"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

domingo, 26 de junho de 2011

110- Nove dicas para bloquear o barulho – TDAH - ADHD

Um leitor nos conta: “Não importa onde você esteja em nossa casa, sempre há algum tipo de barulho que torna difícil estudar e pensar”. “Há alguma técnica ou ferramenta (como tecnologia) que possamos usar para bloquear o barulho, de maneira que consigamos nos concentrar no que queremos, em vez de prestar atenção nas distrações externas?” Por Beth Main 
 
Bloquear o barulho pode ser um desafio para os adultos e as crianças com TDAH – e para os que não sofrem do problema. Para responder diretamente a sua pergunta, há várias ferramentas que você pode usar para ajuda-lo a prestar atenção e evitar as distrações externas:
1-    Use ruído branco, tal como um ventilador ou aspirador.

2-    Toque música de fundo que o ajude a focalizar, em vez de música do tipo que exija sua atenção (um dos meus clientes tem uma lista que ele chama de “Adderall auditivo”).

3-    Escute sons da natureza, em disco ou via um smartfone (procure por “sons da natureza” e veja o que pode encontrar).

4-    Crie barreiras sonoras, como acrescentar isolamento acústico às suas paredes, ou usar toalhas nas frestas das portas.

5-    Use tampões de ouvido ou fones de ouvido canceladores de ruídos.
Você tem duas chances aqui: reduza o barulho na sua casa ou encontre outro lugar para pensar e estudar. Eu sei, eu sei... você pode achar que isso não dá para ser feito! Mas talvez possa:
6-    Diga à sua família (ou colegas de quarto) que você precisa de algum tempo de silêncio e peça a eles ideias sobre como conseguir isso. Faça-os saber como isso é importante para você. Talvez você estabeleça um compromisso com eles para que o barulho fique baixo durante seus períodos de estudo. Você pode até estabelecer consequências para a quebra das regras.

7-    Coordene os esquemas para que todos na casa fiquem quietos juntos. Talvez você possa designar um horário em que as crianças estejam lendo ou jogando algum gueime de estratégia, sua mulher esteja trabalhando no quintal e você esteja fazendo o seu trabalho que exige foco. Você terá de combinar isto com antecedência – as chances de que isto aconteça espontaneamente são tão remotas quanto as de a dívida pública nacional desaparecer no seu tempo de vida.

8-    Se você não consegue de modo algum um tempo de silêncio em sua casa, bibliotecas geralmente são um paraíso livre de barulhos. Ou talvez o escritório, após o horário de trabalho, ou um bar (café) silencioso. Aqui, novamente, a chave é a esquematização – vá quando for menos provável que esteja cheio de gente. Preocupado com o tempo de ida? O tempo que você gasta indo e vindo pode ser menor do que o tempo que você gasta ficando distraído.
Outra abordagem é aumentar sua habilidade em prestar atenção.
9-    Melhore seus hábitos diários de estilo de vida. Sono, dieta, exercício e hidratação são os pontos chave aqui. A desidratação, a privação de sono e a alimentação errada reduzem drasticamente sua capacidade em se concentrar. Comer alimentos saudáveis, descansar o suficiente e beber bastante líquido, por outro lado, mantém seu cérebro trabalhando na eficiência máxima e torna aquelas distrações mais fáceis de ignorar. Igualmente para os exercícios, que aumentam os níveis de neurotransmissores no cérebro e ajudam a melhorar a atenção.
Assim, isolar seus ouvidos funciona, mas não é a única maneira de resolver o problema. Veja se alguma dessas outras estratégias pode funcionar para você.
ADDitude

quinta-feira, 16 de junho de 2011

109- TDAH na escola: Como descobrir o ambiente correto para a aprendizagem do seu filho

Questões essenciais para os pais que estão procurando o melhor ambiente de aprendizado para seu filho que tem TDAH ou Dificuldades de Aprendizagem. Por Nicole Sprinkle

 Se o seu filho foi diagnosticado com TDAH, uma das principais iniciativas será encontrar uma escola que seja adequada ao estilo de aprendizagem dele. Pode parecer uma busca num palheiro, mas se tiver as ferramentas corretas poderá encontrar o premio: uma escola que entenda TDAH.
A chave para encontrar a escola correta é começar cedo a fazer a sua pesquisa. Se você souber o que procurar numa escola – e as perguntas certas a serem feitas – você terá sucesso neste desafio. Aqui, contarei a você tudo o que deve ser conhecido para encontrar a escola certa para sua criança com TDAH. Considere isso uma pequena ajuda ao seu trabalho de casa.

