"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

357- TDAH - Doze Dicas Para Ter o Professor do Seu Filho no Seu Time


Fazer uma parceria com o professor do seu filho pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso em classe. Por Eileen Bailey.

1- Seja um jogador da equipe.

Seu filho fica seis horas por dia, 1200 horas por ano, em sala de aula com o professor, a cada ano. Quando você e o professor do seu filho trabalham juntos, seu filho terá uma experiência escolar positiva e bem sucedida, educacional e socialmente. Exige esforço, mas assegure-se de estabelecer um relacionamento cooperativo com o professor.

2- Comece bem o ano.

É uma boa ideia iniciar uma conversa com o novo professor do seu filho. Alguns pais preferem enviar uma carta apresentando seu filho e dando informações sobre suas necessidades. Outros pais acham que uma conversa face a face é o melhor. Fazer contato como professor do seu filho logo de início permite que o professor saiba que você cuida e que está envolvido, e que será um parceiro cooperativo se os problemas surgirem.

3- Mantenha atitude positiva.

Seja por telefone, email, ou sentado face a face com o professor do seu filho, assegure-se de que a comunicação seja positiva e otimista. Atacar o professor faz com que ele fique na defensiva, diminuindo seu desejo de colaborar com você. Não se esqueça do fato de que a maioria dos professores quer ajudar e ver seu filho ser bem sucedido.

4- Comunique-se com o professor de modo conveniente.

Falar com o professor atualmente é muito maia fácil - email, textos, chamadas telefônicas, recados em sites e redes sociais. Logo no início do ano, fale com o professor para descobrir qual o melhor método, de modo que você fique sempre atualizado com o que aconteça em sala de aula e sobre os trabalhos de casa. Uma semana pode ser melhor para um email, outra para texto. Determine também, junto com o professor, com que frequência vocês devem se comunicar.

5- Não leve as coisas para o lado pessoal.

Os pais ficam na defensiva quando um professor relata as falhas do seu filho. Se o professor lhe diz que seu filho é bagunceiro e que não obedece, tenha empatia por ele e trabalhe em conjunto para encontrar uma solução. Concorde que seu filho pode ser um chato e continue a conversa no sentido de resolver o problema.

6- Corte os problemas pela raiz.

Imagine descobrir que seu filho vai fracassar em uma disciplina somente a poucas semanas do final do semestre. Evite isso envolvendo-se logo de início e pedindo para ser avisado dos problemas logo que surjam. Marque uma reunião com o professor do seu filho durante a segunda ou terceira semana no início das aulas para resolver esse assunto. Desse modo, você poderá resolver a falta de entrega de algum trabalho ou notas baixas a tempo.

7- Compartilhe o que funciona.

Você conhece seu filho melhor que ninguém e as estratégias de classe que funcionaram para ele no passado. Compartilhar essa informação ajuda o novo professor a entender melhor como conquistar e ensinar seu filho. Não fale somente dos fracassos de seu filho; discuta o que funciona. Em vez de dizer "Ele não escuta", diga, "Acho que quando faço contato visual ao dar as instruções, ele escuta melhor".

8- Vá preparado.

Seja em uma reunião, pela primeira vez, com o professor do seu filho, ou indo a uma reunião de pais e mestres, vá preparado. Tenha uma lista de perguntas e de preocupações, amostras de trabalhos e provas escolares, anotações de professores anteriores, e acomodações que tenham funcionado. Mantenha a informação em uma pasta-arquivo para que seja mais fácil transportar e compartilhar. Depois da reunião, faça anotações e guarde-as na pasta-arquivo.

9- Apareça e envolva-se

As escolas frequentemente dependem de ajuda voluntária e da participação dos pais. Faça parte da Associação de Pais e Mestres, seja voluntário em classe, no trabalho de secretaria ou na biblioteca ou acompanhe uma excursão ao campo. Você poderá observar como suas crianças se comportam no início na escola e conhecer outros pais e o pessoal da escola. Você se tornará um deles, em vez de um pai exigente demais e autoritário.

