"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

domingo, 28 de novembro de 2010

40- TDAH É UMA DOENÇA INVENTADA?

Você certamente já leu ou ouviu em algum lugar que o TDAH “é uma doença inventada pelos laboratórios farmacêuticos” ou que é uma “medicalização” de comportamentos de indivíduos que são simplesmente diferentes dos demais. Então vamos aos fatos:

1) O que hoje chamamos de TDAH é descrito por médicos desde o século XVIII (Alexander Crichton, em 1798), muito antes de existir qualquer tratamento medicamentoso. Não existia sequer aspirina... No inicio do século XX, aparece um artigo científico publicado numa das mais respeitadas revistas médicas até hoje, The Lancet, escrito por George Still (1902). A descrição de Still é quase idêntica a dos modernos manuais de diagnóstico, como o DSM-IV da Associação Americana de Psiquiatria. Se fosse uma doença “inventada” ou “mera conseqüência da vida moderna”, você acha que seria possível atravessar quase dois séculos com os mesmos sintomas?

2) Os sintomas que compõem o TDAH são observados em diferentes culturas: no Brasil, nos EUA, na Índia, na China, na Nova Zelândia, no Canadá, em Israel, na Inglaterra, na África do Sul, no Irã... Já chega? Pois se fosse meramente um comportamento secundário ao modo como as crianças são educadas, ou ao seu meio sociocultural, como é possível que a descrição seja praticamente a mesma nestes locais tão diferentes?

3) Se o TDAH fosse meramente “um jeito diferente de ser” e não um transtorno mental, por que os portadores, segundo os dados de pesquisas científicas, têm maior taxa de abandono escolar, reprovação, desemprego, divórcio e acidentes automobilísticos? Por que eles têm maior incidência de depressão, ansiedade e dependência de drogas?

4) Se o TDAH fosse “uma invenção da indústria farmacêutica”, você esperaria que a Organização Mundial de Saúde – órgão internacional máximo nas questões relativas à saúde pública, sem qualquer vinculação com a indústria farmacêutica – listaria o transtorno como parte dos diagnósticos da Classificação Internacional das Doenças não só na sua última versão (CID-10) como nas anteriores (CID-8 e CID-9)? Pois é, ele está lá no capítulo dos transtornos mentais – vide o site http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.htm

5) Se o TDAH fosse secundário ao modo como os pais educam seus filhos, por que motivo as famílias biológicas de crianças com TDAH que foram adotadas têm prevalências (taxas) de TDAH bem maiores do que aquelas encontradas nas suas famílias adotivas? A única explicação possível: é um transtorno com forte participação genética.

6) Quantos artigos científicos você acha que já foram publicados demonstrando alterações no funcionamento cerebral de portadores de TDAH? Mais de 200 (você leu certo). Vale também lembrar que os achados mais recentes e contundentes são oriundos de centros de pesquisa, como o National Institute of Mental Health dos EUA, impossibilitados de qualquer contato com a indústria farmacêutica. O fato de não termos uma alteração cerebral que seja “marca registrada” do TDAH não invalida nem a sua base neurobiológica, muito menos a sua existência. Se fosse assim, não existiria a Esquizofrenia, o Autismo, a Depressão, o Transtorno de Humor Bipolar entre outros, já que nenhum desses tem uma alteração que seja “marca registrada” da doença.

E como você pode acreditar em todas estas informações descritas acima?

Muito fácil: estão em artigos científicos publicados em revistas sérias que exigem rigor científico e passam pelo crivo de vários profissionais antes de serem publicados. E todos estes artigos são públicos (por exemplo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed )

E quanto aos conflitos de interesses de quem escreve artigos?

