"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

188- O treinamento (coaching) ajuda os universitários com TDAH? (3a. parte)

Resumo e conclusões
Os resultados deste estudo indicam que os estudantes universitários com TDAH sentem que o treinamento foi útil. Os achados qualitativos se equivalem aos do estudo quantitativo. Neste, os estudantes, escolhidos ao acaso para receberem o treinamento, relataram mais vantagens em suas funções executivas, habilidades de estudo e de organização do que os do grupo controle, quando avaliados por um instrumento validado chamado “the Learning and Study Strategies Inventory”. Isto foi verdadeiro embora não fossem encontradas diferenças no GPA dos estudantes.
O modelo de treinamento empregado neste estudo tinha um grande apelo intuitivo. O foco no estabelecimento de metas acadêmicas, o monitoramento do progresso, dividindo longos projetos em sequências de tarefas mais específicas e administráveis, junto ao contato frequente para ajudar os estudantes a se manter no rumo, tudo isso é consistente com o consenso emergente de que o TDAH é um transtorno  da função executiva (para uma discussão maior sobre esta visão vá a www.drthomasebrown.com/brown_model/index.html ). Desta perspectiva, o treinamento pode ser um jeito melhor do que os modelos tradicionais de terapia e poderia certamente complementar os outros benefícios que os estudantes poderiam receber do tratamento médico.
O método pelo qual o treinamento foi proporcionado neste estudo, isto é, chamadas telefônicas e contato entre as sessões via texto e e-mail, também é claramente melhor para as necessidades dos estudantes do que dirigir para fora do campus para se encontrar com um provedor de saúde mental. Isto é outro aspecto importante deste modelo.
Novos estudos deste método deverão seguir os estudantes por períodos mais longos para verificar se o treinamento leva a ganhos duradouros nas habilidades visadas pela intervenção. Por exemplo, seria importante aprender se o treinamento seguido é necessário para manter as mudanças de comportamento relatadas, ou, se os estudantes são capazes de manter essas mudanças por si mesmos depois de trabalharem com um treinador por um período determinado.
Críticos desta abordagem podem argumentar que os benefícios reais do treinamento são limitados porque os pesquisadores não encontraram nenhum efeito no GPA atual dos estudantes ou no número de créditos que eles obtiveram durante os primeiros anos de faculdade. Entretanto, pode ser treinamento mais demorado seja requerido para produzir essas mudanças conforme os estudantes empregam seu comportamento acadêmico melhorado por um maior período. A este respeito, também é válido notar que não há nenhuma pesquisa demonstrando efeitos positivos do tratamento medicamentoso sobre o GPA dos estudantes; de fato, a espécie de estudo requerida para determinar isto ainda não foi feita.
Eu também sugeriria que não obstante como o treinamento possa ou não afinal impactar o GPA, a experiência que os estudantes relataram é algo que muitos pais iriam querer para seus filhos. O fato de que os estudantes relataram sentimento de aumento do bem estar e da confiança  me parece tão importante e convincente por sua própria natureza.

Revisão feita por David Rabiner, Ph.D.
Associate Research Professor
Dept. of Psychology & Neuroscience
Duke University


Veja as postagens 186 e 187, primeira e segunda parte desta revisão

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