10- Resolva um desentendimento com o professor.

Se você e o professor do seu filho não conseguem concordar com a solução de um problema ou se o professor não está colaborando, pergunte qual será o próximo passo em vez de se retirar enraivecido. Você pode sugerir que o psicólogo da escola, o conselheiro ou o diretor sejam incluídos na busca de uma solução. Pergunte ao professor se ele gostaria de marcar uma reunião.

11- Aconselhe-se com o professor.

Assim como você compartilha informação com o professor, ele pode lhe dar dicas para ajudar seu filho em casa. Faça perguntas sobre o desempenho escolar do seu filho e sobre as disciplinas nas quais ele tem dificuldade. Peça dicas e material que possa utilizar em casa para ajudar seu filho a ser bem sucedido na escola.

12- Demonstre sua gratidão

Todos gostam de um elogio. Se o professor de uma criança faz algo com que um pai não concorde, os pais geralmente mandam um email ou ligam para reclamar. Quão frequentemente você manda um email para cumprimentar um professor ou para agradecer por algo que ele tenha feito ou dito? Quando o professor do seu filho deixa um pouco de sua rotina de trabalho para entender seu filho ou para ajudá-lo a se sentir aceito, certifique-se de mostrar sua gratidão.


ADDitude.  (veja, também, a postagem 286, neste blog)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

356- TDAH - O tratamento do seu filho é o pacote completo?


A medicação trata somente as deficiências neuroquímicas do déficit de atenção. Nós temos de tratar, também, os problemas psicológicos e sociais. Por Larry Silver, M.D.

Terminei meu treinamento em psiquiatria geral, seguido por treinamento em psiquiatria da criança e do adolescente em meados de 1960. Minha especialidade médica era uma sub-especialidade relativamente nova da psiquiatria. Naquela época, a teoria de entender e tratar a criança era centrada na teoria psicanalítica e na psicoterapia psicanaliticamente orientada. Todo meu treinamento e supervisão clínica foram baseados nesse modelo. Eu era fascinado pela psicologia da mente. Mas, igualmente, era interessado na compreensão do funcionamento cerebral, e na relação entre o cérebro e a mente.

Com a permissão do diretor do meu programa de treinamento, atendi conferências de casos para os residentes em outra nova sub-especialidade médica, Neurologia da Criança. Lá, um menino tinha uma coisa chamada de Reação Hipercinética da Infância. Hoje ela é chamada de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. A criança era hiperativa e ia mal na escola. Ela foi medicada com dextroanfetamina e seus sintomas melhoraram.
Eu estava lidando com uma criança com sintomas semelhantes na terapia. Ela estava com todas as características de Reação Hipercinética da Infância. Eu discuti minha ideia de tentar a medicação. Meu supervisor não gostou da ideia de usar medicação em vez de psicoterapia e me encorajou a me concentrar na "psicodinâmica do caso". Eu estava frustrado por causa da falta de progresso do caso, então assumi o risco de me meter em apuros. Em colaboração com o pediatra do meu paciente, dei um jeito dele começar a tomar a dextroanfetamina. Os pais dele, assim como os professores e o paciente notaram uma dramática melhora. Ele conseguia ficar sentado na classe e se concentrar no seu trabalho. Seu comportamento bagunceiro cessou. Eu não podia explicar ao meu supervisor que tinha ignorado suas instruções e que tinha utilizado o tratamento medicamentoso. Então, eu tive de afirmar que a psicoterapia e a orientação dos pais tinha resultado na melhora dos comportamentos. Meu supervisor elogiou meu trabalho.

Como as Coisas Mudaram

Desde então, a psiquiatria da infância e da adolescência percorreram um longo caminho. Usamos um modelo biopsicossocial que leva em conta a função cerebral, assim como as funções, psicológica e social, todas no contexto da vida da criança dentro da família, na escola e com os colegas. Os estudos de crianças com TDAH nos ensinaram sobre a relação entre função cerebral, ou disfunção, a os comportamentos clínicos observados.

