhas, é isso que vai ter no final do dia.”

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48- Seis maneiras para o adulto com TDAH interromper a procrastinação

Veja como iniciar aquele temido projeto que você tem adiado no trabalho ou em casa. por Sandy Maynard

Imagine isto. É manhã de sábado e você se senta em frente ao computador para fazer um relatório sobre o seu trabalho.

Com uma pilha de papéis e uma xícara de café ao lado, você começa a datilografar seus pensamentos sobre o sucesso em potencial do lançamento de um novo produto. Não é o que você queria fazer num sábado, mas você continua a fazer e termina em uma hora.

OK, agora você pode acordar. Adultos com TDAH gostariam de ser tão ligados a tarefas difíceis que não despertam seu interesse. Minha dificuldade é escrever.

Quando digo que vou entregar um trabalho para um editor na sexta-feira, ele sabe que isso significa segunda-feira. Não é que eu não tenha tempo de entregá-lo na sexta-feira, é que eu tenho muita dificuldade em iniciá-lo. Ligo meu computador, escrevo o título, salvo o documento num arquivo, e fico sentado olhando a página em branco. Estou entediado.

Então ligo para um amigo escritor e pergunto como vai indo o seu artigo, ou apanho um monte de roupa para lavar ou vou dar uma volta. Faço meu imposto de renda numa tarde em que tinha de estar trabalhando num outro projeto.

Se você tem vontade de fugir para uma ilha remota quando pensa que precisa começar um novo projeto, a seguinte lista de estratégias, muitas das quais fizeram meus clientes destravarem, poderá ajudar a terminar com a sua procrastinação.

1. Esteja preparado

É muito mais fácil parar na academia depois do trabalho se sua sacola de esportes estiver arrumada e no porta-malas do seu carro. Quando eu tenho dificuldade de voltar à rotina de corridas, vou para a cama vestindo meu uniforme de exercício. É uma forma de me lembrar, logo ao acordar, que a corrida é o primeiro item de minha agenda.

Se você pensa em iniciar um projeto pela manhã, junte toda a informação de que vai precisar – artigos, gráficos, ordens do chefe – e coloque tudo numa caixa ou numa pasta que você pode deixar na sua cadeira na noite anterior.

2. Comece do começo

Você já ouviu isso antes: Divida cada projeto em tarefas pequenas e defina o primeiro passo que precisa ser feito. Então, fique ligado até que a primeira tarefa seja terminada. Geralmente, isso é tudo que é preciso para ficar motivado para o resto do projeto.

Para mim, dar um título a um documento em branco não é o suficiente para o primeiro passo, mas escrever um parágrafo já é. Descubra qual é o seu primeiro passo, e complete o restante.

3. Relaxe

Meu cliente Stephen, um advogado, faz uma deliciosa xícara de chá de maçã vermelha e põe um CD de música havaiana antes de arquivar seus documentos ou de escrever suas cartas. Outros clientes fazem exercícios respiratórios ou curtos períodos de meditação antes de começar um projeto opressivo.

4. Torne as coisas engraçadas

Ponha os fones de ouvido e dance enquanto passa o aspirador pela casa. Cante enquanto lava as janelas, ou pule quando for levar o lixo para fora de casa. Em vez de passar o pano molhado no piso da cozinha, um dos meus clientes molha suas meias com um detergente e desliza pelo piso da cozinha, fingindo que é um esquiador olímpico. Quando os detritos ficam empilhados num canto, ele os destrói com um canhão de raios laser interplanetário – um aspirador de pó.

5. Elimine as distrações.

Muitos estudantes de faculdade com TDAH acham mais fácil começar seu trabalho de casa se forem diretamente à biblioteca após as aulas, em vez de irem para seus dormitórios movimentados. Se o barulho for um problema – e se você não tiver um lugar tranquilo para estudar – tente usar protetores de ouvido. Eles realmente funcionam – em qualquer lugar.

Se os seus pensamentos estiverem provocando distração, escreva-os numa caderneta para tirá-los de sua mente e passá-los para o papel. No trabalho, deixe os colegas saberem que, quando a porta da sua sala estiver fechada, você está trabalhando em algo muito importante. Se você não tem um escritório, pegue um laptop e vá para uma sala de reuniões.

6. Cuidado com as multitarefas

Minha regra é ter em minha mesa somente as coisas em que estou trabalhando. Fora da visão, for a da mente, é uma boa abordagem – mas tenha certeza de colocar o trabalho não terminado na sua lista de coisas a fazer.

Estudos têm mostrado que os que têm TDAH se dão bem trabalhando em duas coisas que sejam familiares e simples, mas são menos eficientes quando enfrentam projetos que são complexos não conhecidos. Para aliviar a transição de um projeto para outro, pare o primeiro projeto num ponto que seja fácil de ser retomado.

No meu desespero para terminar este trabalho, eu pulei outra estratégia: peça a um amigo para chamá-lo numa hora em que ele tenha certeza de que você esteja fazendo o trabalho. Quando meu editor me perguntou mais uma vez quando eu lhe enviaria uma cópia, eu lhe dei uma data e entrei em pânico. Chamei um amigo, que também tem TDAH, e disse, “Você me chama em duas horas para ter certeza de que eu ainda estou fazendo este artigo?”.

Quando ele ligou, eu orgulhosamente disse-lhe que tinha escrito os primeiros dois parágrafos. Tudo bem em pedir ajuda, e será meu prazer retornar o favor algum dia. Não é para isso que existem os amigos? Para ajudar a tocar nossas vidas de vez em quando?

Este artigo apareceu no número de outono de 2008 de ADDitude.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

47- Simplifique sua vida com o TDAH aprendendo a dizer “não”

Independente do convite, adultos com TDAH têm dificuldade de recusá-los. Descubra, aqui, como os adultos com TDAH podem evitar a sobrecarga de compromissos e a exaustão, aprendendo a gentilmente dizer “não”.
by Sandy Maynard

Como um adulto com TDAH, você já se pegou dizendo, “O que eu estava pensando?” depois de ter aceitado fazer alguma coisa que você realmente não queria ou que não tivesse tempo para fazer? Há coisas sobre adultos com TDAH que tornam difícil para nós dizermos “não”. Em primeiro lugar, freqüentemente dizemos sim a algo que parece bom antes de pensarmos no assunto. Em segundo lugar, nosso interesse é tão variado que não podemos escolher – então dizemos sim a tudo.

E, então, há a impaciência. Não queremos esperar até que terminem as nossas oito semanas de aulas de salsa antes de nos inscrevermos em aulas de teatro. Entupimos nossa agenda com coisas importantes, interessantes e engraçadas a fazer, mas ficamos também exaustos para aproveitar qualquer uma delas.

Christina conhece bem esse sentimento. Ela tem TDAH e admite que adora o lado H do seu diagnóstico de TDAH. Ela tem uma reserva inesgotável de energia, e está sempre disposta desde o nascer até o por do sol. É a primeira pessoa que a família e os amigos pensam em chamar quando precisam de um favor. Ela tem dificuldade em dizer não e tem tendência a se comprometer em excesso.

Christina veio me procurar depois de que sua vida ficou fora de controle. Ela estava dormindo seis horas e, no auge de sua escala atarefada, estava ajudando sua mãe a se mudar para um asilo. Tudo parecia igualmente importante e urgente. A seguir, algumas sugestões que eu fiz para ajudar Christina a aprender a dizer não e a dominar novamente sua vida – para não mencionar oito horas de sono reparador.

Estabeleça prioridades e pratique o dizer “não”

1. Espere para tomar uma decisão. A impulsividade e a hiperatividade fazem dois segundos parecerem a eternidade. Inspire profundamente, espere, e responda: “Gostaria de pensar sobre a oferta e depois te ligar”. Se necessário, pense demoradamente no assunto.

2. Liste suas prioridades — em ordem de importância. Para muitos de nós, tudo parece ser importante, e estabelecer prioridades pode ser tão doloroso quanto tentar prestar atenção a uma aula chata. Entretanto, para Christina, era fácil. Ela adora sua mãe e valoriza seu relacionamento acima de tudo o mais. Colocar isto no alto de sua lista fez com que as coisas abaixo ficassem mais fáceis de serem rejeitadas.

3. Pratique o dizer não para as coisas fáceis. Um bom começo seria dizer, aos que lhe solicitam por telefone, que você não quer mais ser chamada. Trabalhe o seu modo de dizer não, civilizadamente, é claro, para o seu esposo ou o seu chefe.

Como dizer não

4. Seja breve. Uma ordem difícil para quem tem mentes que correm como fogo em uma floresta seca, mas pode ser feito se você diminuir todos aqueles pensamentos que dançam em seu cérebro. Em vez de explicar porque você não pode ir à festa, tarde da noite, para um colega que está se mudando, apenas diga: "Sinto muito, mas tenho de estar em casa cedo”. Quanto mais razão você der a alguém do porque não pode fazer alguma coisa, mais ainda a pessoa vai tentar convencê-la de que você pode.

5. Seja afirmativo quando disser não. Usar as palavras “talvez”, “mas”, e “se” não ajudará. Isso acontece quando pensamos alto. Melhor pensar, decidir e falar – nessa ordem.

E lembre-se

6. Não diga sim apenas para ser gentil. Alguns de nós sentem que temos de correr mais um quilometro para dar conta de fazer as coisas quando tudo sai de controle e ficamos como bobos. Você não deve. Quando lhe pedirem para vender rifas, diga, "Não, eu não gosto de fazer isso, mas vou comprar alguns bilhetes". Isso é dizer não sem ofender ninguém.

7. Você não é indispensável. O mundo não vai acabar se você não assumir algumas responsabilidades cada vez que for requisitado. Embora seja tentador assumir novas responsabilidades para manter as coisas excitantes, resista à pressa em fazer isso. Mesmo sabendo que você fará melhor, deixe alguém fazer as coisas ao menos uma vez.

8. Você pode mudar seu pensamento. E se você disse sim, e agora quer dizer não? Tudo bem em arrepender-se. Christina já tinha concordado em compartilhar a direção de um importante evento da comunidade quando responsabilidades inesperadas envolveram seus cuidados maternos. Quando ela conseguiu ter a coragem de dizer aos outros membros do comitê sobre abandonar a tarefa, eles entenderam sem problemas – e várias pessoas se apresentaram como voluntárias para assumir seu posto.

Serei o primeiro a concordar que não é fácil dizer não. Entretanto, eu aprendi uma coisa: é que a honestidade e a integridade são sempre respeitadas quando se aceita ou se recusa um convite. Quando você alinha suas decisões com esses valores, os resultados nunca são desapontadores – nem para você, nem para sua família ou seus amigos.

12 Modos inteligentes de recusar

1. Estou no meio de vários projetos
2. Não me sinto à vontade com isso
3. Não estou assumindo nenhuma nova responsabilidade
4. Não sou a pessoa mais qualificada para esse trabalho
5. Não gosto desse tipo de trabalho
6. Não tenho mais nenhuma data no meu calendário
7. Odeio dividir minha atenção entre vários projetos
8. Sei que você mesmo fará um trabalho maravilhoso
9. Tenho necessidade de um tempo livre para mim mesmo
10. Vou ajudá-lo m um próximo trabalho
11. Não tenho nenhuma experiência nisso
12. Tenho outro compromisso

ADDitude 12/2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

46- Estatísticas relacionadas ao TDAH em crianças e adolescentes sem tratamento

• Entre 30 e 50% repetirão ao menos um ano na escola
• 35% não completarão a faculdade.
• Mais de 25% serão expulsos do colégio por má-conduta
• 4 vezes mais acidentes de carro e mais graves; 3 vezes mais multas por excesso de velocidade
• 20 a 60% dos adolescentes com TDAH se envolvem em comportamento antissocial com consequências judiciais, contra 3 a 4% da população normal
• 35% são suspensos da escola, contra 8 a 10% da população normal
• Na faculdade, 80% estão atrasados em ao menos uma disciplina básica
• 65% dos adolescentes com TDAH mostram sinais de Transtorno Desafiador de Oposição
• Têm maior incidência de uso de álcool e drogas
• Têm maior índice de desemprego
• Têm maior índice de divórcio
• Têm mais frequentemente baixa autoestima
• Têm menos habilidades sociais
• Têm mais isolamento social
• Têm maior incidência de tentativas de suicídio
• Têm maior incidência de vários problemas neuropsiquiátricos, em especial depressão e ansiedade.

