"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

170- Melhore a memória de trabalho das crianças com TDAH

Melhore a memória de trabalho com estas dicas, estratégias de organização e rotinas planejadas para ajudar seu filho com TDAH a reter a informação. Dos Editores de ADDitude.

Memória de trabalho é a capacidade de reter a informação na mente enquanto se realiza tarefas complexas. Uma criança pequena é capaz de executar tarefas simples – apontar o lápis quando solicitada – enquanto uma criança dos graus médios pode lembrar-se das expectativas de vários professores. Muitas crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) têm a memória de trabalho fraca porque a distração impede que elas retenham a informação que têm de se lembrar. Pais e professores podem ajudar os alunos com TDAH a desenvolver estratégias para lembrar-se mais e, igualmente importante, lembrar-se de usar as estratégias que acabaram de aprender.
1-   Melhorando a memória de trabalho na escola
Passe os trabalhos de casa por escrito. Escreva cada trabalho na lousa, no mesmo lugar, todos os dias, para que os alunos saibam onde encontrá-los. Crianças com TDAH podem não ouvir ou prestar atenção quando você lhes dá instruções orais – e você não pode confiar que eles sempre se lembrem das instruções.

Descubra o que eles ouviram. Faça os alunos com memória de trabalho fraca repetirem as instruções para a tarefa e esclareça cada parte que eles possam ter esquecido.
Arrume um tempo no final das aulas para os alunos escreverem as tarefas nos seus cadernos de tarefas. Certifique-se de que as crianças com TDAH estejam fazendo o que você pediu.

Faça contato visual com uma criança antes de dar a ela um trabalho de classe.
Mantenha as tarefas de casa atualizadas no web-site da escola. Os pais de crianças com TDAH dependem desta informação para fazer seus filhos saberem o que fazer.
Fale devagar e passe as informações em pequenas unidades. Dar muita informação de uma só vez faz com que uma criança com memória de trabalho fraca rapidamente perca o rumo. Ela pode estar ainda trabalhando nos primeiros minutos da lição depois que você já passou para a seguinte.

Aguçar a memória de trabalho = Lembrar-se mais
Professor: Melhore a memória de trabalho dos alunos com TDAH.

Torne as aulas interativas. Para fazer as crianças com memória de trabalho fraca lembrar-se de algo importante, estruture a aula para incluir as respostas delas. Por exemplo, quando ensinar uma lição de matemática, você pode encorajar os alunos a compartilhar voluntariamente o que aprenderam sobre frações, divisão, ou o que tenha sido visto naquele dia. Repetir um ponto-chave ajudará a sedimentar suas memórias.
Estabeleça uma rotina para receber as tarefas de casa. Alguns professores pedem que os alunos coloquem seus trabalhos completados sobre as carteiras assim que eles se sentam para a aula – e, então, anotam em seus livros de notas  se o trabalho foi feito. Outra ideia: Faça a entrega do trabalho de casa ser o bilhete para sair da classe ao final do dia. Fique à porta e recolha-os conforme os alunos saem. Como você pode imaginar, as crianças cooperarão quando a alternativa for ter de ficar na escola por mais tempo.

Fale com os alunos sobre o que fazer se eles se esquecerem de algo. Determine – ou peça aos estudantes para escolherem – um colega de estudos com quem eles possam falar se esquecerem o que pensavam ser o trabalho de casa ou se não puderem lembrar-se do que fazer em classe.
Use um relógio analógico durante as aulas para ajudar seus alunos com o gerenciamento do tempo. Eles serão capazes de se manterem conscientes de quanto tempo já se passou e de quanto ainda têm.