Muitos crêem que o TDAH foi o primeiro transtorno a ter demonstrado ser o resultado de uma deficiência na produção de um neurotransmissor específico, em áreas específicas do cérebro. A descoberta de que um grupo de medicamentos - chamados de estimulantes, porque estimulam células nervosas específicas a produzir mais do seu neurotransmissor deficitário - causava uma diminuição, ou o desaparecimento, da hiperatividade, desatenção e/ou impulsividade observadas abriu o campo da psicofarmacologia da criança.

Atualmente, sabemos de outros transtornos que são o resultado de uma deficiência de neurotransmissores específicos em áreas específicas do cérebro. Até hoje, não encontramos um transtorno que pareça ser o resultado de um excesso de um neurotransmissor produzido em área específica do cérebro). Para cada um desses transtornos, temos medicamentos que aumentam a produção do neurotransmissor, levando à melhora. Foram estudos de indivíduos com TDAH que expandiram nosso conhecimento da neurociência e do tratamento de doenças neurologicamente estabelecidas.

Lições Aprendidas

Deixem-me voltar à minha história. Depois dos meus anos de treinamento, ingressei na faculdade de um centro médico universitário. Onze anos depois, mudei-me para o National Institute of Mental Health (Instituto Nacional de Saúde Mental). Depois, voltei para um centro médico universitário. Nesses mais de 40 anos, minhas áreas principais de pesquisa, de trabalhos clínicos escritos e de atividade clínica foram sobre o TDAH e as Dificuldades de Aprendizagem. Durante esses anos, o pêndulo gradualmente oscilou dos modelos psicológicos para os biológicos para a compreensão do comportamento normal e da psicopatologia. Hoje, o pêndulo está no centro, com atenção igual na disfunção cerebral e nos desafios psicológicos e sociais.

Agora sabemos que uma deficiência de um neurotransmissor específico em áreas específicas do cérebro explica as dificuldades encontradas em uma criança ou um adulto com TDAH. Sabemos que certas medicações corrigem a deficiência do neurotransmissor, resultando em uma redução ou na eliminação dessas dificuldades. Também aprendemos que medicamentos isoladamente não são suficientes. Uma pessoa diagnosticada com TDAH vive em uma família e precisa funcionar em um mundo real, com todas suas expectativas e demandas. Não podemos tratar somente a deficiência neuroquímica.

Ainda há médicos, incluindo alguns psiquiatras da infância e da adolescência, que parecem ter se fixado em um só lado do problema. Seu foco é muito intenso na medicação e muito fraco na exploração dos possíveis desafios familiares e psicossociais.

Deixem-me lhes dar um exemplo. Um pai leva seu filho ao médico de família. O pai diz: "O professor dele diz que ele não consegue ficar sentado quieto e que não está prestando atenção à aula. Eu vejo as mesmas coisas em casa." O médico escuta hiperatividade e desatenção e conclui que é TDAH, e preenche a receita com um estimulante. 

No que o médico errou? A inquietação e a desatenção podem ser o resultado de dificuldades com as tarefas acadêmicas, possivelmente devido a uma Dificuldade de Aprendizagem. Ou as dificuldades podem refletir o estresse na família por problemas entre os pais. A hiperatividade poderia ser o resultado de ansiedade, não de TDAH.

Os médicos e os pais devem se lembrar: Nem todos os indivíduos que são hiperativos, desatentos e/ou impulsivos têm TDAH. 

Os comportamentos vistos em crianças, adolescentes ou adultos que têm TDAH podem também ser vistos em indivíduos com outras doenças - depressão, ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, para citar algumas. Também é possível que tais comportamentos sejam o resultado da frustração do estudante na escola, por causa de uma Dificuldade de Aprendizagem, outro transtorno relacionado com o cérebro.

Precauções para todos nós

É importante determinar se os comportamentos são neurologicamente ou psicologicamente baseados. Temos protocolos clínicos em nosso Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais (DSM-V) para ajudar a distinguir entre os dois. 
Se a inquietação, desatenção, dificuldades de organização, ou impulsividade se iniciam em certa hora ou ocorrem somente em certas situações, é provavelmente um problema psicológico. 
Se os comportamentos são crônicos (você os notou desde a infância) e invasivos (ocorrem em casa, na escola, no trabalho, com os colegas), provavelmente são um problema derivado do cérebro, tal como o TDAH.

