"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

25- Pai de criança com TDAH? Cinco segredos para uma disciplina melhor

Dr. Peter Jaksa compartilha suas estratégias comprovadas para o controle do seu amado filho com transtorno de déficit de atenção com hiperatividade.

Toda criança ocasionalmente resiste às regras e obrigações que lhes são impostas. Crianças com TDAH tendem a resistir mais do que as outras. Para dominar crianças rebeldes, impulsivas, sem criarem uma luta pelo poder ou sem ficarem malucos, os pais devem ser pacientes, persistentes e criativos nas suas respostas à resistência. Eis aqui cinco problemas comuns de disciplina enfrentados pelos pais de crianças com TDAH, e as soluções para cada um deles.

1. “Meu filho se recusa absolutamente a fazer o que lhe digo”

Às vezes, os pais e os filhos caem em um padrão no qual as tarefas diárias (trabalho de casa, aprontar-se para ir dormir) provocam brigas. Em muitos casos, a criança eventualmente obedece, mas o conflito deixa todo mundo alterado.

Qual é a melhor solução em longo prazo? Estabelecer rotinas. Por exemplo, os pais devem estabelecer e obrigar – com calma, mas firmemente – horários regulares de estudo para cada criança.

Pode levar semanas, ou mesmo meses, até que a criança com TDAH aceite essas rotinas e as siga de modo consistente. Não importa quanto demore, não desista. E não se deixe envolver em conflito desnecessário com seu filho. Quando o humor se inflama, os pais devem permanecer calmos e manter o controle da situação.

2. "Meu filho não se importa com as conseqüências."

Tanto a retirada dos privilégios com a TV, quanto a proibição de ir a uma festa, as conseqüências são o modo mais eficaz quando são impostas tão logo quanto possível depois da infração. Se você demora na imposição de conseqüências, estará abrandando seu impacto emocional. Às vezes, conseqüências que eram eficazes param de o ser após o uso por um tempo. Como acontece com muitas coisas envolvendo o TDAH, a repetição leva ao aborrecimento. Estabeleça uma variedade de conseqüências e mude-as de tempos em tempos.

As conseqüências devem ter limites de tempo: longas o suficiente para ensinar uma lição, mas curtas o suficiente para dar à criança uma chance de mudar para coisas mais positivas. A punição deve ser de acordo com o crime. Conseqüências exageradamente duras encorajarão sua criança a ofender-se com suas regras e sua autoridade – e irão gerar mais raiva e rebeldia.

3. “Meu filho não me leva a sério.”

Por que seu filho não mostra respeito por você ou por suas regras? As regras estão claras para o seu filho? Regras importantes devem ser escritas.

A criança não aceita as regras porque as considera injustas? Nesse caso, as objeções da criança e as razões dos pais para as regras precisam de mais discussão.

Se você quer que seu filho respeite as regras, imponha-as consistentemente. Isso significa não se esquecer das regras ou suspendê-las ocasionalmente porque você se sente culpado ou porque seu filho (ou cônjuge) pressionou-o a fazer assim. Se você blefa ou faz ameaças falsas, estará sacrificando sua credibilidade e enfraquecendo sua autoridade de pai.

4. "Meu filho reage exageradamente a quase tudo."

Emotividade exaltada é uma característica do TDAH. Para crianças com déficit de atenção, o fracasso não apenas desencoraja, ele arrasa. Enquanto a maioria das crianças protesta um pouco ao serem disciplinadas, as crianças com TDAH geralmente reagem com indignação ou raiva intensas. Disciplinar uma criança que reage excessivamente é arriscado; pode desencadear a Terceira Guerra Mundial.

Reação exagerada crônica à disciplina – particularmente quando sentimentos intensos de raiva e frustração estão envolvidos – pode não ser causada pelo TDAH sozinho. A criança está reagindo excessivamente porque ela se sente criticada? Não amada? Inadequada? Desamparada? Oprimida? Suas expectativas são muito altas?

5. “Meu filho não me escuta.”

Sempre há um pai, em algum lugar, que tenha tentado manter uma conversa séria com um filho e que encontrou a indiferença. “Quem você pensa que é e por que fica me aborrecendo com esse assunto?” Se tal conversa envolve disciplina, sua mensagem não está chegando ao destino.

Se o seu filho o ignora de modo regular, faça uma autochecagem. Você se tornou muito negativo ou critico? Você focaliza muito nos problemas e não tanto nas soluções? Suas conversas se transformaram em aulas, em vez de diálogo? A criança se sente afastada do processo de tomada de decisões?

Não importa a idade do seu filho, você pode envolvê-lo no processo de estabelecer as regras e as conseqüências por sua quebra. Uma criança que está incluída no ato de estabelecer as regras da família estará mais apta a respeitá-las.
Traduzido de ADDitude Magazine outono/2009

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