Chame atenção para as datas- limite. Ponha avisos em quadros nas paredes, fale delas frequentemente, e lembre os pais e alunos em bilhetes, cartas ou pelo e-mail.
Peça aos alunos que façam seu próprio “sistema de lembrar” – modos de lembrar-se a si mesmos de coisas que precisam lembrar (cartões de passe, dinheiro do almoço, roupas de ginástica). Isto pode levar a uma discussão em classe, para dar aos alunos a chance de compartilhar as estratégias que funcionam para eles.
2-   Melhorando a memória de trabalho em casa
Determine um lugar para que seu filho coloque coisas importantes – chaves da casa, carteira, equipamento esportivo. Tão logo ele chegue da escola, tenha certeza de que ele colocou essas coisas no lugar certo. Uma recompensa por fazer as coisas corretamente – ou uma penalidade por não fazer – reforçará o hábito de se manter organizado.
Crie uma lista de checagem para se lembrar e ter derteza de que seu filho tem tudo o que necessita levar para a escola. No início, observe se ele segue a lista de checagem, para ter certeza de que ele colocou tudo na sua mochila. Não repita o que está na lista, mas peça a ele que lhe fale (isso ajuda a transferir a informação da sua memória de trabalho para a dele). Faça seu filho usar a lista de checagem quando terminar seu trabalho de casa na noite anterior, para evitar a correria logo de manhã.
Faça, e use, lista do que fazer, para que seu filho veja que isto é uma estratégia de aderência para a vida toda. A vida é muito complicada para que se espere que as crianças tenham tudo na memória.
Pense junto com seu filho sobre as maneiras que ele pode usar para se lembrar de coisas importantes. Ele pode escrever na palma da mão, programar o smartfone para lembrá-lo, pedir a amigos com memórias melhores para avisá-lo?
Rotinas para tarefas de casa para melhorar a memória de trabalho
Obtenha a permissão dos professores para que seu filho passe as tarefas por e-mail. Isto é fácil para as crianças que fazem o trabalho de casa no computador. Algumas famílias escaneiam o trabalho de casa e o enviam por e-mail para o professor. Esta dica não reforça a memória de trabalho, mas é uma boa estratégia de adereência para os alunos com função executiva fraca.
Gratifique seu filho por lembrar-se. Passe e-mail para os professores uma vez por semana para garantir que o trabalho de casa foi entregue. Dê ao seu filho cinco pontos por todos os trabalhos entregues, quatro pontos por ter se esquecido de somente um e nenhum ponto se ele se esqueceu de mais de um. Crie um menu de recompensas que ele pode receber. Permita mais pontos para tarefas mais complexas.
Dê ao seu filho uma rotina de tarefas de casa para ele seguir. A tarefa de casa é uma série complexa de subtarefas que precisam ser completadas em ordem sequencial. Requer muito da memória de trabalho. Ensine seu filho que, para completar a tarefa de casa, ele precisa:
Saber qual é a tarefa
Registrar a tarefa
Trazer o material necessário para casa
Fazer a tarefa
Colocar a tarefa na pasta ou na mochila
Levar a tarefa feita para a escola
Rotinas matinais para melhorar a memória de trabalho
Faça seu filho gravar os passos desta rotina matinal. Ouvir a própria voz cria menos tensão do que você cobrá-lo sobre o que fazer. Se ele se esquecer de um passo, ele pode simplesmente voltar a gravação e encontrar o que esqueceu.
Ensaie com seu filho o que você espera que ele se lembre logo antes da situação. Por exemplo, se ele precisa perguntar ao professor sobre um guia de estudos ou por uma ajuda individual, prepare-o perguntando, “Então, o que você precisa dizer para seu professor quando você for à mesa dele?”
Use lembretes digitais. Com crianças dos graus médios, use telefone celular, mensagens de texto, ou mensagens instantâneas para lembrá-los de coisas que tenham de fazer.
Mantenha as distrações externa no mínimo – desligue a TV ou abaixe o volume se você quiser a atenção total do seu filho quando estiver falando alguma coisa importante para ele.
Confira. Crianças com memória de trabalho fraca indicarão que fizeram algo – por o trabalho de casa na mochila, por exemplo – mas se esquecerão em seguida. Até que a criança se acostume a fazer a ação quando for cobrada, verifique para ter certeza de que ela fez o que lhe disse.

169- Como tratar a depressão em crianças com TDAH

A depressão é muito comum entre as crianças com TDAH. Felizmente, os tratamentos medicamentosos estão mais eficazes e seguros. Por Larry Silver, M.D. (ADDitude magazine).

