"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

TDAH - Facilmente distraído? Como controlar as distrações e o foco na escola.  -  448


Crianças com TDAH possuem um nível mais baixo de alerta cerebral, o que significa serem mais facilmente distraídas por estímulos internos e externos. Utilize estas estratégias, na escola e em casa, para melhorar o foco e a compreensão.
Por ADHD EDITORIAL BOARD. Revisado pelo ADDitude´s Medical Review Panel. Updated = 23 de Agosto de 2019.

O problema: “Meu filho é facilmente distraído; ele não presta atenção nem escuta.”

Não focalizado na aprendizagem? Facilmente distraído na escola e na tarefa de casa? Um estudante com Transtorno de Deficit de Atenção (TDAH ou TDA) pode não parecer escutar ou prestar atenção na matéria de classe. Ele pode estar divagando, olhando pela janela, ou focalizado em ruídos irrelevantes ou outros estímulos. Como resultado, ele perde as lições, instruções e orientações.

A causa: TDAH não é somente uma incapacidade de prestar atenção – é uma incapacidade de controlar a atenção. Crianças com TDAH têm um nível mais baixo de despertar cerebral, o que por sua vez diminui sua habilidade de descartar distrações como ruídos no corredor, movimentos lá fora, ou mesmo seus pensamentos e sentimentos internos. Crianças com TDAH têm uma dificuldade especial em controlar a distração quando uma atividade não é suficientemente estimulante. Elas perdem o foco.

Os obstáculos: Crianças com TDAH lutam para se manter focalizadas em leituras ou qualquer tarefa que requeira esforço mental sustentado. Às vezes, essa distração pode parecer intencional e irritante – o que funciona contra os estudantes com TDAH para obter a ajuda de que precisam. Advertências tais como “Volte para a Terra, Maria!” ou “Por que você nunca escuta?” não corrigem esse deficit de atenção. Se as crianças pudessem prestar mais atenção, elas o fariam.

Continue lendo para descobrir as soluções para a distração em sala de aula e em casa e para auxiliar seu filho a prestar atenção em seu trabalho escolar.

SOLUÇÕES PARA PRESTAR ATENÇÃO EM SALA DE AULA

Escolha com sabedoria o lugar de se sentar. Manter crianças com TDAH perto do professor e longe de portas ou janelas ajuda a minimizar as potenciais distrações e promovem melhor resultado em “estar focalizado”.

Permita que os estudantes utilizem bloqueadores de distração. Para não prejudicar crianças com TDAH, deixe que elas tentem separadores individuais, fones de ouvido, ou tampões auriculares para bloquear as distrações durante os trabalhos sentados ou nas provas.

Torne as coisas interessantes. Alterne entre atividades com alto e baixo interesse e, quando possível, mantenha os períodos de ensinamento curtos ou varie o ritmo de uma lição para a próxima.

Adapte-se aos diferentes estilos de aprendizagem: Utilize uma variedade de estratégias e de técnicas de ensino para adaptar-se aos vários estilos na sala de aula, de modo que todos os alunos tenham a oportunidade de abordar as lições da melhor maneira que eles aprendem.

Inclua aspectos visuais auditivos e cinéticos a todas as lições. Também, dê aos estudantes a oportunidade de trabalhar em cooperação, individualmente e com o grupo.
Redirecione em vez de reprimir. Em vez de repreender um aluno que se distrai, redirecione-o de um modo que não lhe cause embaraçamento. Às vezes, fazer uma pergunta a uma criança com TDAH, que você sabe que ele pode dar a resposta, ou dar dicas não verbais, tais como ficar perto dela, ou tocar de leve em seu ombro, pode trazer a criança de volta ao foco.

SOLUÇÕES PARA PRESTAR ATENÇÃO EM CASA

Estabeleça uma rotina diária de tarefas da escola. Algumas crianças precisam de uma pausa entre a escola e as tarefas ou podem precisar de frequentes pausas entre as tarefas. Descubra o que funciona melhor para seu filho a fim de auxiliá-lo a evitar as distrações e as procrastinações (deixar para depois).

Auxilie seu filho com TDAH a se ligar em ambiente livre de distrações. Às vezes, o melhor ambiente de aprendizagem pode ser realmente a mesa da cozinha, com música tocando ao fundo. Experimente até que descubra o lugar ideal de aprendizagem.

Dê a partida para ele. Sente-se com seu filho e assegure-se de que ele entende o que é necessário para cada tarefa.

Supervisione conforme for necessário. A maioria das crianças com TDAH precisa de significativa supervisão do adulto par manter-se em ação. Conforme a situação melhore e a criança amadureça, você pode sair de uma supervisão constante para frequentes checagens, para certificar-se de que seu filho mantém-se na tarefa.

Permita pequenas interrupções entre as tarefas. Faça seu filho alongar-se ou comer um lanche após o final de uma tarefa. Isso pode ajudar a fazer o trabalho dele mais fácil de administrar.

Divida tarefas muito longas. Dividir longas tarefas em pedaços, cada um com um objetivo bem definido. Se o seu filho perceber como uma tarefa pode ser mais bem manejada, ele terá menos tendência a se tornar distraído.

Updated on August 23, 2019 ADDitude. New Hope Media LLC. All rights reserved.



quinta-feira, 18 de abril de 2019

TDAH E TEMPO DE TELA (SMARTPHONE, TABLET, COMPUTADOR) 447


TDAH - Mais tempo de tela = Mais problemas de comportamento em pré-escolares
 Por: Amy Orciari Herman        -       Editado por Richard Saitz, MD. MPH. 
Quanto mais tempo por de tela por dia têm os pré-escolares, maior a chance de que apresentem problemas de comportamento, de acordo com uma pesquisa em PLOS One.
Pesquisadores no Canadá estudaram 2.400 crianças cujos pais completaram questionários sobre o tempo que as crianças gastavam vendo tela quando tinham entre 3 e 5 anos de idade, assim como as avaliações de comportamento na idade de 5 anos.
No total, 1,2% das crianças apresentaram problemas exteriorizados com a idade de 5 anos (por exemplo: desatenção, agressividade) e 2,5% tiveram problemas internalizados (por exemplo: ansiedade, depressão). Em comparação com as crianças que obtiveram menos de 30 minutos de exposição à telas diariamente, as que tiveram mais de 2 horas de exposição apresentaram riscos significativamente maiores de problemas externalizados, internalizados e de todos os problemas de comportamento. Em particular, crianças que tiveram exposição maior do que 2 horas por dia eram 6 vezes mais propensas a apresentarem transtornos de desatenção. O tempo excessivo de exposição a telas também estava associado a aumento de quase 8 vezes de significativos sintomas de TDAH.
Foi observado que maior atividade física parecia proteger contra os problemas de comportamento.

sábado, 24 de novembro de 2018

MACONHA. Óleo de CANABIDIOL para o TDAH? Parece que não. 446

CBD Oil for ADHD?

