"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

quarta-feira, 2 de maio de 2012

207 - Como transformei minha energia em sucesso


Quando criança, com dislexia, fui repreendido por mexer muito com as mãos. Agora, minha inquietação é o segredo do meu sucesso.

Por Jonathan Mooney
Fui um daqueles meninos, desde o primeiro ano. Os professores sabiam disso e os meus colegas de classe também: Jonathan Mooney era meio louco. Como um daqueles meninos, fiz amizade com o coordenador, a única visita à minha mesa no corredor. E eu era muito amigo da Shirley, a recepcionista na sala do diretor.
Não que eu fosse totalmente maluco ou fora de controle. Mas eu sentia que eu era mau, quase moralmente defeituoso. Este sentimento corroeu meu senso de caráter como ácido de bateria. De fato, ele arruinou meu caráter. Conforme eu crescia, e via meus anos escolares em perspectiva, a definição estreita de como os escolares supostamente deveriam se comportar me tornava furioso.
O que os bons meninos fazem na mesa da escola? Têm compaixão pelos outros alunos? Não. São gentis com os outros? Não. Eles ficam sentados quietos! É inacreditável isto, aos sete anos de idade, aprendemos que “bom” não significa ser gentil, mas ser obediente. Isto é socialização, não educação.
Eu não conseguia ficar sentado quieto.
A ideia de que bons meninos se sentam quietos não combinava bem comigo. Quando eu me sentava à mesa na escola – no primeiro ano e na Brown University – minhas mãos começavam a suar e meu rosto ficava vermelho. Depois de cinco segundos, meus pés começavam a bater; depois de 15 segundos, eu tocava os tambores. E depois de cinco minutos, tudo tinha acabado. Eu era o menino que havia tentado por sua perna atrás do pescoço. Mesmo agora, quando eu me sento à minha mesa de jantar num restaurante de Nova Iorque, sou aquele menino novamente.
Algumas das minhas piores memórias são da mesa de jantar, quando meu pai gritava “Jon, pare, pare, Jon o que tem de errado com você?” Ele me ensinou que a movimentação era algo vergonhoso. A mesma coisa acontecia na sala de aula. Minha professora do segundo ano, Senhora C., fazia a classe parar, apontava para mim, e dizia, “Jon, o que tem de errado com você?” Naquele instante, o mito de que bons meninos sentam-se quietos – e que meninos maus não – marcou-me com o rótulo de menino com um problema.
As pesquisas sugerem que muitas crianças se mexem porque isso as ajuda a prestar atenção – não porque são más ou querem fazer os professores e os pais ficarem bravos. Pondo o jargão de lado: Se eu não me mexo, meu cérebro desliga. Gastei parte do terceiro ano em cima de uma árvore observando os esquilos construindo um ninho. Para mim, movimento era um auxiliar do aprendizado.
Outro mito diz que o contato visual significa que você está prestando atenção. Todos nós sabemos que é uma mentira descarada. Quantas vezes você já esteve em uma reunião encarando o seu chefe, e não escutando o que ele está falando? Por que eu tenho de olhar para alguém para entender o que ele está falando? Se a Sra. C. tivesse alguma vez parado para me perguntar o que ela estava falando, eu poderia responder palavra por palavra – mais as cinco coisas que ela disse antes, mais o que Bobby e Janie estavam fazendo à minha esquerda, mais descrever a mancha no carpete à direita, mais dizer a minha opinião sobre a horrível roupa amarela que uma menina no fundo da sala estava usando.
TDAH não é uma deficiência. Eu presto atenção a muitas coisas. Fora dos limites da sala de aula, minha inquietação e minha atenção a detalhes são uma benção. Viajei por todo o país, publiquei dois livros e formei uma família. Os que foram diagnosticados com TDAH devem celebrar isso. A dádiva  tem os seus desafios – e não temos de rodear esses desafios – mas não é uma patologia. Este é um pensamento poderoso para uma criança que sente que o TDAH a faz ser de segunda classe, ou pior.
Na minha escola fundamental, toda a classe recebeu uma clara mensagem: Pare de ser você mesmo ou saia da classe. Muitas crianças aprendem essa lição e saem da escola para sempre. Você não pode mudar o que você é, e você não deve ser solicitado a fazer isso.
Meus advogados me encontraram
Meus advogados me salvaram. Eu não sabia onde procurar por eles, ou mesmo se eu precisava deles. Por sorte, eles vieram a mim. Primeiro, minha mãe lutou diariamente para construir minha confiança e celebrar meu sucesso – e, acreditem, essas vitórias não tiveram nada a ver com os testes de soletração ou com o sentar quieto. Ela estimulava a marcação dos pontos importantes em casa e na escola, e ficava sempre me defendendo quando os professores e os administradores escolares implicavam que eu era um menino mau.
Mas, meus professores não eram todos como a Sra. C. Vários deles reconheciam minhas habilidades e criavam ambientes nos quais eu pudesse me realizar. Isso fez toda a diferença. Um professor do terceiro ano, Sr. R., tornou válido meu real desgosto com as experiências escolares prévias. Sua abordagem honesta sobre o que realmente importava – minha educação – permitiu que ambos focalizássemos no meu aprendizado em vez de impor a ideia da instituição sobre o “bem”.
Mais importante, minha mãe e o Sr. R. me ensinaram que eu podia decidir sobre minha educação. Eles me abordaram como uma pessoa, e me ensinaram as habilidades fundamentais e a confiança de que eu precisava para começar a advogar para mim mesmo. Eles me ajudaram a entender os benefícios das acomodações acadêmicas e a saber que eu podia desempenhar um papel importante no meu próprio sucesso.
Foi uma longa e dura jornada para chegar onde hoje estou, mas estou aqui – duas vezes publicado, autor disléxico, orador público agitado, pai – por causa do meu entusiasmo, da minha consciência dos outros, e a responsabilidade de fazer o mundo um lugar melhor para aquele menino.
Este artigo foi publicado no número outubro/novembro/2010 de ADDitude

