"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

domingo, 28 de agosto de 2011

133- Adultos TDAH: Sentindo-se antissocial?

Três estratégias para superar os problemas de amizade no TDAH – incluindo encontrar amigos, arrumar tempo para os amigos, e sentir-se antissocial – e assim poder socializar-se em seus termos!

Manter amizades é um trabalho difícil para muitos adultos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH/TDA). Isso significa fazer compromissos e cumpri-los, o que não exige muito esforço nosso. Se começamos a cancelar ou, pior, nos esquecer de um encontro para um café da manhã ou um cinema à noite, nos sentiremos culpados, frustrados e pior do que se não tivéssemos aceitado o encontro.
Então, há o fato de que os portadores de TDAH precisam de mais tempo sozinhos do que as outras pessoas, para dar aos seus cérebros acelerados um descanso, o que acaba parecendo ser antissocial. Às vezes, penso que o TDAH deveria ser chamado de Transtorno de Sobrecarga de Atenção. Depois de um dia estimulante no trabalho, atolado em listas de coisas a fazer e a lembretes para permanecer na tarefa, decidir se vamos ver um amigo ou nos dar um tempo fica difícil. Alguns clientes me dizem que eles frequentemente se esforçam para sair com amigos, mas a um custo: Eles acabam se sentindo ressentidos e exaustos, porque sacrificaram o tempo de descanso que precisavam.
Um modo de tornar a socialização mais agradável é fazer amizade com aqueles que têm interesses em comum e que aceitem fazer planos para tentativas ou fazer algo de acordo com o momento. Ter amigos é a chave para ter uma vida feliz, mas o que funciona para muitas pessoas pode não funcionar bem para alguém com TDAH/TODA. Três leitores de ADDitude nos falaram sobre os seus desafios com amizade, e eu desenvolvi estratégias para enfrentar esses desafios:
Problema de Amizade: “Acho que não tenho muitos amigos”
Parei de fazer planos com amigos, porque odeio faltar a encontros. Sair para jantar parece bom quando estou combinando isso, mais já não me sinto igual depois de cinco minutos, sem falar em cinco dias. Além disso, meus melhores amigos são meu marido e meu vizinho, com quem eu falo por cima da cerca. Não preciso fazer planos para vê-los. O mesmo vale para os meus colegas de trabalho. Nós nos damos muito bem no trabalho. De quantos amigos eu preciso?
A qualidade de nossa amizade é mais importante do que a quantidade. Aceitação e entendimento são o que fazem as amizades fortes e valiosas.
Nem todo mundo é suficientemente espontâneo para sair de acordo com o momento ou entende nossa hesitação para aceitar compromissos sociais. Um amigo que nos aceite sem ressentimentos, porque não gostamos de planejar as coisas com antecedência, vale mais que uma dúzia que não.
Problema de Amizade: “Não tenho tempo para entrar em contato”
Recebo voice-mails raivosos de minha família e de amigos porque não consigo responder no meu telefone celular. Prefiro falar cara a cara ou por texto. Geralmente desligo o telefone da minha casa quando estou ocupado, porque detesto ser incomodado quando estou organizando minhas coisas ou fazendo a lista de coisas a fazer.  Quero sair mais, mas não tenho o tempo e a energia para isso. Tenho dois melhores amigos, que conheci no terceiro e quarto grau, e que me aceitaram como sou.
Fale aos amigos e familiares sobre suas preferências para se comunicar, e explicar as razões para elas. Eles podem ser capazes de fazer uma rápida chamada e voltar logo ao trabalho, mas você não. As interrupções tiram você da tarefa. Quando você está trabalhando, é bom desligar o telefone. Faça os amigos saberem que você o desliga quando está ocupado, e que você escreverá um e-mail para eles quando fizer um intervalo ou for almoçar. Em sua mensagem de saída, peça que eles lhe escrevam.
Se você gostaria de sair mais, mas não tem tempo para isso, tente amizade com alguém para algo que você já está planejando fazer, como ir à academia. Se você planeja levar seus filhos ao zoológico, convide outra mãe e o filho dela para ir junto.
Problema de Amizade: “Eu me sinto antissocial”
Eu me sinto antissocial. Um grupo de mulheres no meu serviço se junta para uma noite chique uma vez ao mês. Eu prefiro ficar em casa. Gosto delas, e elas gostam de mim, mas eu prefiro ficar perdida em meus próprios pensamentos. Sou feliz gastando o tempo com meu marido e filha em casa. Uma camiseta que comprei diz tudo: “Estou no meu pequeno mundo, mas está tudo bem. Eles me conhecem aqui”.
Ficar perdido em seus próprios pensamentos tem seus benefícios. Permite que você explore seu lado criativo e processe as emoções que de outro modo não teria tempo para sentir. Entretanto, há um lado ruim em ter muito tempo sozinho: Você pode pensar demais nas coisas e começar a se preocupar quando não tiver o apoio dos amigos. Ver amigos nos tira de nossos problemas.
Como alguns dos nossos desafios são relacionados à família, é bom ter um ou dois amigos íntimos fora da família, para socializar com eles. Lembre-se de que dividir seus problemas pode cortá-los pela metade, e dividir nossa alegria pode duplicá-la.
Amizades não requerem gastar muito tempo juntos. Confiança, respeito e amor podem fazer uma amizade crescer e durar. Há algo que todos temos para dar, mesmo se nossas habilidades de socialização não forem tão boas como queríamos que fossem.
Sandy Maynard

sábado, 27 de agosto de 2011

132- TDAH (ADHD) na Escola: Recursos e dicas para os professores

Como os professores podem ajudar os estudantes com TDAH a brilhar em classe por meio da promoção de estrutura, rotina, boa comunicação e alegria. Por Chris Zeigler Dendy.