Primeiro passo: Entender seu filho
Analise profundamente o comportamento do seu filho antes de pensar no tipo de escola. Primeiro, gaste alguns minutos para escrever sobre o seu filho como um estudante.

- Ele é um ouvinte ou ele aprende melhor por meio do tato?
- Ele toma a iniciativa ou precisa ser empurrado?
- Ele trabalha bem de modo independente ou se sai melhor em grupo?
Em seguida, faça uma lista das necessidades específicas do seu filho: Ele precisa de uma sala onde possa sentar-se longe das janelas. Ou precisa de uma escola que dê pouca tarefa de casa. Ou precisa de um professor que lhe dê instruções passo-a-passo. Sua lista deve conter as coisas que você espera encontrar, mas também deve ser realista. Inclua as potencialidades do seu filho e as suas fraquezas, tanto as acadêmicas quanto as sociais. Frequentemente, alunos excepcionalmente brilhantes enfrentam programas acadêmicos desafiadores, mas fracassam por causa dos níveis muito altos de estresse. Organize o quadro geral, assim seu filho não terá como destino o fracasso.
Acima de tudo, preste atenção às necessidades do seu filho. Somente porque uma escola é considerada a melhor de todas – e toda a sua vizinhança está querendo matricular seus filhos nela - não necessariamente significa que ela seja o lugar ideal para ele.
Segundo passo: Entreviste a escola.
Você poderá ler pilhas de folhetos, assistir a inúmeros vídeos escolares promocionais e escutar tudo que os administradores têm a dizer. Mas isto é somente a ponta do iceberg. Para entender o que é realmente uma escola, você precisará realizar por sua conta um pouco de perguntas e respostas.
Entreviste os diretores, os professores primários, os terapeutas da fala, os assistentes dos professores e outros provedores de necessidades especiais. E não se esqueça dos pais das crianças matriculadas na escola. Apareça no final das aulas e peça a outras mães e pais para falar sobre o que acham das aulas, dos professores e das tarefas de casa – eles lhe dirão tudo de pronto. Não sabe quais perguntas fazer? Comece com estas:
-  Qual o tamanho da escola? Obviamente, você vai querer saber quantos graus a escola tem – e quantos estudantes estão matriculados em cada um. Mas não pare aí. Pergunte sobre o tamanho físico da escola, assim como sobre a planta do edifício. Se o seu filho tem dificuldades espaciais e de memória – como frequentemente têm as crianças com TDAH – você vai querer saber se ele poderá se orientar por lá.
-  Qual é o tamanho das classes? Uma classe com cerca de 20 alunos provavelmente será o seu melhor cenário, embora estes números pequenos sejam dificilmente encontrados em escolas públicas. Mas não desista ainda do sistema público. Em classes maiores das escolas públicas, um professor auxiliar poderá ser providenciado, e dará ao seu filho a assistência extra de que ele necessita.
-  Qual o nível de treinamento do professor? “Tenha certeza de que há uma equipe experiente de professores de carreira”, diz Colleen Berge, uma consultora educacional em Nova Iorque. Embora você encontre ótimos professores dos primeiros níveis em todo o sistema escolar, seu filho precisa de uma escola onde ele seja adequadamente tutorado.
-  Quão flexível é esta escola? Ela se adaptará ao estilo de aprendizagem do seu filho? Fará acomodações tais como deixa-lo usar um gravador na classe em vez de tomar notas, ou terá mais tempo para as provas? Não se contente com um simples “não”. Peça à escola exemplos específicos de como ela se ajustou a outros alunos no passado. Tipicamente, crianças com TDAH não têm falta de esperteza, mas frequentemente têm falta de habilidades necessárias para o sucesso acadêmico – organização, habilidades de estudo e habilidade para fazer provas.
-  Que papel os pais desempenharão? Se o mantra da escola é, “Você está nos credenciando com o seu filho”, isto pode ser um código para, “Não queremos seu envolvimento”, diz Meyer. Por outro lado, uma filosofia em que a primeira preocupação é o estudante pode significar, “Queremos sua ajuda”.
-  Com que frequência vocês monitorarão o progresso do meu filho nas matérias principais? “A cada semana é o ideal – e de nenhum modo irrealista em escola organizada para atingir as necessidades individuais”, diz Emily Ayscue Hassel, coautora de The Picky Parent Guide: Choose Your Child´s School with Confidence (Armchair Press). Uma escola deve esperar que crianças com TDAH sejam excelentes nas matérias principais – porque elas podem ser.
Terceiro passo: Vá à visita de portas abertas
Depois que você reduziu suas escolhas, você estará pronto para uma visita à escola – uma experiência do tipo “veja por si mesmo” que será valiosa. Muitos pais visitam cerca de cinco escolas antes de decidir por uma. Algumas coisas a ter em mente:

Boas escolas deixam você observam aulas em desenvolvimento – não somente um slide show no auditório. Em visita de portas abertas, a escola está no seu melhor funcionamento. Se você sente-se desconfortável com ela, as chances são de que o desconforto só vai piorar. Conforme você percorre os corredores, entre nas salas de aula, fale com os professores, mantenha a atenção no seguinte:
- Quadros de notas. Esses mostruários vivamente coloridos fazem mais do que avivar as salas e os corredores – eles mostram o trabalho padrão de grupos de idade determinada. Leia os trabalhos. Se os escritos dos alunos não estão à altura dos do seu filho, a escola pode não ser a melhor escolha para ele. Se ele estiver fazendo a visita com você, pergunte a ele se já aprendeu sobre as coisas que vê nas paredes.
- Estrutura da classe. Crianças com TDAH se dão melhor em ambiente estruturado porque elas geralmente têm dificuldade de memória e de atenção. Mas não confunda uma atmosfera controlada com simples rigidez. Professores que passam tarefas de casa verbalmente e escrevem no quadro, que usam linguagem específica quando dão instruções (“Sente no seu lugar com as mãos no colo e seu livro na carteira”), e que combinam gestos com voz expressivas podem ajudar tremendamente o seu filho.
- Classe normal versus classe de necessidades especiais. É virtualmente impossível saber se o seu filho vai se sair melhor em classe regular ou em classe de necessidades especiais  até que ele experimente as duas. Alguns pais tendem à regular para evitar o estigma, mas observam que seu filho não está progredindo. Outros optam por classes de necessidades especiais, somente para descobrir que seu filho não está sendo desafiado.
Antes de decidir qual o local adequado para você, descubra como a escola conduz cada um deles. Se o seu filho estiver em classe regular, ele terá ajuda especial na sala de aula? Se ele estiver em classe de necessidades especiais, ele terá o currículo principal? Que tipo de alunos estará agrupado a ele? Observe ambos os locais em sua visita.
Quarto passo: Observe os estudantes
- Mudança de aulas. Como as crianças se comportam entre as aulas? Elas se movimentam por sua conta ou os professores têm de empurrá-las para a próxima sala? Os alunos estão interagindo de modo seguro e amistoso? Se as crianças estão bagunçando e precisam de contensão dos professores, pode ser sinal de falta de estrutura – dificilmente uma escolha ideal para uma criança que brilha em ambiente controlado.
- Crianças engajadas. Estando em uma aula, no playground, ou em uma aula de educação física, as crianças estão engajadas seguramente em aprendizado e atividades? Sua bandeira vermelha deve ser erguida se muitas crianças estiverem espalhadas sem rumo, olhando para o espaço, ou cutucando outras crianças.
- Tolerância. Muitas crianças com TDAH aprendem melhor por meio de participação ativa, geralmente apoiando-se na movimentação para se manterem alertas. Problemas podem surgir se um professor reprime constantemente um estudante que se retorce na cadeira ou que mude de assento, ou que se levante muitas vezes.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

108- Carta de princípios da ABDA - (TDAH - ADHD)

