"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

domingo, 12 de julho de 2015

Não comer tarde da noite é bom para o cérebro - Atenção - Desatenção (410)


Por Megan Brooks

Seatle, USA - Para os "corujas" com privação de sono à noite, comer menos durante as horas mais tarde da noite pode ajudar a diminuir os déficits de concentração e de alerta que acompanham a privação de sono, segundo apontam novas pesquisas.

"Adultos consomem aproximadamente 500 calorias a mais durante as horas mais avançadas da noite, quando estão privados de sono", disse em uma declaração o investigador sênior David F. Dinges, PhD., chefe da Divisão de Sono e Cronobiologia, da Escola de Medicina Perelman, da Universidade da Pennsylvania (UPenn), na Philadelphia, USA.

"Nossa pesquisa mostrou que restringir as calorias tarde da noite ajuda a prevenir um pouco a queda no desempenho neurocomportamental que os indivíduos podem sofrer durante a privação de sono", disse o Dr. Dinges.

Andrea Spaeth, PhD, do Centro de Sono e Neurobiologia Circadiana, da UPenn, que trabalhou na pesquisa com Namni Goel, PhD, da Unidade de Psiquiatria Experimental da UPenn, apresentou os resultados aqui em SLEEP 2015: Encontro Anual da Sociedades dos Profissionais Associados do Sono.

Os pesquisadores recrutaram 44 adultos sadios, com idade de 21 a 50 anos, para participarem do seu estudo, conduzido no Laboratório de Sono e Cronobiologia da UPenn. Os pesquisadores permitiram acesso ilimitado  a comida e bebida aos participantes, durante o dia, seguido por somente 4 horas de sono por noite, por 3 noites.

Na quarta noite, 20 participantes receberam acesso contínuo a comida e bebidas, e 24 participantes tiveram permissão a beber água das 22 horas até as 4 horas da madrugada, quando foram dormir. Em cada noite, às 2 horas, todos os participantes completaram uma variedade de testes para medir sua memória de trabalho, habilidades cognitivas, sonolência, nível de estresse e humor.

Na quarta noite, os indivíduos que ficaram sem comer, tiveram melhor desempenho nos testes de tempo de reação e menos erros por falta de atenção que os seus colegas que tinham comido até tarde da noite.

Além disso, os que comeram até tarde, mostraram tempos de reação mais lentos e mais erros por falta de atenção, na quarta noite de privação de sono, quando comparados com as suas 3 primeiras noites, enquanto os que ficaram sem comer não mostraram essa queda de desempenho.

Possíveis Medidas de Compensação

Essa pesquisa sugere que o jejum tarde da noite, por curto prazo, "atenua a queda de desempenho na atenção vigilante causada pela privação do sono", segundo Dra. Spaeth.

Embora esse seja um pequeno estudo inicial, os dados sugerem a possibilidade de usar a ingestão de alimentos (ou a sua proibição)  como "possível defesa" em certas situações.

Por exemplo, "para pessoas em situações que requeiram atenção vigilante até tarde da noite, como os motoristas de caminhão, uma estratégia possível pode ser programar quando e quanto eles poderão comer. Precisamos de mais pesquisas, mas é uma possibilidade interessante."

Ela acrescentou, "Essa pesquisa também confirma que o sistema de sono-vigília e o sistema de equilíbrio de energia interagem, de modo que há troca de informações entre os dois".

Comentando sobre a pesquisa para o Medscape Medical News, Saul Rothenberg, PhD, psicólogo especialista em sono e comportamento, do North Shore-LIJ Centro de Doenças do Sono, em Great Neck, Nova Iorque, disse "uma estória tem se desenvolvido há alguns anos sobre a conexão entre os intestinos e o cérebro, e parece que um estado de necessidade metabólica aumentada está associado ao alerta, e uma necessidade metabólica diminuída, a um estado de sonolência".
"Esses achados estão na direção geral que seria esperada: comer pouco leva ao aumento do estado de alerta e pode compensar alguns dos efeitos da perda de sono", disse o Dr. Rothenberg.

The study was supported by the National Institutes of Health, the Penn Clinical and Translational Research Center, and the Department of the Navy, Office of Naval Research. The authors and Dr Rothenberg have disclosed no relevant financial relationships.
SLEEP 2015: Annual Meeting of the Associated Professional Sleep Societies: Abstract 0317. Presented June 7, 2015.

Julho/2015

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