"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

325- TDAH e seu terapeuta. Os bons e os maus sinais

Os bons e os maus sinais

Sinais de aviso de que um terapeuta pode não ser bom para você

• Parece impaciente e/ou distante

• Escuta apenas superficialmente

• Oferece soluções rápidas

• Fala de sua situação/transtorno em generalidades

• Tem noção pré-concebida do tratamento

• Certifica-se de que você sabe da importância dele e de sua experiência no assunto

• Arruína sua autoconfiança

Sinais de que um terapeuta pode ser perfeito para você

• Não tem pressa

• Deixa você confortável

• Ouve você – ouve realmente, e faz bom contato com o olhar

• Dá valor às suas dúvidas

• Interage com você como um ser humano

• Tem ideias às quais você responde

• Dá a você autoconfiança e confiança em suas habilidades

ADDitude

sábado, 8 de fevereiro de 2014

324- Os Efeitos Colaterais Podem Incluir: Humilhação, Julgamento e Estigma - TDAH e "drogas"


Dois recentes encontros na farmácia me convenceram: Se você não pode gritar "Fogo!" em um teatro lotado, você não deveria gritar "Droga" quando eu peço remédio para o TDAH.

Por Samantha Hines

O Merriam-Webster Dictionary define a palavra droga como "uma substância (como cocaína, heroína ou maconha) que afeta o cérebro e geralmente é perigosa e ilegal". Se você é pai de uma criança com TDAH, que, depois de consultas minuciosas e geralmente opressivas com profissionais médicos, foi informado de que seu filho poderia ser ajudado pelo uso de doses pequenas de medicação estimulante, DROGA (ou ENTORPECENTE) será uma palavra que você terá de assimilar quando ela for lançada contra você no local onde você menos esperaria: a farmácia.

O primeiro dessa série de eventos infelizes ocorreu há 1 mês. A farmácia teve dificuldade de obter toda medicação do meu filho. Nós estávamos esperando por muito tempo, então eu perguntei ao farmacêutico se ele poderia dar para o meu filho algumas doses da medicação para que ele melhorasse, enquanto aguardávamos que o restante da medicação chegasse. Isso não me pareceu ser esquisito. A farmácia já tinha feito isso uma vez, quando houve problemas com meu remédio para pressão alta. A pessoa a quem eu propus minha idéia deu um passo para trás, olhou para mim com espanto e falou bem alto, "Minha senhora, esta medicação é um entorpecente. Não podemos fazer isso com drogas".

O segundo episódio ocorreu mais recentemente. A medicação do meu filho precisou de uma pequena alteração, e houve complicações no preenchimento da receita. Decidi falar com a farmácia antes da hora - e antes de alguma tempestade de neve intensa - para garantir a quantidade que precisaríamos ter em estoque. Uma vez mais, fui atingida com a mesma palavra pela mesma pessoa: "Minha senhora, não podemos dar essa informação sobre entorpecentes pelo telefone."

Gostaria de acreditar que o uso dessa palavra por essa pessoa fosse puramente inocente - que talvez a palavra fosse a que ela tenha sempre usado, que ela não entendesse suas nuances, que ela a usasse no seu estrito sentido farmacêutico.

Para o leigo, entretanto, a palavra entorpecente, ou droga, tem conotações - e preconceitos a respeito dela. Até a definição do dicionário aponta para suas implicações menos simpáticas. Uma pequena leitura mais aprofundada já revela os fatos mais repelentes: "Entorpecentes são drogas ilegais. Drogas ilegais são usadas por viciados e criminosos. Assim, entorpecentes devem ser abomináveis, e os que os utilizam devem ser igualmente abomináveis."
Isso não é o professor de inglês que está falando ou uma artífice da palavra dentro de mim que está falando. Não é também a mãe protetora e defensora. Pergunte a qualquer um o que ele pensa quando ouve a palavra entorpecente, e eu acho que imagens do meu querido filho e de sua mãe obediente à lei virão à mente.

Há outros modos de descrever a medicação de que ele precisa: "estimulantes", sim, mas também "substância controlada", ou, possivelmente, a mais preferível "a receita do seu filho". Essas alternativas mais gentis existem não para camuflar a verdade - tenho total conhecimento dos produtos químicos que meu filho toma e porquê - mas para mostrar respeito, especialmente para uma pessoa que precisa suportar o que outros podem não entender completamente.

Para crédito da farmácia, quando eu falei sobre isso com a gerente, ela foi profissional e cooperativa. Entretanto, pais de crianças com TDAH, para não mencionar as pessoas com TDAH elas mesmas - embora acostumadas com julgamentos - não são imunes a isso. Há algo particularmente rude em descobrir isso na farmácia onde você obtém os itens que tendem a promover a maioria dos mal entendidos e dos preconceitos.

