"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

sexta-feira, 15 de junho de 2012

216-Ter menos idade ao entrar na escola aumenta a chance de ter o diagnóstico de TDAH - Continuação da 215


Três estudos recentemente publicados fornecem evidências convincentes de que a idade de uma criança em relação à de seus colegas de classe é um fator importante se ela for diagnosticada com TDAH. Os resultados desses estudos estão resumidos a seguir.

Estudo 1

O primeiro estudo sobre este assunto [Evans, et al. (2010). Avaliação do diagnóstico e tratamento médico errado em dados de revisão: A situação do TDAH entre crianças de idade escolar, Journal of Health Economics, 29, 657-693] utilizou dados do National Health Interview Survey (NHIS), uma avaliação anual de lares nos Estados Unidos que colhe dados a respeito de transtornos, doenças e incapacidades na população civil. A informação recolhida inclui dados sobre o diagnóstico de TDAH na população e sobre o uso de medicação estimulante que tenha sido receitada.

Os autores usaram os dados recolhidos de 1997 a 2006 e somente incluíram crianças de estados com margem ampla de corte para a idade de início escolar quando a criança tivesse cinco anos. Com base neste limite, que variou de estado para estado, eles examinaram as taxas de diagnóstico e de tratamento do TDAH de 37.000 jovens de 7 a 17 anos que nasceram até 120 dias antes (isto é, relativamente jovens para a escola) ou até 120 dias depois (isto é, relativamente velhos para a escola) da data de corte do estado.

Os resultados indicam que 9,7% de crianças jovens para a escola foram diagnosticadas com TDAH comparadas a 7,6% daquelas relativamente velhas para a escola, uma diferença de aproximadamente 27%. As taxas de uso de estimulantes também foram significativamente diferentes, 4,5% contra 4%,

Estudo 2

Um segundo estudo [Elder (2010). A importância dos padrões relativos para o diagnóstico do TDAH:Evidência baseada em datas de nascimento exatas. Journal of Health Economics, 29, 641-656] usou dados de outra grande avaliação nacional – o The Early Childhood Longitudinal Study – para examinar este assunto. Os dados inicialmente incluíram 18.600 estudantes de jardim de infância, de 1.000 programas de jardins de infância dos Estados Unidos, no outono de 1998;  as crianças foram seguidas periodicamente até 2007, quando a maioria estava no oitavo ano. A informação disponível incluiu as notas dos pais e dos professores sobre os sintomas de TDAH das crianças, os diagnósticos e os tratamentos com medicação estimulante; os resultados finais foram baseados em 11.750  crianças.

As taxas de diagnóstico e de tratamento do TDAH foram calculadas para crianças nascidas um mês antes (jovens para a escola) e um mês depois (velhas para a escola) da data de corte do estado, que foi 01 de setembro para alguns estados e 01 de dezembro para outros estados. Para estados com data de corte de 01 de setembro, 10% das crianças nascidas em agosto foram diagnosticadas com TDAH, comparadas com 4,5% das nascidas em setembro. Taxas de uso de medicação estimulante foram de 8,3% contra 2,5%, respectivamente. Para estados com a data de corte em 01 de dezembro, a taxa de diagnóstico para crianças nascidas em novembro foi de 6,8%, mais do que o triplo da taxa de 1,9% para as crianças nascidas em dezembro; as taxas de uso de estimulantes foram de 5,0% e 1,5%  respectivamente.

O autor examinou o impacto da idade relativa em que a criança foi diagnosticada com problemas de aprendizagem diferentes do TDAH, incluindo atrasos do desenvolvimento, autismo, dislexia, transtorno sócio emocional do comportamento, e outras dificuldades de aprendizagem. Para esses outros problemas de aprendizagem nenhum efeito relacionado com a idade foi encontrado.

O autor também demonstrou que a idade de entrar na escola tinha efeito muito mais forte na percepção do professor a respeito dos sintomas de TDAH das crianças do que na percepção dos pais. Ele sugeriu que isto poderia ser porque os professores avaliam o comportamento das crianças em relação a outras crianças da classe e as crianças relativamente mais jovens são menos capazes de controlar sua atenção e seu comportamento. Os pais, em contraste, podem usar padrões mais absolutos desde que estão menos capazes de observar seu filho em relação a uma classe cheia de colegas.

Estudo 3

O último estudo [Morrow et al., (2012). Influence of relative age on diagnosis and treatment of Attention-deficit/hyperactivity Disorder in children. Canadian Medical Association Journal, DOI:10.1503/cmaj.11619] examinou a associação entre idade de início e diagnóstico de TDAH em um estudo sobre 935.000 jovens da British Columbia, que tinha entre 6 e 12 anos de idade em qualquer época entre dezembro de 1997 e novembro de 2008. Assim, o valor deste estudo é que a amostra vem de um país diferente e de um sistema de saúde inteiramente diferente do sistema dos Estados Unidos.

O corte de entrada na escola na British Columbia durante este tempo foi 31 de dezembro. Semelhante aos resultados revistos acima, meninos nascidos em dezembro eram 30% mais propensos a ser diagnosticados com TDAH do que meninos nascidos em janeiro; meninas nascidas em dezembro eram 70% mais propensas a serem diagnosticadas com TDAH do que meninas nascidas em janeiro. Meninos eram 41% mais propensos e meninas eram 77% mais propensas a serem tratados com medicação se tivessem nascido em dezembro, comparados com os que tivessem nascido em janeiro.

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