"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

304- Mães - Parte 3 - Continuação da 303

Mães - Parte 3

"Disse à minha filha: o céu é o limite".
Karen Fisher, professora do ensino médio em Bow, Washington, e mãe de Danielle Fisher, a mais jovem pessoa a escalar todas as montanhas mais altas do mundo.

Persistência foi sempre um desafio para Danielle Fisher. "Ela começava a tarefa de casa mas não a terminava, ou terminava mas não entregava", lembra-se sua mãe, Karen Fisher. Mas Karen era compreensiva porque ela, também, geralmente ficava fora de rumo. "Demorava o dia todo para eu limpar a cozinha, porque eu ia de um cômodo para outro, e outro", ela revela. "As coisas não pareciam tão fáceis como para os outros pais."

Quando Danielle chegou ao sexto grau, ocorreu a Karen que ela podia ter TDAH. Depois de um médico confirmar o diagnóstico das duas, mãe e filha começaram a medicação. A capacidade de focalizar das duas melhorou, mas os problemas continuaram. "Na sala de aula, as meninas com TDAH geralmente não são percebidas", diz Karen, professora de ensino médio. "É difícil acreditar que uma aluna tem TDAH se ela é uma criança boa, simpática e quieta, que não causa problemas."

Para ter certeza que Danielle obtivesse ajuda extra em classe, Karen preencheu um formulário do Plano 504, que garante aos estudantes as acomodações, como mais tempo para completar o trabalho e a opção de fazer as provas de modo privado, em sala livre de distrações [Nota do tradutor: Isso é nos Estados Unidos].

Durante todo o tempo, Karen fez o melhor que podia para manter uma relação positiva com Danielle. "Os relacionamentos são muito importantes para as meninas com TDAH", ela afirma. "Seu ficasse brava com ela, ela passava por maus bocados. Mas se eu pudesse dizer que ela era querida e estimada, ela se ficava melhor. E eu também. Eu disse a Danielle que ela pode ser ou fazer o que quiser".

Com o encorajamento da mãe, Danielle escolheu uma das metas mais elevadas que se possa imaginar: escalar os sete picos mais altos do mundo, um em cada um dos sete continentes. Uma ávida caminhante, quando criança, Danielle levou a sério o montanhismo, quando estava na escola média. Em janeiro de 2003, ela foi para a Argentina para escalar sua primeira grande montanha, o Aconcágua, com 22.838 pés (6.961 metros) - a montanha mais alta do Hemisfério Sul.

"As montanhas mantêm o foco dela" explica Karen. "Pode ser que seja pelo exercício, ou pelo fato de que há menos caos lá em cima, e nenhuma preocupação diária como limpar a casa e lavar as roupas. Ou pode ser que seja o fato de que todos os alpinistas têm a mesma meta - Chegar no topo. Isso é um alívio para ela".

Dois anos e seis montanhas passadas, em 2 de junho de 2005, Karen e seu marido receberam um telefonema: Danielle, então com 20 anos de idade, estava ligando do Monte Everest, logo após ter se tornado a mais jovem americana a escalar a montanha mais alta (e a mais jovem a escalar os "Seven Summits" - as sete montanhas mais altas da Terra). Karen não podia estar mais orgulhosa, e ela encoraja outros pais de crianças com TDAH a manter altas expectativas em relação a seus filhos.

"Sempre digo a minha filha para não desistir", conta Karen. "É difícil, mas se você focar em um passo de cada vez, chegará àquelas mini-metas no caminho da conquista. Cedo ou tarde, você chegará onde queria".


ADDitude - April/May 2007