"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

293- TDAH - O Poder da Paciência


Déficit de atenção e impaciência andam de mãos dadas. Mantenha sua calma - e diminua seus arrependimentos - com essas dicas para ficar mais paciente. Por Sandy Maynard

A paciência é uma virtude, correto? Para os TDAHs, pode ser mais que isso. Para mim, parar, acalmar-me e ter paciência faz com que me torne mais tolerante, composto, bem humorado e que aceite as circunstâncias que estão fora do meu controle. Chamam a isso de serenidade, e algumas vezes é algo que quero em maior dose. Sei que durmo melhor à noite quando não faço por impulso escolhas que não posso mudar.

Por outro lado, a impaciência pode ser o adubo para o comportamento impulsivo - comentários rudes que não podem ser consertados ou conduta constrangedora da qual nos envergonhamos por meses. Para muitos de nós com TDAH, ter paciência parece ser inatingível.
Mas não precisa ser. Podemos fazer exercícios que fortalecem nossos "músculos da paciência". Ter paciência é desconfortável para muitas pessoas com TDAH, porque não sabemos o que fazer para ter paciência ou não exercitamos essa habilidade com frequência suficiente para que se torne um hábito. 
Acalmar-se, respirar fundo e deixar o tempo passar não é fácil e faz sentir-se desconfortável de início, mas o desconforto de fazer algo diferente desaparece à medida que o fazemos mais vezes. Muitas vezes não nos comportamos de maneira relaxada porque não nos sentimos muito relaxados. Temos de fingir para conseguir isso.

O primeiro passo é identificar as situações, atividades ou indivíduos que desafiam nossa paciência. Algumas das minhas são: permanecer na fila do correio, dirigir no tráfego congestionado, ficar sentado em reuniões aborrecidas no trabalho, ficar esperando o micro-ondas estourar toda a pipoca, ler e-mails excessivamente críticos, esperar na fila do caixa do supermercado, e/ou estar envolvido em conversas intermináveis. O segundo passo é trabalhar e desenvolver "os músculos da paciência" com exercícios.
Eis aqui algumas estratégias que funcionaram para os meus clientes:

Acalmar-se quando envolvido pelo turbilhão

Thomas tinha uma história de amassar para-choques, e seus prêmios de seguro refletiam isso. Começamos por construir seus "músculos de paciência" fazendo com que ele dirigisse com menor velocidade. Ele se comprometeu a dirigir até o trabalho nos horários fora do rush, a ficar na faixa à direita (é a mais lenta), a dirigir dentro dos limites de velocidade, e a não acelerar para se antecipar ao sinal vermelho. Foi frustrante para ele fazer tudo isso, mas ele conseguiu com a ajuda de exercícios de respiração profunda quando se sentia tenso. Ele disse que quando finalmente chegava ao trabalho, encontrar um local livre no estacionamento apinhado parecia menos incomodativo do que anteriormente porque ele tinha posto na mente o pensamento "time takes time" (demora para pegar o ritmo). Ele chega no trabalho com bom humor. Ter mais compostura permite que Thomas pense mais claramente sobre o planejamento do seu dia, e ele fica menos propenso a agredir a primeira pessoa que lhe fizer uma cobrança inesperada.

Resistir ao Pequeno Vestido Vermelho

Diane caminha por uma de suas lojas de roupas preferidas a caminho de casa, vindo do trabalho, e frequentemente começa a ver as vitrines, sem a intenção de comprar algo. A impulsividade geralmente vence quando alguma roupa a atrai. Decidimos que ela deveria ir à loja e fazer uma lista de quanto custaria se ela comprasse tudo que tivesse vontade. Nosso plano incluiu me ligar antes de entrar na loja, mandar um torpedo enquanto estivesse na loja e ligar depois de sair da loja.
Recebi um texto, depois da primeira chamada, dizendo que havia um vestido vermelho sem o  qual ela não podia viver. Sugeri que ela saísse da loja, sabendo que o vestido estaria lá no dia seguinte, e provavelmente no outro dia. Se não, o vendedor poderia trazer o vestido de outra loja ou encomendar mais um. Passaram-se dois dias e Diana me mandou um texto, dizendo que a vontade de comprar o vestido tinha passado e que ter resistido economizou seu dinheiro.

Perca o Peso Uma Garfada Por Vez

Um dos objetivos de Jerry era perder peso e, embora tivesse uma dieta saudável, ele comia depressa demais e exagerava nas calorias. Fizemos um exercício de paciência para auxiliar Jerry a comer menos. Após uma garfada, pedi que ele pusesse o garfo de lado, cruzasse as mãos no colo e esperasse poucos segundos depois de engolir antes de segurar o garfo novamente.
Ele disse que foi difícil e esquisito, porque estava acostumado a devorar a comida, mas afirmou que estava se esforçando, exceto quando estava muito faminto e não conseguia comer devagar. Para essa situação, sugeri que usasse "hashi" (pauzinhos). As duas estratégias ajudaram Jerry a degustar mais seu alimento enquanto comia menos.