Pais de crianças com TDAH, o professor do seu filho está fazendo tudo para apoiar o aprendizado?
Os professores geralmente determinam o sucesso ou o fracasso da educação de uma criança – particularmente se essa criança tem o TDAH. Além dos pais, os professores são as pessoas que mais influenciam a vida do estudante. Quando um professor diz a uma criança portadora de TDAH que ela é capaz e valiosa, a criança acredita nisso.
Eis aqui como você pode estabelecer uma sala de aula que seja apoiadora e estruturada, que encoraje o aprendizado, que imponha a disciplina e que eleve a autoestima, assim como um punhado de inteligentes recursos para os professores de alunos com TDAH.
Estabeleça Regras e Rotinas
Pregue cartazes com as regras da classe. Com a ajuda dos alunos, estabeleça regras de classe curtas e simples. Escreva-as em termos positivos,, que expliquem o que você quer que os alunos façam.
Por exemplo, em vez de dizer: “Proibido falar alto quando entrar na classe”, diga “Quando você entrar na classe, veja a tarefa na lousa e comece a trabalhar, silenciosamente”. Ou, “Sente-se primeiro e então você pode falar baixo com seu colega ao lado, até que eu comece a ensinar.”
Faça rotinas de classe. Isso ajudará os estudantes com TDAH a ficar atentos à tarefa. Rotinas para todos os estudantes podem incluir: Trabalhos de casa sempre escritos na lousa, “inspetores de fila” que conferem se as instruções foram copiadas e se o trabalho terminado foi entregue, etc.
Os estudantes com TDAH podem checar com o auxiliar de sala, ao final do dia, para ter certeza de que entenderam as instruções da tarefa de casa e o que se está pedindo a eles.
Dê supervisão apropriada. Crianças com TDAH requerem mais supervisão do que seus parceiros por causa do atraso do amadurecimento cerebral, do esquecimento, da distração e da desorganização. Ajude esses alunos formando duplas com colegas que possam lembrá-los da tarefa de casa e de classe, usando colegas para formar equipe para fazer algum trabalho, envolvendo ajudantes de classe o tanto que você puder durante e após as aulas.
Ofereça acomodações
Alguns estudantes com TDAH podem necessitar de acomodações escolares. Tenha certeza de que eles as obtenham. Algumas acomodações podem ser tão simples como monitorar o trabalho do aluno com TDAH e desenvolver um plano para auxiliá-lo a não ficar atrasado, e até mesmo aceitar um trabalho entregue após o dia marcado – isto pode dar confiança ao estudante e colocá-lo de volta aos trilhos.
Outras acomodações comuns incluem: aumentar o tempo das provas, encurtar os trabalhos, instruções em caderno de notas, caderno  de notas, instruções segmentadas quando o projeto for de longo prazo (com datas separadas de entrega e de notas). A Associação do Transtorno de Déficit de Atenção (americana) faz as seguintes recomendações para acomodações:
Reduza as distrações previsíveis. Sempre coloque o aluno com problema de atenção próximo à fonte de instrução ou fique junto do aluno quando dá as instruções, para ajudá-lo a reduzir as barreiras e distrações entre ele e a lição. Sempre sente este aluno em área de trabalho da sala com pouco poder de distração.
Use colegas como modelos positivos. Encoraje o aluno a sentar-se próximo de colegas que sejam modelos positivos, para evitar a distração com outros estudantes que tenham comportamentos desafiadores ou que promovam distração.
Prepare os alunos para as transições. Lembre o aluno do que virá em seguida (próxima aula, recreio, tempo para um livro diferente, etc.). Para eventos especiais como passeios no campo ou outras atividades, tenha certeza de dar avisos suficientes e antecipados e notas de lembrança. Ajude os alunos a preparar-se para o fim do dia e ir para casa, supervisione a mochila do estudante para ver se tem os itens necessários para a tarefa de casa.
Permita a movimentação. Deixe o aluno mover-se em torno e mexer com as mãos, preferivelmente criando razões para o movimento. Propicie oportunidades para a ação física – sair da sala, limpar a lousa, ir beber água, ir ao banheiro, etc. Se isso não for possível, então permita que ele brinque em sua carteira com pequenos objetos, tais como uma bola de espremer,  e que possa manipulá-los em silêncio, se isso não o distrair muito.
Deixe o aluno brincar. O recreio pode realmente promover a atenção nas crianças com TDAH; assim, não o use como um tempo para fazer trabalho escolar que estava faltando ou como punição, como você poderia fazer para os outros estudantes.
Focalize nos relacionamentos positivos
Estabeleça uma relação positiva com os alunos com TDAH. Cumprimente-os pelo nome conforme entrem na sala ou quando os chamar em classe. Crie um painel de boletim de classe para pregar assuntos acadêmicos e extracurriculares dos estudantes, fotografias, trabalhos artísticos e eventos.
Dê feedback positivo e frequente. Estudantes com TDAH respondem melhor ao feedback que é imediato. Use o elogio positivo, tal como “Você está fazendo um grande trabalho” ou “Agora você conseguiu”. Se a resposta do aluno for incorreta, diga, “Vamos ver isso” ou “Isso parece estar certo para você?”  
Faça perguntas em vez de repreensões. Se o aluno se comporta mal em classe, pergunte, “Isso é uma boa ou má escolha?” O aluno entenderá a mensagem de que o seu comportamento é inadequado.
Associe-se aos pais
Para os melhores resultados, os professores precisam associar-se aos pais para assegurar que seu filho está pronto para aprender a lição em classe. A seguir, algumas orientações para compartilhar com os pais do seu aluno com TDAH:
1. Comunique-se regularmente com o professor sobre os problemas.
2. Veja se a medicação do seu filho está funcionando eficazmente na escola e durante as horas de fazer as tarefas.
3. Ajude seu filho a organizar os papéis para as tarefas e a se preparar para o próximo dia escolar.
4. Certifique-se que seu filho tenha posto os trabalhos feitos na pasta adequada.
5. Monitore a feitura dos trabalhos das matérias em que ele estiver em risco de fracassar.
6. Guarde todos os trabalhos completados até o fim do semestre.
7. Fale com o professor sobre o uso de um relatório diário ou semanal, se necessário.
Use estratégias que funcionem para os estudantes com TDAH
Passe tarefas que estejam no nível das habilidades do aluno. Estudantes com TDAH evitarão trabalhos que sejam muito difíceis ou muito longos.
Ofereça escolhas. Crianças com TDAH produzem mais quando têm chance de escolher uma atividade, são mais obedientes e agem menos negativamente. Estabeleça, por exemplo, uma lista de 15 opções de atividade para a prática da soletração de palavras, como escrever palavras em cartões e usá-los em sentenças, ou escrever palavras no ar.
Forneça lembretes visuais. Alunos com TDAH respondem bem a dicas e exemplos visuais. Por exemplo, demonstre uma habilidade como escrever um trabalho no projetor de teto ou na lousa. Quando as crianças forem fazer seu trabalho independente, deixe visíveis na lousa pontos-chave sobre um tópico. Fixe conceitos importantes, que as crianças vão usar novamente, em cartazes de cores vivas nas paredes da sala.
Aumente a participação ativa em classe. Estratégias de grupo incluem pedir aos alunos que escrevam suas respostas em pranchetas e mostrá-las ao professor, pedir aos alunos que respondam as questões em uníssono (resposta em coral), fazer os estudantes assinalarem com dedão para cima e dedão para baixo se a resposta à questão for sim ou não – a palma da mão nivelada se não souberem as respostas.
Encoraje o aprendizado prático. Crie oportunidades de aprendizado quando as crianças experimentarem coisas pela primeira vez. Faça os alunos escrever e representar uma peça, gravar um acontecimento em vídeo ou desmontar e montar um modelo em miniatura do olho, quando estiverem estudando o corpo humano.

sábado, 20 de agosto de 2011

131- TDAH – Preparação para a volta às aulas: 10 conversas para um grande ano escolar

Estabeleça as bases de um ano escolar bem sucedido para seu filho com TDAH por meio de conversas com ele, seus professores, médicos e outras pessoas importantes na vida dele. Descubra o que discutir aqui. Por Annie Sofield Reed - ADDitude

O início do ano escolar é uma boa ocasião para sentar-se e ter uma conversa com seu filho que tem TDAH, e com as outras pessoas importantes na vida dele, para certificar-se que estão todos afinados e preparados para manejar os sintomas do TDAH.
Conforme o ano passa, professores, pais e na verdade todo mundo fica tão atarefado que a importância de ter essas conversas começa a ficar para o final da agenda. Elas podem ser vistas como um acréscimo à carga da volta à escola, mas ter essas conversas agora não somente lhe trará paz de espírito como estabelecerá o tom para um ano escolar bem sucedido para seu filho, para os professores e outros pais, e para todos os demais que estão em volta.

Não sabe ao certo por onde começar? Use os seguintes tópicos como seu guia para agendar a conversa e saber o que discutir:
Para conversar com seu filho

Reforce o  positivo
Se o seu filho tem TDAH, ele pode ter baixa autoestima, além dos sintomas do TDAH. Para ter sucesso na escola, ele precisa não somente aderir aos padrões acadêmicos e de comportamento, ele precisa acreditar nele mesmo.

Ensine o seu filho sobre o déficit de atenção e mostre o lado positivo do TDAH. Por exemplo, crianças com TDAH geralmente têm traços de criatividade. Conforme ele encontre novos desafios na escola, ajude-o a se lembrar de que ele é um membro valioso da sua classe, apesar de, ou por causa do seu TDAH, dislexia ou outra dificuldade de aprendizagem.
Pergunte ao seu filho sobre os amigos

Uma criança com TDAH pode precisar de sua ajuda para identificar colegas com os quais possa desenvolver amizade construtiva. Durante as primeiras semanas de escola, peça ao seu filho para descrever seus colegas de classe, e preste atenção para dicas sobre as personalidades que possam complementar as dele mesmo.

