"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

domingo, 28 de abril de 2013

280- A Coragem de Perdoar Seu Esposo Com TDAH



Ter um esposo com TDAH não é fácil, mas perdoar – e planejar a prevenção de problemas – é um passo na direção certa. O especialista Ned Hallowell dá conselhos sobre o relacionamento.
Por Edward Hallowell, M.D.

Se você estiver casado com alguém com TDAH, provavelmente já se perguntou quantas vezes terá que perdoá-lo. TDAH não é fácil – para quem tem ou para os que vivem com eles! Por isso que os casamentos TDAH podem se beneficiar de alguns conselhos sobre o relacionamento.

Nós que temos o TDAH (eu mesmo, incluído) geralmente não aprendemos com nossos erros. Nós os repetimos sempre. Se a questão for, “Quantas vezes eu tenho de lhe dizer?”, a resposta pode ser “Centenas, no mínimo!” Isso significa que precisamos de um salvo-conduto? Claro que não. O TDAH não é uma desculpa para a irresponsabilidade. É uma explicação para o comportamento e um sinal de que a pessoa precisa aprender a ter responsabilidade de modo mais efetivo.

Mesmo os melhores tratamentos para o TDAH não produzem resultados perfeitos. Peça ao seu par para retirar o lixo. Ele concorda e passa ao lado da cesta enquanto novas ideias dominam sua mente.
Você pede ao seu par TDAH que ele lhe elogie de vez em quando, porque você acha difícil lembrar a ele que precisa de atenção. Embaraçado e envergonhado ele se desculpa e promete prestar mais atenção em você. Você sabe que ele está sendo sincero. Mas ele cumpre o prometido? Não. Você pede ao seu par TDAH para que pare de gastar muito no cartão de crédito com compras por impulso. Novamente, envergonhado e constrangido, ele concorda. Ele, tanto quanto você, não mais quer grandes dívidas. Mas no dia seguinte ele vê um aparelho e não consegue resistir, e bingo! um novo item foi acrescentado à conta.

O que você pode fazer? Esquecer? Divorciar-se? Bater na cabeça dele com um pedaço de pau?

Acabei de escrever um livro chamado “Dare to Forgive” (Ouse Perdoar). Um dos pontos que abordo é que o perdão não é uma licença para repetir os mesmos erros. Então, se você perdoar seu par – e eu espero que o faça – você deve também fazer um plano para que o mesmo problema não fique se repetindo. Se o plano não funcionar, revise-o e tente novamente. Refazer planos é o que a vida é.

Saiba que esses problemas não indicam um desrespeito consciente dirigido a você ou falta de responsabilidade, mas uma negligência intermitente e involuntária direcionada a tudo. Esta é a natureza diabólica do TDAH. Tenha isso em mente (e as boas qualidades dele) quando tiver vontade de estrangulá-lo. Enquanto ele desejar trabalhar com você, e possivelmente com um profissional também, progressos poderão ser feitos. Vitória total? Cura completa? Não. Mas progresso.

Conforme você o observa trabalhando com afinco para melhorar o comportamento, tenha paciência. Construa uma atitude positiva e faça com que ela cresça. Mantenha seu senso de humor. Fique em contato com outras pessoas que possam ajudar. E lembre-se que debaixo da casca do TDAH bate um coração e há uma alma cheia de calor, criatividade, jovialidade e imprevisibilidade. Quase sempre há muitas coisas boas que superam o lado ruim.

O bastante, mesmo, para deixar o casamento e a vida cheios de alegria.

ADDitude abril/maio 2004

sábado, 27 de abril de 2013

279- TDAH (ADHD) e os Rituais da Hora de Dormir: O Que Fazer e o Que Não Fazer.


 
Você pensa que uma taça de vinho o ajudará a controlar sua mente TDAH antes de ir dormir? Errado! Aprenda o que todo adulto com déficit de atenção pode fazer para adormecer mais rapidamente e para dormir melhor a noite toda. Por William Dodson, M.D.