Dá para acreditar que ainda tem gente que acha que TDAH não existe? Que é falta de limites impostos pelos pais? Que é invenção da indústria farmacêutica para vender remédio? Que pode ficar sem tratamento?
A ignorância dos pais deve ser perdoada. A dos médicos não. Mas, tanto os pais quanto os médicos ignorantes devem ser esclarecidos. As crianças, adolescentes e os adultos com TDAH merecem todos os esforços para que tenham um futuro feliz.
Dr. José Antonio Menegucci.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

45- Memória de Trabalho e Memória de Curto Prazo

A memória de trabalho (MT) é o sistema cognitivo responsável pelo armazenamento temporário e pela manipulação da informação e tem um papel importante no aprendizado e na focalização da atenção. Muitas pesquisas têm documentado que muitas crianças e adultos com TDAH têm déficits de memória de trabalho e que isso contribui para as dificuldades associadas ao transtorno. Para uma excelente introdução ao papel dos déficits da memória de trabalho no TDAH, visite o site:
http://research.aboutkidshealth.ca/teachadhd/abc/chapter3#SUBTITLE3

Um exemplo simples ilustra a importância da MT para determinadas tarefas acadêmicas. Tente somar 3 e 9 na sua mente. Provavelmente isto é fácil para você. Agora, tente somar 33 e 99. Provavelmente isto será mais difícil. Finalmente, tente somar 333 e 999. Isso será muito desafiador para muitos adultos, mesmo que cada cálculo requerido seja trivialmente fácil. A dificuldade ocorreu porque você precisou guardar a informação – a soma de 3+9 na coluna das unidades e, então, na coluna das dezenas – conforme você processava a parte restante do problema, isto é, 3+9 na coluna das centenas, e isso sobrecarregou sua MT. Se a sua capacidade de MT for excedida, você não poderá completar o problema com sucesso.

Este problema simples também ilustra a diferença entre memória de curto prazo (MCP) e MT. A memória de curto prazo simplesmente envolve a retenção da informação na mente por curto período de tempo, por exemplo, lembrar-se de que o problema que você precisa resolver é 333 + 999. A memória de trabalho, em contraste, envolve a manipulação mental – ou o trabalhar com - da informação retida e começa a funcionar numa série de atividades de aprendizagem. Por exemplo, para responder questões sobre um capítulo de ciências, uma criança não somente tem de reter corretamente a informação factual, mas precisa trabalhar mentalmente com aquela informação para responder perguntas sobre ela. Então, quando a capacidade de MT de uma criança é baixa em comparação com a dos seus colegas, o desempenho acadêmico provavelmente será comprometido em múltiplas áreas.

Como os déficits de MT têm um papel importante nas dificuldades sentidas por muitos indivíduos com TDAH, é importante considerar como as diferentes intervenções corrigem este aspecto do transtorno. Neste estudo, os autores estavam interessados em comparar o impacto do treinamento da MT e o tratamento com medicação estimulante no desempenho da MT de crianças com o diagnóstico de TDAH.

Os participantes eram 25 crianças de 8 a 11 anos de idade, com TDAH (21 meninos e 4 meninas) que estavam sendo tratados com medicação estimulante. O desempenho da memória das crianças foi avaliado em 4 ocasiões, usando o AWMA (Automated Working Memory Assessment – Avaliação Automatizada da Memória de Trabalho) que é um teste computadorizado que mede a memória verbal de curto prazo, a memória verbal de trabalho, a memória visuoespacial de curto prazo e a memória visuoespacial de trabalho.

No primeiro tempo, a avaliação foi conduzida enquanto as crianças estavam sem medicação por ao menos 24 horas. A segunda avaliação ocorreu em media 5 meses mais tarde,  quando as crianças estavam tomando a medicação. A terceira avaliação ocorreu após as crianças terem completado 5 semanas de Cogmed Working Memory Training (Treinamento Cogmed da Memória de Trabalho) usando o protocolo padrão de treinamento (veja a seguir). A avaliação final ocorreu aproximadamente 6 meses depois do término do treinamento. O planejamento permitiu aos pesquisadores as seguintes comparações:

- desempenho da MT sob medicação vs. sem medicação (T1 vs T2)

- desempenho da MT sob medicação vs. após treinamento (T2 vs. T3)

- desempenho da MT imediatamente após final do treinamento vs. 6 meses em seguida ao treinamento (T3 vs. T4)

Esta comparação final forneceu informação sobre a permanência de algum benefício que o treinamento tivesse proporcionado.

Além de medir a MCP e a MT a cada tempo, foram feitas medidas do QI nos tempos 1, 2 e 3.

- Treinamento da Memória de Trabalho -

O treinamento da MT foi conduzido utilizando-se o protocolo Cogmed padrão de treinamento, com cada criança completando 20-25 sessões de treinamento num período de 25 dias. O treinamento requer a armazenagem e manipulação de seqüências verbais, por exemplo, repetir de trás para frente uma seqüência de números e/ou informação visuoespacial, como lembrar a localização de objetos em diversas partes da tela do computador.

O nível de dificuldade foi calibrado com base em vários testes, de modo que a criança sempre trabalhasse em  nível que fosse o mais próximo do seu desempenho. Por exemplo, se uma criança lembrasse com sucesso de três números na ordem inversa, no próximo teste ela tinha de lembrar-se de quatro números. Quando um teste falhasse, o próximo era feito de modo mais fácil pela redução do número de itens que teriam de ser lembrados. Este método de treinamento adaptativo é tido como um elemento chave porque requer o espichamento da memória de trabalho da criança, para continuar a seguir no programa.

Resultados

- Impacto na Memória de Curto Prazo e na Memória de Trabalho

Medicação vs. nenhuma medicação – quando testadas sob medicação, as crianças mostraram melhor MT visuoespacial em relação a quando foram testadas sem nenhuma medicação. Entretanto, nenhuma melhora foi encontrada na MCP verbal, na MT verbal ou na MCP visuoespacial.

Desempenho sob medicação vs. desempenho após treinamento da MT – O treinamento Cogmed da MT levou a ganhos significativos em todos os quatro resultados das memórias. Assim, houve evidência de que o treinamento da MT levou a maiores ganhos na MT do que o tratamento isolado com medicação. Em todas as áreas de memória avaliadas, a pontuação media dos participantes aumentou de abaixo da média para dentro da faixa média.

Desempenho 6 meses depois do término do treinamento – Os ganhos do treinamento em 3 dos 4 componentes da memória – todos exceto a memória visuoespacial de curto prazo (MCP) – permaneceram significativos 6 meses após o fim do treinamento e houve poucos indícios de declínio no desempenho das crianças. Então, os benefícios evidentes imediatamente em seguida ao tratamento foram largamente persistentes.

- Impacto no QI -

Os resultados do QI com e sem medicação foram equivalentes. Do mesmo modo, não houve nenhuma indicação de que o treinamento da MT estava associado a algum aumento nos resultados de QI das crianças. Assim, os benefícios do treinamento foram restritos ao desempenho das crianças nas tarefas de memória.

- Resumo e Implicações -

Os resultados desse estudo indicam que o treinamento da MT promove maiores benefícios na MT para crianças com TDAH do que os promovidos pelo tratamento com medicação estimulante. Além disso, os ganhos de memória seguintes ao treinamento persistem por um período significativo. Como o funcionamento adequado da MT é criticamente importante para o sucesso acadêmico das crianças, esses achados são encorajadores porque eles sugerem que o treinamento intensivo pode melhorar os déficits nesta importante função executiva. A ausência de benefícios do treinamento no QI sugere que os benefícios do treinamento podem estar limitados especificamente à memória de trabalho (MT), embora deva ser notado que outros estudos de treinamento da MT relataram benefícios em aspectos particulares da inteligência. Então, o impacto do treinamento da MT no QI requer novos estudos.

Entretanto, é importante não exagerar na interpretação dos resultados desse estudo. Embora seja tentador ver isso como uma comparação entre o tratamento medicamentoso e o treinamento da MT para o TDAH, e ver os resultados como indicativos da superioridade do último, isso seria interpretação errada. A constelação de dificuldades que compreende o TDAH para muitas crianças vai muito além dos déficits de MT, e esse estudo não examina vários outros importantes resultados.

Por exemplo, ele não fornece nenhuma informação sobre os benefícios relativos da medicação e do treinamento da MT na atenção, hiperatividade e outros problemas de comportamento, e no desempenho acadêmico das crianças. Embora outros estudos tenham encontrado benefícios em várias dessas áreas, o acréscimo de avaliação desses resultados importantes ao estudo corrente teria produzido um reforço dele. Essa crítica não tem a intenção de diminuir os importantes resultados obtidos, mas, em vez disso, propiciar um contexto apropriado para avaliar esses achados interessantes e não seria surpresa se o tratamento medicamentoso tivesse um maior impacto em outras áreas importantes.

Também é o caso de o estudo ter sido limitado pela restrição da avaliação da MT a medidas computadorizadas dessa capacidade, embora estejam disponíveis escalas validadas de avaliação da MT por pais e professores. Incorporar tais medidas ao estudo proporcionaria uma melhor compreensão do funcionamento da memória das crianças a cada ponto de avaliação.

Embora essas limitações sejam importantes, os resultados proporcionam evidência adicional de que o treinamento intensivo da MT pode acrescentar benefícios duradouros nessa importante função executiva. Como os benefícios proporcionados pelo treinamento aumentam os proporcionados pela medicação, também é sugerido que o treinamento da MT pode ser de utilidade como complemento às intervenções existentes baseadas em evidência para o TDAH, particularmente para crianças cujo funcionamento da MT seja difícil de começar.

ADDitude Magazine – Inverno 2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

44- Reduza a Ansiedade Naturalmente

Seis dicas para tratar a ansiedade sem medicação. por Sandy Maynard

Para aqueles de nós com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), uma pequena preocupação pode rapidamente se transformar em uma crise de ansiedade intensa. Quando os níveis de estresse se elevam, nós deixamos as coisas para ser resolvidas depois (procrastinação), o que aumenta os sintomas do TDAH. Ficamos mais esquecidos, desorganizados e distraídos. Amy, que é mãe e trabalha fora de casa, é uma pessoa muito preocupada, e foi diagnosticada como portadora de TDAH. Como é uma organizadora de eventos autônoma, ela utiliza sua tendência a se preocupar para se antecipar aos problemas que possam arruinar um evento. Ela é bem sucedida, em parte, por isso. Em casa, Amy não consegue desligar o botão da preocupação.

