"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

174- TDAH (ADHD) - Dar remédio para meu filho de 4 anos?

Por Laura Flynn McCarthy

A revisão de protocolos dá aos médicos a permissão para diagnosticar e tratar as crianças mais novas com TDAH, mas os pais estão confiantes em avaliar os pré-escolares em relação ao TDAH?

Ann Marie Morrison suspeitou que seu filho tivesse TDAH quando ele tinha três anos.

“As crises de birra do John eram mais intensas do que as dos outros meninos de três anos, e apareciam sem motivo algum”, diz Morrison, de Absecon, New Jersey. “Demorava uma eternidade tirar ele da porta do apartamento. Ele tinha de se vestir no corredor, onde não havia quadros ou brinquedos que o distraíssem. Ele não ficava sentado quieto, e quebrava todos os brinquedos. Eu tinha cartões de presentes na minha bolsa, de modo que, quando ele quebrava um brinquedo na casa de um amigo, eu pudesse dar à mãe do amigo um cartão de presente para que ela o substituísse.”

Quando Morrison discutia a hiperatividade e o comportamento impulsivo de John com os seus médicos, suas preocupações eram rechaçadas. “Ele é somente um menino ativo”, eles diziam. “Um pediatra disse, `Mesmo que ele tenha TDAH, não há nada que se possa fazer até que ele tenha cinco anos de idade`”,  lembra-se Morrison. “Isto é como dizer: ´Seu filho tem uma doença grave, mas não podemos tratá-lo por ainda dois anos´. O que poderemos fazer  enquanto isso?”. A família mudou-se para outra região do estado quando John tinha cinco anos de idade, e, por acaso, sua nova pediatra era uma especialista em TDAH. Ela mesma tinha sido diagnosticada com TDAH e criou um filho com esse transtorno.

“Durante o exame, ela estava anotando a história médica do John e ele, como sempre, incapaz de parar sentado quieto. Ela parou e perguntou ´Você já fez nele um teste para TDAH? ´. Eu comecei a chorar. Pensei: Oh, obrigado Deus. Alguém mais percebeu isso”. “Depois de anos de escutar os parentes dizendo que eu tinha de dar mais disciplina a ele, depois de anos de me sentir física e mentalmente exausta, e de pensar que eu era uma péssima mãe, alguém viu com o que estávamos lidando”.

Uma avaliação completa de John, que incluiu informações dos professores dele e da família, levou ao diagnóstico de TDAH. Logo em seguida ele recebeu medicação, que o ajudou a focalizar a atenção e melhorou  seu controle do impulso. O tratamento mudou a vida dele e de sua família. “Se John tivesse sido diagnosticado mais cedo, teria ajudado muito,” diz Morrison. “Não sei se lhe daria medicação quando ele tinha três ou quatro anos, mas teria aprendido as técnicas para mantê-lo organizado, disciplinado e teria ajudado a estabelecer uma rotina, sem ter de descobrir tudo por mim mesma. Se eu soubesse mais cedo que ele tinha TDAH, teria me cuidado melhor, também. Eu não estava preparada. Não é somente a criança que é atingida pelo TDAH. É toda a família,”

Hoje, é provável que crianças como John sejam diagnosticadas e auxiliadas mais cedo na vida, graças a novos protocolos da American Academy of Pediatrics (AAP). Os achados incluem recomendações para a avaliação e o tratamento de crianças pré-escolares e adolescentes com idades de 4 a 18 anos. Os protocolos anteriores a 2001 atingiam somente crianças de 6 a 12 anos.

“A AAP tem um comité que revisou as pesquisas sobre TDAH feitas nos últimos 10 anos e concluiu que há benefícios em diagnosticar e tratar crianças de idade inferior a seis anos com TDAH”, diz Michael Reiff, M.D., professor de pediatria na Universidade de Minnesota, que atuou no comité que desenvolveu os novos protocolos.

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