The Facts About This Popular Natural Treatment
BY DEVON JACKSON

These days, it’s tough to nd an online community or social media group not singing the praises of cannabidiol (CBD) oil. This helps to explain why so many people are exploring its benets for diseases and disorders ranging from Alzheimer’s and Parkinsons to PTSD and, yes, attention decit disorder (ADHD or ADD). Though research suggests that CBD oil may benet patients with epilepsy and other disorders, any such claims around ADHD are only that: claims. What Is CBD? Does It Help ADHD? CBD is a product of the marijuana (cannabis) plant with the high-inducing THC (tetrahydrocannabinol) compound removed, which means it is not psychoactive. CBD — often in the form of an oil, a tincture, or an edible — has been rumored to reduce anxiety, a common symptom among those diagnosed with ADHD. No one, though — not even the drug’s most hardcore advocates — claims CBD is a treatment for ADHD. According to Mitch Earleywine, professor of psychology at SUNY-Albany and an advisory-board member of the National Organization for the Reform of Marijuana Laws (NORML), there is “no published data, let alone randomized clinical trials, [that] support the use of CBD for ADHD.” Even so, word of CBD’s potential benets — proven or otherwise — are often enough to compel some patients with ADHD to experiment. Dr. John Mitchell of the Duke University ADHD Program says that one of his patients, an adult woman with ADHD, tried CBD. Twice. On her own. Without his approval or supervision. “I bought one vial for $50 that contained 30 gel tablets, and I took all of them over a few weeks,” says Mitchell’s patient, who preferred to remain anonymous. “I’d never tried CBD or any type of cannabis before, and I felt no changes. But I didn’t have any adverse eects, either.” Anecdotally, this outcome appears common for half of those trying CBD on their own — regardless of the quantity, quality, or type used. The other half claim some positives with regard to CBD and ADHD: “I was able to relax” or “I felt less manic” are common refrains. The problem, as Dr. Mitchell and the broader community of ADHD and CBD researchers point out, is a dearth of studies around CBD. No single research team has yet studied the possible eects — good or bad — of CBD oil for ADHD symptoms specically. “There are anecdotes that CBD may help with ADHD,” says Dr. Robert Carson, an assistant professor of neurology and pediatrics at Vanderbilt University who co-authored a 2018 study on the ecacy of CBD on epilepsy, “but this is true for many other symptoms or diseases. Thus, there may be patients whose ADHD symptoms improve after adding CBD, but we cannot generalize that anecdote more broadly. Secondly, the cases we’re most likely to hear about are the one where somebody had a great response — not the 10 who did not. “I am not aware of any scientic or clinical data that would speak to the safety or ecacy of using CBD in the treatment of ADHD,” says Ryan Vandrey, Ph.D., a member of John Hopkins University School of Medicine’s Behavioral Pharmacology Research Unit. “There is no scientic basis from which CBD should be recommended for use as a treatment for ADHD, nor is there any data that could speak to which product or dose would be appropriate.” Is CBD Legal? Is It Safe? To date, 33 states and the District of Columbia have passed laws broadly legalizing marijuana in some form; 10 other states and Washington, D.C., have adopted laws legalizing marijuana for recreational use. Even so, the U.S. Drug Enforcement Administration considers CBD, like all cannabinoids, a schedule 1 drug — making it as illegal as heroin and ecstasy. Despite this, one cannabis industry expert predicts that CBD products alone will comprise a nearly $3 billion market by 2021. With all that prot on the horizon, why so few studies? At least partially to blame is the legality of CBD; it’s dicult to attain a federal grant to study a federally illegal drug. Politics also come into play, as do lingering public perceptions of cannabis as a gateway drug that may lead to schizophrenia, lethargy, or both. Nevertheless, Dr. Mitchell feels that “The perception that [CBD] can have a negative eect has gone down because it’s becoming more available.” This is not a perception shared by all of Dr. Mitchell’s peers, who note professional resentment and stigma regarding funding for cannabis research. “There’s a lot of political opposition coming from the business and scientic communities,” asserts Dr. Jacob Vigil, director of the University of New Mexico’s Medical Cannabis Research Fund. “It’s still highly stigmatized, and we need more studies.” The studies done on CBD and ADHD to date amount to… practically nothing. One 2011 study showed that, among a group of 24 people with social anxiety disorder, the half who’d taken CBD were able to speak in front of a large audience. In 2015, researchers in Germany examined the relationship between cannabis (CBD and THC) and ADD in 30 patients, all of whom said they experienced better sleep, better concentration, and reduced impulsivity while using the cannabis products. Finally, a 2017 study looking at CBD oil and ADHD in adults found that the oil improved some symptoms, but that more studies were needed to conrm its ndings. [Symptom Self-Tests for Adults] The Dangers of Experimenting with CBD for ADHD The Netherlands’ self-professed “cannabis myth buster,” Arno Hazekamp stated in a recent paper, “While new CBD products keep entering the market virtually unchecked, eective regulatory control of these products has stayed far behind. As a result, unknown risks about long-term eects remain unaddressed, especially in vulnerable groups such as children.” “During [a person’s] development, I worry about cannabinoids, both CBD and THC,” says UCLA’s Evans. “There are adenosine receptors (and CB2 receptors) on the microglia that are critical for brain development, and CBD inhibits adenosine uptake. This may be a benecial factor for epilepsy and autoimmune and inammatory diseases, but who knows for ADHD.” And while CBD may potentially benet some patients with ADHD, “One is doing an experiment on oneself by taking CBD for ADHD,” Evans adds. “CBD is anti-inammatory and I’m not sure there is good 24/11/2018 CBD Oil for ADHD: Can Cannabis Treat ADD Symptoms? https://www.additudemag.com/cbd-oil-adhd-symptoms-natural-treatment/?utm_source=eletter&utm_medium=email&utm_campaign=best_novem… 3/4 evidence mechanistically that for ADHD it might be helpful.” It’s also unknown how CBD may interact with other medications. “CBD in any form is a drug, and thus has a potential for side eects or interactions with other drugs, specically those metabolized through the liver [CBD is metabolized by the same enzyme in the liver that metabolizes many other medicines and supplements],” Carson says. “And with other ADHD medications that have sedating qualities, such as guanfacine or clonidine, there may be additive eects that may not be benecial.” Also potentially harmful is the non-standard and wildly uctuating amount of CBD in most CBD products, even those labeled as “pure CBD oil.” Some such products may also contain other ingredients — pesticides, additives, herbs, and even THC. “CBD alone has multiple actions on the cells in the brain and we don’t know which ones are clearly responsible for its known benets,” Carson says. “It gets more complicated when we have less puried products that also include THC and CBDV [cannabidivarin].” Dangers may also exist in the method of delivery. CBD is packaged and consumed in oils, tinctures, or edibles — each one absorbed dierently by a person’s body. “The labeling in this industry,” says Vigil of UNM, “is horric.” ‘Natural’ Doesn’t Necessarily Mean ‘Safe’ Once CBD enters the body, no one yet knows how it works. Its long-term eects are a mystery. Exactly how does CBD work — in the brain and over many years? As Dr. Carson bluntly puts it: “We don’t know and we don’t know.” None of this will stop some people from self-medicating with CBD or trying it on their children. “Apparently there are products oering about 30mg of CBD per dose,” Earleywine says. “I rarely see published work with humans that shows much of an eect below 300mg, which… would get quite expensive… So it’s probably a waste of time and money.” “The bottom line,” Evans says, “is that there is a dearth of research on all cannabinoid actions — because of its schedule 1 classication — and no clear scientic evidence I can nd to endorse or not endorse CBD use for ADHD.” Perhaps because researchers have documented no negative links between CBD and ADHD, some “patients go through trial and error with CBD,” Vigil says. “First they go on the Internet, where they start with an isolate CBD. Then they try the vanilla products — only to nd they get more benets when they add THC. “They do that because cannabis is so variable that patients are forced to experiment. Also because clinical trials can’t really tell you anything about the decisions that patients actually make in the real world. And nally because there’s not going to be a uniform solution for everybody.” “Families need to think very hard about potential risks versus benets for treating other disorders, including ADHD,” Carson advises. “So please discuss what you are thinking about doing with your child’s physician. In the absence of good data, a dose of 1 milligram per kilogram of body weight per day is where most patients start when using CBD for epilepsy — and this seems to be well tolerated. But if the side eects from any medication are worse than the problem was to begin with, that patient might be on too much. “I like to remind families,” Carson adds, “that just because something is natural does not mean it is safe.”