Meu filho não é um viciado, e eu não sou uma traficante. Ele é um meigo menino de oito anos com deficiência de dopamina, que foi diagnosticado como portador de TDAH. Eu sou uma mãe que tem derramado mais lágrimas do que posso contar em cada etapa do processo de diagnóstico. Trabalho duro e a medicação que compramos todo mês na farmácia transformaram a vida do meu filho. Ambos trouxeram a ele a paz e a estabilidade e permitiram que ele progredisse academicamente e socialmente. 

Essa jornada não tem sido fácil - tremendamente gratificante, sim, mas ainda não é um caminho que eu deseje a alguém.
Assim, se você me vir na farmácia, comprando a medicação do meu filho, saiba que essa nossa história é mais complicada do que uma mãe esgotada comprando alguma "droga" para acalmar seu filho agitado. É mais complicada do que minhas palavras podem expressar e, portanto, mais complicada do que a maioria das pessoas poderá imaginar.


ADDitude

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

323- Segredos do TDAH que minha professora deveria saber


Um estudante com déficit de atenção dá algumas dicas à sua professora para que ambos consigam o melhor em classe. Por Josh e Melinda Boring

Querida professora, 
enquanto nos preparamos para compartilhar mais um dia na escola, podemos fazer uma pequena pausa? Fizemos uma conferência na minha lista, abrangendo tudo o que eu vou precisar para os assuntos do dia. Mas, e a sua lista de conferência? Nós dois precisamos nos sentir bem sucedidos. Como você já me ajudou a entender como você quer que eu me prepare para a aula, eis aqui a minha lista para você.

Você tem a minha atenção?

É difícil dizer, olhando para mim algumas vezes, porque eu nem sempre faço contato visual ou me sento direito, mas geralmente estou escutando o que você está dizendo. Se você não tiver certeza, pergunte-me o que acabou de dizer, em vez de me pedir para prestar atenção. Se eu responder corretamente, eu estava prestando atenção. Se eu não conseguir repetir o que você falou, ganhe primeiro minha atenção antes de repetir o que falou.

Para mim é muito difícil aprender passivamente por longos períodos de tempo. Algumas vezes eu preciso de repetição para aprender, desde que você ganhe minha atenção. Quanto mais sentidos você envolver, mais eu ficarei engajado. Não me diga somente o que fazer, mostre-me como, e então me faça mostrar que eu entendi.

Sou distraído ou não muito distraído?

Às vezes eu não presto atenção porque estou distraído. Outras vezes, preciso de uma distração. Um ambiente completamente parado pode fazer meus ouvidos e os meus olhos procurarem descobrir de onde vêm as distrações. Se eu tiver algo sutil para me ocupar - dois pequenos objetos para esfregar um no outro ou um par de fones de ouvido para abafar os sons ou para ouvir música - eu não ficarei distraído nem procurando distrações. Estarei relaxado e alerta.

Tenho excesso de energia enquanto ainda estou sentado?

Minha capacidade de atenção está ligada aos meus níveis de energia. Sei que se espera que eu faça as tarefas escolares enquanto estou sentado à minha mesa. Mas como prosseguir se o meu cérebro está sempre em ponto morto? Se eu não puder me mover enquanto estou pensando, meu motor fica parado.

Se uma atividade chega ao fim, deixe que eu me levante, que ande, que troque as marchas antes de retomar o novo assunto. Às vezes uma pausa para movimentação, alguns pulos - podem ligar o meu motor. Isso funciona melhor, para mim, do que tentar me obrigar a ficar sentado e não ter permissão para andar um pouco pela sala antes de terminar a tarefa.

Você está me ensinando... ou me interrogando?

O que eu aprendi na escola nem sempre está aparente, mesmo para mim. Preciso de sua ajuda para mostrar o que aprendi. Quando tenho de fazer uma pergunta, faça com que a resposta seja uma meta que eu queira alcançar e que tenha orgulho quando for bem sucedido.

Mas se você me disser que eu não estou me esforçando o bastante ou que não estou cooperando, minha motivação e minha mente ficarão como as de um prisioneiro trancado em uma sala de interrogatório. Ser interrogado não me motiva, mas me desencoraja de querer tentar. Preciso sentir que você está me guiando para encontrar as respostas.

Dê-me a forma correta de atenção

Preciso de muito mais redirecionamento e de incentivos do que meus colegas. Às vezes eu atraio a atenção sem querer, quando estou mexendo com as mãos sem perceber, ou quando estou com o olhar perdido no espaço porque minha mente está vagando novamente. Preciso do seu encorajamento paciente, não de comentários que me envergonhem. 

Quero ter sucesso. Não estou agindo assim para lhe importunar ou para ser desrespeitoso. Meu cérebro funciona de modo diferente, mas ele funciona e posso perceber quando os adultos não gostam de mim. Se você estiver do meu lado, saberei disso e vou me esforçar muito mais do que se você estivesse contra mim.

Seu aluno com TDAH.

Josh e Melinda Boring são mãe e filho. Melinda é autora e especialista em patologia da fala e da linguagem. Josh é escritor de ficção científica e estudante com TDAH.


ADDitude