Crianças com TDAH tendem a formar rápidas alianças com crianças que eles achem excitantes e interessantes. Encoraje seu filho  a descobrir os colegas estudiosos e com autocontrole, que possam admirar sua imaginação ou audácia e que possam também ser uma influência calmante.
Ajude seu filho a aprender a apreciar o professor

Seu filho pode sentir que os professores são o inimigo. Ajude-o a descobrir algo que possa apreciar sobre o seu professor. Todas as crianças, e especialmente as crianças com TDAH ou dislexia, deveriam ter um senso dos professores como humanos, não simplesmente como autoridades. Quando seu filho pensar, “Ela e durona, mas é legal”, o que ele quer dizer é, “Podemos trabalhar juntos.”
Para conversar com o professor

Converse com o professor
Tenha uma conversa com o professor do seu filho durante a primeira semana de aulas. Sem parecer agressivo, explique as especificidades da situação do seu filho. Certifique-se de que o professor sabe sobre o plano individual de ensino do seu filho, se houver um. Todo apoio necessário ou acomodações devem começar imediatamente, e os professores são as pessoas que podem garantir que isto aconteça.

Se você ainda não tem um plano individualizado de ensino, marque uma hora para discutir um com o professor e os representantes da escola. Escrever um plano individualizado de ensino juntos, no início do ano escolar, vai ajudar a estabelecer o tom e as metas para a educação do seu filho.
Tenha uma segunda conversa com o professor

Após um mês de aulas, peça uma segunda reunião (se o professor não agendou uma anteriormente). Não espere até a reunião de pais e mestres para checar como as coisas estão indo. Quanto mais cedo você souber dos planos do professor, mais cedo você e seu filho com TDAH poderão evitar as situações que interferem com o aprendizado. Mantenha a comunicação entre pai e professor. Muitos professores preferem e-mails como um modo de trocar informações.
Para conversar com o médico

Fale com o médico do seu filho
Se o seu filho estiver tomando medicamento para o TDAH, ou se você estiver pensando em fazer uma tentativa com medicamentos para o TDAH, tenha uma conversa com o médico no final do ano, para fazer um plano para o início das aulas. Se esta é a primeira vez que seu filho vai tomar remédio, você pode querer iniciar logo depois desta consulta, para que você possa ajustar a dose da medicação e os horários antes do início das aulas. Se o seu filho já tomou medicamentos anteriormente, ele poderá recomeçar pouco antes do início das aulas.

Tenha uma segunda conversa com o médico
Depois de algumas semanas de aulas, você deverá ter outra consulta com o psiquiatra do seu filho, ou com o médico que estiver dando as receitas. Nesta conversa, que pode ser por telefone, vocês poderão revisar a informação que reuniu do seu filho, do professor e de suas próprias observações, para decidir se o esquema de medicação em uso está correto.

Fale com os outros pais
Compartilhe o TDAH do seu filho com os outros pais

O novo ano escolar traz novas chances de conversar com os outros pais em vários eventos escolares. Quanto você deve contar sobre o diagnóstico de TDAH do seu filho? Esta é uma escolha pessoal, que você deve fazer com base na sua facilidade de discutir tais assuntos, da opinião do seu filho e da sua impressão de como essa informação poderá ser recebida.
Em geral, será mais provável que você descubra que os outros pais dão apoio. Se você contar suas lutas, estará convidando outros pais de crianças com dislexia ou TDAH a compartilhar com você – e a apoiá-lo também. Se o seu filho sabe que você acredita em falar abertamente, ele terá menos chance de sentir que carrega um segredo vergonhoso.

Fale com sua família,,, e com você mesmo
Fale com sua família

Converse com todos de sua família. Tais conversas podem, naturalmente, acontecer em qualquer época, mas o início do ano escolar é uma boa época para rever certos entendimentos. O TDAH afeta a dinâmica da família. Seu filho tem TDAH, mas você, seu cônjuge ou um dos seus parentes pode também tê-lo. Compartilhe sua experiência um como outro. Deixe seu filho descrever como sente os sintomas do TDAH. Peça a ele que conte a todos qual tipo de apoio é útil. Deixe os membros da família falar sobre quais são os seus desafios e de quais apoios eles precisam. Se todos pensam juntos, coisas positivas se desenvolvem.
Fale com você mesmo

Sozinho, ou com seu cônjuge, reveja o que aprendeu sobre seu filho com TDAH no último ano. O que o ajudou em direção ao sucesso na série anterior? O que tornou o sucesso difícil? Conforme seu filho cresce, seu conhecimento sobre ele também cresce. Talvez uma ideia antiga precise ser revista. Mantenha em mente uma impressão atual, holística e detalhada do seu filho, à medida que você progride. Saiba que você pode enfrentar novos desafios neste ano, mas torne-se o especialista em seu filho e acredite que tomará as decisões acertadas.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

130- Cinco questões que vão melhorar o seu jeito de ensinar

Por Larry Ferlazzo
Não é difícil achar listas de checagem que são supostamente feitas para facilitar o progresso das escolas e das aulas em classe. O que é difícil é achar listas de checagem que você possa lembrar e que sejam realmente úteis, como eu já escrevi anteriormente.
Minha própria lista – enquanto não necessariamente fácil de ser usada – é fácil de lembrar. E tem servido bem a mim e aos meus alunos. Pode ser que seja porque minha lista é focada mais em perguntas do que em dicas.
1. “O que eu estou a ponto de fazer ou de dizer vai me aproximar da pessoa com quem eu estou me comunicando – ou vai me deixar mais afastado ainda?”
Eu tomei essa pergunta emprestada de Marvin Marshall, um conhecido escritor sobre técnicas de gerenciamento positivo para sala de aula.
Esta questão tem sido de valor quando eu me sinto frustrado ou desgostoso com o comportamento dos alunos. É igual a uma regra que bons organizadores de comunidades seguem (Eu fui um deles por 19 anos antes de minha carreira de professor): “Se você vai polarizar, você também tem de despolarizar”. Quando organizar para mudança social positiva, você não pode somente demonizar seus oponentes – você também tem de respeitá-los, não importa o quanto você discorde, ou isso voltará a incomodá-lo. Estudantes obviamente não são nossos “oponentes”, mas o princípio é semelhante. Eu posso ficar bravo com um aluno e falar duramente com ele ou mandá-lo para a diretora, mas tento me lembrar da questão acima. Encontro meios de “despolarizar” com o estudante mais tarde, no intervalo das aulas, ou mais tarde, no mesmo dia, ou na próxima vez que eu o encontrar. Mais e mais, sou capaz de lidar com o mau comportamento sem polarizar a situação. O que me leva à segunda questão...
2. “O que eu estou fazendo (ou a ponto de fazer) vai ao encontro do interesse do aluno?”

Construir relacionamentos é ponto chave para responder a esta questão positivamente. Se eu faço um esforço para aprender sobre os objetivos do aluno, suas expectativas e interesses – quer ele queira se tornar um Ultimate Fighter, um médico, um membro do time de futebol do colégio, ou um estudante universitário – ele terá menos chance de se sentir como se eu o visse como bonequinho descartável em minha sala de aulas. Além disso, estou mais bem equipado para ajudar o aluno a refletir sobre se o seu comportamento vai ajuda-lo a conseguir o que pretende. Este tipo de motivação intrínseca – baseado no interesse do próprio aluno – é muito mais eficaz do que a modificação do comportamento de curto prazo baseada no controle e poder do professor.
Ademais, é importante ajudar os alunos a aprender o que as pesquisas descobriram sobre a importância do autocontrole, perseverança, aceitação da responsabilidade pessoal, e muitas outras qualidades para o sucesso pessoal e profissional de longo prazo. (Compartilhei algumas breves lições sobre isto no meu blog e em meu mais recente livro). Por exemplo, após examinarmos o teste marshmallow de Walter Mischel sobre autocontrole, não tenho de mandar, “Pare de atirar bolinhas de papel no John”. Em vez disso, eu posso dizer, “Lembra-se do que aprendemos sobre autocontrole” ou “Não coma o marsmallow”.

3. “Quem está fazendo o trabalho?”
Esta é outra questão emprestada, desta vez de Kelly Young, uma consultora em estratégias de instrução.
É às vezes dito que escolas são aonde os jovens vão para ver pessoas mais velhas trabalhando. Muito frequentemente, caímos nesta armadilha de ver nossos estudantes como vasos que precisam ser cheios. Em vez disso, devemos nos lembrar desta declaração atribuída a Confúcio: “Ouço e esqueço. Vejo e me lembro. Faço e entendo”.
Há muitos modos de aumentar as chances de que os estudantes façam seus trabalhos e estejam “entendendo”, tal como o ensino indutivo (fazendo os alunos descobrir os conceitos e as regras por meio de exemplos dos quais eles possam identificar um padrão) e o aprendizado cooperativo.