Para seu médico fazer um diagnóstico de TDAH, ele deve provar que esses problemas observados são o resultado de problemas relacionados com o cérebro, não psicológicos, familiares ou derivados do estresse social. Como isso é feito?

1- Documente quais comportamentos a criança ou o adulto têm.
2- Mostre que esses comportamentos são crônicos.
3- Mostre que esses comportamentos são invasivos. Se os comportamentos identificados começaram em certa época da vida ou se ocorrem somente em certas situações, o TDAH não deve ser considerado.

Têm sido, para mim, 40 anos maravilhosos, fazer parte da transição de um modelo psicológico de entendimento do comportamento para um modelo que envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais. Em grande parte, o estudo do TDAH me levou a essa jornada.

Larry Silver, M.D.

ADDitude

terça-feira, 5 de agosto de 2014

355- Como conquistar os aprendizes relutantes

Como conquistar os aprendizes relutantes
Por Nancy Barile

Umas das minhas coisas favoritas no Facebook é que ele permite que eu me conecte com meus antigos alunos. entretanto, fui surpreendida quando um aluno em particular, Eddie Scofield, me adicionou como amiga há 3 anos.
Eddie e eu tivemos um relacionamento muito conturbado quando ele era meu aluno na classe de inglês avançado em 2008. Havia 35 alunos naquela classe, muitos dos quais tinham uma  mistura de problemas acadêmicos e de comportamento. Eddie se distingui quase que imediatamente como o líder na criação de problemas. Em algum dia ele podia ser questionador, sarcástico, oposicionista, às vezes preguiçoso e definitivamente maldoso.

Depois das duas primeiras semanas com Eddie, eu estava arrancando meus cabelos. Eu imaginava meios de fazê-lo trocar de classe. Mas um par de estratégias eficientes mudou nosso relacionamento - e eu não percebi isso até que eu e Eddie nos encontramos em um recente projeto.

Pensando sobre o passado

Recentemente, convidei Eddie a passar em meu colégio. Eu estava preparando um workshop para nosso distrito chamado "Motivando o Aprendiz Relutante", e pensei que ele pudesse ser capaz de fornecer  dicas importantes sobre esse assunto.

Ele acabou contando sua história pessoal no workshop, e eu aprendi muito mais sobre ele, coisas que eu não sabia quando ele era meu aluno. Por exemplo, eu não sabia que ele tinha sido por uns tempos um sem casa, durante o colegial, que seu padrasto tinha sido convocado depois do 11 de setembro, ou que sua mãe era uma viciada em drogas. Eu não imaginava que tivesse tido um enorme impacto sobre Eddie - e que minha classe tivesse mudado sua vida.

Quando Eddie acabou de falar naquele dia, eu tinha aprendido muito sobre meu antigo aluno. Mas essa não foi a melhor parte: ao final da apresentação, ele deu dez dicas de motivação para os aprendizes relutantes. Espero que vocês as achem valiosas, como eu e meus colegas achamos.

As dez dicas de Eddie para motivar os aprendizes relutantes

1- Seja entusiasmado com o seu trabalho. Os alunos não podem ficar excitados para aprender se o professor for claramente desinteressado.

2- Não suponha. Um aluno pode parecer ser um problema ou ter uma reputação na escola. Você pode ter tido um contato com ele ou saber dele por um irmão. Entretanto, a verdade é que você nunca saberá como um aluno vai agir ou desempenhar em sua classe. É melhor começar com uma lousa limpa - e imaginar que ele esteja pronto e querendo trabalhar com afinco.

