"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

domingo, 10 de novembro de 2013

303- Continuação da 302 - Mães - Parte 2


Mães - Parte 2

"Eu aperfeiçoei os dons que o TDAH deu a ele"

Yvonne Pennington, psicóloga clínica em Marietta, Georgia, mãe de Ty Pennington, estrela da série da ABC-TV Extreme Makeover: Home Edition.

Como o rapaz sortudo, feliz e faz-tudo do seriado de TV Extreme Makeover: Home Edition, Ty Pennington batalhou para atingir nossos corações. Sua mãe, Yvonne Pennington, é, claro, sua maior fã - embora ela afirme de início que a energia maníaca de Ty nem sempre foi uma coisa boa.

"No primeiro grau, ele punha sua carteira nos ombros e a "vestia", correndo pela sala de aula no meio das risadas dos outros alunos", ela nos conta. "As professoras insistiam que ele era brilhante, mas que não conseguia ficar sentado quieto. Eu era constantemente chamada à sala do diretor e me sentia como se fosse a pior mãe do mundo".

Em casa, Ty era um azougue. Yvonne diz que ele estava sempre pulando do telhado e correndo pelas ruas sem se preocupar com os carros.

Naquela época, Yvonne era mãe separada lutando para cuidar de dois filhos - enquanto estudava psicologia de dia e trabalhava à noite como garçonete. Ela sentia que havia alguma coisa de errado com o Ty, que estava com sete anos de idade. Mas, o que era?

Um dia, enquanto fazia uma pesquisa para um trabalho de psicologia, trombou com uma resposta. "Li alguns estudos de casos sobre crianças com dificuldade de prestar atenção e elas se pareciam muito com Ty. Ela levou Ty para uma consulta com um médico, que confirmou o diagnóstico.

No início dos anos setentas, os médicos não usavam o termo "transtorno de déficit de atenção". Crianças como Ty recebiam um rótulo muito mais sombrio: "disfunção cerebral mínima". Yvonne não tinha certeza se devia contar ao seu filho. "Imagine ele ouvindo aquilo". "Ele já se sentia um mau menino. Por que piorar as coisas, contando a ele?"

Yvonne decidiu não contar a Ty sobre o diagnóstico. Mas, ela leu os livros de texto de psicologia, aprendendo tudo que podia sobre a disfunção cerebral mínima e como tratá-la. Leu sobre uma forma de terapia do comportamento que envolvia o uso de prêmios, e decidiu fazer uma tentativa.

Funcionava assim: Se Ty conseguisse ficar concentrado por 10 segundos e fizesse o que lhe havia sido pedido, ele ganhava uma ficha (um dos descansos de copos de Yvonne). Ele tinha permissão para trocar as fichas por prêmios - 10 fichas por mais uma hora de TV ou mais tempo para brincar com seu jogo de construção.

No início, Ty raramente ganhava mais do que uma ficha ou duas antes de retornar às suas habituais travessuras. Mas Yvonne persistia; ela até persuadiu a professora de educação especial de Ty a usar a técnica em classe. o comportamento dele melhorou lentamente e deu à sua autoestima o empurrão necessário.

"Antes, as pessoas só prestavam atenção no Ty quando ele fazia algo errado. Mas, com a estratégia de fichas, mudamos isso"

Conforme Ty aprendia a canalizar suas energias, ele se tornava apaixonado por construir coisas - quanto maior, melhor. "Com onze anos de idade ele trocou suas revistas de quadrinhos pela ajuda de seus amigos na construção de uma casa de árvore com três andares. Eu sabia que ele seria um carpinteiro quando crescesse, ou um dublê em Hollywood".

Ty tirava geralmente Bs ou Cs no colegial. Mas ele se deu mal depois de entrar para a Kennesaw State University, na Geórgia, em 1982. A falta de estrutura deixou-o enrolado e ele abandonou a faculdade depois de um ano.

Naquela época, no início dos anos oitentas, o termo TDAH começou a ser utilizado, e, com o estigma envolvendo o transtorno se desvanecendo, Yvonne decidiu contar a verdade para Ty. "Ele sempre soube que era hiperativo, e eu achava que isso era tudo o que ele precisava saber. Mas, quando descobri que era o TDAH que o estava prejudicando, contei-lhe sobre isso e sugeri que procurássemos um médico".

Com o auxílio da medicação estimulante, que ele toma até hoje, Ty finalmente aprendeu a prestar atenção. Ele voltou para a faculdade - dessa vez o The Art Institute of Atlanta - e formou-se com honras. Depois disso, ele andou mexendo com construção e desenho gráfico, e fez algum trabalho como modelo e ator. Então, ele arrumou um emprego de carpinteiro no Learning Channel´s Trading Spaces. Três anos mais tarde, ele foi promovido a dirigir sua própria equipe de renovação no Extreme Makeover Home Edition.

"Mesmo atualmente, sua espontaneidade me dá ataques de coração" admite Yvonne, lembrando-se do tempo em que ela ligava a TV para ver Ty descendo ladeira abaixo num sofá com rodas. Se a experiência dela ensinou alguma coisa, foi que os pais devem aprender a gostar dos dons exclusivos que o TDAH pode oferecer. "As características que atrapalhavam TY, agora, são seu maior bem". "Muitos pais nessa situação focam no que seus filhos estão fazendo de errado. Eu os encorajo a focar no que eles estão fazendo direito. Faça isso, e as possibilidades são infinitas"

Para aprender mais sobre o regime de fichas, visite o website de Yvonne: Psychology.am; um DVD com instruções e um livro estão disponíveis.

ADDitude

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