"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

40% dos alunos concluem o ensino fundamental sem saber interpretar textos. (378)


No quinto ano, 14% dos estudantes não conseguem sequer fazer uma conta de multiplicação com dois algarismos. Dados são da Prova Brasil 2013. 
Por Bianca Bibiano.

Mesmo depois de passar nove anos na escola, 40% dos estudantes brasileiros não conseguem sequer identificar o assunto principal de um texto após sua leitura. E 37% deles também não são capazes de assimilar a ideia de porcentagem em um problema de matemática. É o que revelam os dados preliminares da Prova Brasil 2013, tabulados pelo Instituto Ayrton Senna e divulgados nesta quinta feira.

"Os resultados da avaliação mostram que o problema da educação é cumulativo: o aluno começa no ensino fundamental com o baixo desempenho e segue nesse nível para o ensino médio. Se ele não consegue interpretar um texto simples quando chega ao 9º ano, não saberá resolver um problema de física ou compreender uma questão de filosofia quando estiver no ensino médio, perpetuando um ciclo de baixa aprendizagem", explica Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna.

A Prova Brasil é uma avaliação do governo federal realizada a cada dois anos em escolas públicas e privadas para medir o nível de conhecimento em português e matemática dos alunos brasileiros. Os exames são aplicados para alunos do 5º ano e do 9º ano e consideram o que eles aprenderam (ou deveriam ter aprendido) nos anos em que passaram no ensino fundamental.
No 9º ano do ensino fundamental, 37% dos alunos não conseguem assimilar a ideia de porcentagem e 40% não conseguem identificar o tema de um texto durante a leitura.

Os dados completos não foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pela prova. Apenas as escolas participantes tiveram acesso aos boletins de desempenho.

A partir da nota obtida pelos alunos na prova, as escolas são classificadas por nível de aprendizagem, que variam do nível 0 a 9. Na disciplina de língua portuguesa, por exemplo, apenas 0,03% dos alunos do 5º ano atingiram o nível máximo na prova de leitura, ou seja, são alunos capazes de entender a função dos sinais de pontuação no texto. A grande maioria - 60% - não consegue sequer identificar o narrador do texto. Em matemática, a situação  é ainda pior: depois de cinco anos na escola, 14% dos alunos não conseguem fazer uma conta de multiplicação com dois algarismos.


Somadas às taxas de reprovação dos alunos, as notas da Prova Brasil ajudam a compor o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), usado como parâmetro para medir a qualidade do ensino no país. O Ideb 2013 foi divulgado pelo Ministério da Educação em setembro e mostrou o que as notas da Prova Brasil só voltaram a confirmar: a educação está estagnada. "Ainda que exista um esforço para reduzir a reprovação, a qualidade do ensino não melhora. Isso faz com que, ano após ano, os alunos abandonem a escola", diz Ramos. Nesta segunda-feira, um estudo divulgado pela ONG Todos Pela Educação mostrou que 1,6 milhão de jovens estão fora das salas de aula sem ter concluído o ensino médio, o que representa 15,7% do total das pessoas dessa faixa etária.

[BRASIL - País de Tolos]

2 comentários:

  1. É uma notícia que olhamos e nos enquadramos dentro desse percentual, pelo menos no meu caso, sempre fui muito esforçada porém nunca estudei em escolas particulares nem tive a oportunidade e apoio de pais ou mestres, fui realmente aprender a interpretar textos e a entender matemática depois dos 24 anos, ou seja já estava com ensino médio completo e tentava uma vaga em universidades. O que eu fiz foi recorer ao Kumon pois no meu caso como tenho TDAH, ja é dificil de compreender e a concentração não ajudava. Depois de 3 anos fazendo Kumon, descobri o Transtorno e comecei meu tratamento. Porém agora, depois de ler o seu texto me veio a seguinte indagação, e os outros como vão se virar pois muitas pessoas não tem condições socioeconomicas para conseguir depois de adultos voltar a estudar para quem sabe entrar em um curso superior, ou conseguir um melhor emprego, será que o Brasil ainda tem solução?... Se sim ainda não achei a resposta, vou continuar na busca pois esperança e perseverança não me falta.

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    1. Olá! Ana.
      O que determina o aprendizado, além da capacidade cognitiva do aluno, é a boa formação do professor. Infelizmente, as nossas faculdades de pedagogia não ensinam seus alunos, futuros professores, a dar aulas. Elas estão infestadas de ideologia. Os professores saem sem saber dar aulas, mas adoram Marx, Che Guevara, Paulo Freire, Lula e, ultimamente, a nossa governanta... Assim, o Brasil terá solução quando o ensino superior deixar de lado as ideologias e passar a ser o que deve ser. Formador de professores e demais profissionais competentes. Ter condição sócio-econômica boa não livra ninguém da falta de cultura e dos conhecimentos básicos. O Brasil está cheio de doutores semi-analfabetos, cujas redações são sofríveis. É bom ter esperança e perseveração, mas é melhor ter indignação com a situação escandalosa do ensino no Brasil, e "botar a boca no trombone". Se não, vamos continuar como disse o Zé Ramalho: Êh, Êeh, vida de gaado! Povo marcaado, povo feliz... !

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