"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

terça-feira, 16 de agosto de 2011

128- Passo 2 do diagnóstico do TDAH: Testar, testar (continuação da 127)

Muitas entrevistas clínicas incluem uma ou mais escalas de pontuação do TDAH, assim como outros testes. Uma avaliação correta para o TDAH deveria fazer duas coisas: determinar se uma pessoa tem TDAH e afastar ou identificar outros problemas – dificuldades de aprendizagem, transtornos do processamento auditivo, ansiedade ou transtornos do humor. Dependendo das dúvidas do seu médico, os testes podem demorar de uma hora a mais de oito horas, e podem requerer vários encontros. Os testes mais comuns usados para o diagnóstico do TDAH incluem:

Escalas de pontuação do TDAH. Esses questionários podem identificar sintomas específicos do TDAH que podem não aparecer na entrevista clínica. Respostas às questões podem revelar como uma pessoa funciona na escola, em casa ou no trabalho. As escalas são especificamente formatadas para crianças, adolescentes e adultos. “As escalas de pontuação para o TDAH têm seu prós e contras, e os médicos adotam as que lhes dão mais confiança no uso”, diz Patricia Quinn, M.D., diretora do National Center for Girls and Women with ADHD. “Eu recomendo usar ao menos duas escalas que englobem o TDAH e outros sintomas.”
Testes de inteligência são uma parte padrão de avaliações mais minuciosas porque eles não somente medem o QI mas podem também detectar certas dificuldades de aprendizagem, comuns em pessoas com TDAH.
Escalas de amplo espectro são próprias para problemas sociais, emocionais e psiquiátricos, e podem ser solicitadas se o médico suspeita que um paciente tem ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, ou outra condição além do TDAH.
Testes de habilidades específicas – desenvolvimento da linguagem, vocabulário, recuperação da memória, habilidades motoras – podem ser recomendados para afastar dificuldades de aprendizagem ou outros problemas de processamento. O médico pode decidir quais testes fazer com base, em parte, em quais tipos de tarefas você ou seu filho têm dificuldade ou facilidade.
Testes computadorizados estão se tornando populares porque os pacientes gostam de fazê-los, e porque eles podem detectar problemas de atenção e de impulsividade que são comuns em pessoas com o TDAH.
Esses “testes de desempenho contínuo” (continuous performance tests – CPT) desafiam o paciente a manter a atenção. Uma série de alvos visuais aparece na tela e o usuário responde a comandos enquanto o computador mede sua capacidade de permanecer na tarefa. Na prática, alguns especialistas acham que estes testes são melhores para identificar sintomas impulsivos e menos aptos a indicar sintomas de desatenção.
Exames de imagem cerebral. Procedimentos de neuroimagem, tais como tomografia por emissão de pósitron (PET scans), tomografia por emissão de fóton único (SPECT scans) e ressonância magnética encefálica, têm sido usados em estudos de pesquisa do TDAH. Mas seu uso no diagnóstico do TDAH ainda não foi provado. Eles revelaram, entretanto, que certas partes do cérebro são menores em volume nas pessoas que têm TDAH do que nas que não têm a condição.
“Você não precisa de um scan do cérebro para ser diagnosticado com TDAH, e ele não é um padrão de diagnóstico”, diz Hallowell. “Scans não têm bom custo-benefício e não contribuem muito para o diagnóstico de TDAH. Mas parece que os pacientes adoram ver a imagem do seu cérebro, e os scans geralmente ajudam na aceitação do diagnóstico.”
Passo 3 do diagnóstico do TDAH: Aprender como manejar os sintomas.
Após a entrevista clínica e com os resultados dos testes solicitados, muitos médicos o chamarão ao consultório para falar sobre os resultados de sua investigação para o TDAH. Esta é a melhor ocasião para fazer perguntas ao seu médico. Quando você sair desse encontro, o médico deverá ter feito um plano de ação para o controle dos sintomas. O plano deve incluir:
Uma lista de acomodações para o trabalho (ou para a escola) que o ajudará (ou ao seu filho)  a ter bom desempenho.
Um plano de terapia de acompanhamento com um psicólogo, terapeuta, coach em TDAH, ou outro especialista.
Receita de medicamentos para o TDAH, se for considerado necessário.
Uma escala de consultas com o médico que fez o diagnóstico ou com o seu médico clínico geral, para verificar se o plano de tratamento está sendo eficiente.
“Depois que o psicólogo terminou a avaliação do meu filho – um processo que incluiu oito horas de testes – ele me encontrou para discutir as fraquezas e as potencialidades do meu filho, e me deu uma lista de acomodações que o ajudariam na escola,” diz Joanna Thomas, de Lubbock, Texas, cujo filho, Ryan, agora com 10 anos, foi diagnosticado com TDAH aos sete anos. “Todo ano, desde a sua avaliação inicial, eu discutia a lista de acomodações com sua nova professora. Costumava também escrever uma carta de apresentação para os professores, para que eles valorizassem suas potencialidades. Conseguir aquele diagnóstico significou tudo para mim. Forneceu-me as ferramentas que eu precisava para ajudá-lo em casa e no trabalho com seus professores.”
“Um diagnóstico correto é uma boa notícia”, diz Hallowell, “porque as coisas só podem melhorar. Quando você aprende a manejar o TDAH, isso se torna uma vantagem em sua vida. Eu digo aos pacientes, ´Você ganhou um motor de Ferrari como cérebro, e tem sorte, porque você vai vencer uma série de corridas. O único problema é que você tem freios de bicicleta´. A chave é que alguns com TDAH estão no caminho de se tornarem campeões, não perdedores. E com o diagnóstico e tratamento corretos, cem por cento dos portadores de TDAH podem melhorar suas vidas.”
Cinco erros comuns de diagnóstico
Não demorar o tempo suficiente. Uma avaliação para o TDAH não pode ser feita em uma consulta de 15 minutos. Consultas apressadas aumentam a chance de que seu filho seja mal diagnosticado, ou que o médico deixe de ver um diagnóstico secundário que pode ser importante tratar.
Diagnosticar os sintomas, não o problema subjacente. “Os médicos às vezes diagnosticam mal os sintomas secundários como se fossem o problema primário do paciente, sem procurar pelo TDAH coexistente”, diz Patricia Quinn, M.D., diretora do “National Center for Girls and Women with ADHD”. Em muitos casos, quando o TDAH é tratado, os sintomas secundários – depressão ou ansiedade – também melhoram.
Achar que o fracasso acadêmico é intrínseco ao TDAH. Muitas crianças com TDAH vão bem na escola porque trabalham duro, e os professores e médicos não suspeitam que tenham o problema.
Pensar que um QI alto significa que seu filho não tenha TDAH. Seu filho pode ter pontuação alta num teste de QI, mas as notas são  medíocres e os professores o “diagnosticam” como sendo preguiçoso ou indisciplinado. Uma avaliação por um psicólogo particular pode indicar que ele tem TDAH e/ou uma dificuldade de aprendizagem.
Permanecer com um médico do qual você não gosta. Se você não sente uma ligação positiva com seu médico – se ele não parece responder a você como uma pessoa ou se ele o recrimina por fazer muitas perguntas – você não terá confiança no diagnóstico e o tratamento do TDAH não dará certo.

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