Concordamos que a vida não é tão fácil como organizar um evento. A vida é imprevisível. Quando Amy descobriu que a preocupação desnecessária estava minando sua energia e motivação emocional, ela fez mudanças que lhe deram uma sensação de paz. Atualmente, quando Amy se preocupa com algo que ela pensa que não poderá mudar, ela escreve sua preocupação num pedaço de papel, dobra-o e pára de pensar no assunto. Ela também faz ioga três vezes por semana, o que reduz a ansiedade. Eis aqui outras sugestões que ajudam Amy a se preocupar menos e a aproveitar mais a vida:

1- Limite ou adie os pensamentos preocupantes.
Ajuste um timer e dê a si mesmo permissão para se preocupar por uma quantidade de tempo específica. Escrever as preocupações para lidar com elas mais tarde também ajuda a livrar-se delas. Ler, logo cedo, sobre algo que o deixou preocupado, faz com que o problema pareça sem fundamento.

2- Tente ser perfeito; ajuste-se para o imperfeito.
Fazer o melhor de si no trabalho é sempre uma boa meta. Mas você não pode ser perfeito em todas as facetas do seu trabalho, ou de sua vida, sem que seu esforço promova a preocupação e o esgotamento. Uma cliente minha é uma excelente escritora técnica, que trabalha na área de comunicações em serviço de saúde. Quando ela começou a trabalhar, ela produziu e-mails e memorandos para os colegas de trabalho, certificando-se de que cada palavra fosse uma pérola, ás vezes á custa de atingir o prazo-limite. Isso resultou em 60 horas de trabalho por semana, esgotamento, e, eventualmente, atrasos. Decidimos que ela deveria deixar suas habilidades para escrever, e o seu perfeccionismo, para os documentos que realmente fossem importantes – os que eram escritos para os clientes externos.

3- Faça o que puder.
Pensar em tudo que possa dar errado não torna a vida mais previsível ou segura. A preocupação excessiva impede que você aproveite o presente. Quem tem TDAH se preocupa a respeito de coisas que podem não dar certo por causa das coisas que já não deram certo no passado. Fazer as coisas de modo diferente lhe dá a segurança de que você fez tudo que podia para mudar o resultado final. Então, você pode parar de se preocupar. Uma mãe portadora de TDAH, que voltou a trabalhar após ter dado à luz, vivia preocupada com a babá que havia contratado para cuidar de sua filha enquanto estivesse no trabalho. Ela instalou câmeras que lhe ajudaram a monitorar a babá. Isso aliviou os seus temores.

4- Reprograme os pensamentos negativos.
Muitos portadores de TDAH têm baixa autoestima, o que resulta em pensamentos negativos e em preocupação debilitante. Desafiar os pensamentos negativos com pensamentos positivos pode interromper o processo. Sam, um novo contratado de uma firma de advocacia de prestígio, sentiu-se inseguro quanto a ser capaz de fazer um bom trabalho. Decidimos que, quando tivesse dúvidas, deveria lembrar-se de que o mais brilhante da firma decidira contratá-lo em vez dos seus concorrentes.

5- Conte a sua preocupação para um amigo de confiança.
Tive muita dificuldade para escolher um vestido para o casamento de meu filho. Deveria ter sido a minha ida mais feliz de todas ao shopping, mas não foi. Eu me preocupei com tudo que experimentei: Está muito curto? É a cor errada? Muito espalhafatoso? Muito simples? Não consegui tomar uma decisão até que pedi a uma amiga para ir comigo numa segunda compra. Ela desfez minhas dúvidas, e eu saí com a roupa perfeita.

6- Aprenda exercícios de relaxamento.
Técnicas simples de respiração, meditação e relaxamento muscular progressivo podem ser feitas quase sempre, quando a preocupação aumenta e cria indecisão e imobilidade. Vários estudos mostram que a meditação aumenta a atenção ao mesmo tempo em que reduz o estresse.

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domingo, 5 de dezembro de 2010

43- Sete soluções para problemas de sono

Como agir quando os sintomas do TDAH perturbarem uma boa noite de sono
Por Nancy Ratey

Muitos adultos com transtorno de déficit de atenção (TDAH) se queixam de noites inquietas e de exaustão logo cedo. Às vezes, os medicamentos para o TDAH causam reações adversas, outras vezes um cérebro acelerado o mantém acordado. Do mesmo modo em que não há nenhuma razão para os distúrbios de sono relacionados ao TDAH, não há nenhuma solução que funcione para todos. Eis aqui um punhado de opções dos especialistas da ADDitude...

Ajuste seu medicamento para o TDAH

Os medicamentos para o TDAH podem desencadear problemas de sono em alguns adultos. Se você suspeita que este é o seu caso, fale com seu médico sobre o ajuste fino do seu tratamento.
Por outro lado, alguns especialistas em TDAH acreditam que tomar um estimulante 45 minutos antes de ir deitar-se pode desligar cérebros agitados. “Cerca de dois terços dos meus pacientes adultos tomam uma dose completa do seu medicamento para o TDAH, todas as noites, para dormir,” diz William Dodson, M.D., um psiquiatra de Denver (Colorado – USA)

Apague a luz

A luz ativa o cérebro TDAH e o mantém acordado por mais tempo. Prepare-se para o sono desligando ou diminuindo a intensidade das luzes em torno das 21 horas.
Você pode instalar um dimer para as lâmpadas do teto e gradualmente diminuir a intensidade da luz, e não fique em frente de uma TV ou de uma tela brilhante de computador  depois das 21 horas.

Alenteça o seu cérebro

Depois que você estiver deitado, com as luzes apagadas, use as ferramentas amigáveis do TDAH para ajudá-lo a relaxar, tal como um gerador de ruído branco, fones de ouvido, ou música suave para se contrapor aos seus pensamentos velozes. Relaxe um músculo de cada vez, começando pelos pés e subindo, respirando fundo cada vez que atingir um novo grupo muscular.

Crie uma rotina de desligar e de acordar

Acordar no horário depende de ir se deitar no horário e ter uma noite completa de repouso. Desenvolva rotinas para ajudá-lo a acordar mais feliz e mais depressa pela manhã e para se desligar à noite.
Estas rotinas de ir dormir e de acordar mais facilmente podem ser simples, por exemplo, tomar uma ducha e ver as notícias à noite, beber café e ler o jornal pela manhã.

Mantenha uma tabela de sono

Levante-se e deite-se no mesmo horário, todos os dias. Isto aumentará a qualidade do seu sono e deixará seu corpo num ritmo diário, algo que beneficia particularmente os adultos e crianças com TDAH. Nem todos precisam da mesma quantidade de sono, mas a chave é a consistência, então trabalhe junto com sua família para estabelecer uma rotina e ligue-se a ela.

Evite as armadilhas do sono

Conheça as suas armadilhas do sono e evite-as. Se falar ao telefone, ver TV, responder aos e-mails faz você ir dormir mais tarde, cole bilhetes lembrando que você deve manter seu esquema. Peça ajuda da família, para que eles saibam e não o desviem de sua meta.

Ajuste um despertador

Programe um relógio de pulso com alarme, ou um despertador, para tocar uma hora antes de ir deitar-se, assim terá tempo para se preparar para dormir. Se você frequentemente fica ligado em ver TV, coloque o despertador em outro quarto, assim será obrigado a levantar-se para desligá-lo.

Este artigo apareceu no número de primavera de 2009 de ADDitude.

sábado, 4 de dezembro de 2010

42- Dez ou mais ferramentas de relacionamento do TDAH para o amor duradouro

Com o TDAH adulto, tudo que você precisa para tornar um casamento ou uma parceria duradoura é amor, certo? Errado. Você também vai precisar destas ferramentas de relacionamento.
by Jonathan Halverstadt

Apaixonar-se é fácil, não obstante o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Uma onda de euforia bioquímica coincide com um “novo amor”. Aqueles de nós com TDA/TDAH geralmente hiperfocalizamos no romance, não apenas pelo romance, mas também para aumentar os neurotransmissores produtores de prazer (dopamina) que estão em falta em nossos cérebros. Emoções altamente carregadas não são parte do amor duradouro. São apenas sentimentos – fortes e maravilhosos – mas, você precisa de muito mais para fazer uma relação TDAH durar.

Relacionamentos são difíceis, e quando aceitamos esse fato, estamos lidando com a realidade, não com a fantasia de que “tudo que necessitamos é de amor” Tudo que necessitamos é de amor? Não penso assim. Precisamos aprender habilidades para compensar nossa fraqueza. Quais as ferramentas que devemos ter em nossa maleta?

1: Administre os sintomas

Você e o seu parceiro devem assumir sua condição. Tratar o TDAH de modo responsável pelo uso da terapia comportamental e dos medicamentos próprios para controlar os sintomas, aumentar a dopamina e ajudar o cérebro a trabalhar como deve. Quando você faz tudo isso, você observa uma diminuição dos sintomas do TDAH – como a incapacidade de prestar atenção quando seu parceiro está falando com você, ou completar suas obrigações ou tarefas, como pagar as contas a tempo.

Não ser ouvido é a maior queixa daqueles envolvidos em relação íntima com um parceiro TDAH. Para muitos TDAH, ouvir os outros é muito difícil. Para aumentar sua capacidade de escutar, pratique este exercício:

Sente-se com seu parceiro e deixe-o falar por cinco minutos – ou mais, se você puder suportar. Faça contato visual e incline-se para ele, mesmo que não esteja entendendo nenhuma palavra.

Depois de escutar por cinco minutos, resuma o que você ouviu. Você pode dizer “Uau, parece que você teve um dia muito movimentado. A internet horrível, a reunião chata. Depois, você teve de ir até a academia antes de vir para casa”.

Depois desta troca, faça algo que você quer fazer. Diga “Agora que você está em casa, você se importa de cuidar do bebê enquanto eu saio para caminhar?”.

Seu parceiro provavelmente estará chocado, e encantado, porque você o ouviu por cinco minutos.

2: Ligue-se na relação

Os sintomas mais importantes do TDA/TDAH – impulsividade e a constante necessidade de estimulação – podem realçar, assim como ameaçar, relacionamentos. Como os adultos com TDAH são impacientes e facilmente se aborrecem, as aventuras sexuais são altamente estimulantes. A atração pelo novo e diferente pode tornar difícil a monogamia. Por isso é vital estar ligado na ideia de “ relacionamento” – até mesmo mais do que seu parceiro.

Encontrei uma velha senhora de 93 anos que tinha ficado casada com o mesmo homem por 70 anos. Ela me contou que eles tiveram bons tempos e maus tempos nos seus anos de vida juntos, e que ela nunca pensou, nem por uma vez, em divórcio, embora gracejasse que tivesse pensado em assassinato uma ou duas vezes. Ela sabia que tinha de ser mais ligada à instituição do casamento do que seu marido para fazer o relacionamento funcionar. Houve ocasiões em que o casal não se sentia ligado um ao outro, mas a sua dedicação ao marido fez com que seguissem juntos.
[Bons tempos aqueles... O mundo e os costumes, e as mulheres, mudaram muito, ultimamente...  (Comentário do tradutor)]

3: Terapia do riso

Aprenda a rir de você mesmo (não do seu parceiro) e enfrente seus problemas de modo mais suave. O TDAH nos induz, às vezes, a fazer e dizer raras coisas lindas.

Em vez de ficar magoado ou enraivecido pelas palavras e ações não entendidas, veja-as pelo que são: sintomas de uma condição que você está tentando administrar. Uma boa risada permite que você siga adiante na relação. Sei que isso pode ser muito difícil. É fácil ser defensivo porque você teve de explicar nosso comportamento por anos – quando agíamos impulsivamente ou sufocados pelos detalhes devido à nossa falta de atenção. Deixe cair suas defesas, então siga em frente.

4: Perdoe e esqueça

É tentador apontar o dedo para a outra pessoa e culpá-la por seus problemas no relacionamento. Mas é preciso de dois para o tango. Quando admitimos os problemas que podemos estar causando, em vez de apontar o que nosso parceiro fez de errado, crescemos espiritualmente. Quando eu reconheço minhas limitações – identifico-as, me esforço para mudá-las, e me perdoo a mim mesmo por não ser perfeito – fica mais fácil aceitar meu parceiro e perdoar suas limitações.