[Read This: The Case for Holistic ADHD Treatment] 24/11/2018 CBD Oil for ADHD: Can Cannabis Treat ADD Symptoms? https://www.additudemag.com/cbd-oil-adhd-symptoms-natural-treatment/?utm_source=eletter&utm_medium=email&utm_campaign=best_novem… 4/4 Copyright © 1998 - 2018 New Hope Media LLC. All rights reserved. Your use of this site is governed by our Terms of Use and Privacy Policy. ADDitude does not provide medical advice, diagnosis, or treatment. The material on this web site is provided for educational purposes only.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Falta Ritalina no Brasil

Novartis Biociências S.A.
Av. Professor Vicente Rao, 90 04636-000 - São Paulo – SP - Brasil

www.novartis.com.br 

À Presidente da Associação Brasileira do Déficit de Atenção, Sra. Iane Kestelman

Prezada Sra. Iane,

Em resposta à Carta Aberta para a Novartis com o questionamento sobre o desabastecimento de Ritalina® e Ritalina® LA (cloridrato de metilfenidato), a Novartis reitera a informação previamente divulgada, através dos canais de comunicação com a classe médica e pacientes em tratamento, que está reestabelecendo o abastecimento dos medicamentos no mês de agosto.

Os lotes de Ritalina e Ritalina LA já estão sendo faturados para o mercado - centros de distribuição, farmácias e Secretarias de Saúde do país – desde o dia 24 de julho. A empresa está fortemente atenta ao processo e tomando todas as providências ao seu alcance para regularizar o fornecimento dos medicamentos, pois entende a importância da continuidade no tratamento dos pacientes.

Para mais detalhes sobre o tema, o nosso Serviço de Informações ao Cliente poderá ser contatado via e-mail sic.novartis@novartis.com ou telefone 0800-888-3003. Atenciosamente, João Sanches, Diretor de Assuntos Corporativos


[Eu digo: falou e não explicou]

sábado, 9 de junho de 2018

AUTISMO - PESQUISADORES BRASILEIROS CRIAM MÉTODO PARA DETECÇÃO - 445

Pesquisadores brasileiros criam instrumento para rastrear autismo de forma rápida e barata
Teresa Santos (colaborou Dra. Ilana Polistchuck)
NOTIFICAÇÃO 6 de junho de 2018
Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma ferramenta para rastrear autismo que pode ser utilizada em diferentes ambientes, inclusive na atenção primária. O instrumento, intitulado Observação Estruturada para Rastreamento de Autismo (OERA), pode ser aplicado em 15 minutos, por profissionais não especializados em autismo e tem baixo custo. A pesquisa de validação está publicada na edição de maio do Journal of Autism and Developmental Disorders[1]. A psicóloga Cristiane Silvestre de Paula, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenou a pesquisa. Ela falou sobre o trabalho em entrevista ao Medscape.
Cristiane afirma que o diagnóstico do autismo exige dois tipos de avaliação: uma entrevista co5m os pais e uma observação estruturada da criança em situação clínica. O OERA se enquadra nesse segundo tipo.EÇÃO
Ferramenta é baseada na aplicação de jogos
Trata-se de um instrumento criado para medir marcadores comportamentais em crianças, entre três e 10 anos de idade, com transtorno do espectro autista[2]. A psicóloga explica que a ferramenta foi baseada na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5)[3], e testa basicamente dois aspectos: comunicação social e comportamentos restritivos e estereotipados.
A versão inicialmente elaborada pelos pesquisadores era composta de oito itens semiestruturados e 14 itens observacionais. Após o estudo de validação, a versão final ficou com os oito itens semiestruturados – (1) resposta ao nome, (2) iniciação da atenção compartilhada, (3) resposta de atenção compartilhada, (4) imaginação ('brincadeira simbólica'), (5) sorriso social, (6) nomeação de duas figuras, (7) compartilhamento de prazer na interação, (8) apontamento de objeto – e cinco itens observacionais – (9) ecolalia (repetição de palavras e frases faladas que ouve), (10) uso do corpo de outros para se comunicar, (11) apontar, (12) contato visual incomum e (13) expressões faciais direcionadas para os outros –, somando 13 itens no total.
O aplicador utiliza uma caixa lúdica para jogar com a criança. A atividade é filmada e depois avaliadores observam a gravação e pontuam. Os itens são dicotômicos, onde zero corresponde a um comportamento típico e um representa presença de sinal/sintoma de autismo. Uma pontuação igual ou maior que cinco é indicativa do transtorno do espectro autista, visto que esse ponto de corte foi o que apresentou maior sensibilidade (92,75%) e especificidade (90,91%) no estudo de validação.
OERA é capaz de diferenciar autismo de outras síndromes
A pesquisa de validação incluiu 99 crianças, sendo 76 com transtorno do espectro autista. Elas foram recrutadas em três clínicas especializadas da cidade de São Paulo. As outras 23 crianças não tinham autismo, porém 11 tinham deficiência intelectual e 12 tinham comportamento típico.
Profissionais não especializados (estudantes de graduação, psicólogos e geneticistas) foram treinados para aplicar a ferramenta. O treinamento presencial durou seis horas e incluiu explicação dos conceitos do transtorno do espectro de autismo abordados no OERA, informação sobre o processo de avaliação, e como gerenciar o comportamento durante o teste. Atualmente, houve um aprimoramento e o treinamento tem sido oferecido com sucesso em três horas. A pontuação foi feita de forma independente por dois profissionais especialistas em autismo que assistiram aos testes filmados. Eles não tinham conhecimento inicial sobre o diagnóstico das crianças avaliadas. A ferramenta permitiu acertar o diagnóstico das crianças em mais de 90% dos casos e, segundo a pesquisadora, foi sensível para diferenciar o autismo de outras síndromes.
Mais barato e mais simples que o padrão-ouro
Atualmente, o padrão-ouro em termos de avaliação observacional é o Autism Diagnostic Observation Schedule (ADOS)[4]. Segundo Cristiane, ele ainda está em processo de validação no Brasil, porém é um instrumento caro e extenso.
“A caixa lúdica utilizada no ADOS precisa ser importada (custa cerca de U$ 1,5 mil) e o treinamento também tem valor elevado (cerca de R$ 7 mil). Além disso, a avaliação demora entre 60 e 90 minutos e acaba não sendo factível para ser implementada no dia a dia da maioria dos serviços de atenção primária, sendo utilizada principalmente em pesquisas e em centros de referência. Nos demais lugares, utilizam-se mais ferramentas de rastreamento”, explica a especialista.
São três as principais ferramentas de rastreamento de autismo que também trabalham com crianças entre três e 10 anos de idade descritas na literatura: o Childhood Autism Rating Scale (CARS)[5], o Autism Mental Status Exam (AMSE)[6,7] e uma versão reduzida do ADOS[8,9]. Apenas o AMSE está validado no Brasil pelo grupo da UNICAMP[10]. Embora todas sejam ferramentas importantes, elas apresentam algumas limitações. Por exemplo, nenhuma fornece validade de constructo, tampouco traz evidências de invariância em populações com diferentes quocientes de inteligência (QI), sexo ou idade.
O OERA passou por validação de constructo, apresentando índices bons na análise fatorial confirmatória, e não apresentou função diferencial em termos de idade/sexo/QI. Quando comparado à ferramenta padrão-ouro (ADOS), o instrumento dos pesquisadores brasileiros é mais rápido, a aplicação dura 15 minutos, e mais barato (a caixa lúdica custa cerca de R$100).
Quando utilizar
As diretrizes internacionais e a Sociedade Brasileira de Pediatria orientam que durante uma entrevista pediátrica, ou quando a criança vai fazer uma vacina com 12, 18 meses de idade, já se deve começar a investigar se há alguma alteração no desenvolvimento. Além disso, o ideal, segundo a psicóloga, é que todo o profissional tenha formação adequada para perceber, pelo olhar da criança, que há algo de diferente nela.
“Nos casos de suspeita de alteração preconizamos que se utilizem os instrumentos de rastreamento disponíveis, tal como o OERA. Para fortalecer essa suspeita, importante complementar o OERA com instrumentos de rastreamento segundo entrevista com os pais, como o Autism Behavior Checklist (ABC) que está validado no Brasil[11]. Após a confirmação, o melhor é encaminhar a criança para uma equipe especializada”, esclarece a pesquisadora.
O atendimento especializado permitirá fazer a avaliação mais completa das potencialidades da criança e traçar um planejamento singular terapêutico.
O OERA pode ser aplicado, portanto, em casos suspeitos na atenção primária, por profissionais como pediatras e enfermeiros, com formação mínima na infância, após treinamento.
Ferramenta segue em aperfeiçoamento
Os pesquisadores vêm trabalhando no desenvolvimento do OERA há 10 anos. “Buscamos sempre desenvolver um material de alta sensibilidade, que seja acessível a toda a rede e com boa qualidade”, conta Cristiane.
Mas, a equipe segue aperfeiçoando o instrumento. Atualmente, está em andamento um estudo com três objetivos principais: 1) verificar se o profissional não especialista consegue fazer a pontuação; 2) investigar se o OERA pode ser aplicado em uma faixa etária ainda menor; e 3) checar se ele consegue detectar casos de autismo leve.
A questão da pontuação é importante, pois, segundo Cristiane, uma vez que o profissional não especialista seja capaz de pontuar as avaliações, haverá maior independência dos recursos de alta e média complexidade na avaliação inicial. Sobre a faixa etária, ela explica que embora o instrumento seja aplicável em crianças de três a 10 anos, a maioria dos participantes incluídos no estudo tinha cinco anos de idade.
“Vamos tentar agora com crianças a partir de dois anos de idade, pois quanto mais precoce é o diagnóstico, melhor”, destaca.
E, quanto à gravidade do transtorno, ela afirma que a maioria (cerca de 80%) das crianças com autismo analisadas no primeiro estudo tinha deficiência intelectual, representando casos mais graves.
“Assim, o objetivo nessa nova pesquisa é trabalhar a ferramenta em uma amostra na qual os casos leves sejam predominantes, a fim de identificar se ela consegue detectá-los: quanto mais leve o quadro, mais difícil é a detecção”, diz.
Referências
12
Citar este artigo: Pesquisadores brasileiros criam instrumento para rastrear autismo de forma rápida e barata - Medscape - 6 de junho de 2018.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Maconha e tratamento do Autismo. Há ciência por trás disso? (444)