Muitos adultos e crianças com transtorno de déficit de atenção têm dificuldade para adormecer e para continuar dormindo. O sono pode ser facilmente interrompido pela inquietação mental e física, o que, por seu lado, pode causar impacto no tratamento do TDAH de uma pessoa.

Use essas dicas fáceis para dormir e para obter uma melhor noite de sono, todos os dias.

Bebidas

Faça: Beba leite morno. O leite contém triptofano – o mesmo sedativo natural encontrado na carne de peru – e pode fazer efeito mesmo para a mente TDAH mais ocupada.

Não faça: Bebidas alcoólicas. A digestão do álcool pode prejudicar sua capacidade de permanecer dormindo, e pode resultar em frequentes despertares. O álcool é diurético, e pode também provocar frequentes visitas ao banheiro durante a noite.

Cafeína

Faça: Beba chá de camomila. A camomila tem uma propriedade sedativa leve, que aumenta quando combinada com o efeito calmante de um líquido quente.

Não faça: Não consuma nada que contenha cafeína (incluindo café, chá cafeinado e chocolate) menos do que quatro horas antes de se deitar. Além de ser um estimulante, a cafeína, como o álcool, também é um potente diurético que pode provocar a necessidade de acordar para ir ao banheiro.

Tomar banho e comer

Faça: Tome um banho quente, de chuveiro ou banheira, uma hora antes de se deitar. Isso aliviará e relaxará seus músculos e avisará seu corpo de que está na hora de ir dormir.

Não faça: Não coma muito. Pode demorar até quatro horas para você completar a digestão, o que pode mantê-lo acordado. Então, coma mais cedo.

Faça: Coma pequenas porções. Quando você fica sem comer por longos períodos de tempo, seu corpo manda sinais para aumentar os níveis de açúcar em seu sangue.

Medicamentos e doenças.

Não faça: Não tome determinados remédios antes da hora de ir dormir. Muitas medicações de venda livre contêm uma boa dose de cafeína – tanto quanto em uma xícara de café! Alguns remédios para asma, enxaqueca e resfriados, e antidepressivos, também podem contribuir para a insônia.

Faça: Procure uma avaliação e tratamento para a síndrome das pernas inquietas. O nome desse transtorno comum do sono refere-se à incômoda sensação nas pernas do portador, que causa uma necessidade de se mexer e torna difícil pegar no sono.

terça-feira, 16 de abril de 2013

278- TDAH – ADHD - Reaquecer o romance? Onde está a mágica?


 
Minha companheira e eu temos uma relação muito melhor desde que ela começou a tratar seu TDAH, mas, depois de anos de luta, a mágica parecer ter sumido. Podemos reaquecer o romance? Por Melissa Orlov

Sim! Vocês precisam ter o que eu chamo de “relacionamento intencional”. Fale sobre o que vocês dois podem fazer para desenvolver sentimentos mais calorosos em direção um do outro, e celebrem esses sentimentos quando eles aparecerem. Eis aqui algumas ideias:

Façam juntos tantas coisas novas quanto puderem.

Comecem a namorar de novo. Elaborem uma lista de coisas que vocês sempre quiseram fazer (grandes e pequenas).

Arrumem espaço em sua agenda para o riso – vão a um clube ou assistam juntos a um filme engraçado.

Façam sexo regularmente. Tentem novas posições, locais e utilizem brinquedos eróticos.

Passem um tempo juntos para contar um ao outro do que gostam num e noutro e para falar sobre o que está dando certo.

Vivam menos depressa. É difícil ligar-se quando ambos estão muito atarefados.
Publicado em ADDitude

sexta-feira, 12 de abril de 2013

277- TDAH - Como interromper o pensamento negativo

Auxílio para adultos que lutam contra o derrotismo.

Cinco estratégias de especialistas para lutar com o derrotismo e o pensamento negativo ligados ao TDAH. Por Michele Novotni, Ph.D.

A depressão é comum entre as pessoas com TDAH. De fato, as pessoas com TDAH são três vezes mais propensas a terem depressão do que as que não têm o transtorno.
É fácil de entender o porquê; você dificilmente se sentirá bem consigo mesmo se o esquecimento e a desorganização o fizerem sentir-se incompetente no trabalho ou em casa.