Eles existem frequentemente e são de dois tipos. O primeiro deles é o chamado conflito de interesses financeiro, onde o autor de um artigo científico (ou um palestrante) recebe verba de alguma instituição ou empresa farmacêutica para suas pesquisas ou ainda como consultor. Nestes casos é exigido que ele informe claramente aos leitores de seu artigo (ou aos participantes de uma palestra) os seus potenciais conflitos para que todos possam ler o artigo (ou ouvir sua palestra) sabendo deles, antecipadamente. Isto é obrigatório nas revistas científicas e em quase todas as associações médicas; no Brasil isto é exigência da ANVISA. Este procedimento garante que nenhum resultado de pesquisa seja apresentado sem que todos possam considerar a possibilidade destes conflitos financeiros; ou seja: exige que o pesquisador apresente dados com a devida transparência.

O segundo tipo de conflito de interesses é o não-financeiro. Este é também extremamente comum e, infelizmente, a sua informação aos leitores ou ouvintes ainda não é exigida por lei. São exemplos: pertencer a uma determinada escola de psicoterapia ou religião que pregam o tratamento através de suas práticas e não através de medicamentos, cargos políticos ou administrativos (que permitem economizar no tratamento de uma doença caso se considere que ela “não existe” ou que “não é necessário usar medicamentos”, etc.)

Quando você ouve alguém falar que “TDAH é uma doença inventada”, por mais eloqüente que seja o autor desta opinião sem qualquer base científica, ou mesmo a sua titulação (a incapacidade e leviandade sempre foram democráticas: também acometem médicos, psicólogos, etc.), pesquise sobre a veracidade (e a origem) do que está sendo dito.

Sempre existiram indivíduos com pouco espírito crítico embora bem intencionados e espertos mal intencionados na história da medicina. Apenas para enfatizar: até bem pouco tempo atrás havia quem bradasse aos quatro cantos que a AIDS não era causada pelo HIV. Outra: que as vacinas para sarampo causavam autismo nas crianças. Ou ainda pior, que condenavam as mães pelo Autismo de seus filhos: chamavam-nas de “mães geladeiras” numa alusão de que era a sua frieza nas relações inicias com seus filhos que criava o autismo na criança!

Os resultados?

Aumento absurdo das mortes por AIDS e de crianças com seqüelas neurológicas irreversíveis por conta de sarampo, uma doença facilmente prevenida. E uma enormidade de mães levianamente culpadas que se viam ainda mais fragilizadas para acolher um(a) filho(a) com uma condição delicada como o autismo.

Mediante ao texto acima você tem recursos para acessar fontes realmente seguras e científicas sobre o TDAH. Portanto, dê um basta no discurso vazio! Siga o conselho do poeta Dickens: “não aceite nada pela aparência, só pela evidência”.

No nosso caso, a evidência científica é implacável: o TDAH é um dos transtornos mais bem estudados da medicina e com mais evidências científicas que a maioria dos demais transtornos mentais.

O texto acima foi redigido por:

Paulo Mattos – Presidente do Conselho Científico da ABDA – Psiquiatra


Professor Adjunto do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre e Doutor em Psiquiatria. Pós-Doutor em Bioquímica. Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (Título de Especialista), American Psychiatric Association e Academia Brasileira de Neurologia. Membro do Comitê Editorial do Journal of Attention Disorders, do Jornal Brasileiro de Psiquiatria e da Revista de Psiquiatria Clínica. Coordenador do GEDA - Grupo de Estudos do Déficit de Atenção da UFRJ.


Dr. Paulo Mattos foi palestrante ou consultor das empresas Janssen-Cilag e Novartis nos últimos três anos (recebendo menos que 5% de sua renda bruta anual). Ele também recebeu benefícios de viagem para encontros científicos das empresas Novartis e Janssen-Cilag. Ele é coordenador do Grupo de Estudos do Déficit de Atenção da UFRJ, que recebeu apoio educacional e de pesquisa das seguintes empresas nos últimos três anos: Janssen-Cilag, Novartis e Shire.