Pratique a Paciência

No mundo apressado de hoje, os TDAHs têm muitas oportunidades de aumentar os "músculos da paciência". Você liga para o suporte técnico para seu computador e é posto em espera. Não ponha o telefone no viva voz e vá fazer outro trabalho. Apenas espere, prestando atenção em sua respiração e permitindo que seus músculos tensos relaxem.
A maior parte do tempo ficamos impacientes porque nosso TDAH nos faz ficarmos atrasados, e nos tornamos mais impacientes quando nos encontramos presos no tráfego ou esperando um ônibus que está atrasado. Aceite o fato de que não há nada que possa ser feito para chegarmos mais depressa, e aproveite a pressão de estar atrasado para praticar sua calma. Você chegará calmo e atrasado, em vez de estressado, rabugento e atrasado.

Sandy Maynard é uma pioneira em "coaching" para TDAH e trabalha em Washington, D.C. há duas décadas.


ADDitude/2013

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

292- 40 Acomodações que a escola pode fazer para seu filho com TDAH.


Eis aqui acomodações a serem solicitadas à escola, para garantir o sucesso acadêmico do seu filho

Controle da impulsividade em classe

Para uma criança que fala demais:
- Ela deve ficar sentada na frente e no centro, próxima ao professor  e longe   das distrações.
- Discuta o comportamento dela de modo privado, em vez de chamar sua atenção na frente de toda a classe.
- Sente-a junto a um colega bem comportado que sirva de modelo.
- Aumente a distância entre as carteiras, se for possível.
- Para alunos pequenos, marque uma área ao redor de sua carteira na qual ele possa se mover livremente.

Ajuda para trabalhos pela metade ou incompletos

- Permita um tempo maior para o término do trabalho.
- Divida longos trabalhos em segmentos menores, cada um com um prazo certo.
- Encurte os trabalhos ou os períodos de trabalhos. Combine instruções escritas com instruções orais.
-  Ajuste um timer para intervalos de dez minutos e faça o aluno levantar-se e mostrar ao professor seu trabalho.

Melhore a atenção da classe

Se o seu filho não participa, distrai-se enquanto faz anotações, ou entrega trabalhos com erros:
-  Tenha um colega que o auxilie ao fazer anotações.
- Peça ao professor para fazer perguntas para encorajar a participação.
- Inscreva-o a ajudar a apresentar a lição.
- Estimule-o a prestar atenção com um sinal privado - um leve toque no ombro.
- Estabeleça um período de cinco minutos para que ele confira o trabalho antes de entregá-lo.

Para acabar com o comportamento perturbador em classe

- Peça ao professor para ignorar comportamento impróprio leve.
- Permita que o aluno brinque com clipes ou que faça rabiscos.
- Determine previamente um lugar onde ele possa "soltar o vapor".
-  Ajuste as tarefas para que não sejam muito longas ou muito difíceis.
- Estabeleça um contrato de comportamento com o aluno e seus pais (compartilhe informação sobre o que funciona em casa ou vice-versa).

Para o sonhador em classe

- Faça o professor usar sinais verbais claros, tais como "Quietos", "Isto é importante", ou "Um, dois, três... olhem para mim".
- Permita que o aluno ganhe o direito de "sonhar acordado" por 5 a 10 minutos após terminar seu trabalho.
- Use uma lanterna ou um apontador a laser para iluminar objetos ou palavras em que devem prestar atenção.
-  Apresente vocabulário de palavras e conceitos de ciência com pequenos desenhos ou figuras coladas.

Controle a "mexeção" de mãos e o comportamento inquieto

Se o seu filho fica mexendo ou batendo os pés ou o lápis nervosamente em classe ou se levanta muito de sua carteira:
- Permita que ele ande um pouco, que distribua papéis para os colegas, que limpe as estantes de livros, ou que se levante algumas vezes durante um trabalho.
- Dê a ele um objeto para manipular em classe, para aumentar a concentração.
- Encaixe pausas curtas para exercício físico entre os trabalhos.
- Dê a ele uma mesa alta, para que fique de pé, ou um disco inflável de borracha para se sentar em poder balançar o corpo.

Vigie o trabalho de casa e os livros

Se o seu filho se esquece de trazer para casa as tarefas e os livros, ou não devolve à escola os trabalhos feitos, ou se esquece de por o nome no trabalho:
- Use um caderno de planejamento de estudantes.
- Permita que os alunos ditem os trabalhos em um Memo Minder, um pequeno gravador de três minutos.
- Grampeie o plano semanal de lições fornecido pelo professor no caderno de planejamento do aluno.
- Reduza o número de papéis que são enviados para casa para serem assinados pelos pais.
- Escolha monitores para ter certeza de que o aluno anote corretamente os trabalhos de casa.
- Permita que o aluno tenha em casa um segundo exemplar dos livros utilizados na escola.