Mas, por que a pouca autoestima continua a atingir adultos com TDAH mesmo durante o seu tratamento? Para responder esta questão, voltemos aos anos sessentas, quando o psicólogo Martin Seligman, da Universidade de Pensilvânia, conduziu uma pesquisa pioneira sobre a condição psicológica atualmente conhecida como “desamparo aprendido”.
Seligman treinou um grupo de cães para associar um som particular a um choque iminente. Inicialmente, os cães ficavam presos, então, mesmo que soubessem que um choque estava a caminho, não tinham como evitá-lo. (Graças a Deus que essa crueldade atualmente está fora de voga!)[Nota do tradutor: Nem tanto, nem tanto... ]. Depois de um tempo, mesmo que suas amarras tivessem sido removidas, os cães não faziam nada para evitar o choque. Eles tinham sido convencidos de que ele era inevitável. Em outras palavras, eles tinham aprendido a serem desamparados.
Adultos com TDAH não são cães, obviamente. Mas muitos portadores de TDAH, particularmente os que foram diagnosticados mais tarde na vida, exibem desamparo aprendido. Eles passaram tantos anos fracassando em atingir todo seu potencial no trabalho, em casa e em seus relacionamentos pessoais, que acreditam que sempre vão fracassar.
Isto era certamente verdadeiro para meu cliente Mike, que trabalhava com vendas. Durante anos ele tinha ouvido que não atingia seu potencial. Não importava quanto se esforçasse, não conseguia estabelecer prioridades ou ficar em dia com seus documentos, e ainda se esquecia de compromissos. Tinha medo de que pudesse perder o emprego. Mesmo após ter iniciado o tratamento do TDAH, tinha certeza de que continuaria fracassando.
Mike estava sofrendo de desamparo aprendido. Então, eu pedi para que ele consultasse um médico e perguntasse sobre o uso de medicação antidepressiva (geralmente uma boa opção para pessoas gravemente deprimidas) e que ele indicasse algumas estratégias para ajudá-lo a se livrar do pessimismo crônico. Aqui estão elas:
Pare de pensar negativamente. Crenças erradas sobre si mesmo são os principais contribuintes para a depressão. Pare de se magoar com pensamentos como “Sou um fracasso” ou “As coisas nunca vão mudar”. Como fazer isso? Cada vez que você pensar mal de si mesmo, tente trocar o pensamento negativo por pensamentos mais positivos. Sente-se por alguns minutos e faça um inventário dos seus pontos fortes. Você é muito criativo? Você é um bom contador de histórias? Você consegue fazer uma torta de mação deliciosa? Escreva todas as coisas que puder pensar em um cartão e carregue-o consigo em sua carteira ou bolsa.
Escolha os amigos com cuidado. Passe mais tempo com pessoas que sejam apoiadoras e encorajadoras. Faça o possível para evitar as pessoas “tóxicas”.
Faça mais exercícios. A atividade física combate a depressão pelo aumento dos níveis do neurotransmissor dopamina. Exercite-se por ao menos 15 minutos, três vezes por semana (o ideal seriam 30 minutos, cinco dias por semana).
Procure expor-se ao sol. Quinze minutos de luz solar direta (nos horários adequados) podem ter um impacto enorme em seu humor.
Não espere para comemorar. Dê a si mesmo um incentivo por qualquer progresso na direção de suas metas. Convide um amigo para jantar. Contrate um massagista. Compre um novo DVD.
Mike já não está mais deprimido. Seu escritório está organizado e ele está em dia com seus compromissos. Ele não mais se preocupa em ser demitido; recentemente foi reconhecido publicamente por suas relevantes conquistas no trabalho. Tudo isso surgiu porque ele teve a coragem de acreditar que o sucesso era possível.
Você está deprimido? Seja como o Mike!
Michele Novotni
Este artigo foi publicado no número de abril/maio de 2007 de ADDitude