AUTISMO E TRATAMENTO COM MACONHA.
Há ciência por trás disso?
Por Kelley L. Harrison, MA, BCBA, LBA-KS; Thomas Zane, PhD, BCBA-D
Departamento de Ciência Aplicada do Comportamento, Universidade de Kansas.
Nos últimos anos, houve um aumento do número de Estados que aprovaram leis que tornam legal o uso da maconha, tanto para fins medicinais quanto recreacionais. Coincidindo com essa tendência é o crescente número de relatos que sugerem que essa droga pode ser usada para tratar os sintomas do TEA – Transtorno do Espectro Autista, e outros problemas do desenvolvimento. Entretanto, não há nenhum estudo controlado que avalie os efeitos da maconha no TEA. Atualmente, o governo federal classifica a maconha e seus produtos derivados como droga “CLASSE I”, significando que não há nenhum reconhecimento formal de seu uso médico, e que há um alto potencial para o abuso (Academia Americana de Neurologia, 2017).
Estatísticas recentes mostram que a maconha é a segunda substância mais popular entre os adolescentes, depois do álcool. Uma crença popular é que a maconha seja relativamente inofensiva. Os usuários da maconha relatam euforia, aumento das interações sociais, aumento do apetite, aumento da insensibilidade à dor e ao desconforto, e aumento do relaxamento. Infelizmente, os pesquisadores identificaram vários efeitos adversos do uso da maconha, especialmente quando usada por adolescentes. Por exemplo, os adolescentes são mais susceptíveis à adicção. De fato, um em seis adolescentes que usam maconha se tornará viciado. A maconha também tem efeitos no desenvolvimento cerebral de qualquer um antes dos 21 anos, e está correlacionada a um QI mais baixo, a maior abandono da escola, a diminuição da satisfação e das conquistas, e ao aumento do risco de desenvolvimento de doenças mentais (esquizofrenia). Além disso, Ellison (2009) relatou que o tetraidrocanabinol (THC), o ingrediente ativo da cannabis, interfere com a memória, a concentração e a atenção, que são os principais indicadores para o diagnóstico do Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Composição da maconha e a lei atual.
A maconha é derivada da cannabis sativa, planta que contém mais de 60 compostos chamados canabinoides. O efeito euforizante associado ao uso da maconha é ativado pelo THC, que é considerado a maior substância psicoativa (Academia Americana de Neurologia, 2017). Outros compostos na maconha não têm uma influência psicoativa similar. A maconha pode ser fumada, ingerida e vaporizada como os e-cigarettes. Óleo de haxixe, que é uma forma altamente concentrada de maconha, contém concentração muito alta de canabinoides, e é de uso ilegal no presente.
Conforme o governo federal relaxa as leis relacionadas à legalidade da maconha, mais Estados têm autorizado o seu uso medicinal ou recreativo. Inicialmente, as leis permitiam que somente os adultos recebessem a droga. Entretanto, mais recentemente a FDA (United States Food and Drug Administration) aprovou canabinoides sintéticos derivados do THC para uso em crianças como estimulante do apetite, enquanto recebessem quimioterapia. Entretanto, é importante notar que essas versões sintéticas da droga não possuem propriedades psicoativas, e, por isso, acredita-se que sejam mais segurar para serem usadas.
Qual a ligação racional entre maconha e TEA?
Há algumas pesquisas publicadas que sugerem que a maconha pode aliviar a espasticidade e a dor generalizada em adultos, e alguns médicos estão começando a recomendar a maconha para crianças com problemas outros que não físicos (por exemplo, síndrome de Tourette, epilepsia, distonia, convulsões. Relatos isolados sugerem que a maconha pode aumentar a sociabilidade, intensificar a percepção, dar uma sensação de alentecimento do tempo, diminuir a agressividade e aumentar o apetite. Assim, em princípio, a maconha parece ser apropriada para uma série de comportamentos tipicamente associados a indivíduos com TEA (por exemplo: diminuição do apetite graves problemas de comportamento, incluindo agressão a outros ou a si mesmo, carência de habilidades sociais, incapacidade de manter a atenção. Autism Support Network, 2016).
Adicionalmente, os que propõem o uso da maconha argumentam que ela seja mais segura e que tenha menos efeitos colaterais que as outras medicações para controle de comportamento. Por exemplo, a Ritalina, medicação comumente receitada para o TDAH, que está associada a aumento dos tiques faciais, inibição do crescimento, depressão e insônia.
Qual a evidência científica do uso da maconha no Autismo?
Correntemente, existem somente depoimentos testemunhais que apoiam o uso da maconha para tratar o Autismo. Por exemplo, há grupos que advogam seu uso, tais como: “Mothers for Medical Marijuana Treatment for Autism”, “Mothers Advocating Medical Marijuana for Autism (MAMMA)” e “Pediatrics Cannabis Therapy”. Eles afirmam que a maconha pode reduzir a chance de graves episódios comportamentais e tornar o indivíduo mais sociável e mais receptivo ao aprendizado. Entretanto, esses grupos não citam nenhum estudo controlado que possa apoiar essas afirmações. Além disso, eles afirmam que a maconha melhora os padrões de sono e permite que os indivíduos estejam mais presentes em seus contextos imediatos, também sem nenhuma pesquisa substancial.
Na internet podem ser encontrados vídeos que sugerem uma relação entre o uso da maconha e significativas melhoras do comportamento, sociabilidade e de outras áreas do desenvolvimento (por exemplo, https://www.youtube.com/watch?v=ISJ0fsCacMA). [é: i esse jota zero efe esse…]. Uma revisão das pesquisas da internet retornará centenas de histórias e de testemunhos apoiando a hipótese de que a maconha foi a causa da melhora dos indivíduos com autismo. Entretanto, a realidade é simplesmente de que não há nenhuma evidência científica de que essa droga seja relacionada a qualquer melhora no desenvolvimento, no comportamento ou nas avaliações acadêmicas. Quer dizer, não há nenhum estudo controlado, que use os métodos científicos aceitos, que avalie o impacto da maconha em nenhum dos sintomas do autismo. Assim, fica claro que nesse momento, não se demonstrou que a maconha seja um tratamento eficaz para o autismo.
Quais são os riscos associados ao uso da maconha para tratar o TEA?
Mais preocupante que a falta de evidência para apoiar o uso da maconha no tratamento do autismo, são as grandes dúvidas sobre a maconha ser considerada segura ou não. A casuística contra o uso dessa droga é muito convincente. Muitos relatos médicos descrevem em detalhes o conhecido perigo da maconha e os possíveis danos físicos e psicológicos que ela pode causar. É tão grande a preocupação em relação à falta de pesquisas que apoiem uma influência positiva no autismo, nas dificuldades do desenvolvimento e em outros transtornos pediátricos do comportamento, e o potencial para dano físico e psicológico, que várias organizações profissionais publicaram declarações de posicionamento afirmando que a maconha deve ser considerada uma preocupação para a saúde pública, e recomendando que futura legalização da droga seja postergada até que mais pesquisas sejam concluídas (por exemplo: American Academy of Neurology, 2017; American Academy of Pediatrics, 2016; American Medical Association, 2008; American Society of Addictive Medicine, 2014; American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, 2017). Por exemplo, a Academia Americana de Neurologia, em sua declaração de posicionamento de 2017, sobre o uso da maconha nas doenças neurológicas, deixa claro que não há nenhum estudo formal que apoie o uso da maconha e de seus derivados para melhorar várias condições neurológicas.
Além disso, há potenciais efeitos colaterais documentados, incluindo tonturas, ideação suicida, sensação de intoxicação, alucinações e mudanças de humor (algumas potencialmente irreversíveis).
Ademais, o uso crônico de maconha fora da área de necessidade médica,mtambém foi associado com perda de memória e dificuldades de aprendizado (American Academy of Neurology, 2017). Finalmente, a interação entre as drogas de receituário médico e a maconha não foram ainda muito bem estudadas e podem representar mais um risco.
Qual é o fim da linha?
No momento, não há nenhuma evidência que apoie o uso da maconha como um tratamento para o autismo. Isso, junto com os possíveis efeitos colaterais negativos, sugere fortemente que não devamos usar a maconha para o tratamento do TEA, ao menos até que a comunidade médica primeiro entenda que seja seguro. Entretanto, mesmo que se prove seguro, os profissionais vão precisar de pesquisas bem controladas, de alta qualidade, que usem a maconha como tratamento para o autismo. Esses estudos precisam avaliar os efeitos da maconha em comportamentos claramente definidos e cuidadosamente avaliados, para determinar qualquer impacto positivo e causal. Até que isso ocorra, está claro que o uso da maconha e de outros produtos relacionados com a cannabis está contraindicado para o tratamento do autismo. Por não haver nenhuma evidência científica de que a maconha seja benéfica para indivíduos com autismo, os pais e cuidadores de crianças com TEA devem pensar seriamente nos efeitos colaterais que podem ocorrer com o uso da maconha como um tratamento.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