Luiz Augusto Rohde – Vice-presidente do Conselho Científico da ABDA - Psiquiatra


Professor Adjunto da UFRS; Bolsista de Produtividade em Pesquisa 1B; Orientador de Doutorado; Doutorado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Editor da Revista Brasileira de Psiquiatria; Co-editor do European Child and Adolescent Psychiatry; Editor internacional do Journal AM. Acad. Child and Adolescent Psychiatry; membro do corpo editorial de várias outras revistas (como Neuropsychiatric Genetics e Journal of Attention Disorder); Secretário Geral da International Association of Child Adolescent Psychiatry Allied Psychiatry - Membro do grupo para Transtornos Disruptivos do Comportamento e TDAH do DSM-V e do grupo de coordenação de parceria científica global para CID-11.


Dr. Luis A. Rohde foi, nos últimos três anos, um dos palestrantes e/ou consultores patrocinados por Eli-Lilly, Janssen-Cilag, Novartis e Shire. Ele também recebeu patrocínio para viagens (passagens e hospedagens) por fazer parte de dois encontros de psiquiatria infantil organizados pela Novartis e Janssen-Cilag. Os programas de TDAH e Transtorno do Humor Bipolar para jovens coordenados por ele receberam suporte irrestrito para atividades de pesquisa e educacionais dos seguintes laboratórios farmacêuticos nos últimos três anos: Abbott, Eli-Lilly, Janssen-Cilag, Novartis e Shire. Ele recebe a maior parte de incentivos para suas pesquisas de instituições governamentais brasileiras (CNPQ, FAPERGS, HCPA e CAPES).
 
Este texto está no site da ABDA http://www.tdah.org.br/

sábado, 27 de novembro de 2010

39- Medicamentos ou Tratamento Alternativo para o TDAH?

Decidir pode ser difícil… Considere este conselho de um especialista quando for decidir se o melhor para o seu filho com TDAH é o medicamento ou o tratamento alternativo.
by Edward Hallowell, M.D.

Depois que uma criança é diagnosticada como portadora do TDAH, uma das decisões mais difíceis que um pai tem de tomar é se vai usar ou não a medicação. Eu já passei por isso. Dois dos meus três filhos têm TDAH, e, embora eu e minha mulher tenhamos decidido pela medicação – que, por sinal, ajudou imensamente a ambos, sem efeitos colaterais – chegar a essa decisão necessitou de uma cuidadosa reflexão.

Quando foi sugerido que meus filhos usassem a medicação, eu tive minhas dúvidas. Eu sabia que os medicamentos para o TDAH são seguros e eficientes, mas eu me preocupei que talvez, por alguma razão desconhecida, eles pudessem prejudicar a saúde dos meus filhos. Embora a medicação estimulante esteja sendo utilizada por mais de 60 anos, eu me perguntava se algum efeito colateral novo poderia aparecer.

Enfrentei essas preocupações com os possíveis efeitos colaterais de não tomar a medicação: principalmente a luta que meus filhos travavam para se manterem focalizados, e a sua frustração quando não conseguiam. Depois de imaginar este cenário, a decisão ficou muito menos difícil.

Utilize o seu tempo

Cada pai – e criança – enfrenta a questão da medicação com diferentes preconceitos. Meu forte conselho é que você gaste o tempo que for preciso, respeite os seus sentimentos, e encontre um médico que permaneça calmo, um profissional que lhe dê informação – não ordens apressadas – enquanto você luta com sua decisão.

Do ponto de vista médico, a decisão é óbvia. Medicação é de longe o tratamento mais comprovado, seguro e eficiente para o TDAH. Estudos cuidadosos e controlados estabeleceram que um teste de medicamento faz sentido, após o diagnóstico ter sido feito. Lembre que um teste de medicamento é somente isto – um teste. Diferente de uma cirurgia, ele pode ser revertido. Se o medicamento não funcionar ou se ele produzir efeitos colaterais, o médico pode reduzir a dosagem ou interrompê-lo. Nenhum prejuízo acontece. Mas a não ser que seu filho experimente o medicamento, você nunca saberá se ele poderá beneficiá-lo, como tem acontecido com outras crianças e adultos.