sábado, 6 de abril de 2013

276- O TDAH é subtratado no Brasil


Várias reportagens têm aparecido nos meios de comunicação sobre o uso excessivo de medicamentos estimulantes no Brasil . Recentemente, o site Midiamax publicou uma entrevista com uma médica pediatra da Unicamp. A quantidade de preconceitos e de conceitos equivocados, além da clara desinformação sobre o assunto, estampadas nas respostas às perguntas do jornalista, torna oportuna a transcrição do documento a seguir, produzido pelas maiores autoridades brasileiras em TDAH.
"
O TDAH é subtratado no Brasil
Carta aos Editores (Revista Brasileira de Psiquiatria)
Caro Editor,
A crescente conscientização acerca do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), seja relacionada às campanhas financiadas por associações médicas, grupos de autoajuda ou empresas farmacêuticas, está associada a um desejável aumento progressivo no número de pacientes diagnosticados e tratados. Há, entretanto, preocupações acerca do tratamento excessivo, particularmente em crianças e adolescentes. Essas preocupações são muitas vezes conduzidas pela mídia, de maneira alarmante.
Os estimulantes são a primeira linha de tratamento para o TDAH em crianças em idade escolar, adolescentes e adultos. O aumento recente nas vendas desses fármacos no Brasil atraiu a atenção da comunidade para a possibilidade de tratamento excessivo. Para verificar se o número total de estimulantes vendidos no Brasil em 2009 e 2010 corresponde a um número maior que o esperado de pacientes com TDAH em tratamento, realizamos uma análise dos dados disponíveis de duas empresas farmacêuticas no país que estavam comercializando estimulantes durante esse período. Estimamos o número de indivíduos que estariam sob tratamento contínuo, considerando que um paciente tomaria apenas um comprimido por dia, (mesmo para metilfenidato 10 mg, de liberação imediata, que deve ser administrado duas ou três vezes ao dia) por 22 dias por mês, durante 10 meses por ano. É importante observar que consideramos o número mínimo de dias de uso para um tratamento adequado, ou seja, que todos os pacientes interromperiam o uso de medicamentos também durante o verão e aos fins de semana.  Em 2009, 1.413.460 caixas de metilfenidato foram vendidas no Brasil, o que representa 32.986.110 comprimidos. Em 2010, 1.674.372 caixas de metilfenidato foram vendidas no Brasil, o que representa 40.585.870 pílulas (dados fornecidos pela IMS/ Health Care Measurement). Usando uma definição nossa bastante liberal de tratamento contínuo (1 comprimido por dia, 22 dias por mês, durante 10 meses por ano), de acordo com as normas de tratamento, calculamos que de 149.937 a 184.481 indivíduos poderiam estar sob tratamento contínuo em 2009 e 2010, respectivamente.
Em seguida, calculamos o número esperado de indivíduos com TDAH no Brasil, levando em conta os dados mais atuais sobre a população oficial, fornecidos pelo IBGE (2010). Desta vez, para fazermos uma análise extremamente conservadora, considerou-se a estimativa de prevalência mais baixa detectada em um estudo epidemiológico brasileiro (0,9%) (Goodman et al.1), apesar de recentes metanálises  feitas mundialmente com taxas de TDAH de aproximadamente 5,3% para jovens e 2,5% para adultos (Polanczyk et al. 2; Simon et al.3). Segundo estas estimativas bastante conservadoras para o TDAH na população, pelo menos 924.732 pessoas são afetadas pelo TDAH no Brasil (tabela 1).
Assim, calcula-se que somente 16,2 a 19,9% dos indivíduos afetados pelo TDAH no Brasil recebiam tratamento de primeira linha para o transtorno em 2009-2010, mesmo através desse número calculado de forma conservadora, que superestimou o número de pessoas recebendo tratamento contínuo e subestimou o número de indivíduos com TDAH. Na verdade, o número real é provavelmente ainda menor, pois estes estimulantes também têm outras indicações, menos frequentes. É importante observar, no entanto, que aproximadamente 30% dos pacientes com TDAH não reagem aos estimulantes, e devem ser tratados com outros medicamentos; além disso, nem todos os pacientes com TDAH precisam de intervenções farmacológicas. Contudo, nossas análises extremamente conservadoras com certeza contrabalanceiam quaisquer consequências desses dois aspectos. As preocupações de que um número excessivo de indivíduos seria tratado com estimulantes para o TDAH em nosso país carecem de qualquer base científica. Mais campanhas educativas são necessárias para identificar a proporção significativa dos indivíduos com TDAH não tratados no Brasil.
Paulo Mattos, Professor Adjunto de Psiquiatria, UFRJ;
Luis Augusto Rohde, Professor de Psiquiatria, UFRGS;
Guilherme V. Polanczyk, Professor Adjunto de Psiquiatria da Criança & Adolescente, USP
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Tabela 1

