"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

sexta-feira, 6 de março de 2015

A Fuga de Crianças Com Autismo (397)


A Fuga de Crianças Com Autismo (397)

Uma preocupação importante dos pais de crianças com autismo é a de que seus filhos possam fugir e se perder quando ninguém estiver cuidando. Pode ser um pensamento que dure uma fração de segundo, mas o pânico que causa é algo que nenhum pai ou cuidador deveria sentir. Essa preocupação não aparece somente quando estão na cidade com a criança, mas também em casa, onde os pais precisam estar constantemente vigilantes para garantir que seus filhos não saiam repentinamente de casa, sem serem acompanhados. No  artigo a seguir, apresentamos um guia muito útil para auxiliar os pais e cuidadores a enfrentar os desafios de manter em segurança uma criança com autismo e para evitar o problemático comportamento de fuga. Sabrina Freeman, Ph.D.

"A Fuga de Crianças Com Autismo: O Que Sabemos, Intervenções Bem Sucedidas, e Dicas Práticas Para os Pais e Cuidadores", por Heather Walker e David McAdam, New York State Association for Behavior Analysis (NYSABA) 

O que é a Fuga?

Fugir, também descrito como vaguear ou precipitar-se, descreve o comportamento de um indivíduo que sai de um local sem permissão ou supervisão. A fuga deixa um indivíduo, especialmente um com autismo ou com um transtorno do desenvolvimento relacionado, em risco de sofrer dano.

Por Que a Fuga Acontece?

A avaliação funcional (método de análise do comportamento para investigar as causas do comportamento) tem demonstrado várias razões para a fuga, as quais variam de pessoa a pessoa.
Indivíduos podem fugir para evitar algo, para obter acesso a um item, atividade ou pessoa, ou para se engajar em atividade intrinsecamente prazerosa, tal como correr.
Não há nenhuma pesquisa ou evidência par apoiar a hipótese de que indivíduos fogem como resultado de uma excitação fisiológica ou acesso a comportamento repetitivo.

Procedimentos Usados Para Diminuir Eficazmente as Fugas

Reforço não contingente (NCR) - Essa técnica propicia acesso às consequências motivadoras de fuga disponíveis para o indivíduo em escala baseada no tempo, a fim de diminuir a motivação para a fuga. Por exemplo, se  é determinado que uma criança foge para acessar certos alimentos, então aqueles alimentos são colocados à disposição em intervalos regulares. O resultado é uma diminuição das fugas.

Reforço diferencial de outros comportamentos (DRO ou DRo; "resposta zero" - Essa estratégia entrega um item desejado depois de um certo período em que as fugas não aconteçam.

Reforço diferencial ou comportamento alternativo (DRA) - Nesse cenário, os pais ou o profissional entrega um item desejado contingente (isto é, apresentado em sucessão imediata ao alvo desejado, comportamento alternativo) aos comportamentos que são alternativas à fuga. Por exemplo, caminhar em vez de correr.

Treinamento de comunicação funcional (FCT) - O indivíduo é ensinado a falar o que quer, em vez de fugir para ganhar acesso ao que quer. Por exemplo, se um indivíduo foge para receber atenção dos outros, no FCT ele será ensinado a ter um comportamento mais apropriado para chamar a atenção.
Manipulações antecedentes e modificações ambientais - Essa técnica muda o ambiente para diminuir a possibilidade de fuga ou tornar a fuga uma não opção.

Dicas Práticas Para os Pais e Cuidadores

Avaliação
> Mantenha registros escritos e detalhados de fuga.
> Consulte um analista de comportamento sobre conduzir uma avaliação funcional e os benefícios e riscos de conduzir uma análise funcional.

Prevenção
> Garanta que um indivíduo com histórico de comportamento de fugas tenha identificação de emergência consigo o tempo todo.
> Explore outras medidas preventivas possíveis, que podem ser tomadas em caso de ocorrência de fuga.

Habilidades de Segurança

> Trabalhe com sua equipe de professores e provedores de serviços (por exemplo, o analista de comportamento) para ensinar técnicas de segurança.
> Aprenda RCP (ressuscitação cardiopulmonar) e primeiros socorros.

Comunicação

> Divida seus contatos de informação e informações sobre fuga com pessoas de sua vizinhança.

> Comunique-se com os organismos locais aplicadores das leis e com os que atendem emergências sobre seu filho e o risco de fuga.

                           
A fuga pode ser um comportamento muito perigoso por uma variedade de razões, tornando-a um comportamento crucial para corrigir e eliminar. Uma análise funcional, isto é, descobrir a razão da fuga, é muito importante quando for possível, e desenvolver um procedimento com base na análise funcional aumenta as taxas de sucesso no decréscimo de fugas  e no ensino de comportamentos alternativos. Nota: É muito importante que indivíduos competentes, muito bem treinados, com especialização em Análise aplicada do Comportamento (ABA), conduzam esses procedimentos.


ASAT

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