Pesquise os fatos

Entretanto, de um ponto de vista pessoal e paterno, a decisão é tudo menos fácil. Leva tempo e requer conversar com seu médico e outros especialistas. Você poderá querer pesquisar a medicação na internet e encontrar o que os últimos estudos concluíram sobre ela. Obtenha todos os fatos, e tome uma decisão científica, em vez de supersticiosa. Mas eu recomendo que você nunca comece a dar medicação para o seu filho antes de estar bem seguro disso. Não pense que esteja desafiando a paciência do seu médico ou que suas dúvidas são bobas. Nada que você faz com amor por seu filho é bobagem.

Entretanto, eu recomendo que você não rejeite a medicação totalmente. Muitos pais ouviram tantas coisas más sobre os medicamentos para o TDAH que eles prefeririam viajar até o Tibete para descobrir um tratamento alternativo, antes de dar uma chance para a medicação. É muito importante que você faça seu trabalho de casa e separe os fatos dos mitos antes de descartar o tratamento.

Honre os seus sentimentos

Quando eu dou aulas, as pessoas frequentemente me perguntam se eu acredito na medicação para as crianças e adultos com TDAH. Minha resposta é que o medicamento não é um princípio religioso; é um tratamento médico. Meus sentimentos sobre os medicamentos para o TDAH são os mesmos que sobre os demais medicamentos em geral. Eles são ótimos quando utilizados corretamente, e são perigosos quando não são.

Às vezes demora meses ou até mesmo anos antes que os pais decidam utilizar medicação para seus filhos. Cada pai tem o seu tempo. Fique com o seu.

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

38- Evite a Destruição das Festas de Natal: Auxílio para as crianças com TDAH

Seis maneiras para os pais auxiliarem suas crianças com TDAH a aproveitarem as celebrações dos feriados natalinos sem problemas de comportamento, conflitos de família ou exacerbação dos sintomas do TDAH. Por Carol Brady, Ph.D.

As festas natalinas podem ser muito estressantes para as crianças com TDAH. Viajar e visitar parentes pode destruir suas rotinas diárias, e toda a excitação pode ser opressiva. Siga estas estratégias apropriadas para a família, para evitar a destruição das festas natalinas, para manter suas crianças com TDAH sentindo-se bem, e criando memórias mais felizes.

1- Planeje antes

Durante os feriados, a rotina e a estrutura vão-se pela janela. Uma criança precisa suportar uma viagem de automóvel, de trem, ou de avião; sentar-se polidamente à mesa de jantar por longos períodos; ter menor controle da dieta e do sono. Planejar para esses efeitos colaterais dos feriados será útil para as crianças e para os seus pais.

Decida como os dias serão gastos – festas, decoração, visita a parentes, preparação das diversões natalinas – e estabeleça uma escala, admitindo flexibilidade no caso de sua criança precisar de um tempo de descanso.

Esquematize cada fase dos feriados, incluindo todo o tempo livre, quando seu filho poderá estar brincando com outras crianças ou parentes. Agora, levando em conta o que você sabe do seu filho, ou de sua filha, elimine as atividades que possam ser um problema para ele ou ela. Refaça o esquema se for necessário, e discuta com seu filho a obediência às estratégias.

Dica: Se o seu filho ou filha estiver usando medicação para o TDAH, fale com seu médico sobre a possibilidade de estender a proteção por 24 horas, durante o período de feriados. Aumentando o tempo de ação da medicação, pode aumentar o desfrute do seu filho durante este período de alta energia.

