"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
RUI BARBOSA

terça-feira, 15 de maio de 2012

210- O Manejo de Classe Que Cria Harmonia Em Vez de Hostilidade



Por Kevin Mixon

“Muito obrigado, Marquis”, o colega dele sussurrou com raiva. “Agora nós vamos perder 10 minutos do intervalo porque você fez besteira. Você é burro. Nós te odiamos!”

Parece familiar? Embora muitos especialistas se oponham aos sistemas de punição e recompensa, eles ainda são usados em quase todas as salas de aula. Os professores frequentemente são solicitados a adotar um sistema de manejo da classe para toda a escola, ou eles podem estabelecer o seu próprio sistema diante de uma necessidade de estrutura. Mas, devido a essas realidades, você ainda pode incorporar os indicadores de manejo de sala que são diretamente ligados às metas de aprendizagem e que reforçam as expectativas, em vez de simplesmente punir o assim chamado “mau” comportamento. Fazendo assim, você pode incentivar a inclusão em vez da competição destrutiva em sala de aula.

O primeiro passo para fazer isso é oferecer recompensas para as quais os estudantes terão de se esforçar e que são diretamente ligadas a metas de aprendizagem. Por exemplo, você pode recompensar os estudantes por esforço sustentado e construtivo, deixando que eles façam um jogo de revisão, não competitivo, com toda a classe (como o beisebol da matemática ou o “Jeopardy”(sorte)), por meio do qual você pode avaliar o conhecimento deles ao final de uma lição. Fred Jones, em “Tools for Teaching” (ferramentas para ensinar), recomenda que denominemos esses jogos de “Preferred Activity Time”(P.A.T.)(Tempo de Atividade Preferida). Tente escolher atividades de movimentação que estimulem o cérebro e propiciem alívio bem recebido ao se sentarem.

Além disso, tenha certeza de que você estruturou meios para que os alunos possam ganhar o P.A.T. para promover a inclusão e o espírito de corpo. Eis aqui um exemplo de como não fazer isto: Costumava começar minhas aulas com quatro bolinhas. Uma bolinha seria retirada para cada situação de mau comportamento geral por três ou mais alunos da classe (eu tinha um sistema diferente para o mau comportamento individual). Se a classe perdesse todas as bolinhas, eles perdiam a sua atividade preferida, e os estudantes mal comportados eram punidos por ter prejudicado todos os outros.

Mas eu aprendi coisa melhor. Agora, meus alunos precisam ganhar, em vez de perder, um número determinado de bolinhas. Além disso, o modo como eles ganham as bolinhas é individualizado. Por exemplo, um aluno difícil pode ganhar uma bolinha para o grupo por não ter crises de mal comportamento por vários minutos, enquanto outro aluno pode ganhar uma bolinha por auxiliar um aluno de língua inglesa ou um aluno com deficiência, sem ser mandado. Ambas as ações são vistas igualmente pelos colegas, porque eles ganharam a mesma coisa na direção da atividade desejada. Estudantes difíceis geralmente recebem aplauso por ganhar uma bolinha, em vez de insultos por ter fracassado.

Comente em vez de elogiar

Um segundo princípio para criar um sistema de gerenciamento que aumente a coesão é o de evitar o elogio pessoal. “Gosto do jeito como a Dayshaum fica sentada quietinha”. “Bom trabalho, Maria, adoro seu jeito de cantar”. Quão frequentemente incluímos em nosso retorno o jeito que nos sentimos em relação ao trabalho ou comportamento do aluno?  Caminhe pelas salas de qualquer escola e ouvirá isso o dia todo, até mesmo de professores excepcionais. Fiz isso por tantos anos; era – e ainda é – um dos hábitos mais difíceis de eliminar durante as aulas.

