"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

sexta-feira, 29 de julho de 2011

123- É uma dificuldade de aprendizagem ou TDAH forma desatenta?

Problemas com organização, atenção e gerenciamento do tempo apontam geralmente para o tipo desatento do TDAH. Porém, às vezes, as Dificuldades de aprendizagem são esquecidas. Como descobrir o que há por trás dos sintomas...  Por Larry Silver, M.D.

Uma criança ou um adulto com TDAH pode ser diagnosticado em três subgrupos:
TDAH – Tipo Combinado: significa que o indivíduo é hiperativo, desatento e impulsivo.
TDAH – Tipo Hiperativo-Impulsivo: significa que o indivíduo é hiperativo e impulsivo.
TDAH – Tipo Desatento: significa que o indivíduo é somente desatento.
Não é difícil de entender os comportamentos observados no tipo hiperativo ou impulsivo. Mas o que significa “desatento”?
Os critérios listados no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais - DSM-IV, usados para estabelecer se uma criança ou adulto é desatento, requerem que o clínico identifique ao menos seis comportamentos em um conjunto de nove (veja a lista no fim do artigo).
Um dos nove comportamentos listados refere-se a ser distraído por estímulos externos (estímulos sonoros ou visuais). Outro refere-se à dificuldade de manter a atenção. Os sete restantes descrevem as dificuldades relacionadas no contexto da função executiva – a capacidade de imaginar uma tarefa, planejar como fazê-la, e completá-la no tempo correto. (Estes problemas também podem ser imaginados como dificuldades com organização e planejamento do seu tempo). Assim, uma criança ou adulto que tenha dificuldades somente com a função executiva poderá preencher os critérios e ser identificado como tendo desatenção.
Quando a medicação não funciona
Algumas vezes as dificuldades com a desatenção melhoram significativamente com o uso de um estimulante para o TDAH.
Frequentemente, entretanto, os medicamentos não resolvem completamente esses problemas de organização e de gerenciamento do tempo, a será necessária uma ajuda adicional: apoio de educação especial para a criança ou, para um adulto, trabalhar o TDAH com um coach especializado em organização.
Essas dificuldades com organização e planejamento do tempo podem ser causadas pelo TDAH – ou podem resultar de uma Dificuldade de Aprendizagem  (DA). Algumas vezes essas dificuldades podem ser devidas aos dois problemas, TDAH e DA.
É importante para os pais de uma criança com desatenção, assim como para um adulto que sofra do mesmo problema, o entendimento das causas potenciais e de como elas indicam o tratamento mais eficaz.
Os pais devem entender  como os sintomas do TDAH desatento impactam seu filho. Por exemplo, os problemas de organização e de planejamento do tempo podem também causar dificuldades acadêmicas – na retenção do que foi lido e para organizar os pensamentos para serem escritos no papel.
Estudo de Casos
Quando pedi a Jane, mãe de três filhos, que achava que sofria de TDAH, para falar sobre seus sintomas, ela me contou a seguinte história. “ Subo as escadas para pegar a roupa suja”, disse. “No alto das escadas, olho para o quarto e vejo algo que precisa ser feito. Eu o faço. Então, me lembro da roupa suja, mas noto alguma outra coisa e paro para fazê-la. A roupa suja nunca é recolhida.”
Após algumas perguntas, Jane descreveu sua história de desatenção. Ela se distraía com qualquer coisa que visse ou ouvisse. Não conseguia controlar as tarefas de casa e os seu três filhos. Nunca era pontual e frequentemente esquecia o que tinha de ser feito a cada dia.
Confirmei o diagnóstico de TDAH tipo desatento, e receitei um estimulante. Sua vida mudou. Sob a medicação, ela podia fazer as tarefas sem se distrair com outras atividades. Sua vida ficou organizada.
Jessica, uma estudante do décimo grau, era um caso mais complicado. Ela tinha tido dificuldades na escola desde o oitavo grau e, agora, estava com graves problemas acadêmicos. Depois de uma avaliação psicoeducacional, na escola, foi achado que ela tinha capacidade intelectual acima da média, mas que sua velocidade de processamento e sua memória de trabalho estavam abaixo da média.