4. “O que estou fazendo está ligado ao pensamento de ordem mais elevada?”
Habilidades de pensamento de alto nível (Higher-order thinking skills – HOTS) envolvem a aplicação de conhecimentos e conceitos para resolver problemas e para o pensamento crítico. Habilidades de pensamento de nível inferior (Lower-order thinking skills – LOTS), por outro lado, envolvem relembrar e reproduzir o conhecimento existente. Empregamos LOTS quando usamos nossa chave para ligar o carro. Usamos HOTS quando temos que descobrir o que fazer quando o carro não pega ou quebra quando estamos dirigindo.
Podemos ligar nosso ensino ao pensamento de alto nível por meio do preparo de nossas aulas com a Bloom´s Taxonomy em mente e por modelagem do nosso próprio processo de pensar para os estudantes. Também podemos desenvolver o que o Project Zero em Harvard chama de uma simples “rotina de pensamento” que envolve perguntar as mesmas questões regularmente, tais como, “O que está acontecendo aqui?” e “O que você vê que o faz dizer isso?”
5. “Estou usando as estratégias de ´processamento de classe inteira´?”

Certas técnicas de instrução podem aumentar ao máximo as chances de que todos os estudantes estejam pensando e aprendendo todo o tempo. O diretor da minha escola (Ted Appel) e o vice-diretor (Jim Peterson) cunharam um termo para isso: “processamento de classe inteira”.
Estas técnicas incluem “falar friamente” com os alunos em vez de pedir a eles que ergam as mãos, fazer cada estudante responder a questões em lousas individuais, usar atividades de pensar/comparar/compartilhar para fazer os estudantes perguntarem uns aos outros – a lista não tem fim.

Trabalho para ser transparente com meus alunos sobre estas cinco questões e para dividir com eles a pesquisa que existe atrás delas (embora eu faça as questões de modo um pouco diferente do que fiz aqui). Deste modo, os estudantes podem me ajudar a me lembrar das questões e a avaliar se eu as estou aplicando bem.
Leonardo da Vinci supostamente disse que “a simplicidade é a maior sofisticação”. Naturalmente, é fácil pensar sobre essas questões “simples”  quando estamos fora da sala de aula. É menos fácil ser guiado por elas quando mais precisamos delas. Mas, com tempo, prática e reflexão, penso que você poderá achar (como eu) que essas questões podem ajudar a levar seu ensino – e o aprendizado dos seus alunos – a um patamar mais sofisticado.

Larry Ferlazzo ensina Inglês e estudos sociais na Luther Burbank High School, em Sacramento. Ele publicou três livros e escreve um blog popular de compartilhamento de recursos para professores. Seu livro mais recente é intitulado Helping Students Motivate Themselves. Larry é membro do Teacher Leaders Network.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

129- Mitos sobre os medicamentos do TDAH. Erros que até mesmo os médicos cometem

Quando se trata de tratamentos para o TDAH, há um monte de desinformação. Fizemos uma reunião dos principais erros que até mesmo os médicos cometem em relação aos medicamentos do TDAH e também dos principais mitos em que até os profissionais do tratamento acreditam. Por Gina Pera