Número estimado dos indivíduos com TDAH no Brasil:    924.732
Número estimado de pacientes com TDAH sob tratamento em 2009:  149.937
Número estimado de pacientes com TDAH sob tratamento em 2010:  184.481
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Rev Bras Psiquiatr. 2012;34:513-516      ©2012 Elsevier Editora Ltda. All rights reserved. "

quarta-feira, 3 de abril de 2013

275- O Mau Uso e o Abuso de Medicamentos Para o TDAH – Uma Revisão Atualizada


O Mau Uso e o Abuso de Medicamentos Para o TDAH – Uma Revisão Atualizada. Por David Rabiner, Ph.D.
O mau uso e o abuso de medicamentos receitados é uma preocupação crescente. Lembro-me de falar com colegas médicos há 15 ou 20 anos atrás, quando os relatos sobre o uso não médico de medicamentos estimulantes utilizados no tratamento do TDAH estavam começando a aparecer na mídia (o uso não médico é definido como o uso por indivíduos sem a receita médica). Naquele tempo, pensava-se que eram incidentes isolados que estavam sendo superdramatizados pela imprensa.

Entretanto, tornou-se claro que esse não é o caso atualmente e que o uso não médico de medicamentos para o TDAH, assim como o mau uso pelos indivíduos aos quais o medicamento foi receitado, é um problema importante. A seguir, uma breve revisão e resumo da pesquisa sobre estes assuntos.
O quanto é comum o uso não médico de medicamentos estimulantes?
Entre 2000 e 2011, a prevalência anual do uso não médico de anfetaminas – que inclui drogas usadas para tratar TDAH, mas não se limita aos medicamentos para o TDAH – declinou de 6,5% para 3,5% entre os alunos do oitavo grau, de 11,7% para 6,6% para os do décimo grau, e de 10,5% para 8,2% para os do décimo segundo grau. Entre os estudantes de faculdade, entretanto, a taxa cresceu de 6,6% para 9,3%. Para os adultos fora da faculdade, com idades de 19 a 28 anos, a taxa também cresceu – de 5,4% para 7,2%. Esses dados são do Monitoring the Future Study, uma avaliação anual do uso de drogas e de álcool, conduzida com uma amostra nacionalmente representativa. Você pode achar os resultados da avaliação de 2011 online em www.monitoringthefuture.org/pubs/monographs/mtfoverview2001.pdf
Esses dados podem subestimar o uso não médico de estimulantes para o TDAH porque a avaliação do MTF não perguntou sobre todos os medicamentos amplamente receitados e os indivíduos que usavam medicamentos não mencionados podem inadvertidamente deixar de mencionar o uso não médico.
Com que frequência os indivíduos fazem o uso não médico?
A pesquisa publicada sobre a frequência do uso não médico focalizou os estudantes de faculdade. Os resultados obtidos das bases de dados representativas nacionais de estudantes de faculdade indicam que 32% de usuários não médicos usaram somente uma vez no ano anterior, 45% usaram de 2 a 10 vezes, e 19% usaram mais de 11 a 15 vezes. Em um estudo na população em geral, 30% dos usuários não médicos disseram ter usado somente de 1 a 2 vezes por ano, enquanto 70% disseram ter usado 3 ou mais vezes.
Embora a maioria dos indivíduos que fizeram uso não médico usou somente a via oral de administração, relatos de amassamento e aspiração não são incomuns. De fato, isso foi relatado por aproximadamente 20% dos usuários não médicos em um estudo recentemente publicado sobre estudantes universitários.
Onde conseguem medicamentos os que não têm receita?
A grande maioria dos usuários não médicos entre os estudantes de faculdade obtém medicação de um amigo com receita. Os resultados de vários estudos indicam que os estudantes com receitas são geralmente abordados por colegas solicitando seus medicamentos. Pesquisa com estudantes da escola média e do colegial torna claro que os estudantes mais jovens são também abordados por causa dos seus medicamentos, embora no que pareça ser uma taxa menor do que para os estudantes de faculdade.