TDAH - Na sombra de um estereótipo 443


TDAH - Na sombra de um estereótipo

Novos fatos sobre o TDAH – “Descobertas das neurociências, de imagem cerebral e de pesquisas clínicas mudaram dramaticamente o conhecimento antigo sobre o TDAH como essencialmente um transtorno do comportamento”. Esta é uma leitura obrigatória. Os editores de ADDitude.

1- TDAH 2.0 – Agora, os especialistas veem o TDAH como um defeito do desenvolvimento do sistema cerebral de autocontrole – as funções executivas. Atualize seus conhecimentos sobre o transtorno, e abandone os mitos que ainda existem, com esses fatos sobre o TDAH:

2- Novos versus Antigos Modelos – O Novo modelo do TDAH difere de muitas maneiras da visão histórica desse transtorno como um conjunto de problemas de comportamento das crianças pequenas. O novo modelo é uma mudança de tipo paradigma para o entendimento do TDAH. Ele se aplica a crianças, adolescentes e adultos. Ele se focaliza em uma ampla faixa de funções de autocontrole ligadas a complexas operações cerebrais, e estas não estão limitadas a comportamentos prontamente observáveis. Mas, há uma substancial superposição entre o velho e o novo modelo de TDAH.

3- Foco ligado-desligado – Os dados clínicos indicam que os prejuízos das funções executivas são variáveis de acordo com a situação. Cada pessoa com TDAH pode, em cenários e situações específicas, não apresentar nenhuma dificuldade no uso das funções executivas, que estão significativamente comprometidas na maioria das outrs situações. Tipicamente, são atividades nas quais o indivíduo com TDAH tem um interesse pessoal forte ou situações com consequências desagradáveis por falha em agir.