Janete se lembra, com um arrepio, da primeira vez que tomou medicação como tratamento para o TDAH. “Fiquei grudada no sofá, incapaz de me mover, por dois dias”, diz a mulher de 37 anos, mãe de dois filhos, e gerente de marketing de uma companhia de software no Vale do Silício. “Eu parecia e me sentia como um zumbi. Isso me afastou de medicamentos”. Para o marido de Janete, o incidente confirmou sua crença antiga de que dar medicamentos para TDAH para o seu filho de 10 anos de idade seria o equivalente a drogá-lo.
Quando mais tarde Janete compareceu a um grupo de discussão para adultos com TDAH, ela aprendeu que algumas pessoas, que relatavam grandes resultados com o uso de medicação, diziam que demorou semanas para que tolerassem as doses prescritas pelo médico – e que muitas estavam tomando metade da dose receitada.
“Deveria ter me informado antes, em vez de confiar no médico”, diz Janet. “Agora meu marido fica bravo se eu tento novamente tomar o medicamento. Isso criou uma barreira entre nós; estou desistindo de um desempenho melhor para mim e para o meu filho por causa dos medos do meu marido”.
A experiência de Janet está ficando menos comum. Cada vez mais, os médicos estão aprendendo a usar a medicação para tratar adultos com TDAH, embora muitos adultos ainda encontrem profissionais cujo conhecimento sobre os medicamentos seja pontual, incluindo psiquiatras que se dizem especializados.
“Você poderia chamar o TDAH do adulto de uma “doença órfã”, diz Margaret Weiss, M.D., Ph.D., uma importante cientista clínica do TDAH, residente em Vancouver, na Columbia Britânica. “Isso é por que muitos profissionais com experiência para reconhecer e tratar o TDAH trabalham em serviços  para crianças; eles não estão trabalhando em centros para adultos ou vendo adultos.”
O mais importante para adultos com TDAH é: Seja um usuário esperto de tratamentos de saúde e aprenda o mais que puder sobre medicamentos antes de começar a tomá-los. A Canadian Attention Deficit Hyperactivity Disorder Resource Alliance (CADDRA), uma coalizão de especialistas em TDAH, criou guias completos de tratamento para pacientes, pais e médicos. As guias práticas, incluindo tabelas de medicamentos, são disponíveis como downloads grátis em CADDRA.ca. Meu próprio livro “Is It You, Me, or Adult ADD?” é outra boa fonte, assim como o e-book “ADHD Treatments,” da ADDitudeMag.com.
Enquanto isso, se o seu médico fizer alguma das 10 declarações seguintes, compartilhe com ele uma cópia das guias da CADDRA, discuta as coisas ou procure um outro médico.
1. “Meus pacientes adultos com TDAH ficam melhor com este medicamento estimulante.”
Médicos que trabalham com medicamentos estimulantes favoritos – o tratamento de primeira escolha para o TDAH – não têm uma base empírica para agirem assim, e estão jogando com suas chances de sucesso. Eis por que. Há duas classes principais de medicação estimulante: metilfenidato, ou MPH (Ritalina, Concerta), e anfetaminas, ou AMP (Venvanse). Os da classe MPH funcionam melhor para algumas pessoas que foram diagnosticadas com TDAH, mas não têm nenhum efeito, ou têm efeitos negativos, em outras pessoas. O mesmo é válido para a classe AMP. Não há nenhum jeito de prever como você responderá a cada classe de estimulante, até que você experimente.
Patricia Quinn, M.D., médica e especialista em TDAH, sugere que se tente ambas as classes de estimulantes (MPH e AMP) antes de decidir que eles não servem para você e passar para medicação não estimulante. “Você pode até mesmo tentar vários medicamentos da mesma classe antes de mudar para outra classe de estimulantes.” Por exemplo, Ritalina LA e Concerta são ambos de longa ação, da mesma classe MPH. Devido a modos diferentes de liberação, entretanto, cada um deles produz resultados diferentes.
2. “Para um adulto do seu peso e altura, começamos com esta dosagem”.
Uma dosagem ótima não tem relação com o peso e a altura da pessoa.
3. “Esta é uma dose média de início”.
Não há “dose média de início”. A escolha depende de muitos fatores, incluindo:
Sua história de uso de medicamentos estimulantes. Aqueles que já tomaram medicação estimulante no passado podem responder com menor sensibilidade do que pessoas que nunca os usaram.
Diferenças genéticas – algumas pessoas metabolizam a medicação mais rapidamente do que outras.
Condições coexistentes – ansiedade ou depressão, por exemplo, e seus tratamentos em curso.
Gravidade dos sintomas do TDAH. “O cérebro é profundamente complexo e os resultados diferem de pessoa a pessoa,” diz Weiss.
4. “Vamos aumentar a dosagem para 10 mg em duas semanas”.
Assim como um profissional não pode prever qual medicamento funcionará melhor, ou em que dose de início, ele também não pode prever uma meta de dose ótima. A dose ótima é identificada por um método chamado titulação: aumento cuidadoso da dose ao longo do tempo, até que os efeitos colaterais superem os benefícios, e, então, diminuição para a dosagem anterior. A abordagem sempre deve ser “comece com pouco e aumente devagar”.
5. “Então, como a medicação está funcionando com você?”
Julgar a eficácia da medicação requer mais do que o médico perguntar “Como vai?”. São necessários ao menos dois passos:
Fazer um cuidadoso inventário dos desafios que você está enfrentando (escrever um por um), antes de começar a medicação.
Rever regularmente cada dificuldade à medida que o tratamento progride, para identificar melhora (ou não), piora dos sintomas ou novos efeitos colaterais.
Durante esta fase de titulação, os especialistas recomendam falar semanalmente com seu médico. Visitas ao consultório devem ocorrer a cada três ou quatro semanas, para revisar os efeitos colaterais, a saúde física, o bem estar do paciente e dos familiares, e outras terapias, quando indicadas.
Muitos especialistas e pacientes relatam que não são muitos os médicos que monitoram as medicações usadas nos adultos. “É muito importante fazer isso, mas a pequena quantidade de médicos que o fazem é chocante”, diz o psicólogo Stephen Hinshaw, Ph.D., um importante pesquisador e professor de psicologia na Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Você não pode notar pequenos avanços ou efeitos colaterais sem uma folha de monitoração.”
Weiss recomenda usar escalas de pontos para medir uma ampla faixa de sintomas e de funções; em outras palavras, uma régua para medir como você está se saindo na vida. A escala de pontuação Weiss Functional Impairment é uma boa maneira de começar. Ter um método tangível para observar as mudanças faz a meta tornar-se real e mantém o foco.
6. “Você deverá ver uma grande melhora dos sintomas daqui para frente”.
A pesquisa nos diz muito sobre a eficiência da medicação estimulante, mas não podemos dizer como a medicação afetará cada indivíduo. Isto é porque os ensaios clínicos são:
Conduzidos em situações controladas
Feitos com pacientes que não têm condições coexistentes (uma raridade entre os adultos com TDAH)
Muito curtos em duração (geralmente terminando antes que os efeitos colaterais possam se desenvolver).
Os potenciais efeitos benéficos do tratamento medicamentoso para o TDAH não devem ser superestimados, adverte Weiss. “É verdade que alguns sintomas podem melhorar dramaticamente em dias, ou mesmo em horas. Mas é importante esperar para julgar o efeito completo da medicação, porque pode demorar algum tempo para acumular todos os dados.”
Conforme você enfrente situações desafiadoras em sua vida, você pode comparar como a sua resposta difere daquela do passado. “Pode também demorar em notar diferenças em com agorao as pessoas reagem a você, ou para avaliar as mudanças para melhor quanto à sua eficiência no trabalho”, ela diz.
Weiss oferece estas regras:
Os sintomas tendem a melhorar em semanas.
O funcionamento melhora em meses.
Mudanças no desenvolvimento acontecem em anos. Por exemplo, o indivíduo que nunca teve um amigo agora faz e mantém um amigo. Um adulto que não conseguia manter um emprego agora pode ficar em um por um ano.
7. “Se o estimulante perturbar o seu sono, teremos que mudar para um não estimulante.”
As causas dos problemas de sono entre os adultos com TDAH são multifacetadas e pouco entendidas por muitos médicos. Cada vez mais, a pesquisa mostra para diferenças neurofisiológicas no ritmo circadiano, o relógio biológico interno que nos diz quando dormir. Além disso, há outros obstáculos para o sono relacionados ao TDAH, tais como ser incapaz de “aplicar os freios” num cérebro inquieto.
Na avaliação dos aparentes efeitos adversos de um estimulante sobre o sono, é importante prestar atenção ao tempo. Talvez os problemas de sono sejam causados pelo efeito rebote do medicamento quando ele pára de agir. Neste caso, você deveria tentar tomar a medicação mais cedo. Algumas pessoas com TDAH dormem melhor com um estimulante; tais medicamentos param o “ruído cerebral” e aumentam o foco para ir dormir e permanecer dormindo.
8. “Certo, continue usando cafeína, se você gosta”.
Muitos adultos com TDAH têm longo envolvimento com uso de café ou de bebidas cafeinadas. Mas a cafeína pode exacerbar o efeito dos medicamentos estimulantes, criando ansiedade e palpitações cardíacas. Você não consegue determinar o que está causando estes efeitos colaterais – o estimulante ou a cafeína – até que você reduza gradualmente o uso da cafeína antes de iniciar o estimulante. (Tente fazer isso com uns dias de antecedência, para que você não confunda a dor de cabeça pela retirada da cafeína com a dor de cabeça efeito colateral do medicamento).
“Algumas pessoas podem tolerar os estimulantes e a cafeína”, diz Weiss. “Para outras, a cafeína interfere criando ou exacerbando efeitos colaterais, tornando impossível aumentar o estimulante até doses terapêuticas”.
9. “Se você tem pressão alta, não pode tomar estimulantes”.
Um adulto deve fazer um minucioso exame físico antes de começar qualquer medicamento novo, e adultos com TDAH deveriam ter sua pressão arterial e frequência cardíaca medidas antes de começar, e periodicamente durante, o tratamento.
Entretanto, Weiss descarta o mito comum de que a hipertensão impede o uso de medicamento para o TDAH: “Eu diria que isso nunca é uma contraindicação. Você trata primeiro a hipertensão. E, de fato, há medicamentos para o TDAH que abaixam a pressão arterial”. Entre eles se inclui a guanfacine (nome genérico) e sua formulação de longa ação, Intuniv (nome comercial, nos Estados Unidos), que pode abaixar tanto a pressão sistólica quanto diastólica. Esses medicamentos são frequentemente usados como uma alternativa ou em conjunto com os estimulantes.
10. “Se você acha que o estimulante parou de funcionar para você, poderíamos tentar alguma outra coisa”.
Talvez o estimulante parou de funcionar por alguma de várias razões neurobiológicas. Ou você poderia ter se esquecido de como era a vida antes de começar a tomar o medicamento?
Adultos diagnosticados com TDAH mais tarde na vida, tipicamente, desenvolvem o hábito de prestar atenção somente em coisas excitantes ou novas. Após poucas semanas de experimentar a “novidade” da melhora dos sintomas, é fácil de esquecer o quanto você já melhorou. Isto é outra razão para manter registros escritos dos sintomas básicos e do progresso que você já fez. É a única maneira de saber se o remédio está cumprindo seu papel.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

128- Passo 2 do diagnóstico do TDAH: Testar, testar (continuação da 127)

Muitas entrevistas clínicas incluem uma ou mais escalas de pontuação do TDAH, assim como outros testes. Uma avaliação correta para o TDAH deveria fazer duas coisas: determinar se uma pessoa tem TDAH e afastar ou identificar outros problemas – dificuldades de aprendizagem, transtornos do processamento auditivo, ansiedade ou transtornos do humor. Dependendo das dúvidas do seu médico, os testes podem demorar de uma hora a mais de oito horas, e podem requerer vários encontros. Os testes mais comuns usados para o diagnóstico do TDAH incluem:

Escalas de pontuação do TDAH. Esses questionários podem identificar sintomas específicos do TDAH que podem não aparecer na entrevista clínica. Respostas às questões podem revelar como uma pessoa funciona na escola, em casa ou no trabalho. As escalas são especificamente formatadas para crianças, adolescentes e adultos. “As escalas de pontuação para o TDAH têm seu prós e contras, e os médicos adotam as que lhes dão mais confiança no uso”, diz Patricia Quinn, M.D., diretora do National Center for Girls and Women with ADHD. “Eu recomendo usar ao menos duas escalas que englobem o TDAH e outros sintomas.”
Testes de inteligência são uma parte padrão de avaliações mais minuciosas porque eles não somente medem o QI mas podem também detectar certas dificuldades de aprendizagem, comuns em pessoas com TDAH.
Escalas de amplo espectro são próprias para problemas sociais, emocionais e psiquiátricos, e podem ser solicitadas se o médico suspeita que um paciente tem ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, ou outra condição além do TDAH.
Testes de habilidades específicas – desenvolvimento da linguagem, vocabulário, recuperação da memória, habilidades motoras – podem ser recomendados para afastar dificuldades de aprendizagem ou outros problemas de processamento. O médico pode decidir quais testes fazer com base, em parte, em quais tipos de tarefas você ou seu filho têm dificuldade ou facilidade.
Testes computadorizados estão se tornando populares porque os pacientes gostam de fazê-los, e porque eles podem detectar problemas de atenção e de impulsividade que são comuns em pessoas com o TDAH.
Esses “testes de desempenho contínuo” (continuous performance tests – CPT) desafiam o paciente a manter a atenção. Uma série de alvos visuais aparece na tela e o usuário responde a comandos enquanto o computador mede sua capacidade de permanecer na tarefa. Na prática, alguns especialistas acham que estes testes são melhores para identificar sintomas impulsivos e menos aptos a indicar sintomas de desatenção.
Exames de imagem cerebral. Procedimentos de neuroimagem, tais como tomografia por emissão de pósitron (PET scans), tomografia por emissão de fóton único (SPECT scans) e ressonância magnética encefálica, têm sido usados em estudos de pesquisa do TDAH. Mas seu uso no diagnóstico do TDAH ainda não foi provado. Eles revelaram, entretanto, que certas partes do cérebro são menores em volume nas pessoas que têm TDAH do que nas que não têm a condição.
“Você não precisa de um scan do cérebro para ser diagnosticado com TDAH, e ele não é um padrão de diagnóstico”, diz Hallowell. “Scans não têm bom custo-benefício e não contribuem muito para o diagnóstico de TDAH. Mas parece que os pacientes adoram ver a imagem do seu cérebro, e os scans geralmente ajudam na aceitação do diagnóstico.”
Passo 3 do diagnóstico do TDAH: Aprender como manejar os sintomas.
Após a entrevista clínica e com os resultados dos testes solicitados, muitos médicos o chamarão ao consultório para falar sobre os resultados de sua investigação para o TDAH. Esta é a melhor ocasião para fazer perguntas ao seu médico. Quando você sair desse encontro, o médico deverá ter feito um plano de ação para o controle dos sintomas. O plano deve incluir:
Uma lista de acomodações para o trabalho (ou para a escola) que o ajudará (ou ao seu filho)  a ter bom desempenho.
Um plano de terapia de acompanhamento com um psicólogo, terapeuta, coach em TDAH, ou outro especialista.
Receita de medicamentos para o TDAH, se for considerado necessário.
Uma escala de consultas com o médico que fez o diagnóstico ou com o seu médico clínico geral, para verificar se o plano de tratamento está sendo eficiente.
“Depois que o psicólogo terminou a avaliação do meu filho – um processo que incluiu oito horas de testes – ele me encontrou para discutir as fraquezas e as potencialidades do meu filho, e me deu uma lista de acomodações que o ajudariam na escola,” diz Joanna Thomas, de Lubbock, Texas, cujo filho, Ryan, agora com 10 anos, foi diagnosticado com TDAH aos sete anos. “Todo ano, desde a sua avaliação inicial, eu discutia a lista de acomodações com sua nova professora. Costumava também escrever uma carta de apresentação para os professores, para que eles valorizassem suas potencialidades. Conseguir aquele diagnóstico significou tudo para mim. Forneceu-me as ferramentas que eu precisava para ajudá-lo em casa e no trabalho com seus professores.”
“Um diagnóstico correto é uma boa notícia”, diz Hallowell, “porque as coisas só podem melhorar. Quando você aprende a manejar o TDAH, isso se torna uma vantagem em sua vida. Eu digo aos pacientes, ´Você ganhou um motor de Ferrari como cérebro, e tem sorte, porque você vai vencer uma série de corridas. O único problema é que você tem freios de bicicleta´. A chave é que alguns com TDAH estão no caminho de se tornarem campeões, não perdedores. E com o diagnóstico e tratamento corretos, cem por cento dos portadores de TDAH podem melhorar suas vidas.”
Cinco erros comuns de diagnóstico
Não demorar o tempo suficiente. Uma avaliação para o TDAH não pode ser feita em uma consulta de 15 minutos. Consultas apressadas aumentam a chance de que seu filho seja mal diagnosticado, ou que o médico deixe de ver um diagnóstico secundário que pode ser importante tratar.
Diagnosticar os sintomas, não o problema subjacente. “Os médicos às vezes diagnosticam mal os sintomas secundários como se fossem o problema primário do paciente, sem procurar pelo TDAH coexistente”, diz Patricia Quinn, M.D., diretora do “National Center for Girls and Women with ADHD”. Em muitos casos, quando o TDAH é tratado, os sintomas secundários – depressão ou ansiedade – também melhoram.
Achar que o fracasso acadêmico é intrínseco ao TDAH. Muitas crianças com TDAH vão bem na escola porque trabalham duro, e os professores e médicos não suspeitam que tenham o problema.
Pensar que um QI alto significa que seu filho não tenha TDAH. Seu filho pode ter pontuação alta num teste de QI, mas as notas são  medíocres e os professores o “diagnosticam” como sendo preguiçoso ou indisciplinado. Uma avaliação por um psicólogo particular pode indicar que ele tem TDAH e/ou uma dificuldade de aprendizagem.
Permanecer com um médico do qual você não gosta. Se você não sente uma ligação positiva com seu médico – se ele não parece responder a você como uma pessoa ou se ele o recrimina por fazer muitas perguntas – você não terá confiança no diagnóstico e o tratamento do TDAH não dará certo.

domingo, 14 de agosto de 2011

127- Guia de diagnóstico do TDAH: Como ter certeza de que está correto

Não é fácil fazer um diagnóstico correto do transtorno de déficit de atenção, mas ele é essencial para a sua boa saúde. Descubra aonde ir, o que esperar, e como se preparar para os testes e as consultas associadas ao diagnóstico do TDAH. Por Laura Flynn McCarthy