3- Relutância e ignorância não são sempre mutuamente inclusivas. Eddie ressaltou que os aprendizes relutantes não são necessariamente aprendizes incapazes. Se você fizer essas pressuposições sobre um aluno, tenha certeza de que ele irá definitivamente se tornar um relutante.
Eddie me lembrou de um incidente quando ele deveria escrever um trabalho mas não queria assumir a tarefa. Eddie gastou a maior parte da aula embromando, jurando que ele podia escrever um trabalho que tirasse nota A+ nos últimos 20 minutos da aula. Então, eu aceitei o desafio dele. É claro que ele escreveu um trabalho brilhante em 20 minutos, principalmente porque ele apreciou o fato de eu ter lhe dado autonomia para usar o tempo eficientemente.

4- Comunique-se com os outros educadores. Lá atrás, quando eu estava arrancando meus cabelos por causa do Eddie, fui falar com sua professora anterior de inglês. Fiquei surpresa quando ela  começou a falar emocionada sobre ele. Ela me contou que ele tinha tido uma vida difícil em casa e que eu precisava dar a ele uma chance. Então, eu ouvi e mudei minha abordagem. Eddie disse que gostou do modo pelo qual sua primeira professora o defendeu e forneceu informação sobre sua situação, além do fato de que eu tinha tido o cuidado de dar a ele uma segunda chance.

5- Faça perguntas e se importe. Eddie disse que quando ele estava no colégio, frequentemente queria que um professor ou o administrador lhe perguntassem o que estava errado. Ele disse que provavelmente teria dado uma resposta, mas ele teria se sentido muito melhor se alguém tivesse mostrado que se importasse o bastante para fazer a pergunta.

6- Utilize o tempo em classe para mais do que aulas. É difícil acreditar que ainda existem professores que ensinam sem parar, mas isso acontece. Atualmente, há poucas razões para não variar a instrução e para envolver mais os alunos em seu aprendizado.

7- Desafie os alunos respeitosamente. Todos nós sabemos quando um aluno está sendo deliberadamente criador de caso e querendo nos tirar do sério. Mas é importante ser respeitoso quando desafiar os alunos - não cause embaraço, não humilhe, não faça gozação com eles. Em vez disso, encoraje-os e reúna-se privadamente para discutir suas preocupações. 

Descubra o que está por trás do seu mau comportamento ou desinteresse em fazer a tarefa. Eddie me contou que uma das coisas que o fisgou na minha classe foi meu senso de humor e o fato de que eu podia contestá-lo ponto a ponto em sarcasmo, não maldade ou ataques pessoais, mas sarcasmo espirituoso e brincalhão. Isso o ajudou a construir uma ligação comigo, como professora.

8- Seja justo e vigilante no apoio das regras estabelecidas em classe. Não dê um privilégio a um aluno e recuse-o a outro. Alunos são superconscientes dessa dinâmica e sabem exatamente o que acontece na classe.

9- Puna imediatamente as infrações graves. Eddie tornou claro que os professores precisam usar disciplina imediata para comportamento que esteja fora de propósito. Mas ele sugeriu que infrações menores sejam manejadas de maneira sem confrontação, talvez depois da aula ou em uma conversa privada, para não humilhar ou envergonhar os estudantes. Por exemplo, Eddie nunca se esqueceu do professor que ligou para sua mãe em frente de toda a classe.

10- Estabeleça conexões pessoais. Estabelecer fortes relações com seus alunos e criar um ambiente no qual você e os alunos estejam trabalhando na direção de um objetivo comum, é provavelmente a única coisa mai poderosa que você pode fazer para motivar um aprendiz relutante. Pergunte a um jogador de futebol se ele viu o jogo do time dele na noite anterior. Faça um comentário sobre uma camiseta interessante que um aluno esteja vestindo. Reconheça o sucesso de um aluno no campo dos esportes ou em um jogo escolar. Prestar atenção nos aprendizes relutantes é um longo caminho na motivação deles.

As dicas de Eddie são simples e intuitivas. Mas mesmo sendo uma professora veterana com 19 anos de prática no ensino eu me sinto renovada após revê-lo. Penso que podemos todos nos beneficiar voltando atrás e reavaliando as maneiras com que lidamos com os aprendizes relutantes.
Então, você deve estar se perguntando - o que faz o Eddie atualmente? Tenho o maior prazer em ouvir que ele é um calouro na Salem State University. Mas fiquei chocada quando ele revelou sua escolha de carreira: ele planeja ser um professor colegial de Inglês. Ele até está fazendo seus alunos estudar comigo no outono!