O problema é que qualificadores como “gosto do jeito... “, “gosto de... “ e “bom trabalho... “ transformam um incentivo instrutivo em um elogio pessoal. Alphie Kohn e outros citam muitas pesquisas convincentes que sugerem que o elogio do professor realmente elimina a motivação dos alunos. Eles acabam estudando pela recompensa (motivação extrínseca) em vez da satisfação pessoal de fazer um trabalho bem feito (motivação intrínseca). E, quando você retira a recompensa, você remove a motivação para fazer o trabalho.

O elogio também pode dar a impressão de que o professor tem favoritos, e assim troca a harmonia e a inclusão de toda a classe por competição e ressentimento. Além disso, o elogio individual não é bem visto em algumas culturas nativas americanas e em outras culturas, nas quais o bem estar de todo o grupo é a preocupação principal. E particularmente nas populações menos favorecidas de estudantes do ensino médio, e os mais velhos, os que são elogiados podem ser levados a bajular o professor.

A pesquisa é consistente e convincente, entretanto, no que diz respeito aos efeitos positivos do feedback (retorno) do professor sobre o aprendizado do aluno. Este feedback  somente precisa ser específico para a tarefa, de modo que informa o aluno em particular e os outros alunos na classe, sem incluir como o professor se sente a respeito.

Assim, adote os exemplos acima e elimine o “Eu gosto... “ e diga simplesmente que “Dayshaun está sentada quieta”. E podemos dizer para  Maria que sua “entonação durante a segunda passagem do canto foi mais correta do que a primeira”. Desse modo, Maria recebeu o feedback sobre sua acurácia quanto à tonalidade – assim como os demais na sala – sem a necessidade de elogio pessoal.

Lee Canter, em Classroom Management for Academic Success, descreve a técnica chamada de “narração comportamental” para fornecer aos estudantes os lembretes e o feedback sem o elogio do professor durante as rotinas e os procedimentos de sala. Em primeiro lugar, descreva claramente o procedimento, de preferência postado na forma escrita ou de desenhos se houver mais de uma ou duas etapas. (O educador Michael Grinder recomenda abusar do visual com as instruções sempre que possível; acrescentar figuras e ícones às instruções escritas ajuda os jovens, os alunos com necessidades especiais e os aprendizes de língua inglesa.)

Conforme os alunos passam fisicamente de uma etapa à outra (por exemplo, entram em silêncio na sala, sentam-se às mesas etc.), identifique os alunos que estão obedecendo às instruções sem fazer elogios. Por exemplo, “Carlos e Alyssa estão  entrando em silêncio na sala” ou “Leslie está sentada em sua carteira esperando as instruções”. Tente comentar com cada aluno todos os dias, para estabelecer a inclusão e evitar a percepção de proteger favoritos.

Comentários sobre comportamento, identificando o comportamento esperado, ajudam a lembrar aos alunos cada passo do procedimento e a maneira correta de realiza-lo. Esses lembretes auxiliam todos os estudantes, mas são particularmente úteis para os que têm problemas de comportamento, tais como o TDAH, porque propiciam lembretes concretos sem críticas quando esses estudantes têm dificuldade de lembrar-se das rotinas ou dos procedimentos.

Amamos os nossos alunos e queremos comemorar quando eles ficam felizes com suas conquistas. Felizmente, há amplas oportunidades para essas interações, e elas fazem muito para construir a empatia necessária para o aprendizado. Entretanto, não destruamos comportamentos desejados com a nossa bondade.

Então, fique a procura de jogos com conteúdo para o aprendizado e outras atividades que os alunos gostem e que desejam praticar. Enquanto ensina, propicie o feedback instrutivo e construtivo que orienta e motiva os alunos a aprender, em vez de procurar obter vantagens extrínsecas do professor. Essas abordagens o ajudarão a criar harmonia em vez de hostilidade na sua classe.

Kevin Mixon, um professor com o  certificado “National Board”, de Syracuse, N.Y., é coordenador de artes em Syracuse City Schools, autor de “Reaching and Teaching All Instrumental Music Stundents”, e coautor de “Teaching Music in The Urban Classroom”.

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