"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

quarta-feira, 17 de julho de 2013

287- A Escolha de Profissionais Para Tratar do Seu Filho Com TDAH - parte 1


Trabalhar com médicos em quem você confia pode ajudar sua tarefa com segurança. A seguir, veja como encontrar a melhor equipe para tratar sua criança com TDAH. Por Perri Klass e Eileen Costello.

Antigamente, a maioria das crianças diferentes não obtinha um diagnóstico formal de categorias como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Elas eram chamadas de excêntricas  ou estranhas, vistas como frutos do acaso e mimadas como gênios infantis, ou recusadas como desajustadas.

Todos nos lembramos de tais crianças dos nossos próprios dias escolares, e, provavelmente, elas não recebiam nenhuma terapia especial, não tomavam nenhum remédio, não procuravam tratamento para TDAH e não portavam nenhuma terminologia psicológica em sua jornada através da infância.
Dê uma olhada nas mesmas classes e nos mesmos pátios escolares atuais e verá uma variedade de diagnósticos: TDA, TDAH, várias dificuldades de aprendizagem, disfunções da integração sensorial, transtorno de oposição e desafio.

A infância virou uma sopa de letrinhas. Uma criança que não se encaixe no modelo provavelmente receberá avaliação intensiva, levando a diagnósticos e novos diagnósticos e, na volta, um programa de terapias individualizadas, intervenções com base na família e, possivelmente, medicamentos. Isso é uma coisa boa. Já não mais tomamos como certo que algumas crianças que sofrem com problemas sejam deixadas sozinhas em sua luta.

Mas, para os pais dessas crianças, o mundo de hoje apresenta sua própria espécie de dificuldades. Em um mundo perfeito, você confiaria em uma equipe de especialistas eruditos e sensíveis, que veria seu filho sem preconceitos e que levaria o tempo necessário para conhecê-lo. Suas recomendações seriam realistas e práticas, e as consultas de avaliação e de acompanhamento seriam integralmente cobertas pelo seu plano de saúde.

Sinto muito, não temos o mapa desse tipo de mundo. Como você já deve ter percebido, com tantos diagnósticos para escolher, e uma estonteante lista de especialistas para consultar, os pais de crianças diferentes podem perder tempo, dinheiro e o sono, e ainda descobrirem que sabem pouco mais do que sabiam no começo, e, talvez, menos confiantes em seu instinto.

Bem, podemos não ter um mapa, mas nosso objetivo aqui é ajudar o mais que pudermos para que você obtenha, se não tudo, o que for necessário para juntar sua equipe de especialistas. Se você ainda estiver procurando um diagnóstico que faça sentido ou se já estiver em meio a um tratamento, os conselhos a seguir poderão ajudá-lo a fazer escolhas seguras sobre os profissionais do seu filho.

O Ponto de Partida

Tipicamente os pais começam pelo profissional de saúde do seu filho, geralmente um pediatra, o clínico da família ou uma enfermeira particular. Alguns pediatras têm treinamento adicional em desenvolvimento e em comportamento, e muitos outros têm um interesse especial na área. Mas todo pediatra gasta a maior parte do seu tempo examinando bebês e crianças pequenas e tem alguma ideia da faixa normal, e de suas variações que atingem os limites da faixa.

Se você falou de alguma preocupação sobre seu filho com o pediatra, e ele ouviu atentamente, interagiu com seu filho e o examinou, porém não ficou alarmado, fique tranquilo. Não é uma garantia, é claro, mas pode bem ser que o que você está vendo seja somente uma fase do desenvolvimento. Pode ser difícil julgar se uma criança de dois anos está além do normal quanto a comportamento de oposição e de birras, especialmente se ela for o seu primeiro filho.

Se você confia e gosta do seu médico, deve deixar como está por ao menos uns poucos meses. Não há provavelmente nenhum teste vital único que precise ser feito rapidamente para uma resposta essencial. Obviamente não estamos falando de uma criança que seja surda ou com o autismo clássico ou com convulsões. Sempre é importante que a criança com transtornos psiquiátricos ou clínicos seja diagnosticada e tratada tão rapidamente quanto possível.

Mas se você estiver realmente preocupado sobre o desenvolvimento do seu filho, fale com seu pediatra. Interrompa-o, olhe nos olhos dele e fale que você está preocupado, e diga exatamente porquê. Então, marque uma consulta para falar especificamente sobre sua preocupação. Não tente discutir isso durante uma consulta por causa de uma infecção de ouvido.
Suas preocupações devem alertar o pediatra para fazer algum tipo de avaliação sistemática do desenvolvimento, não só "dar uma olhada" no seu filho. Se você sentir que não está sendo ouvido, procure uma segunda opinião. Muitos pediatras serão receptivos para encaminhar você e seu filho para um especialista em comportamento e desenvolvimento, se você estiver verdadeiramente preocupado.


(a continuar  na postagem 289)

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