"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Menopausa e TDAH (417)

Menopausa e TDAH - Laura Flynn McCarthy - continuação da postagem 416

Dez anos atrás, Ranjini Pillai, M.D., de Pleasant, Carolina do Sul, fez uma histerectomia, que a levou à menopausa. [Ela deve ter feito, também, uma ooforectomia (retirada dos ovários)]. "De repente, me sentia ansiosa o tempo todo", ela conta. "Ficava cansada, desorganizada e fora de foco; não consegui raciocinar claramente".

Um mês depois da cirurgia, ela começou a usar estrogênio como tratamento de reposição hormonal, e seus sintomas melhoraram um pouco. Mas, ainda tinha problemas com a organização e com a ansiedade. Os médicos receitaram antidepressivos, o que não ajudou.

Cinco anos atrás, um médico diagnosticou-a como TDAH e receitou Strattera. "A melhora foi dramática", conta Pillai. "Meu raciocínio ficou mais claro, minha ansiedade sumiu, e tudo começou a fazer sentido". Pillai precisa de tratamento de reposição com dois hormônios (uma combinação de estrogênio e pequena quantidade de progesterona) e, duas vezes ao dia, Strattera para controlar os sintomas do TDAH. Ela aprendeu estratégias de controle do comportamento para ajudá-la a permanecer organizada e para se lembrar das coisas, tais como uma cesta perto da porta da frente, para o celular e as chaves.

"Aprendi também a delegar responsabilidades e a aceitar o fato de que não posso fazer tudo", diz Pillai. "Meu marido, agora, cuida das nossas finanças e meus dois filhos, de 23 e de 14 anos, fazem as tarefas para manter a casa funcionando, de modo que posso me dedicar ao meu trabalho e às coisas de que gosto, como cozinhar".

Efeitos Hormonais do TDAH

Na menopausa (em média aos 51 anos de idade), os níveis de estrogênio caem cerca de 65%. Há uma queda gradual que se inicia uns 10 anos antes da menopausa (conhecida como perimenopausa). A perda de estrogênio leva à diminuição dos níveis de serotonina e de dopamina no cérebro. As mulheres que estão na perimenopausa relatam mudanças de humor, tristeza, irritabilidade, cansaço, confusão mental e lapsos de memória. Esses sintomas podem ser mais intensos nas mulheres com TDAH.

"Por terem um cérebro com menos energia cognitiva para funcionar, pode ser especialmente difícil para as mulheres com TDAH manter a concentração e tomar boas decisões nessa fase da vida", diz Quinn.

Soluções: Os anticoncepcionais orais, tomados na perimenopausa, podem estabilizar os níveis hormonais e melhorar o funcionamento cerebral. Depois que a menstruação de suas pacientes parou, muitos médicos recomendam o tratamento de reposição hormonal, ao menos nos primeiros anos depois da menopausa. "As pesquisas mostram que as mulheres que recebem tratamento de reposição hormonal se desempenham melhor nos testes de cognição, assim como nos testes de memória e de capacidade de raciocínio", diz Quinn.

Para muitas mulheres, a melhor forma de tratamento é o estrogênio sozinho, por três ou quatro meses, seguido por 10 dias de progesterona. "Como no caso de Pillai, combinar o tratamento de reposição hormonal com medicação para o TDAH geralmente melhora os sintomas de modo mais eficaz", diz Quinn. Ela também diz que é importante, em cada estágio de sua vida, manter sob controle os sintomas do TDAH. Isso significa lidar com vários profissionais - um psiquiatra ou psicólogo, um clínico e um ginecologista.

Procure instruir-se sobre o TDAH e sobre o que está ocorrendo com seu corpo, manter lista de medicações, tabela de sintomas, e, acima de tudo, peça a ajuda que necessitar dos profissionais.

ADDitude



TDAH e Gravidez (416)

TDAH e Gravidez - Laura Flynn McCarthy - continuação da postagem 415

Diagnosticada com TDAH aos 29 anos de idade, Becca Keeton, de Lomita, Califórnia, tomou medicação estimulante por um ano antes de tentar engravidar. "Parei com minha medicação aos 30, quando estava grávida e cuidando de meus três filhos", diz Keeton. "Durante o primeiro mês de cada gravidez, os sintomas do meu TDAH pioravam. Na minha segunda gravidez, sofri 3 pequenos acidentes de carro - todos por minha culpa - no primeiro mês. Conforme o tempo passava, meus sintomas de TDAH melhoravam e eu também me sentia melhor enquanto amamentava meus bebês." Agora, com quarenta e poucos anos, já passados os anos de suas gravidezes, Keeton toma Adderal diariamente, e diz que aumenta a dose nos dias que antecedem seu fluxo menstrual, para controlar o sintomas de TDAH, que, tipicamente, pioram nessa época.

Efeitos Hormonais Sobre o TDAH

Virtualmente todos os níveis hormonais mudam durante a gravidez, principalmente porque a placenta produz hormônios e estimula outras glândulas - tais como as adrenais e a tireóide - a produzirem mais hormônios, também. Conforme os níveis hormonais se elevam nos primeiros meses da gravidez, as futuras mamães com TDAH sentem cansaço, mudanças de humor e ansiedade. Mas conforme os níveis de estrogênio aumentam à medida em que a gravidez progride, muitas mulheres com TDAH dizem que se sentem melhor.

"Algumas pesquisas mostram que o transtorno de pânico melhora a cada trimestre da gravidez e retorna depois do parto", diz Quinn. "É possível que um padrão semelhante ocorra com o TDAH".

Quinn assinala que, embora não haja nenhuma pesquisa mostrando que os sintomas do TDAH melhorem durante a gestação, há evidências de que isso aconteça. "Recebo cartas e resumos de casos de mulheres dizendo o quão melhor elas se sentem durante a gravidez".

Nas semanas depois do parto, os níveis de hormônios caem. Embora essa queda dos níveis hormonais possa levar a mudanças de humor, às vezes chamada de "the baby blues" (melancolia pós-parto) e a depressão pós-parto em todas as mães de "primeira viagem", as mulheres com TDAH podem ser mais propensas à depressão.

Soluções: Você e o seu médico devem reavaliar seu tratamento para o TDAH durante a gestação e quando estiver amamentando. As pesquisas mostram que alguns estimulantes usados para o tratamento do TDAH podem levar a defeitos cardíacos e outros problemas de desenvolvimento nos fetos. Bebês amamentados no peito podem desenvolver problemas de dependência mais tarde na vida, se suas mães usaram medicação estimulante enquanto amamentavam.

Alguns medicamentos antidepressivos parecem seguros para o uso durante a gravidez e a amamentação, mas você e seu médico devem discutir todas as opções e determinar qual é a melhor para você. Por causa das mudanças hormonais discutidas acima, muitas mulheres acham que parar a medicação para o TDAH permite que elas se sintam melhor.

"Além da medicação, é importante obter ajuda durante a gestação e depois que o bebê nasceu", diz Kathleen Nadeau, Ph.D., diretora do Chesapeake ADHD Center, em Maryland. "Embora as mudanças hormonais possam melhorar os sintomas do TDAH, o estresse do trabalho, da gestação, dos cuidados com os outros filhos em casa, e a ansiedade de estar pronta para o novo bebê podem contrabalançar qualquer benefício hormonal"


Na próxima postagem: A Menopausa e o TDAH