Uma frase que resume esse conceito de esqueça-e-perdoe é: “Fiz o melhor que podia naquela hora. Se pudesse fazer melhor, teria feito.” Isso tira a culpa de uma má experiência, e permite que você e seu esposo falem um com o outro civilizadamente. Não é mais sobre um de vocês “fazer de novo”, é sobre ser humano e cometer erros – algo que é possível esquecer.

5: Procure ajuda profissional: Terapia da relação

Muitas duplas casadas com um ou mais parceiros diagnosticados com TDAH pretendem permanecer casadas “até que a morte nos separe”. Mas, como as realidades do viver junto se instalam, pequenos problemas seguem não resolvidos e tornam-se maiores até parecerem insuperáveis.

Um dos erros mais comuns que os casais problemáticos cometem é esperar muito antes de procurar ajuda profissional para a sua relação. Quando chegam ao terapeuta, já jogaram a toalha e estão apenas procurando um modo de validar sua miséria e justificar sua decisão de separação. Não espere muito para procurar ajuda. Um terapeuta de família e do casamento pode ensinar técnicas de comunicação e de resolução de conflitos.

6: Mais ferramentas de relacionamento no TDAH

Lembre-se de manter-se fazendo as coisas engraçadas que faziam juntos quando se apaixonaram pela primeira vez.

Estabeleçam uma regra: Somente um maluco na casa, de cada vez. Se o seu parceiro estiver surtando, você deve ficar frio e reservado.

Saiam ao menos uma vez por semana (cinema, teatro, concerto, baile, restaurante, aniversário)
Tratem um ao outro com respeito. Aprendam a amar as esquisitices um do outro.

Não se preocupe com quem está certo. O objetivo é seguir em frente – não ficar grudado numa briga. É mais importante ter uma relação mutuamente satisfatória do que estar certo o tempo todo.

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

41- Melhorando o comportamento em classe: Ajude as crianças com TDAH a parar a inquietação

Como os professores e os pais de crianças com TDAH podem ajudá-las a enfrentar a inquietação e a se concentrar melhor na escola e em casa.

O problema: Crianças com TDAH estão em constante movimentação. Para elas é difícil ficar sentadas paradas por longos períodos, por isso elas se remexem nos assentos, chutam os pés da carteira, ou ficam de pé ou andam enquanto fazem o trabalho. Geralmente, elas falam excessivamente ou fazem barulhos enquanto tentam ficar sentadas paradas.

A causa: Os corpos e as mentes das crianças com TDAH são como motores acelerados. Um estudo de meninos com TDAH mostrou que eles se movem pela sala oito vezes mais do que os outros meninos, fazendo o dobro de movimentos dos braços. Eles também são quatro vezes mais inquietos e se retorcem quatro vezes mais, enquanto sentados para os testes psicológicos.

Os obstáculos: Centros de controle motor defeituosos no cérebro são a causa suspeita da inquietação e do comportamento hiperativo.

Problemas de controle do impulso também têm um papel; crianças hiperativas são incapazes de inibir o impulso para se movimentar. Você pode ordenar que fiquem sentadas e paradas ou que parem de falar, mas os comportamentos se repetem em minutos.

Soluções para a sala de aula

A primeira coisa que os professores podem fazer, para ajudar os estudantes com TDAH a se retorcerem menos e a ficarem menos inquietos, é providenciar saídas físicas que lhes permitam liberar regularmente a energia acumulada e a melhorar a atenção.

Determine missões aos alunos com TDAH. Peça aos seus alunos com TDAH que levem uma mensagem para outra classe ou que peguem um papel na secretaria. Essas tarefas ajudam as crianças a construir um senso de auto-estima ao mesmo tempo em que propiciam uma oportunidade para esticar suas pernas e caminharem fora da sala.

Permita que os estudantes fiquem de pé e que caminhem um pouco entre as lições. Um professor, por exemplo, colocou um mini-trampolim em sua classe, para as crianças que ficam inquietas. No início do ano escolar, todos o usavam frequentemente, mas depois que a novidade desapareceu somente os alunos com TDAH, que tinham necessidade dele, continuaram a usá-lo. Outro professor deixou os estudantes usarem bolas de exercícios em vez de cadeiras, de maneira que os alunos com TDAH podiam se mexer um pouco mais, mas permanecerem sentados.

Permita objetos de manuseio. Esses objetos podem incluir pulseiras de bolinhas, pedaços de massinha e bolas de apertar – tudo o que puder ser manuseado e apertado silenciosamente. Não ter de permanecer focalizado em ficar absolutamente parado, conserva a energia do estudante para prestar atenção nas lições de classe.

Soluções para casa

Apóie a necessidade do seu filho de gastar energia encorajando-o a entrar no time de esportes ou a praticar atividade física regularmente.

Escolha o esporte cuidadosamente. Crianças com TDAH não são adequadas para todos os esportes coletivos. Futebol, por exemplo, é escolha melhor do que basebol, porque há menos espera parado.

As crianças podem também fazer exercícios sozinhas – um estudante andava de esqueite todas as manhãs ou somente corria em volta do quarteirão, para que pudesse ficar mais tempo quieto em classe. Muitas crianças com TDAH se dão bem no caratê ou em outras artes marciais que ensinam disciplina e concentração ao mesmo tempo em que permitem movimento.

Supervisione conforme necessário. Muitas crianças com TDAH precisam da constante supervisão dos adultos para se manterem na tarefa, mas conforme a situação melhora, e a criança amadurece, um pai pode checar frequentemente em vez de ficar sentado ao lado da criança todo o tempo do processo.

Não force sua criança a ficar sentada parada. Quando sua criança ultrapassa o ponto de controle de sua necessidade de se mover, deixe que ela tenha um rápido intervalo. Diga a ela que corra e pule lá for a e então a convide a se juntar novamente à família quando ela estiver bem. Você pode usar esta mesma estratégia na igreja ou na sinagoga, nos eventos esportivos, ou em qualquer outra situação que requeira a permanência sentada e parada das crianças por longos períodos.

Algumas crianças com TDAH são mais capazes de terminar o trabalho de casa quando têm a oportunidade de se movimentar m pouco enquanto trabalham, ou quando têm freqüentes intervalos. Não espere que uma criança com TDAH fique quieta por longos períodos de estudo. Algumas crianças lêem melhor quando caminham, ou podem precisar fazer seus problemas de matemática enquanto ficam de pé.

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domingo, 28 de novembro de 2010

40- TDAH É UMA DOENÇA INVENTADA?

Você certamente já leu ou ouviu em algum lugar que o TDAH “é uma doença inventada pelos laboratórios farmacêuticos” ou que é uma “medicalização” de comportamentos de indivíduos que são simplesmente diferentes dos demais. Então vamos aos fatos:

1) O que hoje chamamos de TDAH é descrito por médicos desde o século XVIII (Alexander Crichton, em 1798), muito antes de existir qualquer tratamento medicamentoso. Não existia sequer aspirina... No inicio do século XX, aparece um artigo científico publicado numa das mais respeitadas revistas médicas até hoje, The Lancet, escrito por George Still (1902). A descrição de Still é quase idêntica a dos modernos manuais de diagnóstico, como o DSM-IV da Associação Americana de Psiquiatria. Se fosse uma doença “inventada” ou “mera conseqüência da vida moderna”, você acha que seria possível atravessar quase dois séculos com os mesmos sintomas?

2) Os sintomas que compõem o TDAH são observados em diferentes culturas: no Brasil, nos EUA, na Índia, na China, na Nova Zelândia, no Canadá, em Israel, na Inglaterra, na África do Sul, no Irã... Já chega? Pois se fosse meramente um comportamento secundário ao modo como as crianças são educadas, ou ao seu meio sociocultural, como é possível que a descrição seja praticamente a mesma nestes locais tão diferentes?

3) Se o TDAH fosse meramente “um jeito diferente de ser” e não um transtorno mental, por que os portadores, segundo os dados de pesquisas científicas, têm maior taxa de abandono escolar, reprovação, desemprego, divórcio e acidentes automobilísticos? Por que eles têm maior incidência de depressão, ansiedade e dependência de drogas?

4) Se o TDAH fosse “uma invenção da indústria farmacêutica”, você esperaria que a Organização Mundial de Saúde – órgão internacional máximo nas questões relativas à saúde pública, sem qualquer vinculação com a indústria farmacêutica – listaria o transtorno como parte dos diagnósticos da Classificação Internacional das Doenças não só na sua última versão (CID-10) como nas anteriores (CID-8 e CID-9)? Pois é, ele está lá no capítulo dos transtornos mentais – vide o site http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.htm

5) Se o TDAH fosse secundário ao modo como os pais educam seus filhos, por que motivo as famílias biológicas de crianças com TDAH que foram adotadas têm prevalências (taxas) de TDAH bem maiores do que aquelas encontradas nas suas famílias adotivas? A única explicação possível: é um transtorno com forte participação genética.

6) Quantos artigos científicos você acha que já foram publicados demonstrando alterações no funcionamento cerebral de portadores de TDAH? Mais de 200 (você leu certo). Vale também lembrar que os achados mais recentes e contundentes são oriundos de centros de pesquisa, como o National Institute of Mental Health dos EUA, impossibilitados de qualquer contato com a indústria farmacêutica. O fato de não termos uma alteração cerebral que seja “marca registrada” do TDAH não invalida nem a sua base neurobiológica, muito menos a sua existência. Se fosse assim, não existiria a Esquizofrenia, o Autismo, a Depressão, o Transtorno de Humor Bipolar entre outros, já que nenhum desses tem uma alteração que seja “marca registrada” da doença.

E como você pode acreditar em todas estas informações descritas acima?

Muito fácil: estão em artigos científicos publicados em revistas sérias que exigem rigor científico e passam pelo crivo de vários profissionais antes de serem publicados. E todos estes artigos são públicos (por exemplo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed )

E quanto aos conflitos de interesses de quem escreve artigos?

Eles existem frequentemente e são de dois tipos. O primeiro deles é o chamado conflito de interesses financeiro, onde o autor de um artigo científico (ou um palestrante) recebe verba de alguma instituição ou empresa farmacêutica para suas pesquisas ou ainda como consultor. Nestes casos é exigido que ele informe claramente aos leitores de seu artigo (ou aos participantes de uma palestra) os seus potenciais conflitos para que todos possam ler o artigo (ou ouvir sua palestra) sabendo deles, antecipadamente. Isto é obrigatório nas revistas científicas e em quase todas as associações médicas; no Brasil isto é exigência da ANVISA. Este procedimento garante que nenhum resultado de pesquisa seja apresentado sem que todos possam considerar a possibilidade destes conflitos financeiros; ou seja: exige que o pesquisador apresente dados com a devida transparência.

O segundo tipo de conflito de interesses é o não-financeiro. Este é também extremamente comum e, infelizmente, a sua informação aos leitores ou ouvintes ainda não é exigida por lei. São exemplos: pertencer a uma determinada escola de psicoterapia ou religião que pregam o tratamento através de suas práticas e não através de medicamentos, cargos políticos ou administrativos (que permitem economizar no tratamento de uma doença caso se considere que ela “não existe” ou que “não é necessário usar medicamentos”, etc.)

Quando você ouve alguém falar que “TDAH é uma doença inventada”, por mais eloqüente que seja o autor desta opinião sem qualquer base científica, ou mesmo a sua titulação (a incapacidade e leviandade sempre foram democráticas: também acometem médicos, psicólogos, etc.), pesquise sobre a veracidade (e a origem) do que está sendo dito.