206 - Como aumentar a autoestima do seu filho: Conselhos para os pais de crianças com TDAH


Muitas crianças com TDAH e Dificuldades de Aprendizagem também lutam com a baixa autoestima. Eis aqui como os pais podem ajuda-las. Por Larry Silver, M.D.
Quando as crianças se sentem bem a respeito de si mesmas, tudo acontece mais facilmente para elas e seus pais. Mas a baixa autoestima é um grande problema para as crianças com TDAH – e um problema maior ainda para os quase 50% de crianças com TDAH que também têm dificuldades de aprendizagem.
Para se sentirem bem sobre si mesmas, elas precisam de duas coisas: a sensação de que são realmente bem sucedidas, tanto social quanto academicamente, e o amor incondicional de seus pais. Se faltar um ou outro ingrediente, uma criança terá muitas dificuldades para desenvolver um senso de autoestima.

Uma criança pode revelar sua infelicidade dizendo, “Odeio minha vida” ou “Ninguém gosta de mim” ou “Eu sou burra”.

Seu filho diz ou faz coisas que sugerem que ele sinta que não é “bastante bom” ou que não é merecedor de amor?  Suas palavras ou seu comportamento sugerem que ele se sente um fracasso na escola? Que seus colegas não o apreciam muito, ou que ele é de alguma outra maneira malsucedido socialmente?
Reações negativas?

Pense sobre as últimas semanas. Houve dias em que você ou seu cônjuge se sentiram tão frustrados com o comportamento do seu filho a ponto de gritar com ele ou dizer coisas das quais se arrependeu mais tarde? Houve dias em que você ou seu cônjuge tentaram evitar seu filho?
Se for assim, sente-se com seu cônjuge e discuta por que os dois estão tendo dificuldade de se manterem calmos e afetuosos. Se for por causa da hiperatividade, da desatenção ou dos comportamentos impulsivos do seu filho, seu TDAH está sendo tratado corretamente?

