"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O que se sente ao viver com o TDAH não diagnosticado (421)

O que se sente ao viver com o TDAH não diagnosticado
Você se sente envergonhada com a sua casa bagunçada, seus compromissos esquecidos e sua mente divagante… até que descobre que não são falhas pessoais; são sintomas. As leitoras de ADDitude compartilham o que sentiam ao viver com o transtorno invisível do TDAH, antes do diagnóstico. Os editores e leitoras de ADDitude.
Um Transtorno Invisível
Mulheres com TDAH frequentemente são negligenciadas. Os sintomas mais notáveis, como a hiperatividade, se manifestam de modo diferente nos meninos e muito frequentemente são desconsiderados como comportamento tolo das meninas. Além disso, os sintomas de desatenção são mais comumente vistos nas meninas e, geralmente, são tidos como outra coisa.
Viver com um transtorno não reconhecido pode levar a anos de baixa autoestima e vergonha, até que um diagnóstico despeje uma luz sobre tudo o que tinha sido tão duro por tanto tempo. As leitoras de ADDitude e os especialistas compartilham o que se sente ao viver com um transtorno não diagnosticado como o TDAH do adulto. Você se identifica com algum desses relatos?
1- Como viver no vazio
Por toda minha vida tenho lutado com uma vaga sensação de que há algo de diferente comigo. Eu me sinto inferior, inadequada, indisciplinada e, desesperadamente, desorganizada – todos sentimentos que têm sido, vez ou outra, reforçados pelas pessoas de minha convivência… Eu costumava me sentir cansada antes mesmo de sair da cama, temendo o novo dia e suas várias obrigações. Ficava exausta, lutando no trabalho e em casa, com meus filhos. Garimpava cada bocadinho de força espiritual, física, emocional e mental para viver minha vida – até que, finalmente, encontrei alguém que me escutou, entendeu minha história e me deu uma chance de fazer algo a respeito” - Donna Surgenor Reames.
2- Como se você fosse de Marte
Você se sente diferente. Dizem que você é preguiçosa, que não se esforça o bastante, uma avoada, e que não está aproveitando o seu potencial. Que você perderia a cabeça se ela não estivesse grudada no seu pescoço. Por 30 anos. Um bom tempo.” - Sarah C.
3- Como se todo mundo risse de você pelas costas
Viver com o TDAH sem diagnóstico me condicionou a me sentir inepta. Em situações importantes, nunca esperei ser levada a sério. Sempre tinha medo que alguém estivesse fazendo troça de mim pelas costas. O medo estava todo na minha cabeça.” - Zoë Kessler
4- Como se você estivesse usando tapa-olhos
Alguns com TDAH não diagnosticado pensam que vivem uma vida normal. Então, descobrem que não há nada normal em ler 350 livros de romances em três anos enquanto suas finanças, suas casas e suas vidas desabam ao seu redor.” - Uma blogueira de ADDitude.
5- Sempre tropeçando
Eu fui uma das pessoas com TDAH que falhava em pequenas coisas. Não tive problemas na escola e os problemas que surgiram mais tarde na minha vida não eram óbvios para os outros. Nunca me senti preguiçosa ou burra. Sempre soube que era talentosa, mas tropeçava em tudo. Parecia que eu não conseguia fazer as coisas. Me sentia frustrada. O diagnóstico de TDAH mudou minha vida. Chamo o diagnóstico de minha pedra da Rosetta, porque comportamentos que eu nunca conseguia entender, de repente, fizeram sentido.” - Sally Harris
6- Mais quieta que os outros
Cresci em uma grande e espalhada família cubana. Igual a muitas crianças com TDAH do tipo desatento, não fui uma criança alegre, sortuda e cheia de amigos. Era introvertida, ansiosa, mimada, descoordenada e distraída, mas o fato de que eu era quieta era uma benção em minha casa. Geralmente eu era a única pessoa, em nossa casa lotada de gente, que não estava falando.” - Tess
7- Improvisando o tempo todo
Aos 35 anos de idade, me avaliei de verdade. Ser mãe era um problema. Não podia continuar improvisando. O diagnóstico oficial foi um alívio enorme. Finalmente eu tinha uma explicação! Os medicamentos mudaram a minha vida; agora eu dou conta! Sim, minha casa pode parecer desorganizada, mas ao menos eu posso dar conta de todas as coisas básicas e não me sentir completamente oprimida o tempo todo, só às vezes.” - Jodi H.
8- Como peça de quebra-cabeças que não se encaixa
Já na escola primária, escrevi um trabalho que se intitulava A Criança Diferente. Passei minha vida perguntando ´Por que as peças não se encaixam?` Sempre me perdia no meio de conversas. Quando alguma coisa importante, como instruções ou algo que tivesse que ver com uma sequência, eu não conseguia acompanhar. Eu não conseguia ouvir a informação e guardá-la.” - Debbie Young
9- Sempre aborrecida
Fui contratada, promovida e, então, demitida, ou eu me demiti por frustração ou aborrecimento. Agora compreendo que fico facilmente aborrecida e parei de culpar a todo mundo pelo meu aborrecimento. Aprendi a ficar ligada nas conversas fingindo que é um primeiro encontro.” - Eva Peltinato
10- Parece que você quer correr e se esconder
Minhas aulas eram tão devastadoras que me lembro de ficar olhando para a porta da sala, querendo sair de lá correndo. Então eu fiz isso. Um dia, saí da escola e fui andando para casa.” - Joanne Griffin
11- Envergonhada
Assim como muitas mães, sempre acreditei que seria capaz de dar conta de cuidar da casa, tomar conta das crianças, cozinhar e assim por diante. Mas não dei conta e me senti envergonhada.” - Terry Mallen
12- Como uma desmiolada
Nunca fui capaz de guardar dinheiro o suficiente. Eu gastava de modo impulsivo e pagava minhas contas quando me lembrava. Sentia que nunca seria capaz de ter uma taxa de crédito decente ou comprar uma casa. É duro para qualquer pessoa nos dias de hoje, ainda mais para uma desmiolada (assim minha mãe costumava me chamar) como eu.” - Cindy H.


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