Sinais de Alerta
Você está preocupado. A professora do seu filho lhe enviou um bilhete dizendo que a falta de atenção dele está fazendo com que fique atrasado na classe.
Sua filha ligou para uma colega de classe para marcar uma brincadeira e foi recusada pela terceira vez. A assim chamada “amiga” disse que sua filha era estranha.
Ou talvez você esteja preocupado com o seu trabalho. Você se atrasou pela segunda vez na última semana, e frequentemente se esquece de datas e de reuniões. Você não vai ter a promoção que estava querendo – de fato, você pode ser despedido.
Você tem se perguntado há meses o que está provocando os problemas de seu filho ou os seus – estresse, dificuldades de aprendizagem, uma doença, ou TDAH? Você está cansado de especular. É hora de descobrir. Você quer uma avaliação.
Parabéns. Você está dando um passo importante para mudar a sua vida. Mas você está cheio de dúvidas: Por onde começar? Que tipo de médico diagnostica o TDAH? Como você sabe se está fazendo uma avaliação atualizada e um diagnóstico correto do TDAH? E o que você deverá fazer depois disso?
Aonde ir para um diagnóstico do TDAH?
Para fazer o diagnóstico do TDAH, você deve começar com uma visita de rotina ao seu clínico geral, mas é provável que você não pare aí. Como regra, a maioria dos clínicos gerais não está preparada para fazer o diagnóstico. Uma razão é o tempo. Pode demorar várias horas de conversa, de testes falados e de análise dos resultados para diagnosticar alguém com TDAH. A maioria dos clínicos gerais não pode dispensar esse tempo a você ou ao seu filho, com um consultório cheio.
Os clínicos gerais às vezes deixam passar problemas coexistentes, como as dificuldades de aprendizagem, doenças subjacentes, depressão, transtorno de ansiedade ou abuso de substâncias. Profissionais treinados no diagnóstico de TDAH rotineiramente procuram esses problemas.
Como encontrar um especialista em TDAH na sua região? Cinco abordagens possíveis devem levá-lo à ajuda e diagnóstico corretos, e a um plano de tratamento que melhor controlará os sintomas:
Peça ao psicólogo da escola ou a um conselheiro escolar um encaminhamento para seu filho. Se você preferir consultar um especialista fora da escola, antes de se envolver com os profissionais escolares, vá para o próximo passo.
Fale com o clínico ou com o pediatra do seu filho. Comece a conversa desse jeito: “Tenho notado esses sintomas em mim (ou em meu filho), e gostaria de uma avaliação. O senhor conhece alguém especializado no diagnóstico do TDAH?”. Se o médico disser que ele pode fazer isso, pergunte sobre os testes que ele faz e quanto tempo ele geralmente gasta para fazer o diagnóstico. Se a única base para o diagnóstico for uma rápida entrevista com você ou com seu filho, peça um encaminhamento para um especialista.
Contate uma faculdade de medicina perto de sua cidade. “Chame o departamento de psiquiatria e pergunte se há alguém no staff com experiência no trabalho com adultos e crianças com TDAH” sugere Edward Hallowell, M.D., um psiquiatra com consultórios em Nova Iorque e em Boston, e coautor de “Superparenting for ADD (Balantine). “Quando tiver o nome de um profissional, pergunte quantas pessoas ele já tratou. Deve ser no mínimo uma centena.”
• Cheque com seu plano de saúde. Pergunte se há especialistas treinados em TDAH cobertos por seu plano. Se não houver, avalie procurar fora do plano. Lembre-se de que seu objetivo, inicialmente, é chegar a um diagnóstico minucioso e correto. Quando você tiver esta informação, o médico que fez o diagnóstico poderá trabalhar em conjunto com o médico do seu plano para prescrever o tratamento.
Entre em contato com o capítulo local da National Alliance on Mental Illness ou o CHADD, e peça os nomes dos profissionais especializados em TDAH. Outra boa opção: um grupo de apoio aos portadores de TDAH na sua cidade. As recomendações de boca-a-boca geralmente são a melhor avaliação da capacidade de um profissional.
Como os especialistas fazem o diagnóstico do TDAH
Para fazer um diagnóstico de transtorno de déficit de atenção, a primeira coisa que um médico vai querer é determinar é se você ou o seu filho tem os sintomas do TDAH listados no Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais – IV (DSM-IV).
“O DSM-IV permanece como a base do diagnóstico, mas muitos clínicos vão além dele em sua avaliação”, diz Hallowell. Além de rever esses critérios, os médicos farão uma entrevista clínica minuciosa usando uma escala padronizada de avaliação do TDAH. Exames complementares também são feitos para excluir a coexistência de outros transtornos que são comuns nas pessoas que têm TDAH – transtornos de aprendizagem, ansiedade e transtornos do humor.
Os sintomas listados no DSM-IV são revistos periodicamente. De acordo com os últimos critérios do DSM-IV, para ser diagnosticado com TDAH, um paciente tem de mostrar ao menos seis de nove sintomas de desatenção ou de hiperatividade/impulsividade antes da idade de sete anos. Além disso, esses sintomas devem prejudicar o funcionamento da pessoa em mais de um ambiente – casa, escola, ou trabalho.
Nem todos os médicos subscrevem esses critérios. Muitos profissionais afirmam que alguns pacientes têm sintomas do TDAH que não são reconhecidos até mais tarde na vida, particularmente crianças que sejam muito brilhantes ou que tenham a forma desatenta do TDAH.
Diagnosticar um adulto é mais complicado do que uma criança. “Os critérios do DSM-IV são baseados somente em pesquisa com crianças de 4 a 17 anos de idade”, diz Thomas E. Brown, Ph.D., professor assistente de psiquiatria clínica na Yale University School of Medicine e diretor associado da Yale Clinic for Attention and Related Disorders. “Como resultado, muitos clínicos contornam os critérios quando se analisa a idade de início – pesquisas recentes têm mostrado que, em algumas pessoas, os sintomas não aparecem até a adolescência, quando há mais desafios no autocontrole – e no número de sintomas. Os clínicos geralmente diagnosticam os adultos que têm somente quatro ou cinco dos sintomas, não sete ou oito, se eles mostram prejuízos significantes”.
Embora alguns médicos utilizem programas de computador, tais como testes de desempenho contínuo (CPTS), para checar os problemas de atenção e de impulsividade, ou imagens do cérebro, tal como a tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT), para descobrir anormalidades no cérebro, a mais confiável evidência para um diagnóstico positivo, de acordo com muitos especialistas, é a história do paciente.
Passo 1 do diagnóstico do TDAH: A consulta
Espere que a consulta para o diagnóstico do TDAH demore uma hora ou mais. Se for o seu filho quem estiver sendo avaliado, o médico falará com você e com ele, e obterá confirmações por meio de listas de checagem e informação escrita dos professores e de outros adultos que passam parte do tempo com seu filho. Às vezes, o consultório do seu médico lhe dará esses formulários antes da consulta e fará a revisão deles junto com você, no dia da consulta. Outros médicos primeiramente se encontrarão com você, farão a entrevista, e lhe darão os formulários para serem preenchidos antes da próxima consulta.
Se você estiver sendo avaliado, seu médico entrevistará você e alguém que o conheça muito bem – sua esposa, um filho, seus pais. Ele poderá ou não usar alguma lista de checagem planejada para identificar os sintomas de adultos com TDAH. O médico utilizará a entrevista com o paciente para determinar quais, se necessário, serão os testes que poderão afastar outras condições que podem causar  os sintomas do TDAH.
“A entrevista clínica é núcleo de qualquer avaliação”, diz Brown. “Quanto mais informações de fontes diferentes, melhor. Muitos adultos vêm à consulta sozinhos, mas é bom que venham com o esposo, filho ou amigo íntimo.”
Muitos médicos pedem às pessoas próximas ao paciente – um esposo, pai, ou filho para um adulto, ou um professor, tutor, ou babá para uma criança – para escreverem algumas frases descrevendo o paciente. O insight pessoal frequentemente revela informação que não pode ser captada pelos questionários.
Hallowell diz: “Um professor pode escrever, ´Johnny é doce, adorável, e bonito como uma flor, mas ele não se lembra de sair da chuva. É desorganizado. Fala fora de hora. Precisa de mais disciplina.´ É o que eu chamo de diagnóstico moral, mas que frequentemente revela muito sobre a criança que tem TDAH. Aquela narrativa de um só parágrafo dá uma ampla gama de informações. Listas de checagem não.”
O que os médicos estão querendo encontrar avaliando essas listas de checagem e narrativas, e fazendo a entrevista clínica?
História social. “Descreva um dia típico da sua vida ou da vida do seu filho” é geralmente a primeira pergunta que um médico faz para ter noção de como você, ou seu filho, funcionam – o que geralmente flui de modo suave e o que é desafiador.
História médica. Problemas médicos, desde apneia do sono e distúrbios da tireoide até flutuações hormonais e abuso de substâncias, podem apresentar sintomas semelhantes àqueles do TDAH.
História familiar. “Faço perguntas sobre a família, assim como sobre os avós, tios, tias e primos,” diz Brown. “Pergunto coisas como `Há alguém que tivesse dificuldade de prestar atenção ou de aprender certos assuntos, ou que era esperto mas não ia bem na escola – e foi bem, depois? As respostas me darão uma ideia do que está por trás da genética.”
Poderes e fraquezas. “Toda pessoa que tenho visto com TDA pode focar bem em algumas atividades,” diz Brown. “Às vezes são os esportes. Às vezes são as artes ou assuntos mecânicos. Esses são sintomas característicos do TDA. No processo, identifico as potencialidades que quero proteger – e encorajar – durante o tratamento.”
Educação. “Todos vêm com alguma informação sobre o problema. Algumas são sofisticadas e acuradas; o resto é tudo errado,” diz Brown. “Demoro de 15 a 20 minutos para dizer a eles o que penso sobre o TDA, como as ideias sobre o transtorno têm mudado, e por último falo sobre o controle dos sintomas.”
Quando a consulta termina, muitos médicos com experiência no tratamento de pessoas com TDAH já terão uma boa ideia de se você ou seu filho têm o transtorno. Mesmo assim, muitos vão querer respaldar sua opinião com provas objetivas obtidas com testes.
(A seguir: Passo 2 do diagnóstico do TDAH: Testar, testar)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

126- Como os sintomas do TDAH dos filhos afetam os sentimentos e o comportamento dos pais.