Fingir TDAH para obter medicação é também uma preocupação crescente. Estudos com estudantes universitários sugerem que muitos que se encaminham para uma avaliação sobre TDAH exageram seus sintomas, talvez para obter a medicação estimulante. Em um estudo com adultos não universitários, 20% dos que fizeram uso não médico relataram que fingiram TDAH para obter uma receito do médico.
Quais são as características dos usuários não médicos de medicamentos para o TDAH?
Reportagens na imprensa popular algumas vezes implicam que tomar medicação para o TDAH sem uma receita médica tornou-se um comportamento quase normal entre os estudantes universitários, parte de um estilo de vida “trabalhe duro, divirta-se a valer”. Entretanto, a pesquisa não confirma essa visão.
Múltiplos estudos conduzidos com populações de universitários indicam que comparados a seus colegas, os usuários não médicos:
têm taxas mais altas de uso de drogas e de álcool.
têm desempenho acadêmico inferior.
• relatam significativamente mais problemas com atenção.
Taxas mais altas de uso de substâncias também foram encontradas entre os usuários não médicos de medicamentos para o TDAH na população adulta em geral.
Assim, mesmo não sendo o comportamento normal, parece que muitos indivíduos que aderem ao uso não médico também fazem mau uso de outras substâncias e, ou, sentem que os problemas de atenção estão prejudicando sua capacidade para ter sucesso.
Quais são as principais motivações para o uso não médico dos medicamentos para o TDAH?
A maioria das pesquisas sobre os motivos para o uso não médico foi conduzida com estudantes universitários. Entre os estudantes, a principal motivação para os usuários não médicos é o aumento do desempenho acadêmico, especialmente a capacidade de prestar atenção e focar enquanto está estudando. Entretanto, outros motivos também são relatados por uma minoria significativa de indivíduos, incluindo o “para ficar ligadão”.
Quais são as consequências do uso não médico da medicação para o TDAH?
A vasta maioria dos estudantes universitários que se envolveram com o uso não médico para aumentar seu desempenho acadêmico acredita que isso seja útil. Em um estudo, 70%  classificou o impacto geral do uso não médico como sendo “positivo” ou “muito positivo”  e somente 5% classificou o impacto geral como “negativo” ou “muito negativo”.
Isso é surpreendente porque não há nenhum dado que indique que o uso não médico realmente melhore o desempenho acadêmico. Uma revisão recente concluiu que “... os efeitos cognitivos de estimulantes em adultos sadios não podem ainda ser caracterizados definitivamente...”.
Além disso, a maioria dos trabalhos sobre esse assunto é conduzida em situação de laboratório e examina o impacto da medicação estimulante em pesquisa de medidas do desempenho cognitivo. Não se sabe se tomar estimulantes para varar a noite estudando melhora o desempenho no exame no dia seguinte. De fato, uma hipótese plausível é que os estudantes, que atrasam os estudos porque acham que os estimulantes os ajudarão a aprender na noite anterior, terão desempenho pior do que se tivessem se preparado usando uma estratégia mais razoável.
Consequências adversas
Efeitos colaterais – Embora muitos estudantes no estudo mencionado acima relataram efeitos gerais positivos do uso não médico, os efeitos adversos também foram frequentemente relatados. Esses incluíam dificuldades de sono  (relatadas por 72%), irritabilidade (62%), tonturas e sensação de cabeça oca (35%), cefaleias (33%), dor no estômago (33%) e tristeza (25%).
Além disso, cerca de 5% acreditam que o uso não médico tenha contribuído para seu uso de outras medicações e de drogas ilícitas. Aproximadamente 10% relataram preocupações ocasionais sobre a obtenção da medicação estimulante e sobre tornar-se dependente dela. Acima de 10% acreditavam que precisavam de estimulantes para melhorar seu desempenho acadêmico. Essa não parece ser uma boa opinião para se ter.