Depressão é mais do que tristeza. É uma doença grave, e atinge mais pessoas jovens do que os pais pensam. A cada ano, 4% dos adolescentes se tornam gravemente deprimidos. Na idade adulta, um de cada cinco adolescentes já sofreu de depressão.
A depressão é especialmente comum entre os adolescentes e adultos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Em muitos casos, os problemas relacionados ao TDAH na escola e com a família e amigos desencadeiam a depressão pela queda da autoestima da criança. Isto é chamado de depressão “secundária”, porque aparece como uma consequência de outro problema, incluindo o TDAH.
A depressão também pode ser secundária às dificuldades de aprendizagem ou ao abuso de substâncias. A depressão secundária é tipicamente desencadeada num ponto específico e pode estar diretamente ligada a experiências de vida específicas.

A depressão “primária” aparece independentemente das experiências de vida. Ela tipicamente ocorre em crianças que têm uma família com história de depressão, e tende a recorrer. Cerca de metade de todas as crianças que têm TDAH tem dificuldade de controlar suas emoções, e este problema também pode estar na raiz da depressão primária.
A boa notícia é que existe tratamento eficaz. Como pai, você deve estar a par dos sentimentos e comportamentos do seu filho. Se um professor, amigo, ou qualquer outra pessoa sugerir que seu filho está deprimido, não se ofenda. Aja. Consulte seu médico de família. Se ele não puder recomendar um psiquiatra, psicólogo ou um assistente social que seja treinado para tratar de crianças e adolescentes, procure indicações de seus amigos, do conselheiro escolar, ou do seu diretor de seguros.

A escolha do tratamento
O melhor remédio para a depressão depende da causa do problema. Vou falar sobre três crianças que tratei de depressão (os nomes foram trocados) e mostrar a vocês como o tratamento foi diferente para cada uma delas.

Jimmy sempre teve problemas na escola. Sua professora tinha de constantemente falar para ele ficar sentado quieto, e para erguer a mão antes de falar. Em casa não era melhor. “Odeio minha vida”, ele falou para sua mãe. Uma vez ele disse “Sou tão mau, talvez vocês devessem me mandar embora”.
Na minha primeira avaliação de Jimmy, ficou claro que ele estava deprimido. Também ficou claro que ele tinha um TDAH não tratado. Percebi que sua depressão era secundária – resultado de anos de sofrimento de reações negativas à sua hiperatividade, impulsividade e desatenção não tratadas.

Depois que ele começou a tomar o estimulante receitado, o comportamento de Jimmy melhorou. Ele ficou mais feliz. Parou de falar coisas negativas e começou a brincar novamente com os amigos. Tudo o que ele precisava era do tratamento para o TDAH.
Outro paciente meu, Louise, de 13 anos de idade, já estava tomando medicação para o TDAH. Com a ajuda do Plano 504 (uma lei americana que garante as acomodações e modificações curriculares para os TDAH) e de um tutor, ela estava tirando notas boas. Mas parecia infeliz. Ela estava se afastando dos amigos e das atividades de que gostava, segundo sua mãe me disse.

Vi que Louise estava deprimida. Seus pais tinham se separado recentemente e eu suspeitei que isto poderia ser a causa do seu problema. Receitei um antidepressivo e iniciei a terapia. Em nossas sessões, ela falava de sua tristeza a respeito do rompimento de sua família – e do fato de seu pai ter ido morar com a mulher com a qual estava tendo um caso.
Com o tempo, conforme falava sobre sua família, a depressão de Louise sumiu. Ela parou a terapia, mas ficou usando o antidepressivo por seis meses. Quando ele foi retirado, ela não mostrou mais nenhum sinal de depressão.

Por fim, havia Gwen, de 16 anos de idade, que me contou que não tinha amigos desde a escola elementar. Ela parecia se dar bem com seus pais, embora preferisse ficar muito tempo sozinha, ouvindo música. Suas notas eram medíocres, e ela estava preocupada a respeito de ir para a faculdade. Tinha dificuldade de dormir à noite e tinha pouca energia.
Descobri que Gwen tinha uma história de desatenção e problemas de organização, assim como uma história familiar de depressão. Ela me contou que tinha depressão que vinha e ia desde o segundo anos de escola. Sua depressão não parecia estar relacionada com a escola; ela estava deprimida em todos os lugares.