Os itens listados abaixo, embora não sejam dispositivos legais, são princípios norteadores defendidos pelos associados da ABDA.
Esta carta foi baseada e adaptada da Carta de Princípios sobre TDAH da National Consumer's League (Liga de Defesa do Consumidor) dos Estados Unidos, da qual são signatárias a Associação Médica Americana, a Academia Americana de Pediatria e a Associação Psiquiátrica Americana

I - Fundamentos científicos sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)

1) O TDAH é um transtorno médico verdadeiro, reconhecido como tal por associações médicas internacionalmente prestigiadas, que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

2) O TDAH é um transtorno sério, uma vez que os portadores apresentam maiores riscos de desenvolver vários transtornos psiquiátricos (tais como depressão e ansiedade), abuso e dependência de drogas e álcool, maior freqüência de acidentes, maiores taxas de desemprego e divórcio e menos anos completados de escolaridade.

3) O TDAH pode ser diagnosticado e tratado. Existem diretrizes publicadas por instituições científicas de renome internacional sobre o diagnóstico e seu tratamento adequado. A única linha psicoterápica que se mostrou eficaz, através de evidências científicas no tratamento do TDAH é a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, razão pela qual a ABDA só cadastra profissionais que atuam a partir desta orientação terapêutica.

4) O TDAH também pode ser diagnosticado em adultos. Mais da metade das crianças com TDAH ingressa na vida adulta com sintomas clinicamente significativos do transtorno.

5) O TDAH é muito pouco diagnosticado e tratado na população em geral.

II - A criança, o adolescente e o adulto com TDAH têm responsabilidades e direitos.

1) O direito de ser reconhecido como portador de um transtorno médico sério

2) O direito a diagnóstico e tratamento por um profissional de saúde que conheça adequadamente o transtorno

3) O direito de tomar decisões baseadas nas informações científicas disponíveis acerca dos benefícios, riscos e custos do tratamento de acordo com a individualidade de cada caso.

4) O direito de receber, como aluno, um atendimento especial pelos educadores e instituições.

5) O direito de receber, como empregado, uma alocação ou realocação específicas, bem como as adaptações profissionais necessárias às suas dificuldades.

6) Os portadores de TDAH devem se responsabilizar por seus atos em toda e qualquer circunstância, contribuindo de forma positiva para a comunidade em que vivem.

III - Os familiares de portadores de TDAH têm igualmente responsabilidades e direitos

1) A responsabilidade de se educar, bem como aos outros, sobre a natureza do TDAH seja através de instituições, organizações ou profissionais capacitados.

2) A responsabilidade de aderir ao tratamento proposto e procurar ajuda profissional sempre que necessário.

3) O direito de solicitar ao profissional de saúde informações científicas sobre os tratamentos disponíveis e seus riscos e benefícios

4) O direito de solicitar atendimento especial pelos educadores e instituições para os alunos portadores do TDAH.

IV - Profissionais de saúde têm responsabilidade

1) De diagnosticar e tratar corretamente crianças e adultos com TDAH, de acordo com diretrizes estabelecidas pela comunidade científica.

2) De fornecer ao portador ou seus familiares informações científicas e atualizadas acerca da natureza do TDAH, suas conseqüências e as formas disponíveis de tratamento.

3) De oferecer um tratamento sempre individualizado, levando em consideração aspectos específicos do portador, sua família e o contexto sócio-cultural em que vivem.

V - Educadores têm responsabilidades e direitos

1) A responsabilidade de conhecer os sintomas de TDAH, a principal causa de encaminhamento para serviços especializados da infância e adolescência, alertar familiares ou cuidadores e indicar serviços ou profissionais que ofereçam aconselhamento e tratamento.

2) A responsabilidade de proporcionar aprendizado levando em consideração as particularidades do aluno portador de TDAH, sem comprometer as necessidades dos demais alunos.

3) O direito de ter diálogos abertos e construtivos com familiares, cuidadores e profissionais de saúde sobre as necessidades específicas do aluno portador de TDAH.

4) O direito de solicitar apoio da instituição educacional, familiares, cuidadores e equipe de profissionais responsáveis pelo aluno com vistas a estabelecer um planejamento acadêmico adequado.

VI - A mídia tem a responsabilidade

1) De relatar de modo preciso relatórios científicos e fatos médicos relevantes, apresentando aquilo que é consensual na comunidade científica.