Se for o baixo desempenho dele na escola ou as brigas por causa das tarefas de casa, ele não teria sido diagnosticado como portador de dificuldades de aprendizagem? Se os comportamentos típicos do TDAH do seu filho estão desencadeando reações negativas de sua parte, de outros membros da família ou de outras crianças, é essencial que você avalie o impacto que isso tem na autoestima dele.
A história de Billy

Há não muito tempo, lidei com um menino de oito anos chamado Billy.  Era evidente que ele precisava dos medicamentos para o TDAH, mas seus pais tinham medo de dar os remédios para ele durante o dia todo. Por insistência deles, eu dei ao Billy um esquema que cobria somente o período escolar.
Quando nos encontramos novamente, duas semanas mais tarde, os pais do Billy me contaram que ele estava indo muito melhor na escola. Mas eu descobri que havia grandes problemas em casa. Os pais do Billy gritavam com ele de maneira sistemática – para que ele não se intrometesse, para não subir nos móveis, para sentar-se quieto nas refeições e assim por diante. Quando pedi aos pais do Billy que avaliassem o efeito que os seus gritos poderia ter na autoestima do menino, eles rapidamente concordaram em estender a cobertura medicamentosa para as tardes e os finais de semana.
O sucesso na escola
Pense no que está acontecendo na escola. Se o seu filho não estiver acompanhando a classe ou se sentir como um fracasso em sua classe, descubra a causa. Fale com o professor dele. Ele não fica sentado quieto, não presta atenção e não participa das atividades em sala? Se for assim, ele pode estar tomando a medicação errada para o TDAH – ou pode estar tomando a medicação correta com a dosagem errada, ou nos horários errados. Se os professores descrevem seu filho como hiperativo, distraído ou impulsivo, provavelmente seu TDAH não está sendo tratado corretamente.
Cuide de falar com o professor dele sobre o TDAH. Faça perguntas sobre os efeitos colaterais que ele pode estar sofrendo em classe e explique como simples acomodações podem ajudar. Talvez seu filho precise de melhor supervisão durante os períodos desestruturados (caminhar nos corredores, durante o intervalo etc.). Pode ser que ele só precise de um pouco de ajuda para prestar mais atenção quando se distrai durante as aulas.
Ele tem dificuldade de leitura, de escrita, ou com matemática, embora seja capaz de se sentar quieto e prestando atenção durante as aulas? Considere a possibilidade de ele ter uma dificuldade de aprendizagem.
A importância dos amigos
Enquanto ajuda seu filho a ter o sucesso acadêmico, veja o que pode fazer para melhorar a aceitação dele por parte dos colegas. Observe se ele interage com os colegas durante os intervalos e as brincadeiras, durante as atividades estruturadas e nas atividades esportivas organizadas. Pergunte ao professor como ele se comporta na classe e no pátio.
Observe seu filho quando ele brincar fora de casa ou quando ele convida algum amigo (tente não se aparecer). Ele é muito tímido e medroso para se enturmar com um colega? Ele é muito grosseiro, ou muito  desligado? Ele tem dificuldade de interpretar a linguagem corporal da outra criança? Ele é muito distraído, impulsivo ou hiperativo para brincar? Ele evita os esportes porque tem habilidades motoras deficientes e pouca coordenação entre as mãos e a visão? E nos jogos de tabuleiro ou na lousa?
Após ter uma noção de quais são os problemas sociais específicos do seu filho, procure a solução. Pode ser que ele precise de um esquema diferente de medicação ou de uma terapia de grupo para as habilidades sociais. Pode ser que ele possa tentar um esporte em que não seja necessário o mesmo nível de habilidades motoras finas ou de coordenação mão-visão.
Ou pode ser que você encontre uma atividade não atlética de que ele goste. Não é fácil aumentar a autoestima de uma criança. Mas você pode amar seu filho incondicionalmente, e se estiver querendo fazer um pequeno trabalho de detetive em relação aos problemas com os colegas e com a escola, seu filho deverá começar a se sentir melhor sobre si mesmo. Boa sorte! Eu garanto que seu filho gostará muito dos seus esforços.
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