2- Ensine o autocontrole

Dar à criança algumas ferramentas para o autocontrole pode evitar que uma reação exagerada se transforme em uma crise de furor. Técnicas de relaxamento – yoga, exercícios respiratórios – podem ajudar uma criança que facilmente se torna alterada em um ambiente muito carregado. Além disso, dê ao seu filho alguns apoios verbais para mantê-lo num estado mental positivo.

Frente a uma multidão na casa de um parente ou à tarefa de sentar-se educadamente à mesa de jantar, diga-lhe baixinho “Sei que você pode dar conta disto. Vai ser só uma pequena parte do dia”.

3- Treine as técnicas de acalmar-se

Algumas crianças com TDAH precisam praticar o ato de acalmar-se em casa, antes de sair para os feriados. Ensaiar a técnicas de “pare, relaxe, pense” com uma criança, ou revisar um cenário que lhe deu problemas no passado, são estratégias excelentes. Você pode ensinar sua criança a pedir ajuda logo no início de um conflito com um parente ou amigo. Em tempo, só de andar em sua direção já pode acalmar seu filho.

Dica: Para evitar conflitos com os companheiros, encoraje seu filho a levar um brinquedo ou um jogo para compartilhar com as outras crianças.

4- Esquematize o tempo sabiamente

Muitos eventos podem super estimular uma criança com TDAH. Decida quais ocasiões são as mais importantes, e não sobrecarregue o esquema. Inclua um tempo privado para uma saída para um restaurante conveniente para crianças, com um amigo, para alguma diversão compartilhada um a um com o seu filho. Além disso, ficar um tempo juntos num lugar tranqüilo da casa ou fazer uma curta caminhada pode afastar uma crise de raiva numa criança.

Dica: Se você estiver planejando gastar vários dias em visita a um parente, fique num motel, ou hotel, em vez de dormir todos juntos. Isto dará ao seu filho a chance de construir um espaço para respirar. Para evitar mágoas e ressentimentos, explique aos seus parentes por que motivo você não está dormindo na casa deles.

5- Envolva seu filho em atividades

Construa memórias felizes ao juntar seu filho a você no preparo das refeições dos feriados, ao criar decorações ou embrulhar os presentes. Tais atividades reforçam os laços entre as crianças e os pais.

6- Encoraje o bom comportamento

Elogiar o bom comportamento de uma criança a faz lembrar-se dos seus pontos fortes e aumenta sua confiança de que pode administrar o que quer que seja que os feriados lhe aprontem. Um pai disse-me que sua criança tornou-se a atração da festa quando leu um livro de enigmas para os membros da família. Outro pai me contou que seu filho encantou a turma com seus truques de mágico. Lembrar a uma criança os seus sucessos já conquistados fará com que ela se realize neste ano.

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37- Álcool e Medicamentos para o TDAH: O que é Seguro?

Como o álcool interage com sua medicação para o TDAH do adulto? Leia este conselho do especialista antes de consumir bebidas alcoólicas.  Por Larry Silver, M.D., ADDitude Magazine

Cada pessoa tem seu modo especial de aproveitar os feriados, e, para muitas, isto significa beber um copo de vinho, um coquetel ou uma cerveja.

Mas a bebida combina com o TDAH e com a medicação que você está usando para o tratamento? E quais são os riscos de se embebedar se o seu TDAH não estiver sendo tratado?

Menos é mais

Beber com moderação é atitude sábia para todo mundo, mas é imperativo para os adultos com TDAH. O álcool pode ser perigoso para a sua saúde e a sua segurança.

Os medicamentos estimulantes geralmente usados para tratar o TDAH podem intensificar os efeitos do álcool assim como os da maconha ou da cocaína. A quantidade de álcool que geralmente causaria uma bebedeira naqueles que não estivessem tomando medicamento pode resultar em coma alcoólico nos que estão tomando medicação. Antidepressivos também podem causar a mesma combinação de efeitos.