2) De investigar adequadamente a credibilidade das fontes que alegam expertise no TDAH, bem como revelar possíveis conflitos de interesses comerciais ou profissionais naqueles que fazem declarações públicas ou são entrevistados.
 

domingo, 12 de junho de 2011

107- TDAH - Tratamento - Resposta a alguém que pediu ajuda...

Prezada amiga,
Não há necessidade de pedir desculpas. Sou um velho neurologista, com problemas de desatenção, de memória de trabalho, com horror à matemática, casado (há 38 anos - isto é quase um milagre!) com uma portadora de TDAH, forma combinada. Tenho três filhos, dois com TDAH, uma filha com a forma desatenta e o outro filho com hiperatividade, impulsividade, alta inteligência e muita ansiedade. Três netos. Um com TDAH e superdotação intelectual. Bom, com essa família, posso dizer que sou especialista nisso, embora não exista formalmente a especialidade. Ninguém da minha família fez tratamento medicamentoso continuado. Não por sermos contra, mas pelas várias circunstâncias. Todos foram se ajeitando como podiam e, embora não sejamos gênios, vivemos harmonicamente (outro quase milagre). Mas está claro que tínhamos (ainda temos... ) potencial para ir mais longe... Há 10 anos resolvi estudar o TDAH e ler tudo o que podia (e a atenção curta permitia). Agora atendo cerca de 300 crianças de minha cidade e região, e alguns adultos, e a ANVISA me "ameaça", informando  por meio do CFM e do CRM-MS, que sou o maior receitador de Ritalina de Mato Grosso do Sul. Mas, como sou muito criterioso nos diagnósticos, estou com a consciência tranquila, e continuo receitando o que creio ser o melhor para os meus clientes. Além disso, a ANVISA virou um aparelhamento petista da pior espécie. Beira o fascismo. Ignoram a prevalência do TDAH e que "neste país", como diz seu guru apedeuta, a porcentagem dos que estão sendo tratados é uma vergonha, de tão baixa. Eles, felizmente, um dia, passarão...
Quanto à sua pergunta, eu me atrevo a lhe dizer que o metilfenidato (e os outros estimulantes) é muito bom na hiperatividade e impulsividade. Setenta por cento dos pacientes têm ótima resposta. A desatenção responde mal a todos os medicamentos. Correndo o risco de ser pouco ético, diria que você deveria perguntar ao seu médico sobre uma avaliação neuropsicológica. Será que você tem mesmo TDAH? Esta bateria de testes, quando feita por profissional competente e judicioso, pode fornecer muitos dados que o questionário ASRS-18, versão 1.1, não alcança. (Foi o que você fez, não foi?) Além disso, o próximo DSM-V, que deverá ser publicado em 2013, provavelmente vai mudar alguns conceitos básicos sobre o TDAH. Segundo Russel Barkley, a desatenção deve ser outro tipo de transtorno neurobiológico.
Finalmente, quanto ao prazo de SEIS dias de uso de doses baixas do metilfenidato, tudo indica que é cedo para uma resposta, e seu médico provavelmente vai lhe dar os aumentos graduais (até 60 mg/dia), além de, com certeza, um ansiolítico (brincadeirinha... ). A comorbidade mais frequente no TDAH é a ansiedade. Esperando não ter ultrapassado os limites e tendo respondido, ao menos em parte, sua pergunta, sou
Atenciosamente
José Antonio Menegucci
PS: Não tenho o seu e-mail. Caso queira aprofundar a conversa sobre o TDAH, sugiro que me envie por e-mail as suas questões.  jamenegucci@gmail.com 

terça-feira, 7 de junho de 2011

106- 3o. Congresso Internacional do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade - Berlim

3o. Congresso Internacional do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade
Ribeirão Preto, 7 de Junho de 2011
Caro José Antonio Menegucci