Como sua antiga professora - e futura colega - eu não poderia estar mais orgulhosa.

Nancy Barile


Nancy Barile (@nancybarile), a National Board Certified Teacher, has taught English language arts at Revere High School in Revere, Mass., for 19 years. She advises the Culture Club and Future Teachers Club and is an adjunct professor at Emmanuel College. A CTQ Collaboratory member, Nancy won The Kennedy Center/Stephen Sondheim Inspirational Teacher Award in 2013 and serves on the College Board New England Regional Council.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

354- A ESCOLA IDEAL: UM CONCEITO EM CONSTANTE DESENVOLVIMENTO

Dr. Mauro de Almeida
A inclusão só será completa no dia em que deixar de existir.
Essa frase resume o propósito deste trabalho.
Quando, em 2.008, no ”Congresso Aprender Criança” começamos a falar em inclusão, não tínhamos ideia do que isso representaria para a nossa Comunidade depois de seis anos.
Apresentamos, naquela oportunidade, o que chamamos de “Manifesto Vinícius”, uma abordagem de questionamento à forma em que a inclusão é feita em nosso país, dando a todas as crianças e adolescentes o direito de frequentar a escola normal, mas sem estratégias para lidar com as diferenças. A base daquela apresentação mostrava um relatório de aproveitamento expedido pela escola para um aluno com diagnóstico de TDAH idêntico ao documento de outro aluno com baixo aproveitamento advindo de problemas familiares e ambiente hostil.
Hoje, temos a certeza da necessidade de trabalhar o tema da inclusão escolar de forma ampla, total e irrestrita, mesmo que isso gere – e gerará – uma série de polêmicas entre acadêmicos, legisladores, autoridades científicas e educacionais.
Não se tem notícia de nada parecido como esta cartilha NO MUNDO INTEIRO. Então, pelo ineditismo, pela coragem e pela revolução nos hábitos e costumes, somos, todos nós, desbravadores em pleno Século XXI, de um dos temas mais antigos da Humanidade: as diferenças entre as pessoas e o respeito à individualidade.
O tema do Aprender Criança 2.012 foi, justamente, a inclusão escolar.
Tivemos a grande oportunidade de ver e ouvir grandes especialistas que, além de palestras memoráveis, colaboraram conosco na elaboração de proposições para aplicação nas escolas e salas de aula.
A nosso pedido, essas proposições não foram limitadas a essa ou àquela dificuldade econômica, arquitetônica, profissional ou instrumental que uma localidade qualquer possa ter e – evidentemente – todas têm. Por que? Para que pensemos em soluções amplas, em consecução de ideais de preparação dos profissionais, em captação de recursos, em crescimento contínuo. Incluir requer esforços de mudança de paradigmas, a começar por limitações já culturais do tipo “isso é utópico”, “minha escola não tem nem giz”, “vocês estão loucos”, etc e tal. Em nossa primeira cartilha, o Projeto Atenção Brasil, falamos muito sobre a questão da RESILIÊNCIA: precisamos adotar esse conceito como prioridade em nossa caminhada. Lembrem-se disso a cada dificuldade, a cada barreira.
Afinal: a escola ideal existe?
Não, não existe. Mas podemos nos aproximar de algo melhor a cada dia.
Basta observar nossa proposta número 7: “Incluir alunos com NEE em classe regular envolve mudanças pedagógicas e na estrutura curricular que devem ser individualizadas dentro de um projeto escolar que atenda às demandas de singularidade frente às limitações do pensamento (concretude); além do desenvolvimento de habilidades frente às limitações de participação e atividade, dada a diversidade dos alunos incluídos.”
Uma vez atendida em sua plenitude, essa proposta resume o conceito atual de “escola ideal”.  Mas será que, de fato, estamos construindo uma escola que se aproxime disso?
Propusemos uma discussão entre especialistas em educação com formações diferentes e atividades diversas.