Sempre existiram indivíduos com pouco espírito crítico embora bem intencionados e espertos mal intencionados na história da medicina. Apenas para enfatizar: até bem pouco tempo atrás havia quem bradasse aos quatro cantos que a AIDS não era causada pelo HIV. Outra: que as vacinas para sarampo causavam autismo nas crianças. Ou ainda pior, que condenavam as mães pelo Autismo de seus filhos: chamavam-nas de “mães geladeiras” numa alusão de que era a sua frieza nas relações inicias com seus filhos que criava o autismo na criança!

Os resultados?

Aumento absurdo das mortes por AIDS e de crianças com seqüelas neurológicas irreversíveis por conta de sarampo, uma doença facilmente prevenida. E uma enormidade de mães levianamente culpadas que se viam ainda mais fragilizadas para acolher um(a) filho(a) com uma condição delicada como o autismo.

Mediante ao texto acima você tem recursos para acessar fontes realmente seguras e científicas sobre o TDAH. Portanto, dê um basta no discurso vazio! Siga o conselho do poeta Dickens: “não aceite nada pela aparência, só pela evidência”.

No nosso caso, a evidência científica é implacável: o TDAH é um dos transtornos mais bem estudados da medicina e com mais evidências científicas que a maioria dos demais transtornos mentais.

O texto acima foi redigido por:

Paulo Mattos – Presidente do Conselho Científico da ABDA – Psiquiatra


Professor Adjunto do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre e Doutor em Psiquiatria. Pós-Doutor em Bioquímica. Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (Título de Especialista), American Psychiatric Association e Academia Brasileira de Neurologia. Membro do Comitê Editorial do Journal of Attention Disorders, do Jornal Brasileiro de Psiquiatria e da Revista de Psiquiatria Clínica. Coordenador do GEDA - Grupo de Estudos do Déficit de Atenção da UFRJ.


Dr. Paulo Mattos foi palestrante ou consultor das empresas Janssen-Cilag e Novartis nos últimos três anos (recebendo menos que 5% de sua renda bruta anual). Ele também recebeu benefícios de viagem para encontros científicos das empresas Novartis e Janssen-Cilag. Ele é coordenador do Grupo de Estudos do Déficit de Atenção da UFRJ, que recebeu apoio educacional e de pesquisa das seguintes empresas nos últimos três anos: Janssen-Cilag, Novartis e Shire.


Luiz Augusto Rohde – Vice-presidente do Conselho Científico da ABDA - Psiquiatra


Professor Adjunto da UFRS; Bolsista de Produtividade em Pesquisa 1B; Orientador de Doutorado; Doutorado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Editor da Revista Brasileira de Psiquiatria; Co-editor do European Child and Adolescent Psychiatry; Editor internacional do Journal AM. Acad. Child and Adolescent Psychiatry; membro do corpo editorial de várias outras revistas (como Neuropsychiatric Genetics e Journal of Attention Disorder); Secretário Geral da International Association of Child Adolescent Psychiatry Allied Psychiatry - Membro do grupo para Transtornos Disruptivos do Comportamento e TDAH do DSM-V e do grupo de coordenação de parceria científica global para CID-11.


Dr. Luis A. Rohde foi, nos últimos três anos, um dos palestrantes e/ou consultores patrocinados por Eli-Lilly, Janssen-Cilag, Novartis e Shire. Ele também recebeu patrocínio para viagens (passagens e hospedagens) por fazer parte de dois encontros de psiquiatria infantil organizados pela Novartis e Janssen-Cilag. Os programas de TDAH e Transtorno do Humor Bipolar para jovens coordenados por ele receberam suporte irrestrito para atividades de pesquisa e educacionais dos seguintes laboratórios farmacêuticos nos últimos três anos: Abbott, Eli-Lilly, Janssen-Cilag, Novartis e Shire. Ele recebe a maior parte de incentivos para suas pesquisas de instituições governamentais brasileiras (CNPQ, FAPERGS, HCPA e CAPES).
 
Este texto está no site da ABDA http://www.tdah.org.br/

sábado, 27 de novembro de 2010

39- Medicamentos ou Tratamento Alternativo para o TDAH?

Decidir pode ser difícil… Considere este conselho de um especialista quando for decidir se o melhor para o seu filho com TDAH é o medicamento ou o tratamento alternativo.
by Edward Hallowell, M.D.

Depois que uma criança é diagnosticada como portadora do TDAH, uma das decisões mais difíceis que um pai tem de tomar é se vai usar ou não a medicação. Eu já passei por isso. Dois dos meus três filhos têm TDAH, e, embora eu e minha mulher tenhamos decidido pela medicação – que, por sinal, ajudou imensamente a ambos, sem efeitos colaterais – chegar a essa decisão necessitou de uma cuidadosa reflexão.

Quando foi sugerido que meus filhos usassem a medicação, eu tive minhas dúvidas. Eu sabia que os medicamentos para o TDAH são seguros e eficientes, mas eu me preocupei que talvez, por alguma razão desconhecida, eles pudessem prejudicar a saúde dos meus filhos. Embora a medicação estimulante esteja sendo utilizada por mais de 60 anos, eu me perguntava se algum efeito colateral novo poderia aparecer.

Enfrentei essas preocupações com os possíveis efeitos colaterais de não tomar a medicação: principalmente a luta que meus filhos travavam para se manterem focalizados, e a sua frustração quando não conseguiam. Depois de imaginar este cenário, a decisão ficou muito menos difícil.

Utilize o seu tempo

Cada pai – e criança – enfrenta a questão da medicação com diferentes preconceitos. Meu forte conselho é que você gaste o tempo que for preciso, respeite os seus sentimentos, e encontre um médico que permaneça calmo, um profissional que lhe dê informação – não ordens apressadas – enquanto você luta com sua decisão.

Do ponto de vista médico, a decisão é óbvia. Medicação é de longe o tratamento mais comprovado, seguro e eficiente para o TDAH. Estudos cuidadosos e controlados estabeleceram que um teste de medicamento faz sentido, após o diagnóstico ter sido feito. Lembre que um teste de medicamento é somente isto – um teste. Diferente de uma cirurgia, ele pode ser revertido. Se o medicamento não funcionar ou se ele produzir efeitos colaterais, o médico pode reduzir a dosagem ou interrompê-lo. Nenhum prejuízo acontece. Mas a não ser que seu filho experimente o medicamento, você nunca saberá se ele poderá beneficiá-lo, como tem acontecido com outras crianças e adultos.

Pesquise os fatos

Entretanto, de um ponto de vista pessoal e paterno, a decisão é tudo menos fácil. Leva tempo e requer conversar com seu médico e outros especialistas. Você poderá querer pesquisar a medicação na internet e encontrar o que os últimos estudos concluíram sobre ela. Obtenha todos os fatos, e tome uma decisão científica, em vez de supersticiosa. Mas eu recomendo que você nunca comece a dar medicação para o seu filho antes de estar bem seguro disso. Não pense que esteja desafiando a paciência do seu médico ou que suas dúvidas são bobas. Nada que você faz com amor por seu filho é bobagem.

Entretanto, eu recomendo que você não rejeite a medicação totalmente. Muitos pais ouviram tantas coisas más sobre os medicamentos para o TDAH que eles prefeririam viajar até o Tibete para descobrir um tratamento alternativo, antes de dar uma chance para a medicação. É muito importante que você faça seu trabalho de casa e separe os fatos dos mitos antes de descartar o tratamento.

Honre os seus sentimentos

Quando eu dou aulas, as pessoas frequentemente me perguntam se eu acredito na medicação para as crianças e adultos com TDAH. Minha resposta é que o medicamento não é um princípio religioso; é um tratamento médico. Meus sentimentos sobre os medicamentos para o TDAH são os mesmos que sobre os demais medicamentos em geral. Eles são ótimos quando utilizados corretamente, e são perigosos quando não são.

Às vezes demora meses ou até mesmo anos antes que os pais decidam utilizar medicação para seus filhos. Cada pai tem o seu tempo. Fique com o seu.

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

38- Evite a Destruição das Festas de Natal: Auxílio para as crianças com TDAH

Seis maneiras para os pais auxiliarem suas crianças com TDAH a aproveitarem as celebrações dos feriados natalinos sem problemas de comportamento, conflitos de família ou exacerbação dos sintomas do TDAH. Por Carol Brady, Ph.D.

As festas natalinas podem ser muito estressantes para as crianças com TDAH. Viajar e visitar parentes pode destruir suas rotinas diárias, e toda a excitação pode ser opressiva. Siga estas estratégias apropriadas para a família, para evitar a destruição das festas natalinas, para manter suas crianças com TDAH sentindo-se bem, e criando memórias mais felizes.

1- Planeje antes

Durante os feriados, a rotina e a estrutura vão-se pela janela. Uma criança precisa suportar uma viagem de automóvel, de trem, ou de avião; sentar-se polidamente à mesa de jantar por longos períodos; ter menor controle da dieta e do sono. Planejar para esses efeitos colaterais dos feriados será útil para as crianças e para os seus pais.

Decida como os dias serão gastos – festas, decoração, visita a parentes, preparação das diversões natalinas – e estabeleça uma escala, admitindo flexibilidade no caso de sua criança precisar de um tempo de descanso.

Esquematize cada fase dos feriados, incluindo todo o tempo livre, quando seu filho poderá estar brincando com outras crianças ou parentes. Agora, levando em conta o que você sabe do seu filho, ou de sua filha, elimine as atividades que possam ser um problema para ele ou ela. Refaça o esquema se for necessário, e discuta com seu filho a obediência às estratégias.

Dica: Se o seu filho ou filha estiver usando medicação para o TDAH, fale com seu médico sobre a possibilidade de estender a proteção por 24 horas, durante o período de feriados. Aumentando o tempo de ação da medicação, pode aumentar o desfrute do seu filho durante este período de alta energia.

2- Ensine o autocontrole

Dar à criança algumas ferramentas para o autocontrole pode evitar que uma reação exagerada se transforme em uma crise de furor. Técnicas de relaxamento – yoga, exercícios respiratórios – podem ajudar uma criança que facilmente se torna alterada em um ambiente muito carregado. Além disso, dê ao seu filho alguns apoios verbais para mantê-lo num estado mental positivo.

Frente a uma multidão na casa de um parente ou à tarefa de sentar-se educadamente à mesa de jantar, diga-lhe baixinho “Sei que você pode dar conta disto. Vai ser só uma pequena parte do dia”.

3- Treine as técnicas de acalmar-se

Algumas crianças com TDAH precisam praticar o ato de acalmar-se em casa, antes de sair para os feriados. Ensaiar a técnicas de “pare, relaxe, pense” com uma criança, ou revisar um cenário que lhe deu problemas no passado, são estratégias excelentes. Você pode ensinar sua criança a pedir ajuda logo no início de um conflito com um parente ou amigo. Em tempo, só de andar em sua direção já pode acalmar seu filho.

Dica: Para evitar conflitos com os companheiros, encoraje seu filho a levar um brinquedo ou um jogo para compartilhar com as outras crianças.

4- Esquematize o tempo sabiamente

Muitos eventos podem super estimular uma criança com TDAH. Decida quais ocasiões são as mais importantes, e não sobrecarregue o esquema. Inclua um tempo privado para uma saída para um restaurante conveniente para crianças, com um amigo, para alguma diversão compartilhada um a um com o seu filho. Além disso, ficar um tempo juntos num lugar tranqüilo da casa ou fazer uma curta caminhada pode afastar uma crise de raiva numa criança.