Já aqui no Brasil, de volta a Ribeirão Preto tento organizar o que de mais interessante vimos nos dias subseqüentes ao primeiro boletim. A interrupção do boletim, todos sabem, ocorreu por motivo justo, de forte emoção! Emoção, pois estávamos bastante satisfeitos em já ter três trabalhos aceitos no Congresso Mundial de TDAH, mas realmente não esperávamos ter algum deles escolhido entre os seis melhores, dos mais de 500 apresentados! Emoção muito forte por nosso Projeto Atenção Brasil e a COMUNIDADE APRENDER CRIANÇA estar agora na ponta da pesquisa em TDAH no mundo, é verdade! Isso só foi possível graças ao esforço de muita gente, desde o planejamento do estudo até a sua execução. Gente como os professores da rede municipal de Santa Cruz das Palmeiras e sua coordenadora à época Profa. Ana Paula Menossi Gonçalves que executaram o projeto piloto. Gente como os 124 professores pesquisadores de 79 cidades e 18 estados Brasileiros que foram a campo para executar a fase nacional. A todos eles dedicamos esse prêmio internacional de tanto prestígio que coloca em destaque a realidade do TDAH em nosso país.
     Entre os 41 estudos inicialmente selecionados no dia 28, terceiro dia do congresso, estava também o estudo do grupo da Universidade Federal da Bahia que avaliou atenção e funções executivas em crianças com anemia falciforme utilizando um novo instrumento denominado NEPSY. Os pesquisadores observaram um risco maior de crianças com anemia falciforme apresentarem déficit atencional (sobretudo em atenção visual) e disfunção executiva.
     Na sessão plenária da manhã de domingo sobre tratamento, o Dr. Coghill (Grã-Bretanha) apresentou alguns resultados preliminares de estudos comparativos que avaliam a otimização da farmacoterapia do TDAH em crianças e adolescentes, mostrando uma série de vantagens da lisdexanfetamina sobre os demais psicoestimulantes. Aliás, aprovada pelo FDA e no mercado americano desde 2007, a lisdexanfetamina acaba de ser lançada no mercado Brasileiro pela Shire farmacêutica. Trata-se de uma oportuna opção no tratamento medicamentoso do TDAH em nosso país, uma vez que até então só tínhamos à disposição o metilfenidato em suas apresentações de liberação imediata, intermediária e prolongada. A lisdexanfetamina é o primeiro PRÓ-FÁRMACO desenvolvido para o tratamento do TDAH.PRÓ-FÁRMACO é o precursor de um fármaco que, seguinte à sua administração, sofre, através de processos metabólicos, conversão bioquímica em agente farmacologicamente ativo. A lisdexanfetamina é um derivado da anfetamina e apresenta, segundo uma recente metanálise (Faraone & Buitelaar. Eur Child Adolesc Psychiatry 2010; 19:353-64), um tamanho de efeito superior ao metilfenidato (1.03 vs. 0.77).
     Ainda em Berlim ficamos sabendo que em breve chega também ao Brasil a atomoxetina da Lilly farmacêutica, aprovada pelo FDA e no mercado americano desde 2004. A atomoxetina é o único fármaco não psicoestimulante aprovado para o tratamento do TDAH.
     Boas opções para os médicos e ganho para os portadores, dada a alta eficácia e segurança do tratamento medicamentoso no TDAH. Só esperamos que essas medicações cheguem com preço acessível ou que as evidências de superioridade sejam suficientes para convencer os gestores a incluírem-nas na lista dos medicamentos de alto custo do SUS.
     Outra ótima novidade no congresso de Berlim foi o número expressivo de estudos sobre o uso do neurofeedback no tratamento do TDAH. Na verdade, alguns estudos tinham sérias limitações metodológicas que impediam a análise dos resultados, outros, no entanto, muito bem desenhados e trazendo resultados bastante promissores.
     A propósito, a Dra. Luciana Campaner, colaboradora da nossa COMUNIDADE e que no último congresso APRENDER CRIANÇA em 2010 organizou um workshop sobre a técnica do neurofeedback, já abriu inscrições para um curso intensivo de 07 a 10 de julho com carga horária de 40 horas, imperdível. Acessem e confiram no www.inbio.com.br .
     Por fim, direto de Ribeirão Preto espero encontrar-lhes em São Paulo de 22 a 25 de junho no XXI Congresso Brasileiro e I Internacional da ABENEPI, a programação do evento e o desconto para os cidadãos da COMUNIDADE APRENDER CRIANÇA são imperdíveis www.abenepi.com.br/xxicongresso .
Até lá.
Abraço.
Marco A. Arruda