A Professora Camila Pestana (atuando em escola particular), a Psicopedagoga Mirella Jorge (de instituição para alunos com necessidades especiais de aprendizagem), a Psicóloga Paula Stipp (de uma instituição voltada para deficientes mentais) e a profissional de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental Giuliana Preziosi.
As quatro são unânimes ao aprovar a proposta número 7 desta cartilha. O que elas dizem: para Giuliana, “precisamos extrapolar a barreira física, que é premissa, e pensar na metodologia, com raízes sistêmicas onde tudo deve estar conectado. A escola ideal é pautada no respeito e na empatia. É uma escola que acompanha as mudanças do mundo e constrói soluções em conjunto para lidar com suas adversidades”.
Para Mirella, “a escola ideal é a que acolhe todas as crianças diante de suas diversidades, respeitando particularidades, medos e anseios, com a ampla visão que o professor pode ser o sujeito a fazer toda a diferença na vida escolar de cada criança, juntamente com uma equipe disposta a incluir e a ter um olhar de respeito e afeto. Oferecendo meios significativos de aprendizagem real a todos”.
Paula afirma que “a escola ideal é a que proporciona uma educação de qualidade para todos, analisando dificuldades e potencialidades de cada aluno de forma a atender necessidades individuais. Deve ter, acima de tudo, o objetivo de formar cidadãos solidários e valorizar as diferenças”.
Camila acredita que “a escola ideal não deveria ser inclusiva, pois a escola é para todos. Educar não é tarefa fácil e lidar com diferenças, menos ainda. O espaço escolar é o ambiente mais rico para se trabalhar as relações sociais e de saberes. Hoje, as escolas pretendem que os alunos se adaptem a ela, ao invés de mudar seus procedimentos e atender as necessidades de cada aluno. O nosso desafio em quebrar esses paradigmas, se inicia em nossa formação enquanto educadores e se reflete em nossa prática. Incluir um aluno em educação formal é fazê-lo pertencer àquilo que tem por direito”.
Mas, como transformar esses conceitos em práticas?
Giuliana diz que “Além de capacitação e treinamentos adequados, o professor aprende junto com os alunos a superar dificuldades. As aulas, além de conteúdo, ganham vivências e experiências compartilhadas”.
Para Mirella, “é preciso priorizar a criança na escola comum, mas os que apresentam NEE devem ser acompanhados por uma equipe multiprofissional, seja na própria escola ou numa instituição em período oposto, desde que haja troca entre educadores e especialistas”.
Para Paula, “a complementação para os que apresentam NEE deve ser feita numa escola especial, auxiliando com procedimentos especializados, terapias diversas, estimulação precoce e preparação para o mercado de trabalho”.
Camila afirma que “há necessidade de formar professores com excelência, com rotinas e currículo escolar muito bem planejados e reais ao grupo pertencente, com práticas sociais como assembleias e parceria com a família.”
Essas profissionais são pessoas ideais para embasar essa proposta porque são educadores do dia a dia, gente que enfrenta as dificuldades reais da educação voltada para o direito de todos.
A essas afirmações acrescentamos a visão de que estamos em pleno processo de mudança, de que a escola não é algo estático e de que, a cada momento, nos deparamos com situações novas e inesperadas.
É fato que, quanto mais o planejamento for eficaz, menor a chance de errar, mas isso não nos garante uma fórmula imutável de sucesso.
O objetivo desta cartilha, seus indicadores de desempenho e a avaliação constante dos progressos obtidos em cada escola participante nos dão a certeza de que nos aproximaremos SEMPRE de algo melhor.
É assim que iremos construir a “escola ideal”, com adaptações e aperfeiçoamento constantes, com participação de todos os agentes envolvidos e contando com a participação efetiva de profissionais de saúde engajados nas rotinas pedagógicas.

COMUNIDADE APRENDER CRIANÇA - Dr. Marco Antônio Arruda
Diretor do Instituto Glia