Abuso e dependência – O abuso potencial de estimulantes quando feito por indivíduos sem TDAH foi documentado em vários estudos, embora isso seja reduzido com as formulações de longa-ação. Embora seja limitada a informação de quão frequentemente o uso não médico de estimulantes para o TDAH preencha os critérios para abuso de estimulantes ou para a dependência, dados do 2002 National Survey on Drug Use and Health mostrou que aproximadamente 5% dos indivíduos que relataram uso de medicação para TDAH no ano anterior atingiam os critérios de triagem para essas desordens.
Reações adversas – Entre 2005 e 2010 o número de visitas ao departamento de emergência resultante de uso não médico de drogas estimulantes aproximadamente triplicou, de 5.212 para 15.585. O número de visitas ao departamento de emergência relacionado a reações adversas a estimulantes para TDAH receitados praticamente dobrou, de 5.085 visitas para 9.181 visitas.
Trinta e sete por cento de todas as visitas ao departamento de emergência relacionadas a medicação estimulante envolviam medicamentos exclusivamente estimulantes; o restante envolvia o uso de combinações com outras drogas – frequentemente outros medicamentos farmacêuticos – e álcool.
E sobre o mau uso e uso recreativo de medicação receitada?
O mau uso de medicação estimulante pelos que têm uma receita também é uma preocupação.
Embora a maior parte dos indivíduos use seus medicamentos estimulantes de maneira correta, o uso de modo que se desvia do previsto pelo médico que deu a receita não é incomum. Isso geralmente assume a forma de tomar o medicamento em doses mais altas ou mais frequentemente do que o receitado, o que tem sido relatado por entre 27% e 36% dos estudantes universitários em vários estudos. Entretanto, até 25% dos estudantes universitários relatam o uso de medicamentos para o TDAH para se sentirem mais “ligados” e até 30% têm relatado o uso em conjunto com álcool e/ou outras drogas.
Semelhante ao que foi encontrado para os usuários não médicos, o melhor desempenho acadêmico foi o motivo mais frequentemente citado e a maioria dos estudantes universitários que o fazem por esse propósito sentem que foi útil. Razões não acadêmicas para o mal uso, isto é, para se sentir melhor ou para emagrecer, foram relatadas como frequentes para o mal uso por relativamente pouso estudantes. Dados sobre os motivos para o mal uso de medicamentos receitados fora das amostras universitárias são limitados.
Como foi notado acima, o uso recreativo de medicação estimulante receitada é um problema significativo. Em estudos de estudantes universitários, doar ou vender medicamentos para os colegas foi relatado por 26% nos primeiros seis meses, 35% nos primeiros doze meses, e por 62% durante todo o curso. O desvio da medicação estimulante receitada – geralmente para amigos e parentes – também foi relatado por uma minoria significativa de adultos não universitários.
Conclusões
Preocupações  a respeito do uso não médico de drogas estimulantes para tratar o TDAH são confirmadas, com aproximadamente 10% dos estudantes universitários relatando isso em uma recente pesquisa de âmbito nacional; em alguns estudos, as taxas são ainda mais elevadas.
Embora o uso relativamente infrequente seja o mais comum, talvez 20% dos usuários “não médicos” o façam regularmente e se envolvem com o uso por via intranasal de administração. Grosseiramente, 5% dos usuários podem preencher os requisitos para abuso de estimulantes ou dependência de estimulantes, e visitas ao departamento de emergência associadas ao uso não médico estão aumentando.