Meu conselho? Diga NÃO a mais de uma cerveja ou a um copo de vinho. Tente com vagar um drinque e mude para uma bebida não alcoólica. Se você não for capaz de ficar somente no primeiro drinque, eu sugiro que você não tome o remédio neste dia. Para os que estão usando medicamentos de longa ação, esse recurso não pode ser usado. Eles permanecem no seu organismo por muito tempo depois de você os ter tomado, então, fale com o seu médico sobre como interromper a medicação de longa ação pode ser seguro ou não.

Lembre-se, também, que se você falha a medicação naquela noite, você poderá ficar hiperativo, desatento, ou impulsivo, e agir de modo impróprio ou se envolver em comportamentos de risco. Peça para um amigo de confiança ficar de olho em você e para que alguém que não bebeu o leve de volta para casa.

O tratamento é a chave

Os que têm TDAH sem tratamento têm outro problema: usar e talvez abusar do álcool para se sentir melhor consigo mesmos. As frustrações diárias, os problemas de trabalho, e a baixa auto-estima podem fazer com que o TDAH não tratado promova um desequilíbrio emocional. É por isso que os adolescentes e os adultos não tratados correm um maior risco de dependência do álcool.

Os estudos estatísticos mostram que a probabilidade de se tornar dependente do álcool ou de drogas é igual para as pessoas tratadas e a população em geral. Mas há um aumento da probabilidade de se tornar dependente de álcool se o TDAH não for tratado.

Então, se você estiver recebendo tratamento para o TDAH, não se sinta obrigado a se abster nesses feriados. E se você estiver no grupo dos não tratados, esses feriados serão uma ótima ocasião para dar-se a si mesmo uma avaliação minuciosa.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

36- Quando mudar de médico

Garantindo o melhor diagnóstico e tratamento do TDAH

O médico que trata dos sintomas de TDAH do seu filho deve fazer mais do que dar receitas de medicamentos para o TDAH. Ele deve ser minucioso, simpático e conhecedor do transtorno de déficit de atenção. Como é o médico da sua família? - por Edward Hallowell, M.D.- Publicado em ADDitudeMag.com

Se você tem se perguntado se o seu filho está recebendo a atenção médica correta para o transtorno de atenção dele, você não está sozinho.

Muitos profissionais e clínicas não levam o tempo certo para fazer um diagnóstico correto ou para estabelecer um plano de tratamento. Por “correto”, não quero somente dizer usar as ferramentas e técnicas adequadas. Digo estabelecer uma ligação pessoal com você e com seu filho.

Você tem de ser compreendido e ouvido ao longo do árduo processo de diagnóstico e tratamento do TDAH. Atualmente muitos profissionais de saúde mental ignoram a pessoa, enquanto tentam fazer um plano de tratamento para o paciente. E ele fica desnorteado.

O bom médico - Encontre uma ligação

O médico de TDAH da sua família deve ser mais do que uma enciclopédia clínica. Ele deve ser capaz de rir de uma piada e de rir de si mesmo, e deve querer conhecer melhor você. Ele tem de perguntar-lhe sobre coisas que não tenham nada a ver com o que o trouxe ao consultório.

Os psiquiatras dizem que atualmente a profissão é baseada mais nas evidências do que era no passado, e que nossos critérios de diagnóstico para o déficit de atenção são baseados em sintomas e comportamentos objetivos, e não na intuição subjetiva. Mas enquanto a ciência progride, nossa aplicação dela tem sido cada vez mais impessoal.

Infelizmente, o diagnóstico e o tratamento do TDAH levam por si mesmos a este modelo mecanicista. O diagnóstico depende da identificação de seis ou mais sintomas de uma ou duas listas. Para piorar o problema, muitas pessoas com TDAH querem evitar a pesquisa, querem pegar a sua receita e cair fora.

Então, se o seu médico diz “Ei! calma!”, isto é ótimo. Outro bom sinal é um médico que lhe faz perguntas, que conversa com você sobre o dia-a-dia da vida do seu filho, e estabelece um plano de tratamento que inclua várias abordagens simultâneas – medicação combinada com a terapia, por exemplo.