Dica: Se você estiver planejando gastar vários dias em visita a um parente, fique num motel, ou hotel, em vez de dormir todos juntos. Isto dará ao seu filho a chance de construir um espaço para respirar. Para evitar mágoas e ressentimentos, explique aos seus parentes por que motivo você não está dormindo na casa deles.

5- Envolva seu filho em atividades

Construa memórias felizes ao juntar seu filho a você no preparo das refeições dos feriados, ao criar decorações ou embrulhar os presentes. Tais atividades reforçam os laços entre as crianças e os pais.

6- Encoraje o bom comportamento

Elogiar o bom comportamento de uma criança a faz lembrar-se dos seus pontos fortes e aumenta sua confiança de que pode administrar o que quer que seja que os feriados lhe aprontem. Um pai disse-me que sua criança tornou-se a atração da festa quando leu um livro de enigmas para os membros da família. Outro pai me contou que seu filho encantou a turma com seus truques de mágico. Lembrar a uma criança os seus sucessos já conquistados fará com que ela se realize neste ano.

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37- Álcool e Medicamentos para o TDAH: O que é Seguro?

Como o álcool interage com sua medicação para o TDAH do adulto? Leia este conselho do especialista antes de consumir bebidas alcoólicas.  Por Larry Silver, M.D., ADDitude Magazine

Cada pessoa tem seu modo especial de aproveitar os feriados, e, para muitas, isto significa beber um copo de vinho, um coquetel ou uma cerveja.

Mas a bebida combina com o TDAH e com a medicação que você está usando para o tratamento? E quais são os riscos de se embebedar se o seu TDAH não estiver sendo tratado?

Menos é mais

Beber com moderação é atitude sábia para todo mundo, mas é imperativo para os adultos com TDAH. O álcool pode ser perigoso para a sua saúde e a sua segurança.

Os medicamentos estimulantes geralmente usados para tratar o TDAH podem intensificar os efeitos do álcool assim como os da maconha ou da cocaína. A quantidade de álcool que geralmente causaria uma bebedeira naqueles que não estivessem tomando medicamento pode resultar em coma alcoólico nos que estão tomando medicação. Antidepressivos também podem causar a mesma combinação de efeitos.

Meu conselho? Diga NÃO a mais de uma cerveja ou a um copo de vinho. Tente com vagar um drinque e mude para uma bebida não alcoólica. Se você não for capaz de ficar somente no primeiro drinque, eu sugiro que você não tome o remédio neste dia. Para os que estão usando medicamentos de longa ação, esse recurso não pode ser usado. Eles permanecem no seu organismo por muito tempo depois de você os ter tomado, então, fale com o seu médico sobre como interromper a medicação de longa ação pode ser seguro ou não.

Lembre-se, também, que se você falha a medicação naquela noite, você poderá ficar hiperativo, desatento, ou impulsivo, e agir de modo impróprio ou se envolver em comportamentos de risco. Peça para um amigo de confiança ficar de olho em você e para que alguém que não bebeu o leve de volta para casa.

O tratamento é a chave

Os que têm TDAH sem tratamento têm outro problema: usar e talvez abusar do álcool para se sentir melhor consigo mesmos. As frustrações diárias, os problemas de trabalho, e a baixa auto-estima podem fazer com que o TDAH não tratado promova um desequilíbrio emocional. É por isso que os adolescentes e os adultos não tratados correm um maior risco de dependência do álcool.

Os estudos estatísticos mostram que a probabilidade de se tornar dependente do álcool ou de drogas é igual para as pessoas tratadas e a população em geral. Mas há um aumento da probabilidade de se tornar dependente de álcool se o TDAH não for tratado.

Então, se você estiver recebendo tratamento para o TDAH, não se sinta obrigado a se abster nesses feriados. E se você estiver no grupo dos não tratados, esses feriados serão uma ótima ocasião para dar-se a si mesmo uma avaliação minuciosa.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

36- Quando mudar de médico

Garantindo o melhor diagnóstico e tratamento do TDAH

O médico que trata dos sintomas de TDAH do seu filho deve fazer mais do que dar receitas de medicamentos para o TDAH. Ele deve ser minucioso, simpático e conhecedor do transtorno de déficit de atenção. Como é o médico da sua família? - por Edward Hallowell, M.D.- Publicado em ADDitudeMag.com

Se você tem se perguntado se o seu filho está recebendo a atenção médica correta para o transtorno de atenção dele, você não está sozinho.

Muitos profissionais e clínicas não levam o tempo certo para fazer um diagnóstico correto ou para estabelecer um plano de tratamento. Por “correto”, não quero somente dizer usar as ferramentas e técnicas adequadas. Digo estabelecer uma ligação pessoal com você e com seu filho.

Você tem de ser compreendido e ouvido ao longo do árduo processo de diagnóstico e tratamento do TDAH. Atualmente muitos profissionais de saúde mental ignoram a pessoa, enquanto tentam fazer um plano de tratamento para o paciente. E ele fica desnorteado.

O bom médico - Encontre uma ligação

O médico de TDAH da sua família deve ser mais do que uma enciclopédia clínica. Ele deve ser capaz de rir de uma piada e de rir de si mesmo, e deve querer conhecer melhor você. Ele tem de perguntar-lhe sobre coisas que não tenham nada a ver com o que o trouxe ao consultório.

Os psiquiatras dizem que atualmente a profissão é baseada mais nas evidências do que era no passado, e que nossos critérios de diagnóstico para o déficit de atenção são baseados em sintomas e comportamentos objetivos, e não na intuição subjetiva. Mas enquanto a ciência progride, nossa aplicação dela tem sido cada vez mais impessoal.

Infelizmente, o diagnóstico e o tratamento do TDAH levam por si mesmos a este modelo mecanicista. O diagnóstico depende da identificação de seis ou mais sintomas de uma ou duas listas. Para piorar o problema, muitas pessoas com TDAH querem evitar a pesquisa, querem pegar a sua receita e cair fora.

Então, se o seu médico diz “Ei! calma!”, isto é ótimo. Outro bom sinal é um médico que lhe faz perguntas, que conversa com você sobre o dia-a-dia da vida do seu filho, e estabelece um plano de tratamento que inclua várias abordagens simultâneas – medicação combinada com a terapia, por exemplo.

O médico deve lhe dar tempo para fazer perguntas sobre a medicação, se ela for recomendada, e encorajá-lo a falar com ele se você notar efeitos colaterais ou outros problemas.

O mau médico – Mostre-lhe a porta

Será que você deve dispensar seu médico se não estiver obtendo o nível de atenção em relação ao seu filho? Talvez. Se você não consegue estabelecer uma ligação pessoal, mude de médico. Seu médico deve ser seu parceiro, não um deus a quem você adore. Outros sinais importantes que indicam a hora de parar e procurar outro profissional incluem:

- Ele não dá bola para as suas preocupações com os sérios efeitos colaterais que o seu filho está sofrendo. A meta dele deve ser encontrar um tratamento que funcione sem efeitos colaterais, não tratar o TDAH a qualquer custo.

- Ele não lhe dá a informação adequada sobre os possíveis efeitos colaterais ou sobre as maneiras específicas de avaliar a eficácia do tratamento.

- Ele não lhe oferece outras opções se a primeira foi infrutífera. Tratar o TDAH geralmente envolve tentativa e erro para encontrar o que funciona.

- Ele reclama que você ou que seu filho faz muitas perguntas.

- Ele lhe diz que não tem experiência com o TDAH.

Crie um novo modo de tratar

Se você deu um bilhete azul para o seu médico, eis aqui como encontrar um substituto. Procure um psiquiatra ou neurologista que tenha se especializado no TDAH e nas dificuldades de aprendizagem.

[A ABDA tem um cadastro de médicos e psicólogos que podem ser procurados. Um grupo de apoio em sua cidade ou região será outra fonte de importantes recursos e de troca de experiências. (Nota do tradutor)]

É muito fácil para um médico, e para você também, rebaixar o tratamento a um rápido diagnóstico e medicação. O melhor plano de tratamento começa com uma forte ligação com o seu médico, o que é essencial para o sucesso.

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

35- Falta conhecimento sobre o TDAH. Isso é grave!

Conhecimento sobre o transtorno do déficit de atenção/hiperatividade no Brasil J. bras. psiquiatr. v.56 n.2 Rio de Janeiro 2007
Marcelo Gomes; André Palmini; Fabio Barbirato; Luis Augusto Rohde; Paulo Mattos

OBJETIVO: Verificar o conhecimento da população sobre o transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e de médicos, psicólogos e educadores sobre aspectos clínicos do transtorno.

MÉTODOS: 2.117 indivíduos com idade > 16 anos, 500 educadores, 405 médicos (128 clínicos gerais, 45 neurologistas, 30 neuropediatras, 72 pediatras, 130 psiquiatras) e 100 psicólogos foram entrevistados pelo Instituto Datafolha. A amostra da população foi estratificada por região geográfica, com controle de cotas de sexo e idade. A abordagem foi pessoal. Para os profissionais (amostra aleatória simples), os dados foram coletados por telefone em Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

RESULTADOS: Na população, > 50% acreditavam que medicação para TDAH causa dependência, que TDAH resulta de pais ausentes, que esporte é melhor do que drogas como tratamento e que é viável o tratamento psicoterápico sem medicamentos. Dos educadores, > 50% acreditavam que TDAH resulta de pais ausentes, que tratamento psicoterápico basta e que os esportes substituem os medicamentos. Entre psicólogos, > 50% acreditavam que o tratamento pode ser somente psicoterápico. Dos médicos, > 50% de pediatras e neurologistas acreditavam que TDAH resulta de pais ausentes.

CONCLUSÕES: Todos os grupos relataram crenças não respaldadas cientificamente, que podem contribuir para diagnóstico e tratamento inadequados. É urgente capacitar profissionais e estabelecer um programa de informação sobre TDAH para pais e escolas.

Eu digo: Esse é o objetivo deste blog!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

34- Como falar com uma criança ou adolescente sobre o TDAH?

Mais cedo ou mais tarde, esta é uma situação delicada que os pais têm que enfrentar. Deve-se falar para a criança que ela tem um problema? Isso não pode fazer com que ela se sinta "diferente", "doente", "incapacitada", "louca"?... Bom, será que ela, no íntimo, já não se sente assim mesmo? Ou os outros não fazem com que se pergunte se isso tudo não é mesmo verdade?
Muito antes de haver um diagnóstico, o comportamento diferenciado da criança com TDAH já chamou sua atenção para essa diferença. É de grande importância que ela aprenda a aceitar o fato que tem realmente um problema - específico, identificável. Guiá-la nesse difícil processo é papel amoroso dos pais.
Os especialistas recomendam que se esclareça o portador a respeito do transtorno, seja ele criança, adolescente ou adulto. Só é possível programar um tratamento com alguma perspectiva de sucesso se a pessoa envolvida se dispuser a colaborar. O primeiro passo para garantir essa colaboração é dar o máximo de informação possível sobre o TDAH, suas implicações e conseqüências.
A compreensão de si próprio, um diagnóstico correto e informações sobre o transtorno trazem, leva a uma reestruturação interna e externa da vida de um portador. Na maioria das vezes, há uma profunda sensação de alívio em saber o porquê de determinadas incapacidades e entender que o comportamento tem justificativa independente da vontade. A culpa também diminui e há um aumento real na possibilidade de superar as dificuldades e alcançar o sucesso.
Hallowell e Ratey, autores do livro Tendência à Distração, oferecem dez dicas para pais e professores sobre como explicar o TDAH para crianças:

1 - contar a verdade: este é o princípio central. Primeiro, aprender tudo o que estiver disponível sobre o assunto. Depois, falar com suas próprias palavras o que aprendeu, para que a criança possa compreender. Não deixar esse trabalho para a simples leitura de um livro ou para uma explicação do profissional especializado. Fazer você mesmo, com clareza e honestidade.