Diagnostiquei Gwen como tendo TDAH, do tipo desatento. Suas notas melhoraram depois que ela começou a tomar o medicamento estimulante, mas ela permanecia deprimida. Trabalhei com ela para que entendesse o TDAH, e também para que usasse um antidepressivo. Seu humor brilhou em um mês, mas ela provavelmente ficará com o antidepressivo por mais um ano.
E os antidepressivos?

Se a depressão parece ser secundária, o problema primário (TDAH, discórdia familiar, abuso de drogas, ou algum outro fator desencadeador) precisa ser corrigido. A terapia geralmente ajuda. Se a depressão continuar a atingir a rotina diária do seu filho, mesmo com essa ajuda, provavelmente será melhor que seu filho tome um antidepressivo.
A maioria dos casos de depressão envolve uma deficiência do neurotransmissor serotonina. Por esta razão, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), que aumentam os níveis de serotonina, são tipicamente a primeira escolha. Se um ISRS se demonstra ineficaz, o psiquiatra poderá receitar uma droga que aumente os níveis do neurotransmissor norepinefrina. Se a segunda medicação também não funcionar, o psiquiatra poderá tentar uma droga que aumente os níveis de serotonina e de norepinefrina. Não há nenhum modo fácil de saber qual neurotransmissor está com nível baixo, então, encontrar a medicação inevitavelmente envolve tentativa e erro.

Depois que o antidepressivo estiver funcionando, um jovem provavelmente terá de tomá-lo por cerca de seis meses. Se a depressão sumir, o medicamento será retirado lentamente. Se a depressão não voltar, o medicamento não mais será necessário. Se a depressão retornar, a medicação será retomada por mais seis meses.
Preocupações com a segurança

Os antidepressivos podem causar uma gama de efeitos colaterais, incluindo constipação, irritabilidade, leves tremores das mãos, distúrbios do ritmo cardíaco e fadiga. Se algum desses tornar-se um problema, o psiquiatra poderá substituir o antidepressivo por outro. Medicamentos devem ser trocados vagarosamente, com uma droga sendo retirada enquanto a outra estiver sendo aumentada. O psiquiatra deverá monitorar o processo muito cuidadosamente
Você deve ter visto ou ouvido falar de relatos nos meios de comunicação indicando que os ISRSs aumentam o risco de pensamentos suicidas. Estes relatos são verdadeiros? No ano passado, um estudo da FDA revisou vários trabalhos sobre suicídio e concluiu que os ISRSs podem de fato aumentar o risco de ideação suicida (pensar sobre o suicídio) em crianças e adolescentes. Mas o estudo revelou que não havia nenhuma evidência de que essas drogas aumentassem o risco de que as crianças de fato cometessem suicídio.

Considerando os achados do estudo, a FDA notou que havia problemas com o modo como os dados tinham sido colhidos em alguns trabalhos e optou por não banir os ISRSs. Em vez disso, a agência (FDA Federal Drug Administration) decidiu alertar os médicos para o aumento do risco de ideação suicida . Minha impressão pessoal é de que qualquer risco associado ao uso dos ISRSs parece ser menor do que o risco de deixar a depressão sem tratamento – uma vez que a depressão, por si mesma, é sabidamente causadora de aumento do risco de ideação suicida e de suicídio.
A maioria dos adolescentes que estão deprimidos não tenta suicídio – mesmo se eles falam sobre fazer isso. Não obstante, pensamentos suicidas, comentários, ou tentativas devem sempre ser levados a sério. Compartilhe suas preocupações com o médico do seu filho. Se ele não levar a sério suas preocupações, procure outro médico de saúde mental.

Talvez você se lembre de um pai ou um avô que sofreram com depressão por anos. Não deixe que seu filho sofra do mesmo modo. Os tratamentos estão disponíveis, e muitos deles são bons.