O médico deve lhe dar tempo para fazer perguntas sobre a medicação, se ela for recomendada, e encorajá-lo a falar com ele se você notar efeitos colaterais ou outros problemas.

O mau médico – Mostre-lhe a porta

Será que você deve dispensar seu médico se não estiver obtendo o nível de atenção em relação ao seu filho? Talvez. Se você não consegue estabelecer uma ligação pessoal, mude de médico. Seu médico deve ser seu parceiro, não um deus a quem você adore. Outros sinais importantes que indicam a hora de parar e procurar outro profissional incluem:

- Ele não dá bola para as suas preocupações com os sérios efeitos colaterais que o seu filho está sofrendo. A meta dele deve ser encontrar um tratamento que funcione sem efeitos colaterais, não tratar o TDAH a qualquer custo.

- Ele não lhe dá a informação adequada sobre os possíveis efeitos colaterais ou sobre as maneiras específicas de avaliar a eficácia do tratamento.

- Ele não lhe oferece outras opções se a primeira foi infrutífera. Tratar o TDAH geralmente envolve tentativa e erro para encontrar o que funciona.

- Ele reclama que você ou que seu filho faz muitas perguntas.

- Ele lhe diz que não tem experiência com o TDAH.

Crie um novo modo de tratar

Se você deu um bilhete azul para o seu médico, eis aqui como encontrar um substituto. Procure um psiquiatra ou neurologista que tenha se especializado no TDAH e nas dificuldades de aprendizagem.

[A ABDA tem um cadastro de médicos e psicólogos que podem ser procurados. Um grupo de apoio em sua cidade ou região será outra fonte de importantes recursos e de troca de experiências. (Nota do tradutor)]

É muito fácil para um médico, e para você também, rebaixar o tratamento a um rápido diagnóstico e medicação. O melhor plano de tratamento começa com uma forte ligação com o seu médico, o que é essencial para o sucesso.

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

35- Falta conhecimento sobre o TDAH. Isso é grave!

Conhecimento sobre o transtorno do déficit de atenção/hiperatividade no Brasil J. bras. psiquiatr. v.56 n.2 Rio de Janeiro 2007
Marcelo Gomes; André Palmini; Fabio Barbirato; Luis Augusto Rohde; Paulo Mattos

OBJETIVO: Verificar o conhecimento da população sobre o transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e de médicos, psicólogos e educadores sobre aspectos clínicos do transtorno.

MÉTODOS: 2.117 indivíduos com idade > 16 anos, 500 educadores, 405 médicos (128 clínicos gerais, 45 neurologistas, 30 neuropediatras, 72 pediatras, 130 psiquiatras) e 100 psicólogos foram entrevistados pelo Instituto Datafolha. A amostra da população foi estratificada por região geográfica, com controle de cotas de sexo e idade. A abordagem foi pessoal. Para os profissionais (amostra aleatória simples), os dados foram coletados por telefone em Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

RESULTADOS: Na população, > 50% acreditavam que medicação para TDAH causa dependência, que TDAH resulta de pais ausentes, que esporte é melhor do que drogas como tratamento e que é viável o tratamento psicoterápico sem medicamentos. Dos educadores, > 50% acreditavam que TDAH resulta de pais ausentes, que tratamento psicoterápico basta e que os esportes substituem os medicamentos. Entre psicólogos, > 50% acreditavam que o tratamento pode ser somente psicoterápico. Dos médicos, > 50% de pediatras e neurologistas acreditavam que TDAH resulta de pais ausentes.

CONCLUSÕES: Todos os grupos relataram crenças não respaldadas cientificamente, que podem contribuir para diagnóstico e tratamento inadequados. É urgente capacitar profissionais e estabelecer um programa de informação sobre TDAH para pais e escolas.

Eu digo: Esse é o objetivo deste blog!