2 - usar um vocabulário preciso: não criar palavras sem significado nem utilizar palavras inadequadas. A criança vai aceitar sua explicação e carregá-la consigo sempre.

3 - metáfora da miopia: comparar o TDAH a um problema visual é muito útil ao explicar a dificuldade - é um problema congênito, não cura mas pode ser controlado, precisa de um auxiliar externo, ninguém é responsável por ele. Além disso, é uma explicação precisa e não emotiva.

4 - responder as perguntas: e provocar perguntas. Lembrar-se que as crianças fazem perguntas que não sabemos responder; não ter medo de dizer que não sabe mas que vai se informar. Ler todo o material que já está disponível (página BIBLIOGRAFIA), freqüentar assiduamente este site, conversar com profissionais especializados.

5 - falar do que o TDAH não é: retardo mental, loucura, falta de inteligência, defeito de caráter, preguiça, falta de vontade, família desestruturada etc.

6 - dar exemplos positivos de pessoas que têm TDAH: pessoas conhecidas, como Michael Johnson, Robin Williams, Whoopie Goldberg, ou pessoas da família (pai, mãe, primos, tios?).

7 - prevenir para a criança não usar o TDAH como desculpa: a maioria delas, no início, tende a usar a dificuldade como desculpa para tudo. O TDAH é uma explicação, não uma justificativa. Elas devem saber que continuam responsáveis por seus atos.

8 - ensinar a criança a responder perguntas sobre as dúvidas dos outros: sobretudo as dos colegas. A atitude é a mesma: contar a verdade. Dramatizar uma possível situação de provocação com a criança e mostrar como ela deve enfrentá-la.

9 - falar para os outros a respeito do TDAH da criança: com o consentimento dela, conversar sobre a situação com os colegas da escola e com outros membros da família. A mensagem a ser passada é que não existe nada do que se envergonhar, nada a esconder, mas muito a ajudar.

10 - educar os outros: a escola, os pais dos amigos da criança, os amigos da família. A arma mais forte que temos para conseguir que a criança seja tratada de maneira adequada é o conhecimento. Espalhar esse conhecimento o mais que puder , pois ainda há muita ignorância e preconceito ligados ao TDAH.

Rebeca Naparstek, psicóloga

33- TDAH - Sugestões para Intervenções do Professor:

Há uma grande variedade de intervenções específicas que o professor pode fazer para ajudar a criança com TDAH a se ajustar melhor à sala de aula:

1. Proporcionar estrutura, organização e constância (exemplo: sempre a mesma arrumação das cadeiras ou carteiras, programas diários, regras claramente definidas).

2. Colocar a criança perto de colegas que não o provoquem, perto da mesa do professor, na parte de fora do grupo.

3. Encorajar freqüentemente, elogiar e ser afetuoso, porque essas crianças desanimam facilmente.

4. Dar responsabilidades que elas possam cumprir faz com que se sintam necessárias e valorizadas. Começar com tarefas simples e gradualmente mudar para mais complexas.

5. Proporcionar um ambiente acolhedor, demonstrando calor e contato físico de madeira equilibrada e, se possível, fazer os colegas também terem a mesma atitude.

6. Nunca provocar constrangimento ou menosprezar o aluno.

7. Proporcionar trabalho de aprendizagem em grupos pequenos e favorecer oportunidades sociais.Grande parte das crianças com TDAH consegue melhores resultados acadêmicos, comportamentais e sociais quando no meio de grupos pequenos.

8. Comunicar-se com os pais. Geralmente, eles sabem o que funciona melhor para o seu filho.

9. Ir devagar com o trabalho. Doze tarefas de 5 minutos cada uma traz melhores resultados do que duas tarefas de meia hora.

10. Mudar o ritmo ou o tipo de tarefa com freqüência elimina a necessidade de ficar enfrentando a inabilidade de sustentar a atenção, e isso vai ajudar a auto-percepção.

11. Favorecer oportunidades para movimentos monitorados, como uma ida à secretaria, levantar para apontar o lápis, levar um bilhete para o professor, regar as plantas ou dar de comer ao mascote da classe.

12. Adaptar suas expectativas quanto à criança, levando em consideração as deficiências e inabilidades decorrentes do TDAH. Por exemplo, se o aluno tem um tempo de atenção muito curto, não esperar que ele se concentre em apenas uma tarefa durante todo o período da aula.

13. Recompensar os esforços, a persistência e o comportamento bem sucedido ou bem planejado.

14. Proporcionar exercícios de consciência e treinamento dos hábitos sociais da comunidade. Avaliação freqüente sobre o impacto do comportamento da criança sobre ela mesma e sobre os outros ajuda bastante.

15. Favorecer freqüente contato aluno/professor. Isto permite um “controle” extra sobre a criança com TDAH, ajuda-a a começar e continuar a tarefa, permite um auxílio adicional e mais significativo, além de possibilitar oportunidades de reforço positivo e incentivo para um comportamento mais adequado.

16. Colocar limites claros e objetivos; ter uma atitude disciplinar equilibrada e proporcionar avaliação freqüente, com sugestões concretas e que ajudem a desenvolver um comportamento adequado.

17. Assegurar que as instruções sejam claras, simples e dadas uma de cada vez, com um mínimo de distrações.

18. Evitar segregar a criança que talvez precise de um canto isolado com biombo para diminuir o apelo das distrações; fazer do canto um lugar de recompensa para atividades bem feitas em vez de um lugar de castigo.

19. Desenvolver um repertório de atividades físicas para a turma toda, como exercícios de alongamento ou isométricos.

20. Estabelecer intervalos previsíveis de períodos sem trabalho que a criança pode ganhar como recompensa por esforço feito. Isso ajuda a aumentar o tempo da atenção concentrada e o controle da impulsividade através de um processo gradual de treinamento.

21. Reparar se a criança se isola durante situações recreativas barulhentas. Isso pode ser um sinal de dificuldades de coordenação ou auditivas que exigem uma intervenção adicional.

22. Preparar com antecedência a criança para as novas situações. Ela é muito sensível em relação às suas deficiências e facilmente se assusta ou se desencoraja.

23. Desenvolver métodos variados utilizando apelos sensoriais diferentes (som, visão, tato) para ser bem sucedido ao ensinar uma criança com TDAH. No entanto, quando as novas experiências envolvem uma miríade de sensações (sons múltiplos, movimentos, emoções ou cores), esse aluno provavelmente irá precisar de tempo extra para completar sua tarefa.

24. Não ser mártir! Reconhecer os limites da sua tolerância e modificar o programa da criança com TDAH até o ponto de se sentir confortável. O fato de fazer mais do que realmente quer fazer traz ressentimento e frustração.

25. Permanecer em comunicação constante com o psicólogo ou orientador da escola. Ele é a melhor ligação entre a escola, os pais e o médico.

Rebeca Naparstek, psicóloga.

32- Para os pais de crianças com TDAH

1. Aprender o que é TDAH:

* Os pais devem compreender que, para poder controlar em casa o comportamento resultante do TDAH, é preciso ter um conhecimento correto do distúrbio e suas complicações.

2. Incapacidade de compreensão versus rebeldia:
* Os pais devem desenvolver a capacidade de distinguir entre problemas que resultam de incapacidade e problemas que resultam de recusa ativa em obedecer ordens. Os primeiros devem ser tratados através da educação e desenvolvimento de habilidades. Os outros são resolvidos de maneira satisfatória através de manipulação das conseqüências.

3. Dar instruções positivas:
* Pais devem cuidar para que seus pedidos sejam feitos de maneira positiva ao invés de negativa. Uma indicação positiva mostra para a criança o que deve começar a ser feito e evita que ela focalize em parar o que está fazendo.

4. Recompensar:
* Os pais devem recompensar amplamente o comportamento adequado. Crianças com TDAH exigem respostas imediatas, freqüentes, previsíveis e coerentemente aplicadas ao seu comportamento. Da mesma maneira, necessitam de mais tentativas para aprender corretamente. Quando a criança consegue completar uma tarefa ou realiza alguma coisa corretamente, deve ser recompensada socialmente ou com algo tangível mais freqüentemente que o normal.

5. Escolher as batalhas:
* Os pais deveriam escolher quando e como gastar suas energias numa batalha, sempre reforçando o positivo, aplicando conseqüências imediatas para comportamentos que não podem ser ignorados e usando o sistema de créditos ou pontos. É essencial que os pais estejam sempre um passo a frente.

6. Usar técnicas de “custo de resposta”:
* Os pais devem entender bem o que seja “custo de resposta”, uma técnica de punição em que se pode perder o que se ganhou.

7. Planejar adequadamente:
* Os pais devem aprender a reagir aos limites de seu filho de maneira positiva e ativa. Aceitar o diagnóstico de TDAH significa aceitar a necessidade de fazer modificações no ambiente da criança. A rotina deve ser consistente e raramente variar. As regras devem ser dadas de maneira clara e concisa. Atividades ou situações em que já ocorreram problemas devem ser evitadas ou cuidadosamente planejadas.

8. Punir adequadamente:
* Os pais devem compreender que a punição sozinha não irá reduzir os sintomas de TDAH. Punir deve ser uma atitude diretamente relacionada apenas a um comportamento declaradamente desobediente. No entanto, a punição só trará modificação de comportamento para crianças com TDAH se acompanhada de uma estratégia de controle.

9. Construir ilhas de competência:
* O que realmente importa para o sucesso dessa criança na vida é o que existe de certo com ela e não o que está errado. Cada vez mais, a área da saúde mental focaliza seu trabalho em aumentar os pontos fortes em vez de tentar diminuir os pontos fracos. Uma das melhores maneiras de criar pontos fortes é uma boa relação dos pais com seu filho.

Sete Conselhos para os Pais:

1. Se uma professora ou um vizinho sugere que seu filho parece ter TDAH, procure seu pediatra e discuta com ele os sintomas. Se o médico pensa que há motivos para avaliar a criança, peça que ele recomende um profissional especializado como um neurologista, psiquiatra infantil ou psicólogo.

2. Se a criança for submetida a uma avaliação, certifique-se que seja uma avaliação integral. Seu filho deve ser observado na escola e em casa. É possível que você e os professores da criança tenham que responder questionários, que incluem perguntas sobre outros casos de TDAH na família.

3. Certifique-se que o avaliador descarte outras condições médicas, neurológicas ou psicológicas cujos sintomas são parecidos com os sintomas de TDAH.

4. Levar em consideração o que acontece em casa. Muitas crianças desenvolvem sintomas parecidos com o TDAH como uma reação a problemas familiares.

5. Informe-se em fontes científicas sobre o TDAH, distúrbios semelhantes e seus tratamentos. Procure o grupo local da organização Crianças e Adultos com Déficit de Atenção/Hiperatividade, e compareça às reuniões.

6. Se seu filho está recebendo medicação, não pense que esse é o fim do caminho. Sozinhos, os medicamentos não são a solução. A família e a criança necessitam terapia e ajuda de um profissional que os oriente em casa e na escola.

7. Todas as crianças precisam de amor. Fale com seus filhos com carinho e respeito e refira-se aos outros da mesma forma. Lembre-se que eles estão sempre observando e ouvindo!