O TDAH nas crianças induz estresse nos pais. De fato, os pais de crianças com TDAH relatam maior grau de estresse paterno, menor satisfação com seu papel de pais, e mais sintomas depressivos do que outros pais. Eles também relatam interações mais negativas com seus filhos. Isto certamente não é verdadeiro para todas as famílias em que há uma criança com TDAH, mas reflete as diferenças médias que foram encontradas.

De que maneira os sintomas do TDAH nas crianças afetam os sentimentos dos pais sobre a paternidade e seu comportamento em relação aos seus filhos? E, isto é diferente para meninos e meninas? Estas questões constituíram o foco de um estudo publicado recentemente online: Glatz et al., (2011). Parents´reactions to youths´ hyperactive, impulsivity and Attention problems. Journal of Abnormal Child Psychology. Publicado online em 13 de julho de 2011.
Os participantes foram 706 crianças (376 meninos e 330 meninas) e seus pais, de uma cidade de porte médio da Suécia. Eles foram escolhidos após um estudo longitudinal de 5 anos, que incluiu quase todos os jovens desde o 4º. até o 12º. grau desta cidade. Os jovens tinham de 10 a 12 anos no início do estudo e estavam na adolescência na época da conclusão. Esta não foi uma amostra de jovens diagnosticados com TDAH, mas uma amostra regular da comunidade.
Três ondas de dados dos pais foram coletadas (cerca de 70% mães), com aproximadamente 2 anos entre cada onda. As medidas obtidas durante cada onda incluíam o seguinte:
Sintomas do TDAH das crianças – Os pais davam notas aos sintomas do TDAH de seus filhos usando uma escala de avaliação padronizada.
Desafio dos jovens – Notas do comportamento de oposição das crianças.
Falta de resposta à correção dos pais – Esta escala media como os pais sentiam que seus filhos normalmente respondiam às tentativas paternas de influenciar seu comportamento. Notas altas refletiam os sentimentos paternos de que seus filhos não respondiam a tais esforços.
Sentimentos paternos de impotência – Esta escala media a percepção dos pais de sua incapacidade de mudar o comportamento problemático dos seus filhos. Notas altas refletiam o sentimento paterno de que ele estava relativamente sem poder de mudar o comportamento problemático do seu filho. Uma amostra de um item desta escala é “Você alguma vez sentiu-se a ponto de desistir – sentiu que não havia nada que pudesse fazer sobre os problemas que tinha com seu jovem?”
Além de coletar dos pais os dados acima, as crianças também preenchiam escalas de medidas de sua percepção sobre o afeto, a frieza e a rejeição dos pais em relação a elas. Essas escalas foram coletadas durante as ondas 2 e 3.
Hipótese de Estudo
Como os dados foram coletados em período de 5 anos, os pesquisadores puderam testar se os sintomas do TDAH previam a percepção dos pais da falta de resposta da criança e do seu próprio senso de impotência, vários anos mais tarde. As previsões específicas testadas foram: 1) os sintomas de TDAH da criança levam os pais a perceber seu filho como não respondente à correção; e, 2) o sentimento de que a criança não responde à correção leva ao aumento dos sentimentos paternos de impotência.
O estudo longitudinal também permitiu aos pesquisadores que testassem como os sentimentos de impotência dos pais podem influenciar seu comportamento em relação ao filho. Eles fizeram a hipótese de que os pais que sentiam mais impotência seriam percebidos pelos seus filhos como menos calorosos e mais frios e teriam mais rejeição em relação a eles, filhos, com o passar do tempo.
Resultados
Os resultados deste estudo foram muito consistentes com a hipótese acima. Os relatos dos pais sobre os sintomas dos filhos no tempo 1 previram os sentimentos aumentados de que a criança não respondia à correção dois anos mais tarde. Por seu turno, os relatos dos pais sobre a falta de resposta das crianças à correção no tempo 2 previram os sentimentos aumentados de impotência dois anos mais tarde.
Em seguida, os autores testaram se os sentimentos de impotência dos pais previam a percepção dos jovens de como seus pais se comportavam em relação a eles. Os pais que relataram mais impotência no tempo 1 tinham filhos que relatavam mais frieza e comportamento paterno de rejeição e reduzido calor paternal dois anos mais tarde.
Os resultados acima foram muito consistentes entre meninos e meninas. Além disso, estes resultados permaneceram muito estáveis mesmo quando se levava em conta o nível de desafio das crianças, sugerindo que os sintomas do TDAH têm um efeito direto nos processos estudados.
Resumo e implicações
O impacto adverso dos sintomas de TDAH das crianças nos níveis de estresse dos pais, a satisfação com o papel de pai, e mesmo os sintomas depressivos eram conhecidos já há algum tempo. Os resultados deste estudo sugerem que não são os sintomas do TDAH que afetam os pais deste modo, mas sim a percepção dos pais que o maior desafio seja seus filhos terem alta taxa de não resposta à correção.
Comportamentos associados com o TDAH parecem influenciar negativamente os pais porque são percebidos como basicamente fora do controle deles, o que contribui para o aumento dos sentimentos de impotência. Sentimentos de impotência, por sua vez, podem levar os pais a se comportar em relação aos filhos de um jeito que aumente nos filhos a visão de mais frieza, de mais rejeição e de menos calor humano. Este ciclo foi muito semelhante para os meninos e meninas, e seria esperado que aumentasse os efeitos negativos nas crianças e nos pais ao longo do tempo.
O que é de algum modo irônico sobre estes achados é que, nas crianças com TDAH, os comportamentos que refletem desatenção, hiperatividade e impulsividade são tidos como tendo forte origem biológica e são, de modo verdadeiro, difíceis de serem controlados pelos pais e pelas crianças. Assim, não é surpresa que muitos pais sintam que crianças com altos níveis desses comportamentos sejam não respondentes à correção, e tais sentimentos não são necessariamente incorretos. O que torna esses sentimentos problemáticos, entretanto, é que eles contribuem para o aumento da sensação de impotência dos pais, talvez porque a compreensível dificuldade que os pais têm de corrigir os comportamentos que refletem os sintomas nucleares do TDAH possa leva-los a se sentir menos confiantes sobre a influência que possam ter sobre seus filhos em outros domínios importantes.
Um exemplo pode tornar isso mais claro. Se eu tenho um filho com TDAH que é gravemente hiperativo, será muito difícil conseguir que ele altere significativamente seu nível de atividade com o uso das estratégias que os pais podem adotar. É fácil imaginar que, se eu continuar a focar nisso, sentirei cada vez mais que meu filho não responde à correção e desenvolverei um crescente sentimento de impotência. Com o tempo, isto pode contribuir para eu estar menos disposto a tentar e exercer influência em áreas importantes nas quais eu teria maior chance de ser bem sucedido, por exemplo, ajudar meu filho a desenvolver uma habilidade ou talento particular, ou ajuda-lo a aprender a importância de desenvolver o conhecimento de hábitos razoáveis de poupar e de gastar.
Isto aponta para a importância de ajudar os pais a reconhecer que embora as crianças possam não responder à correção, quando se chega ao núcleo dos sintomas do TDAH que têm importante determinação biológica, isto não precisa ser generalizado para os outros aspectos da vida da criança, sobre os quais os pais desejam ter uma importante influência positiva. Entender claramente que é difícil fazer a criança mudar os sintomas nucleares do TDAH – muitos argumentarão que é nisto que o tratamento medicamentoso cuidadosamente monitorado pode ter um papel útil – pode proteger os pais dos sentimentos de crescente falta de poder para exercer influência positiva sobre seu filho, e ajudá-los a permanecer engajados com seus filhos por meio de atitudes que façam essas crianças sentirem calor humano, promoção e apoio.