4- Sinais na infância – Pesquisas recentes mostram que muitas pessoas com TDAH funcionam bem durante a infância e não manifestam nenhum sintoma significativo até a adolescência, ou mais tarde, quando desafios às funções executivas de multiplicam. As agora mostram que os sintomas do TDAH persistem até a idade adulta em muitos pacientes. Em outros, os sintomas do TDAH da infância se dissipam significativamente com a idade.

5- QI alto e TDAH – A inteligência, medida pelos testes de QI, não tem nenhuma relação sistemática com os prejuízos das funções executivas associados ao TDAH. Estudos mostram que crianças e adultos até mesmo com QI elevados podem sofrer os prejuízos do TDAH. Isso torna difícil utilizar, consistente e efetivamente, fortes habilidades cognitivas em muitas situações de vida.

6- Conexão emocional – Pesquisas recentes mostraram o papel importante das emoções no TDAH. Algumas pesquisas focalizaram somente os problemas no controle das emoções sem inibição suficiente. As pesquisas também mostraram que um deficit crônico nas emoções que compõem a motivação é um prejuízo para muitos indivíduos. Isso torna difícil, para eles, iniciar e sustentar a motivação para atividades que não dão reforço imediato e contínuo.

7- Mapeando os deficit – As funções executivas são complexas e envolvem não somente o córtex pré-frontal do cérebro. Indivíduos com TDAH demonstraram ser diferentes quanto à taxa de maturidade de áreas específicas do córtex na espessura do tecido cortical, nas características das regiões parietais e cerebelares, assim com nos núcleos da base e nos tratos da substância branca que conectam e proporcionam comunicação, criticamente importante, entre várias regiões do cérebro.

8- Desequilíbrio químico – Os prejuízos do TDAH não são devidos a um excesso global ou a falta de uma substância química específica dentro ou ao redor do cérebro. O problema principal está relacionado a substâncias químicas fabricadas, liberadas e recaptadas ao nível das sinapses, as junções entre certas redes de neurônios que modulam o sistema de controle do cérebro. Pessoas com TDAH tendem a não liberar a quantidade suficiente dessas substâncias químicas, ou a liberar e recaptá-las muito rapidamente. As medicações para o TDAH ajudam a suavizar esse processo.

9- O gene do TDAH – Não foi identificado nenhum gene único como a causa do TDAH. As pesquisas recentes identificaram dois agrupamentos diferentes de genes que, juntos, estão associados ao TDAH, embora não sejam definitivamente a causa dele. Atualmente, a complexidade do transtorno está provavelmente associada a múltiplos genes, cada um dos quais, por si mesmo, tem somente um pequeno efeito no desenvolvimento do TDAH.

10- TDAH e TDO – A incidência do Transtorno Desafiador de Oposição nas crianças com TDAH é de aproximadamente 40%. Crianças com o tipo combinado de TDAH têm maior probabilidade de apresentar sinais de TDO, o que é caracterizado por problemas crônicos com negativismo, desobediência, comportamento hostil e/ou desafiador em relação a figuras de autoridade. Tipicamente o TDO aparece em torno dos 12 anos de idade e persiste por cerca de 6 anos, gradualmente desaparecendo. Mais de 70% das crianças diagnosticadas com TDO nunca desenvolvem Transtorno de Conduta (TC).

11- TDAH e Autismo – As pesquisas demonstraram que muitos indivíduos com TDAH têm significativos traços relacionados ao Transtorno de Espectro Autista (TEA) e muitos diagnosticados com TEA também preenchem os critérios para TDAH. Os estudos também mostraram que os medicamentos para o TDAH podem ser úteis para aliviar os problemas de TDAH nos indivíduos com TEA. Os medicamentos para o TDAH também podem ajudar os que têm TEA+TDAH a melhorar alguns sintomas específicos do TEA.

12- Medicamentos e Mudanças Cerebrais - Pesquisas e testes clínicos mostraram que os medicamentos para TDAH dão os seguintes benefícios para algumas crianças e adultos:
a) melhoram a memória de trabalho, o comportamento na sala de aula, a motivação para fazer as tarefas e a persistência para resolver problemas.
b) minimizam o tédio, a distração quando fazem um trabalho, e as crises emocionais.
c) aumentam o desempenho nas provas, as taxas de graduação e outras conquistas que podem ter efeitos duradouros.
d) normalizam as anormalidades estruturais em regiões cerebrais específicas.

13- Medicamentos para Diferentes Idades – O ajuste fino da dosagem e do horário dos estimulantes é importante porque a dose mais eficaz depende do metabolismo, da genética, e do funcionamento dos neurotransmissores, isto é, quão sensível é o corpo do paciente àquela medicação específica. Geralmente os médicos começam com doses muito baixas e aumentam gradualmente, até que seja encontrada uma dose eficaz, ou que os efeitos colaterais apareçam de modo significativo, ou que seja atingida a dose máxima recomendada. Alguns adolescentes e adultos precisam de doses menores do que as tomadas por crianças; alguma crianças pequenas precisam de doses maiores do que a maioria dos seus colegas.

14- Pré-escolares e Medicamentos – As pesquisas mostraram que a maioria das crianças de 3 a 5 anos e meio, com TDAH moderado a grave, tem melhora significativa dos sintomas quando tratada com estimulantes. Os efeitos colaterais são ligeiramente mais comuns do que os vistos em crianças maiores, mas ainda são mínimos. A Associação Americana de Pediatria recomenda que crianças de 4 a 5 anos com prejuízo9s significativos do TDAH devem ser tratadas com terapia comportamental, Se não for eficiente após 3 meses, estará indicada a medicação estimulante.

15- Impulsivo para Sempre? - Muitos indivíduos com TDAH nunca manifestam níveis excessivos de hiperatividade ou de impulsividade na infância ou depois. Entre os que são mai “hiper” e impulsivos na infância, uma substancial porcentagem supera os sintomas no final da infância ou início da adolescência. Porém, os prejuízos em focalizar e manter a atenção, organizar as tarefas, controlar as emoções e usar a memória de trabalho podem persistir e se tornarem problemáticos, conforme a pessoa entra na adolescência e na idade adulta.
16- TDAH é Diferente – O TDAH difere de muitos outros transtornos porque ele coexiste com outros deles. Os prejuízos de funções executivas que constituem o TDAH também rondam outros transtornos. Muitos transtornos de aprendizagem e transtornos psiquiátricos podem ser comparados a problemas com um pacote de software pra computador, que, quando não funciona bem, interfere com poucas funções. O TDAH pode ser comparado a um problema no sistema operacional do computador (Windows, Linux, por exemplo), que vai interferir no funcionamento de muitos programas diferentes.


domingo, 19 de novembro de 2017

O que funciona para o tratamento do TDAH? O que dizem os pais? 442

O que funciona para o tratamento do TDAH? O que dizem os pais?

Uma pesquisa recentemente publicada na ADDitude Magazine resumiu os relatos de aproximadamente 2500 pais sobre os tratamentos que experimentaram para seus filhos. Um resumo completo da pesquisa pode ser encontrado em www.additudemag.com/adhd-treatment-options-caregivers-adults-survey-results .

