"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

quarta-feira, 2 de maio de 2012

206 - Como aumentar a autoestima do seu filho: Conselhos para os pais de crianças com TDAH


Muitas crianças com TDAH e Dificuldades de Aprendizagem também lutam com a baixa autoestima. Eis aqui como os pais podem ajuda-las. Por Larry Silver, M.D.
Quando as crianças se sentem bem a respeito de si mesmas, tudo acontece mais facilmente para elas e seus pais. Mas a baixa autoestima é um grande problema para as crianças com TDAH – e um problema maior ainda para os quase 50% de crianças com TDAH que também têm dificuldades de aprendizagem.
Para se sentirem bem sobre si mesmas, elas precisam de duas coisas: a sensação de que são realmente bem sucedidas, tanto social quanto academicamente, e o amor incondicional de seus pais. Se faltar um ou outro ingrediente, uma criança terá muitas dificuldades para desenvolver um senso de autoestima.

Uma criança pode revelar sua infelicidade dizendo, “Odeio minha vida” ou “Ninguém gosta de mim” ou “Eu sou burra”.

Seu filho diz ou faz coisas que sugerem que ele sinta que não é “bastante bom” ou que não é merecedor de amor?  Suas palavras ou seu comportamento sugerem que ele se sente um fracasso na escola? Que seus colegas não o apreciam muito, ou que ele é de alguma outra maneira malsucedido socialmente?
Reações negativas?

Pense sobre as últimas semanas. Houve dias em que você ou seu cônjuge se sentiram tão frustrados com o comportamento do seu filho a ponto de gritar com ele ou dizer coisas das quais se arrependeu mais tarde? Houve dias em que você ou seu cônjuge tentaram evitar seu filho?
Se for assim, sente-se com seu cônjuge e discuta por que os dois estão tendo dificuldade de se manterem calmos e afetuosos. Se for por causa da hiperatividade, da desatenção ou dos comportamentos impulsivos do seu filho, seu TDAH está sendo tratado corretamente?

Se for o baixo desempenho dele na escola ou as brigas por causa das tarefas de casa, ele não teria sido diagnosticado como portador de dificuldades de aprendizagem? Se os comportamentos típicos do TDAH do seu filho estão desencadeando reações negativas de sua parte, de outros membros da família ou de outras crianças, é essencial que você avalie o impacto que isso tem na autoestima dele.
A história de Billy

Há não muito tempo, lidei com um menino de oito anos chamado Billy.  Era evidente que ele precisava dos medicamentos para o TDAH, mas seus pais tinham medo de dar os remédios para ele durante o dia todo. Por insistência deles, eu dei ao Billy um esquema que cobria somente o período escolar.
Quando nos encontramos novamente, duas semanas mais tarde, os pais do Billy me contaram que ele estava indo muito melhor na escola. Mas eu descobri que havia grandes problemas em casa. Os pais do Billy gritavam com ele de maneira sistemática – para que ele não se intrometesse, para não subir nos móveis, para sentar-se quieto nas refeições e assim por diante. Quando pedi aos pais do Billy que avaliassem o efeito que os seus gritos poderia ter na autoestima do menino, eles rapidamente concordaram em estender a cobertura medicamentosa para as tardes e os finais de semana.
O sucesso na escola
Pense no que está acontecendo na escola. Se o seu filho não estiver acompanhando a classe ou se sentir como um fracasso em sua classe, descubra a causa. Fale com o professor dele. Ele não fica sentado quieto, não presta atenção e não participa das atividades em sala? Se for assim, ele pode estar tomando a medicação errada para o TDAH – ou pode estar tomando a medicação correta com a dosagem errada, ou nos horários errados. Se os professores descrevem seu filho como hiperativo, distraído ou impulsivo, provavelmente seu TDAH não está sendo tratado corretamente.
Cuide de falar com o professor dele sobre o TDAH. Faça perguntas sobre os efeitos colaterais que ele pode estar sofrendo em classe e explique como simples acomodações podem ajudar. Talvez seu filho precise de melhor supervisão durante os períodos desestruturados (caminhar nos corredores, durante o intervalo etc.). Pode ser que ele só precise de um pouco de ajuda para prestar mais atenção quando se distrai durante as aulas.
Ele tem dificuldade de leitura, de escrita, ou com matemática, embora seja capaz de se sentar quieto e prestando atenção durante as aulas? Considere a possibilidade de ele ter uma dificuldade de aprendizagem.
A importância dos amigos
Enquanto ajuda seu filho a ter o sucesso acadêmico, veja o que pode fazer para melhorar a aceitação dele por parte dos colegas. Observe se ele interage com os colegas durante os intervalos e as brincadeiras, durante as atividades estruturadas e nas atividades esportivas organizadas. Pergunte ao professor como ele se comporta na classe e no pátio.
Observe seu filho quando ele brincar fora de casa ou quando ele convida algum amigo (tente não se aparecer). Ele é muito tímido e medroso para se enturmar com um colega? Ele é muito grosseiro, ou muito  desligado? Ele tem dificuldade de interpretar a linguagem corporal da outra criança? Ele é muito distraído, impulsivo ou hiperativo para brincar? Ele evita os esportes porque tem habilidades motoras deficientes e pouca coordenação entre as mãos e a visão? E nos jogos de tabuleiro ou na lousa?
Após ter uma noção de quais são os problemas sociais específicos do seu filho, procure a solução. Pode ser que ele precise de um esquema diferente de medicação ou de uma terapia de grupo para as habilidades sociais. Pode ser que ele possa tentar um esporte em que não seja necessário o mesmo nível de habilidades motoras finas ou de coordenação mão-visão.
Ou pode ser que você encontre uma atividade não atlética de que ele goste. Não é fácil aumentar a autoestima de uma criança. Mas você pode amar seu filho incondicionalmente, e se estiver querendo fazer um pequeno trabalho de detetive em relação aos problemas com os colegas e com a escola, seu filho deverá começar a se sentir melhor sobre si mesmo. Boa sorte! Eu garanto que seu filho gostará muito dos seus esforços.
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