Fique em dia com os prazos

Se o seu filho tem dificuldade com prazos e vencimentos:
- Avise com antecedência sobre projetos e trabalhos escritos.
- Fique perto do aluno para ter certeza de que ele inicie logo o trabalho que foi passado.
- Apresente visual e verbalmente todos os trabalhos e datas de entrega.
- Use campainhas para assinalar as transições - colocar de lado o material em uso, antes de começar um novo projeto ou atividade.

Expanda sua rede social

Se o seu filho não tem noção das dicas sociais, se não trabalha bem junto com os outros ou se não é respeitado pelos colegas:
- Estabeleça metas de comportamento social com ele e implemente programas de recompensas.
- Solicite que a escola estabeleça grupos de habilidades sociais.
- Encoraje tarefas de aprendizagem em cooperação.
- Determine a ele responsabilidades especiais ou um papel de liderança.
- Elogie o comportamento e o trabalho positivos.
- Reconheça frequentemente o comportamento apropriado e o trabalho bem feito.

Tire o medo de escrever

Se o seu filho sofre com os trabalhos escritos:
- Dê mais tempo para os trabalhos escritos e respostas de questionários.
- Encurte os relatórios e trabalhos.
- Permita que os alunos imprimam; não imponha a escrita cursiva.
- Permita a opção de um trabalho gravado ou oral em vez de escrito.
- Encoraje o uso do computador pelos estudantes, para trabalhos escritos.
- Permita o uso de software de correção de ortografia e de gramática.

Reduza a ansiedade com a matemática.

Se o seu filho não termina as tarefas de matemática, ou se tem dificuldade com problemas de múltiplos passos:
- Fotocopie as páginas para os alunos, para que eles não tenham de reescrever os problemas de matemática.
- Mantenha sempre amostra de problemas no quadro negro.
- Permita o uso de calculadora para os trabalhos em classe e em casa.
- Faça revisões resumidas dos problemas de matemática.
- Dê um tempo longo para as provas de matemática.


ADDitude - 2013

terça-feira, 13 de agosto de 2013

291- TDAH: 6 Itens Essenciais no Diagnóstico do Seu Filho


Para garantir o diagnóstico correto para seu filho, primeiro preste atenção no trabalho do médico. Aprenda a distinguir a qualidade em uma avaliação para o TDAH. Por Laura Flynn McCarthy.

Se você acha que seu filho tem TDAH, chegar ao diagnóstico correto exige persistência. "A pesquisa mostra que as famílias fazem a consulta, em média, com 11 médicos antes de encontrar o profissional certo", diz  o psiquiatra William Dodson. "Não desista".

Eis aqui o que uma avaliação correta deveria incluir:

1- TEMPO - A primeira consulta deve levar de 45 minutos a 2 horas ou mais. Esse tempo deve ser gasto tanto com a criança quanto com os pais, procurando sinais de TDAH e outras possíveis explicações para os sintomas. O médico do seu filho poderá fazer, também, varias consultas mais curtas, até conseguir todas as informações. Ele poderá solicitar testes de inteligência, de atenção e de memória.

2- FORMULÁRIOS - Espere ter de preencher listas de perguntas e escalas de TDAH, e ter de pedir que os cuidadores do seu filho, a professora do pré-escolar  e outros adultos na vida do seu filho, também preencham esses papéis. Quanto mais informação, mais provável que se chegue a um diagnóstico correto.

3- EXAME FÍSICO - Deve incluir pesquisa para problemas de audição e visão, para afastar causas físicas para os sintomas.

4- HISTÓRIA SOCIAL - Você fez cinco mudanças de cidade durante os cinco anos de vida do seu filho? Você está com problemas financeiros? Tem algum membro da família muito doente? 
Esses e outros fatores podem tornar uma criança, especialmente um pré-escolar, ansiosa, e causar comportamentos que imitem o TDAH.

5- HISTÓRIA FAMILIAR - O TDAH ocorre em famílias, portanto, espere que seu médico faça perguntas sobre sua saúde mental. "Se nenhum dos pais tem TDAH, então o TDAH vai para o final da lista do que a criança possa ter", diz o DR. Dodson. "Se um pai tem TDAH, há 50% de chances de que a criança também tenha. Se ambos os pais têm TDAH, isso será o maior responsável pelo comportamento da criança".

6- HISTÓRIA DOS SINTOMAS - Uma criança precisa ter ao menos seis sintomas em nove de desatenção e/ou hiperatividade/impulsividade antes da idade de sete anos para ser diagnosticada como portadora de TDAH. Além disso,os sintomas devem ser aparentes em mais de uma situação (na escola, em casa), e em intensidade que afete o funcionamento normal da criança.


Laura Flynn McCarthy é uma escritora freelance, que reside em Bow, New Hampshire, USA.