Qual a frequencia com que os diversos tratamentos foram utilizados?

67% - medicamentos receitados
37% - exercícios
36% - vitaminas, sais minerais e suplementos
29% - dieta e plano de nutrição
26% - coaching e aconselhamento
13% - meditação
10% - terapia comportamental/aulas de treinamento para os pais
05% - neurofeedback com um clínico
03% - treinamento cerebral caseiro

É importante dizer que atualmente as pesquisas demonstram que medicação e terapia cognitiva-comportamental são o que mais funciona e são recomendadas pela academia Americana de Psiquiatria Infantil e do Adolescente. Os dados acima provavelmente indicam que os pais têm grande dificuldade para ter acesso à terapia.

Quanto os pais acham que os diversos tratamentos funcionam? Extremamente ou muito eficientes.

49% - exercícios
41% - medicação receitada
33% - coaching e aconselhamento para TDAH
33% - manejamento comportamental e aulas de treinamento para os pais
30% - neurofeedback com um clínico
27% - meditação
24% - dieta e plano de nutrição
24% - treinamento cerebral feito em casa
14% - vitaminas, sais minerais e suplementos

Inversamente, abaixo estão os resultados do que os pais acharam não muito ou de nenhum modo eficiente

05% - exercícios
13% - manejamento comportamental e aulas de treinamento para os pais
19% - coching e aconselhamento
19% - meditação
26% - medicação receitada
27% - dieta e plano de nutrição
27% - neurofeedback com um clínico
33% - treinamento cerebral caseiro
42% - vitaminas, sais minerais e suplementos

Como 26% dos pais acham que o tratamento medicamentoso não funciona, isso mostra as limitações até mesmo de estudos bem conduzidos.

David Rabiner, Ph.D. Research Professor Dept. of Psychology & Neuroscience Duke University
Durham, NC 27708

domingo, 10 de setembro de 2017

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um diagnóstico válido para adultos? - 441

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um diagnóstico válido para adultos?

Dr. Sivan Mauer - 29 de agosto de 2017
Nos últimos anos observa-se um aumento significativo no número de pacientes diagnosticados com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), e consequentemente um aumento de prescrições e do uso de anfetaminas, drogas que são consideradas de primeira linha para o tratamento do transtorno. Um estudo mostra que de 2002 a 2007 a incidência do diagnóstico triplicou, principalmente entre indivíduos com idades entre 18 e 24 anos. O maior aumento de prescrição deste tipo de droga foi no grupo de adultos jovens (de 2,3% para 4%), sendo que 65% das prescrições são de metilfenidato.
Existe, porém, uma grande controvérsia sobre a validade desse diagnóstico em adultos. Para entender o porquê do aumento na incidência deste diagnóstico e do questionamento da validade dele, é preciso relembrar ao menos dois conceitos: os validadores diagnósticos de Robins e Guze, e o conceito de temperamento.
Os validadores do diagnóstico de Robins e Guze foram descritos nos anos 1970 em relação à esquizofrenia e são: sintomas, curso da doença, resposta ao tratamento e genética/história familiar. Infelizmente estes conceitos se perderam com o lançamento do DSM-III, em 1980.
Os sintomas centrais do TDAH em adulto são hiperatividade ou agitação psicomotora, falta de atenção e impulsividade, como no TDAH na criança. Algumas mudanças foram feitas no DSM-V, além de oficialmente aceitar o diagnóstico de TDAH em adultos, o que não ocorria até o DSM-IV. Anteriormente eram necessários seis dos nove sintomas de falta de atenção e/ou hiperatividade/impulsividade. Hoje são necessários apenas cinco para adultos e adolescentes acima dos 17 anos. Alguns críticos sugerem que o diagnóstico de TDAH em adultos seria um conceito equivocado por vários motivos, entre eles a presença de temperamentos afetivos.
Frequentemente pessoas com temperamentos hipertímicos e ciclotímicos irão ter dificuldades atencionais, devido a constantes ou frequentes estados maníacos e depressivos. TDAH pode refletir o subdiagnóstico destas condições. A distração, por exemplo, é um dos sete critérios para mania do DSM. Um estudo com 1380 sujeitos identificou que distração é o sintoma mais associado a mania ou mania subsindrômica.
Agitação psicomotora ou hiperatividade, que é central para os transtornos afetivos desde Kraepelin, é também outro sintoma que se sobrepõe ao diagnóstico de TDAH. A inabilidade de adiar gratificação, ou impulsividade, é também um dos critérios para o diagnóstico do TDAH, mas impulsividade é muito comum no curso dos transtornos afetivos em episódios maníacos e depressivos. Em suma, todos os sintomas do TDAH no adulto se sobrepõem com sintomas de transtornos afetivos.
Previamente no DSM-IV, para o diagnóstico de TDAH era necessário que alguns sintomas se manifestassem até os sete anos de idade. Hoje, no DSM-5, essa idade passou para 12 anos, o que significa que o TDAH pode iniciar na adolescência. Existem alguns estudos sobre a persistência do diagnóstico até a idade adulta, mas a maioria deles não corrige para "comorbidades", isto é, outros diagnósticos poderiam causar os mesmos sintomas do TDAH.
Citar este artigo: Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um diagnóstico válido para adultos?

Medscape - 29 de agosto de 2017. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Emoções exageradas: Como e por que o TDAH desencadeia sentimentos intensos - 440

Emoções exageradas: Como e por que o TDAH desencadeia sentimentos intensos

“Os desafios com o processamento das emoções começa no cérebro. Algumas vezes, a dificuldade de memória de trabalho do TDAH permite que uma emoção momentânea se torne muito forte, inundando o cérebro com uma intensa emoção.” Thomas Brown, Ph.D., explica por que e como o TDAH desencadeia raiva, frustração e sofrimento tão intensos.

Por Thomas E. Brown, PH.D.

1- As Emoções Comandam
Poucos médicos levam em conta os desafios emocionais, quando fazem o diagnóstico de TDAH. De fato, os critérios de diagnóstico atuais para o TDAH não incluem nenhuma menção a “problemas com as emoções”. Entretanto, pesquisas recentes revelam que os que têm TDAH apresentam significativamente muito maior dificuldade que o grupo controle, para lidar com a tolerância às frustrações (muito baixa no TDAH), maior impaciência, temperamento “esquentado” e maior excitabilidade.

2- Processamento de Emoções: Uma coisa do cérebro
Os desafios com as emoções começam dentro do cérebro. Às vezes a dificuldade com a memória de trabalho do TDAH permite que emoções momentâneas se tornem muito fortes, inundando o cérebro com uma intensa emoção. Outras vezes, a pessoa com TDAH parece insensível ou não cientes das emoções dos outros. As redes de conexões cerebrais que carregam as informações ligadas às emoções parecem, de algum modo, mais limitadas nos indivíduos com TDAH.

3- Fixação Em Um Sentimento
Quando um adolescente com TDAH fica enraivecido quando o pai se recusa a lhe dar a chave do carro, por exemplo, sua resposta extrema pode ser causada pela inundação, uma emoção momentânea que pode tomar todo o espaço do seu cérebro, do mesmo modo que um vírus de computador pode tomar todo o espaço do disco rígido. Esse foco em uma emoção emperra outras informações importantes que poderiam ajudá-lo a controlar sua raiva e a regular seu comportamento.