A escola suspeitou que ela tivesse o TDAH tipo desatento. Jessica consultou seu pediatra e começou a usar um estimulante. Sua atenção melhorou, mas seu desempenho acadêmico não. Então, os pais de Jessica pediram para que eu a avaliasse.
Descobri que Jessica tinha sido boa aluna até o sétimo grau. Ela tinha mais dificuldade de cumprir os compromissos e de terminar seu trabalho a cada ano. Embora ela entendesse a matéria, ela não guardava o que tinha lido. Parecia entender as aulas, mas não conseguia organizar seus pensamentos bem o suficiente para passa-los para o papel.
“Eu ficava olhando para a página e nada acontecia”, disse ela. Além dessas dificuldades, havia o fato de que ela frequentemente esquecia-se de escrever os compromissos. Reli a avaliação psicoeducacional de Jessica. Suas dificuldades educacionais não foram resolvidas na conferência da escola. Em vez disso, a maioria dos profissionais concluiu que ela tinha TDAH. Ainda assim, os testes educacionais mostravam que ela tinha dificuldade com a retenção do que lia e de organizar seus pensamentos. Não estava claro para mim que ela tinha TDAH. Estava claro que ela tinha dificuldades de aprendizagem. Sugeri o apoio da educação especial, e encorajei a escola a fazer as acomodações. A medicação foi interrompida. Suas notas melhoraram lenta mas constantemente.
Lições aprendidas
O que estas duas histórias revelam? Ambas as meninas tinha problemas de organização e de planejamento do tempo. Os problemas de Jane eram secundários ao TDAH tipo desatento. Ela respondeu maravilhosamente a um medicamento estimulante. Jessica, por ouro lado, tinha problemas de organização que resultavam de dificuldades de aprendizagem. Ela necessitou de intervenções de educação especial. Algumas crianças ou adultos têm ambos os problemas, e requerem medicação e um tutor ou serviços especiais
O auxílio correto
Alguns profissionais da escola são muito rápidos na interpretação dos sintomas de desatenção e dos problemas com a função executiva (especificamente, organização e planejamento do tempo) como TDAH.
De fato, muitas avaliações escolares focalizam nos achados que apoiam o diagnóstico de TDAH. Seu médico de família pode usar esses resultados como evidência para receitar medicação. Isto é correto e bom, se a medicação melhorar significativamente os sintomas de desatenção da criança. Mas, e se isso não acontecer? Fique atento para a possibilidade de que os sintomas sejam os de dificuldades de aprendizagem, que requerem um plano de tratamento diferente.
E sobre os adultos?  Digamos que você tenha sido diagnosticado como tendo o TDAH do tipo desatento, que esteja tomando um estimulante e que trabalhe com o auxílio de um coach para organização. Se essas coisas não estão ajudando, é possível que você tenha uma dificuldade de aprendizagem. Pense nos seus anos escolares: você tinha dificuldades acadêmicas? Algumas tarefas acadêmicas – matemática ou um relatório sobre gastos, digamos – complicavam sua carreira e sua vida? Se foi assim, você pode se beneficiar de uma intervenção de educação especial focalizada. Nunca é tarde para obter ajuda.
TDAH desatento em resumo
Frequentemente fracassa em prestar atenção a detalhes, ou comete erros por falta de
cuidado na escola e no trabalho
Frequentemente tem dificuldade de manter a atenção em tarefas e atividades  de lazer
Frequentemente parece não ouvir o que se lhe fala diretamente
Frequentemente não segue instruções e fracassa em terminar os trabalhos da  escola ou
as obrigações
Frequentementetem dificuldade de se organizar para as tarefas e as atividades
Frequentemente evita, não gosta, ou é relutante em se engajar em tarefas que requeiram esforço mental sustentado (trabalho de casa ou trabalho escrito)
Frequentemente perde as coisas necessárias para os trabalhos ou as atividades
Frequentemente é facilmente distraído por estímulos externos
Frequentemente é esquecido nas atividades diárias

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