Rebeca Naparstek, psicóloga (com base em livro de Goldstein e Goldstein)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

31- Dicas de Comportamento Escolar: Controle do Impulso Para Crianças Com TDAH

Ajude as crianças com TDAH a pensar antes de agir, por meio do estabelecimento de expectativas claras, de incentivos positivos e de conseqüências previsíveis para o bom ou o mau comportamento escolar.         by ADDitude Editors

Para as crianças com TDAH, que são regidas por seus impulsos, gritar na sala de aula ou tornar-se inconvenientes acontece naturalmente. Estas crianças vivem o momento, não sendo detidas por regras ou conseqüências.

A falta de controle do impulso pode ser o sintoma do TDAH mais difícil de mudar. A medicação pode auxiliar, mas as crianças também precisam de claras expectativas, de incentivos positivos e de conseqüências previsíveis se elas forem aprender a regular o seu comportamento.

Lidere seus alunos para compilar uma lista das regras de classe. Inclua algumas que sejam difíceis para os portadores de TDAH, tais como “Sempre erga sua mão para pedir ajuda”. Tenha certeza de definir cada regra: O que significa “Use o material corretamente”?

Exija Disciplina na Escola

Em geral, a punição deve ser imediata.

Se um aluno empurra o outro no recreio, por exemplo, faça-o sentar em sua carteira em parte do intervalo. Uma conseqüência atrasada – como uma detenção ao final da jornada – não funciona para as crianças que têm dificuldade de antecipar os resultados.

Providencie lembretes visuais para manter as crianças colaborantes.

Para livrar uma criança do constrangimento das repreensões freqüentes, combine um gesto secreto que você usará como sinal para ela ficar no seu assento ou para parar de gritar. Algumas crianças se beneficiam de uma etiqueta colada na sua carteira. Isto também deve ser sigiloso; ninguém precisa saber que “N.P.” significa “Não Perturbe”.

Encoraje o bom comportamento com elogios e prêmios.

Isto é especialmente importante para os portadores de TDAH, os quais ganham muita atenção negativa por seu mau comportamento. Elogie o bom comportamento com afirmações específicas, tais como “Eduardo, gosto do modo rápido e silencioso com que você arruma a sua carteira.”

Algumas crianças maiores podem ficar embaraçadas pelos cumprimentos, então, dê sinais de positivo com o polegar ou uma tapinha carinhosa no ombro.

Torne Claras as Expectativas

Escreva o programa do dia na lousa e apague os itens conforme eles sejam completados.
Isto dá aos portadores de TDAH uma impressão de ter o controle do seu dia. Forneça antecipadamente avisos de qualquer mudança da rotina usual.

Faça freqüentes alertas conforme se aproxime o final da atividade.

Dê um aviso à classe com cinco minutos de antecedência, depois, com dois minutos antes do final, para suavizar a transição de uma atividade para outra. Elabore um plano para alunos que tenham dificuldades mais intensas. Engaje-os em uma atividade especial, tal como recolher os trabalhos dos colegas, para ajudá-los a manter o autocontrole.

Use uma folha de relatório diário.

Esta ferramenta permite ao professor e aos pais da criança monitorarem as metas acadêmicas e de comportamento – e dá a ela a chance de ganhar recompensas. A cada dia, o professor anota quais metas foram atingidas e a criança leva o relatório para casa, para mostrar aos seus pais.

Então, o que os pais podem fazer em casa para reforçar os comportamentos corretos na escola?

Recompensando o Comportamento Positivo

Seja explícito sobre como sua criança deve se comportar.

Em vez de dizer a ela “seja boazinha” no recreio, diga a ela “aguarde na fila para a merenda e não empurre.”

Mantenha seu filho responsável por suas ações.

Mantenha as punições curtas e apropriadas, mas deixe que elas lembrem ao seu filho que ele é o responsável por seu próprio comportamento. Uma boa regra para o castigo é um minuto para cada ano de idade da criança.

Desencoraje um problema de comportamento pela “cobrança” por cada infração.

Esta estratégia premia seu filho por não se engajar em comportamento impróprio, tal como interromper suas chamadas telefônicas.

Como isso funciona?

1. Determine, rigorosamente, quantas vezes por semana seu filho o interrompe durante uma chamada telefônica, e coloque algumas moedas num cofrinho.

2. Diga ao seu filho que isto é para ele e que poderá tomar posse no final da semana, mas que você irá retirar uma moeda a cada vez que ele interromper uma chamada.

3. Conforme o comportamento comece a diminuir, reduza o número de moedas que você coloca no cofrinho ao início de cada semana.

Regras Especiais para Ocasiões Especiais

Releve os pequenos deslizes

Se o seu filho derrama o leite porque ele está enchendo o copo muito rapidamente, ajude-o a limpar a sujeira e fale sobre a importância de ser cuidadoso, e siga em frente.

Antecipe as situações potencialmente explosivas.

Crianças com TDAH necessitam de consistência e de rotina, mas o imprevisível algumas vezes acontece.

Prepare sua criança para as ocasiões especiais: Explique onde estão indo, quem estará lá, quais as atividades que estão programadas e como ela deve comportar-se. Planeje um modo para ela avisar você se ela estiver ficando oprimida, tal como por as mãos dela nas suas. (Você poderá fazer o mesmo se perceber que ela está ficando incomodada durante as atividades.)

Uma versão deste artigo apareceu no número do outono de 2009 de ADDitude.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

30- Risco de depressão e suicídio no TDAH adolescente

Um estudo recente mostra que crianças diagnosticadas com TDAH entre os 4 e 6 anos de idade têm maior risco de depressão e de ações e pensamentos de suicídio entre os 9 e 18 anos de idade, mesmo após o controle para história de depressão materna e outros facilitadores desses resultados adversos.

O estudo mostra “mais uma razão poderosa para concluir que criança com TDAH não é algo para ser descuidado; é um problema com consequências graves de curto e longo prazo”, diz Benjamin B. Lahey, PhD, professor de epidemiologia, psiquiatria e neurociência do comportamento da Universidade de Chicago.

O estudo, publicado no número de outubro do Archives of General Psychiatry, ajuda a apontar quais as crianças com TDAH que parecem ter maior risco. Meninas com TDAH entre 4 e 6 anos de idade, segundo os pesquisadores, tinham risco maior de depressão na adolescência e de tentativas de suicídio do que meninos com TDAH.

Problemas emocionais e de comportamento entre os 4 e 6 anos de idade e depressão materna também predizem maior risco de depressão e de comportamento suicida na adolescência, em crianças com TDAH.

Estes achados sugerem que é possível identificar crianças com TDAH em idades muito precoces que estão em risco muito elevado para depressão e comportamento suicida mais tarde.

Crianças e adolescentes com TDAH têm mais de 550% de risco de se envolver em ideação suicida concreta do que os indivíduos controle.

Arch Gen Psychiatry. 2010;67:1044-1051. Abstract

terça-feira, 5 de outubro de 2010

29- Vinte e Sete (27) Acomodações que funcionam para o TDAH

Alunos com TDAH podem beneficiar-se muito com as acomodações adequadas que a escola fizer. Aprenda aqui algo sobre acomodações acadêmicas específicas e como elas podem beneficiar seu filho com TDAH ou com dificuldades de aprendizagem. por Bob Seay
Crianças com TDAH freqüentemente se beneficiam com as acomodações acadêmicas estabelecidas por professores e pais, que gastam um tempo pensando nos sintomas problemáticos do TDAH e construindo acomodações para a sala de aula, que podem solucionar aqueles sintomas.

A seguir, uma lista dos desafios comuns enfrentados pelos alunos com TDAH e as acomodações que podem ajudar a trazer o sucesso na escola.

Soluções para a sala de aula

1- Se o seu aluno: é facilmente distraído pela atividade da sala de aula ou por atividades vistas pelas janelas ou portas
Tente: Sentar o aluno na frente e no meio, longe das distrações

2- Se o seu aluno: Age em classe para chamar atenção negativa
Tente: Sentá-lo perto de um colega que seja bom exemplo

3- Se o seu aluno: Não tem noção do espaço pessoal; caminha entre as carteiras para ir falar ou mexer com os outros alunos
Tente: Aumentar o espaço entre as carteiras

Tarefas

4- Se o seu aluno: For incapaz de terminar uma tarefa no tempo permitido
Tente: Permitir um tempo extra para terminar a tarefa dada

5- Se o seu aluno: Se sai bem no início de uma tarefa, mas a qualidade diminui próximo ao final
Tente: Dividir as tarefas longas em partes menores; encurtar as tarefas ou os períodos de trabalho

6- Se o seu aluno: Tem dificuldade de seguir instruções
Tente: Combinar instruções por escrito com as instruções faladas

Distração

7- Se o seu aluno: For incapaz de acompanhar as discussões em classe e as anotações
Tente: Providenciar ajuda de um colega para tomar notas e perguntar ao aluno questões que o encorajem a participar das discussões

8- Se o seu aluno: Queixa-se de que as aulas são chatas
Tente: Procurar envolver o aluno na apresentação da aula

9- Se o seu aluno: Distrai-se facilmente
Tente: Estimular seu aluno a prestar atenção na tarefa por meio de um sinal combinado com ele

10- Se o seu aluno: Entrega trabalhos com erros por falta de atenção
Tente: Reservar período de cinco minutos para conferir o trabalho ou tarefa de casa antes de entregá-los

Comportamento

11- Se o seu aluno: Exibir constantemente um comportamento para chamar a atenção
Tente: Ignorar os comportamentos impróprios menores

12- Se o seu aluno: Falha em descobrir o objetivo da aula ou da atividade
Tente: Aumentar o imediatismo dos prêmios e das conseqüências

13- Se o seu aluno: Responde intempestivamente ou interrompe os outros
Tente: Admitir as respostas corretas somente quando o aluno erguer a mão e for autorizado

14- Se o seu aluno: Necessitar de reforço
Tente: Enviar relatórios diários ou semanais para seus pais

15- Se o seu aluno: Necessitar de ajuda por tempo prolongado para melhorar o comportamento
Tente: Estabelecer um contrato de comportamento

Organização/Planejamento

16- Se o seu aluno: Não guardar seus papéis corretamente
Tente: Recomendar pastas com divisores e arquivos

17- Se o seu aluno: Tiver problemas em se lembrar dos trabalhos de casa
Tente: Providenciar um livro de tarefas para o aluno; supervisione a anotação das obrigações

18- Se o seu aluno: Perde os livros
Tente: Permitir que o aluno tenha um conjunto de livros em casa

19- Se o seu aluno: É inquieto e necessita de se andar na sala
Tente: Permitir que o aluno ande pela sala ou que fique de pé enquanto faz as tarefas

20- Se o seu aluno: Tem dificuldade de manter a atenção por longos períodos de tempo
Tente: Fazer curtas pausas entre os trabalhos

Humor/Socialização

21- Se o seu aluno: Estiver confuso sobre os comportamentos sociais corretos
Tente: Estabelecer metas de comportamento social com o estudante e faça um programa de premiações

22- Se o seu aluno: Não trabalha bem com os outros
Tente: Encorajar as tarefas cooperativas de aprendizado

23- Se o seu aluno: Não é respeitado pelos colegas
Tente: Atribuir responsabilidades ao aluno, na presença do grupo de colegas

24- Se o seu aluno: Tem baixa autoconfiança
Tente: Elogiar o comportamento e o trabalho positivos; dar ao aluno a oportunidade de agir em papel de liderança

25- Se o seu aluno: Parece solitário e distante
Tente: Encorajar as interações sociais com os colegas de classe; planejar atividades de grupo sob a direção do professor

26- Se o seu aluno: Frustra-se facilmente
Tente: Elogiar o comportamento apropriado e o bom trabalho freqüentemente

27- Se o seu aluno: Fica enraivecido facilmente
Tente: Encorajar o estudante a sair de situações que provocam a raiva; usar tempo para conversar com o aluno