4- Extrema Sensibilidade à Desaprovação
Pessoas com TDAH geralmente se tronam rapidamente imersas em uma emoção saliente e têm dificuldade para mudar a sua atenção para outros aspectos da situação. Ouvir uma pequena incerteza na reação de um colega de trabalho a uma sugestão, pode levar à interpretação de que isso é uma crítica e causar um surto de autodefesa imprópria, sem ter ouvido cuidadosamente a resposta do colega de trabalho.

5- Dominados Pelo Medo
Ansiedade social significativa é uma dificuldade crônica sentida por mais de um terço dos adolescentes e adultos com TDAH. Eles vivem em quase constante medo exagerado de estarem sendo vistos pelos outros como incompetentes, não atraentes ou “caretas”.

6- Dominados Pela Evasão e Negação
Algumas pessoas com TDAH não sofrem de falta de consciência de emoções importantes, mas de uma falta de habilidade em tolerar essas emoções o suficiente para lidar eficientemente com elas. Elas se tornam presas em padrões de comportamento para evitar as emoções dolorosas, que parecem devastadoras, por exemplo: véspera de prazos de entrega de trabalhos; encontrar-se com um grupo de pessoas estranhas.

7- Levados Pela Emoção
Para muitas pessoas com TDAH, o mecanismo de comporta do cérebro para controlar as emoções não distingue entre ameaças perigosas e problemas menores. Essas pessoas são frequentemente levadas ao pânico por pensamentos e percepções que não merecem tal reação. Como resultado disso, o cérebro TDAH não pode lidar mais racionalmente e realisticamente com eventos que sejam estressantes.

8- Tristeza e Baixa Autoestima
Pessoas com o TDAH não tratadas podem sofrer de distimia – um transtorno leve porém prolongado do humor – ou de tristeza. Geralmente são desencadeados por conviver com frustrações, fracassos, opiniões negativas e estresses da vida devido ao não tratamento, ou tratamento inadequado do TDAH. As pessoas distímicas sofrem quase todos os dias de falta de energia e de autoestima.

9- Emoções e Entrar em Ação
As emoções motivam a ação – ação para se engajar ou ação para evitar. Muitas pessoas com TDAH não tratado podem rapidamente mobilizar o interesse somente para atividades que oferecem gratificação imediatas. Elas tendem a ter severa dificuldade em ativar e sustentar o esforço para tarefas que oferecem recompensas a longo prazo.

10- Emoções e Entrar em Ação 2
As pesquisas de imagem cerebral demonstram que substâncias químicas que ativam circuitos que reconhecem a recompensa tendem a se ligar a menos locais receptores, nas pessoas com TDAH, comparadas às pessoas do grupo controle. Pessoas com TDAH são menos capazes de antecipar o prazer ou de registrar satisfação com tarefas cuja recompensa seja distante.

11- Emoções e Memória de Trabalho
A memória de trabalho faz entrar em jogo, consciente ou inconscientemente, a energia emocional necessária para nos ajudar na organização, manutenção do foco, para monitorar e se controlar. Muitas pessoas com TDAH, entretanto, têm memória de trabalho inadequada, o que pode explicar por que são geralmente desorganizadas, perdem o controle ou procrastinam.

12- Emoções e Memória de Trabalho 2
Algumas vezes, as deficiências de memória de trabalho do TDAH permitem que uma emoção momentânea se torne muito forte. Outras vezes, as deficiências de memória de trabalho deixam a pessoa com sensibilidade insuficiente para reconhecer a importância de uma emoção em particular, porque ela, pessoa, não manteve informação relevante na mente.

13- Tratamento dos Desafios Emocionais

Tratar os desafios emocionais do TDAH requer uma abordagem multimodal. Começa com uma avaliação cuidadosa e precisa do TDAH, que explique o TDAH e seus efeitos nas emoções. As medicações para o TDAH podem melhorar as redes emocionais do cérebro. A terapia pode ajudar a pessoa a controlar o medo e a baixa autoestima. Um treinador (coach) pode ajudar uma pessoa com TDAH a superar os problemas de completar tarefas aborrecidas.

ADDitude

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Maior estudo já realizado no mundo revela novas alterações cerebrais no Transtorno do Déficit de Atenção - 439

Maior estudo já realizado no mundo revela novas alterações cerebrais no Transtorno do Déficit de Atenção

ESCRITO POR  ABDA - Associação Brasileira de Deficit de Atenção

JAMA PSYCHIATRY, fevereiro de 2017

Os resultados revelam que a doença compromete o desenvolvimento de regiões cerebrais importantes, como aquelas responsáveis por emoções, motivação e sistema de recompensa.

O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma condição muito comum que afeta cerca de 5% das crianças, e na maioria dos casos, os sintomas persistem na vida adulta. Ainda muito estigmatizado, o transtorno se manifesta como desatenção, agitação e impulsividade. No maior estudo já conduzido, médicos e cientistas de 23 centros de pesquisaao redor do mundo observaram atraso no desenvolvimento do cérebro dos pacientes com TDAH. 

Para o Dr. Paulo Mattos, representante brasileiro do único centro de pesquisa da América Latina do estudo, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino no Rio de Janeiro,“esses achados são importantes para médicos e pais, pois demonstram claramente que o TDAH não é “uma doença inventada”, não é meramente um “rótulo” para crianças difíceis e não se deve a falhas na educação pelos pais".

Até então, estudos anteriores também haviam identificado algumas alterações, mas devido ao pequeno número de pacientes estudados, era difícil generalizar os resultados. Mais ainda, devido a diferentes metodologias, grupos de pesquisa em diferentes países obtinham resultados diferentes.

Neste estudo, mais de 3 mil pessoas (pacientes com TDAH e indivíduos saudáveis) entre 4 e 63 anos, foram submetidos a exames de neuroimagem estrutural por Ressonância Magnética, técnica que permite estudar com precisão a estrutura do cérebro. Em seguida, cada região cerebral foi avaliada através de um mesmo protocolo padronizado de análise em todos os diferentes centros, obtendo-se informações específicas, como o tamanho e volume de cada região. Desse modo, os pesquisadores puderam comparar cada uma das estruturas cerebrais de indivíduos com e sem o transtorno.

Os resultados revelaram que estruturas como a amígdala cerebral, acúmbens e hipocampo, responsáveis pela regulação das emoções, motivação e o chamado sistema de recompensa (que modifica nosso comportamento através de recompensas) são menores nos pacientes com TDAH. Quando se levou em conta a idade dos pacientes, observou-se que estas alterações são mais leves em pacientes adultos, o que sugere que existe uma compensação ao menos parcial com o passar dos anos.

Esses resultados são a sustentação mais sólida até o momento que o TDAH é um transtorno relacionado ao atraso na maturação de regiões cerebrais reguladoras das emoções, pois essas estruturas estão menos desenvolvidas, principalmente nas crianças.

Outro achado muito importante foi destacado no estudo: tais alterações não se devem ao uso de medicamentos para tratamento do TDAH e nem à presença de outros problemas que podem surgir associados ao transtorno, como ansiedade e depressão.

É preciso deixar claro que o TDAH é um transtorno do desenvolvimento associado a alterações no nosso cérebro, e que precisa perder o estigma e ser tratado de modo apropriado”, completa 

Dr. Paulo Mattos, que é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).