Além do uso não médico, muitos indivíduos com receitas de medicamentos para o TDAH ocasionalmente fazem mau uso de sua medicação, tomando-a em doses mais altas ou com maior frequência do que a receitada; alguns fazem uso intranasal para ficarem “ligados” e em conjunto com outras drogas ou bebidas alcoólicas. Do mesmo modo que com o uso não médico, isso está associado a taxas mais altas de uso de outras substâncias. Medicação desviada para amigos e membros da família não é fato incomum e muitos são abordados para isso, colocando-os em risco repetido de se engajar em comportamento ilegal.
Para solucionar esses problemas, os médicos devem instruir seus pacientes sobre o abuso potencial de seus medicamentos, a necessidade de guardá-los em local seguro, e obter um compromisso de não doá-los a ninguém. As crianças e adolescentes podem precisar de tutoramento sobre como responder se abordadas por colegas pedindo sua medicação.
As faculdades devem considerar a revisão de suas polícias de conduta para controlar o mau uso e o desvio de medicação para o TDAH, propiciar aos estudantes locais seguros de guarda dos remédios e educar os alunos sobre os perigos em potencial associados ao uso não médico, especialmente quando usados com álcool e outras substâncias.
Referências – As informações fornecidas foram retiradas das seguintes fontes, entre outras:
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Dupont RL, Coleman JJ, Bucher RH, Wilford BB. (2008). Characteristics and motives of college students who engage in nonmedical use of methylphenidate. The American Journal on Addictions 2008, 17:167-171.
 Garnier-Dykstra LM, Caldeira, KM, Vincent, KB, et al.: Nonmedical use of prescription stimulants during college: Four year trends in exposure opportunity, use, motives, and sources. J Am College Health 2012, 60:226-234. One of the few longitudinal studies of nonmedical use of stimulants.
 Johnston LD, O-Malley PM, Bachman, JG, et al.: Monitoring the Future national survey results on drug use, 1975-2011: Volume II, College students and adults ages 19-50. Ann Arbor: Institute for Social Research, The University of Michigan. Includes recent national data on nonmedical use of stimulant medications.
 McCabe SE, Teter, CJ. Drug use related problems among nonmedical users of prescription stimulants: a web-based survey of college students from a Midwestern university. Drug Alcohol Depen 2007, 91:69-76.
 Novak SP, Kroutil LA, Williams RL, Van Brunt DL. The nonmedical use of prescription ADHD medications: Results from a national Internet panel. Substance Abuse Treatment, Prevention, and Policy 2007, 2:32.
 Peterkin, AL, Crone CC, Sheridan MJ, Wise, TN (2010). Cognitive performance enhancement: Misuse or self-treatment? J Atten Disord 2010, 15:263-268.
 Rabiner, DL, Anastopoulus AD, Costello EJ et al.: Motives and Perceived Consequences of Nonmedical ADHD Medication Use by College Students: Are students treating themselves for attention problems? J Atten Disord 2009a, 13:259-270. Careful examination of motives for nonmedical use and association of nonmedical use with attention problems.
 Rabiner DL, Anastopoulus AD, Costello, EJ et al.: The misuse and diversion of prescribed ADHD medications by college students. J Atten Disord 2009, 13:144-153.
 Sepulveda DR, Thomas LM, McCabe, SE, et al.: Misuse of prescribed stimulant medication for ADHD and associated patterns of substance use: Preliminary analysis among college students. Journal of Pharmacy Practice 2011, 24:551-560.
 Sullivan, BK, May K, Galbally L. Symptom exaggeration by college adults in attention-deficit hyperactivity disorder and learning disorder assessments. Appl Neuropsychol 2007, 14:189-207.
 Upadhyaya HP, Rose K, Wang W, Brady KT. Attention-deficit/hyperactivity disorder, medication treatment, and substance use patterns among adolescents and young adults. J Child Adolesc Psychopharmacol 2005, 15:799-809.
Thanks again for your ongoing interest in the newsletter. I hope you enjoyed the above article and found it to be useful to you.
Sincerely, David Rabiner, Ph.D. Research Professor - Dept. of Psychology & Neuroscience - Duke University Durham, NC 27708