"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

sexta-feira, 4 de maio de 2012

208- MÚSICA: Bom tratamento para o TDAH



Pais! Anotem: a terapia pela música melhora o foco, o autocontrole e as habilidades sociais em crianças dom déficit de atenção.
Por Ann Layne Rodgers
Oliver Sacks, M.D., professor de neurologia na Columbia University e autor de Musicophilia, diz que “Nada ativa o cérebro tão extensivamente como a música”. Ele deve saber. Sacks documentou o poder da música para despertar o movimento em pacientes paralisados pela doença de Parkinson, para acalmar os tiques da síndrome de Tourette e para preencher os vazios do autismo. Sua crença em que a música pode curar o cérebro está ganhando prestígio, graças, em parte, a Gabrielle Giffords.
Em janeiro de 2011, a congressista de Arizona sobreviveu a um ferimento por arma de fogo na sua têmpora esquerda. Como a linguagem é controlada pelo hemisfério cerebral esquerdo, Gifford não conseguia falar. Como parte de sua árdua recuperação, ela trabalhou com um musicoterapeuta, que a treinou para utilizar o lado direito do seu cérebro – associando palavras a melodia e ritmo – para trazer de volta sua fala.
“Ela era capaz de cantar uma palavra em vez de falar uma palavra, e as áreas lesionadas de seu cérebro foram evitadas pela música”, diz Concetta Tomaino, diretora executiva do Instituto para Música e Função Neurológica. “Agora a comunidade das neurociências está dizendo, “Sim, o cérebro muda” e “Sim, a estimulação auditiva pode ajudar a que essas mudanças ocorram”“.
A terapia age bem
A musicoterapia é usada para ajudar vítimas de traumatismos cerebrais graves, crianças com espectro autista e idosos que sofrem da doença de Alzheimer. Para as crianças com TDAH, a musicoterapia reforça a atenção e o foco, reduz a hiperatividade e aumenta as habilidades sociais.
Como funciona?
A MÚSICA FORNECE ESTRUTURA. Música é ritmo, ritmo é estrutura e estrutura é benéfica para o cérebro TDAH que luta para se regular e ficar em trajetória linear. “Música existe no tempo, com início claro, meio e fim”, diz Kirsten Hutchinson, um musicoterapeuta na Music Works Northwest, uma escola de música comunitária, sem fins lucrativos, próxima a Seatle. “Esta estrutura ajuda uma criança com TDAH a planejar, antecipar e a reagir”.
A MÚSICA DISPARA AS SINAPSES. A pesquisa mostra que a música prazerosa aumenta os níveis de dopamina no cérebro. Este neurotransmissor – responsável por regular a atenção, a memória de trabalho e a motivação – está em falta nos cérebros TDAH. “A música compartilha redes neurais com outros processos cognitivos”, diz Patti Catalano, uma musicoterapeuta neurológica na Music Works Northwest. “Por meio do uso de imagem cerebral, podemos ver como a música acende os hemisférios direito e esquerdo. A meta da musicoterapia é reforçar esses ´músculos cerebrais´ ao longo do tempo para auxiliar todas as funções”.
Assim como Giffords usou a música para treinar novamente seu lado direito do cérebro para ajuda-la a falar, as crianças com TDAH podem usar a música para treinar seus cérebros para prestar mais atenção e a ter mais autocontrole na classe e em casa.
A MÚSICA É SOCIAL. “Pense em uma orquestra”, diz Tomaino, uma veterana de 30 anos em musicoterapia. “Se um instrumento estiver faltando, você não pode tocar a música. Todas as vozes são necessárias”. É isto que Hutchinson ensina em “Social Skills Through Music” (Habilidades Sociais Por Meio da Música), um curso de oito semanas para crianças de sete a dez anos de idade. Os estudantes participam tocando em conjunto, escrevem canções em parcerias e ensaiam para um espetáculo de fim de sessão.
“Os estudantes aprendem a ouvir, assumir turnos, antecipar mudanças e adotar dicas de um jeito que não poderiam fazer fora de uma sessão de musicoterapia”, diz Hutchinson.
ADDitude